Em um Estado de Sonho
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Em um enorme campo esverdeado com pequenas flores violetas Arthur estava adormecido. Pequenos seres brilhantes voavam sobre ele. Estava um pouco escuro o que dava um charme ao local.
— Onde estou? –olhou ao redor e percebeu que não conhecia aquele lugar. — Que roupa é essa? –usava um vestido e salto alto e estava parecendo uma veste de princesa. — Mas o quê? –levantou-se assustado.
— Não sinta medo, minha cara. –se aproximou uma senhora com um unicórnio ao seu lado. — Finalmente uma princesa que nos ajudará.
— Eu sou homem. –levantou uma das sobrancelhas. — UM UNICÓRNIO. —seus olhos brilhavam. — ELES EXISTEM!
— Tudo existe neste mundo, minha jovenzinha. –percebeu que Arthur se aproximava. — Não toque nele! –advertiu.
— Por que não? –fez um bico.
— Porque são animais muito sensíveis, e você me parece indigna de tocar um animal como esse.
— Eu sou homem. –revirou os olhos. — O que posso fazer para você dar ele pra mim?
— Eu vim aqui porque vi você ao longe. –se aproximou do rapaz. — E você precisa quebrar a maldição que está neste mundo dando um beijo em um animal que mora em uma caverna. Apenas uma princesa pode fazer isso.
— Irei dizer devagar. –suspirou. — Eu não posso ser uma princesa porque sou homem!
A senhora se aproximou o cheirando.
— Tem cheiro de menina, vestes de princesa e um jeito de princesa. –pareceu pensativa. — Você é uma princesa, minha menina.
— Tudo bem. –revirou os olhos. — Eu quebro a maldição, mas pelo unicórnio.
— Maravilha! Assim tudo ficará normal outra vez e nossas crianças não passaram mais fome!
Arthur sorriu, ficou feliz em ajudar de certa forma e além disso ganharia unicórnio.
— Pegue esse mapa e vá até o rio das desvantagens. –tirou da manga da roupa um pedaço de papel. — Lá é onde mora a pior criatura desse mundo. Mas será lá que encontrará a solução para matar essa maldição.
— Certo. –pegou o mapa. — Parece um pouco confuso pra mim, você poderia... –percebeu que nem a senhora e nem o unicórnio estavam mais ali. — Senhora?
Começou a andar sem destino certo. Não entendia nada que estava no mapa. Saiu do campo e notou que o caminho ficava mais sombrio. Chegou em um lugar onde havia uma enorme flor e alguns seres mágicos em volta dela.
— Um monstro! –gritou uma fada. — Corram!
— Não seja estúpida é uma jovem menina.
— Sou homem...
— Deve ser uma princesa. –disse um coelho verde com asas. — Olá princesa! Está indo quebrar a maldição? Precisa de ajuda? Quer minha ajuda?
— Sim para todas as perguntas. –sorriu. — Você poderia mesmo me ajudar?
— Claro que sim. –sorriu. — Estou feliz por poder te ajuda.
Arthur apenas sorriu.
— Ei vão logo os dois. –disse a fada. — Quero logo fazer o meu papel.
— Não seja grosseira com a princesa! –disse o coelho. — Vamos logo princesa, antes que eu bata em alguém por te tratar mal. –o coelho era fofo. — O rio não é muito longe daqui.
— Sim, certo. –sorriu. — Foi um prazer conhecer vocês.
Arthur começou a andar e o coelho voava em sua volta. Parecia estar alegre porque a maldição seria quebrada. O caminho ficava cada vez mais sombrio o que fez o inglês se arrepiar. Chegaram ao rio e viram uma caverna.
— É-é aí dentro que deve ir princesa. –o coelho parecia assustado. — N-não posso entrar junto, tenho medo. –choramingou. — M-me desculpa!
— Não tem problema algum ficar com medo. –sorriu. — Agradeço por ter me trazido até aqui.
— Você é maravilhosa princesa! Agora eu vou indo. –sorriu. — Até mais.
Arthur viu o coelho voando rápido de volta e suspirou. Olhou para a caverna tentando ver o que tinha lá dentro. Porém a caverna era escura de mais. Tomou coragem e entrou em leves passos. Suava frio e seu coração batia rápido.
— Olá princesa. –Arthur ouviu uma voz.
— Q-quem está aí? –disse assustado. — Minha carne tem um gosto horrível.
— Aqui em baixa minha linda princesa.
Quando Arthur olhou para o chão viu um sapo.
— Um sapo... –disse seco.
— Sim... agora vem aqui e me dê um beijinho. –o sapo pulou até Arthur.
— Fique longe! –Arthur subiu em uma das rochas da caverna. — Como você é nojento.
— Eu sou um sapo. –choramingou. — Não posso ser mais bonito do que isso infelizmente. –suspirou. — Me dá um beijinho princesa! –o sapo pareceu ter feito um biquinho.
— Não. –Arthur fez uma careta de nojo. — Eu não vou beijar um sapo.
— Mas eu sou um príncipe e você é uma princesa. –tentou pular em cima da rocha, sem sucesso. — Você quebra minha maldição, depois vamos nos casar e ter filhos.
— Eu sou homem! –disse irritado. — Não posso engravidar.
— Não fale bobagens princesa. –o fitou. — Agora desça daí e me beije.
— Eu vou ter que beijar você pra poder quebrar a maldição, certo?
— Sim. –voltou a fazer um bico.
Arthur suspirou e desceu da rocha.
— Me beije. –disse em um tom sedutor.
O inglês fez uma careta.
— Então você realmente veio princesa? –uma voz assustadora saiu da parte escura da caverna. — É bom te ver de novo. –a mesma mulher que tinha visto no campo da eterna primavera saiu da escuridão.
— Senhora? Onde está meu unicórnio? Estou prestes a fazer algo nojento.
— Sabe por que não existem mais princesas neste mundo? –riu. — Porque eu preciso me alimentar da mais pura carne de jovens da realeza! E enquanto a maldição estiver viva eu posso fazer isso sem preocupação alguma.
— V-você quer me matar? E meu unicórnio?
— Que unicórnio? –perguntou o sapo.
— Ele está bem, infelizmente fiquei fraca por me aproximar de mais dele. –suspirou. — Ele poderia ter salvado você.
— E o vilarejo? –disse Arthur.
— Não existe mais ninguém lá. –riu. — Você terá que se reproduzir com o príncipe para criar uma realeza e trazer novos moradores.
— Mas eu sou macho. –trocou o termo para vez se eles compreendiam.
— Não sinta medo princesa! –a senhora se aproximou. — Eu vou comer sua carne bem devagar! –a voz antes doce se tornou assustadora. — Aceite o destino! –se aproximava cada vez mais.
Arthur arregalou os olhos, incrédulo.
— Rápido me beije e tudo ficará bem!
— Não. –não sabia o que fazer. — Não quero beijar um sapo.
— Mas vai quebrar a maldição!
— Princesa! –cantarolou a senhora que tomava uma forma monstruosa. — Não sinta medo!
— Não me coma. –choramingou. — Eu só queria o unicórnio!
— É isso que se ganha por ser tão interesseira. –soltou uma gargalhada.
— Rápido me beije! –o sapo pulava entre as pernas de Arthur. — Que roupa debaixo mais linda.
— Não olhe aí! –Arthur ficou corado. —Que sapo tarado! –fez um bico e se afastou do bicho.
— Me beije!
Arthur gemeu pelo nojo, voltou a se aproximar do sapo e o pegou em suas mãos.
— Essa é a coisa mais nojenta que eu vou fazer na vida.
O sapo fez o que parecia ser um bicho.
— Que nojo... –disse ao olhar a boca do sapo.
Não perdeu mais tempo e o beijou. Com um pouco de nojo e receio pois não sabia se daria mesmo certo. Jogou o sapo no chão e passou um das mãos na boca.
Uma luz tomou conta do lugar. A doce senhora que na verdade era um monstro derreteu, enquanto a caverna se destruiu em mil pedaços e no lugar ficou uma linda floresta com um rio muito atraente a se entrar. A maldição havia acabado. Olhou ao redor e viu que o sapo havia virado humano.
— FRANCIS? –falou incrédulo. — VOCÊ É O PRÍNCIPE?
— Você sabe meu nome princesa? –sorriu.
— N-NÃO! EU QUERO IR EMBORA! ALGUÉM ME TIRE DAQUI!
— Que dia da semana você prefere se casar? Temos que fazer todos os preparativos. –se aproximou do “princeso”. — Afinal de contas temos muito o que fazer.
— EU QUERO IR EMBORA. –começou a correr. — ISSO É UM PESADELO HORRÍVEL!
— Se acalme princesa... –Francis foi atrás. — Vamos nos casar e ter bebês.
De repente a visão do inglês ficou turva até que.
–
— MAS O QUÊ? –Arthur abriu os olhos bruscamente. — Meu unicórnio! –olhou para a roupa do corpo e estava com a mesma de sempre.
Estava na sala de sua casa no seu mundo. Havia acabado de acordar.
— Iggy. –Francis estava o fitando. — Finalmente acordou.
— Francis vem aqui. –se levantou do sofá. — Vamos logo eu quero meu unicórnio. –agarrou o braço do francês.
— Você não vai me expulsar ou chamar a policia?
— Não. –deu um selinho nos lábios de Francis. — Tudo para ter um unicórnio! Eu já tive que te beijar seu sapo gosmento. –fez uma careta.
— Você está bem?
— Vamos para o quarto rápido. Acho que preciso fazer mais coisas para ganhar meu unicórnio!
— Rápido? E o vinho?
— Cale a boca. –puxou Francis até seu quarto.
Arthur acabou dormindo com Francis. Acabou que ficando sem seu unicórnio mas ganhou um francês apaixonado. E talvez em um mundo distante a paz tenha se restaurado. E todos viveram felizes para sempre, menos Arthur que achava um absurdo ter o francês no seu pé.
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