Emaranhado
1 Disputa
Notas iniciais
Disputa
Capítulo 1
Para Hyuuga Hinata, a felicidade tinha voz suave e abraço com cheiro de bolo. Fazia-a rir ao bagunçar seus cabelos e, com zelo, levá-la pela mão em um divertido passeio.
Hoje, aos 25 anos, formada em Administração e especialista na área contábil, Hinata sentia que essas se tornaram apenas boas lembranças. Era difícil crer que, um dia, a felicidade deixou-a dormir em sua cama.
Sua mãe partiu devido a complicações da diabetes, dizia o médico, mas Hinata sabia que foram as privações financeiras as responsáveis por um tratamento deficiente.
E a culpa era inteiramente dele.
Sabaku no Rasa.
Aos dezesseis anos, Hinata assistiu ao pai ceder a uma ousada proposta da Sabaku S.A. e aplicar em suas ações as economias da família. Meses depois, ele sofreu a perda do investimento que os levou a hipotecar a casa e cortar quaisquer regalias. Sua mãe então adoeceu, exatamente quando a indústria onde seu pai trabalhava decretou falência e deixou desempregadas centenas de pessoas.
A garota aprendia, naqueles meses difíceis, que a felicidade era frágil. E sua perda, irreparável.
Seu pai realmente tentou oferecer à esposa doente o melhor que estava ao seu alcance. Endividou-se ainda mais, a ponto de se desfazerem de todos os bens depois de vários empréstimos. Seus esforços foram inúteis para salvá-la, e os anos seguintes, repletos de frustrações.
Seu pai jurava ter sido vítima de um golpe. Lutou na justiça para que a suja manobra fosse desmascarada, a fim de reaver seu investimento e um pouco de paz ao coração lutuoso, mas todos os recursos legais contra a Sabaku S.A. resultaram em fracasso.
Talvez por isso Hyuuga Hinata nunca tivesse se recuperado... E agora estivesse sentada à imponente mesa de reuniões na sede da empresa que desejava investigar. Nesse momento, com as mãos agilmente escrevendo anotações, ela ouvia Yashamaru, o diretor financeiro da Sabaku S.A., discorrer sobre a possibilidade de promover um dos funcionários a subgerente do setor contábil.
— Estamos atentos ao rendimento de vocês – comentou Yashamaru, observando cada funcionário. – Quem conseguir, nas próximas semanas, mostrar melhor resultado será indicado para essa promoção.
Hinata inspirou o ar e observou os colegas chamados àquela reunião. Eram, ao todo, cinco concorrentes. Nenhum deles a ameaçava mais do que Akasuna no Gaara.
Sentado elegantemente do outro lado da mesa, o jovem administrador nada registrava em sua agenda. Poderia enganar a todos com sua expressão indiferente, mas não a ela.
Hinata já conhecia a memória invejável daquele rapaz, a quem bastava ouvir a informação uma única vez para reproduzi-la à perfeição. Ela sabia quão analíticos seus olhos de um incomum aquamarine poderiam ser.
Não à toa, Gaara obtivera as melhores médias em produtividade. Sua especialidade era a gestão tributária, complementar à área de estudo dela, por isso tiveram a oportunidade de trabalharem juntos em alguns projetos.
Em suas breves interações, Hinata percebeu existir nele uma sede por crescer que a assustava e quase a fazia duvidar de suas próprias capacidades.
Engolindo em seco, ela exigiu coragem de si mesma. Não poderia esmorecer em seu objetivo. Tornar-se subgerente contábil permitiria o acesso a arquivos confidenciais da empresa. Acesso este que talvez a levasse a revelar a verdade sobre o que aconteceu à sua família...
Como se sentisse o peso de seu olhar, Gaara voltou sua atenção a ela. Os cabelos vermelhos dele, em desalinho, contrastavam com as vestes sociais impecavelmente asseadas. Hinata achava chocante o kanji “amor” tatuado em sua testa. Quem, por Deus, contrataria um administrador com tal aparência?
Não perderei para alguém como ele, pensou franzindo o cenho. Uma violenta onda de competitividade a envolvendo.
Divertido com a reação dela, Gaara sorriu com falsa simpatia. Seus lábios não revelaram os dentes, mas o gesto atingiu seu objetivo: irritada, ela desviou o olhar.
A silenciosa interação foi suficiente para decretar a disputa a se iniciar.
[Continua]
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