Notas iniciais
Resultado de um surto que me deu, apenas saiu isso aí... enfim, que seja.

Frágil. Delicado. Insano.

São quase três da madrugada, e o mundo parece querer acabar lá fora, se o temporal for qualquer indício disto.

Faz cerca de quatro horas que está sentada no mesmo lugar desde que chegou em casa e encontrou o envelope jogado pela fresta da porta. Aquele envelope que estava endereçado a você, seu nome escrito naquela inconfundível caligrafia. Podia jurar que sentiu seu coração saltar ao imaginar o conteúdo daquela provável carta. Mas claro que buscou refrear qualquer pensamento ou emoção só por causa daquele papel que agora jaz em suas mãos; evitar uma ilusão. Por quê? Você se convenceu que no final de tudo seria melhor assim.

Será mesmo? Passou essas horas remoendo a crescente curiosidade para descobrir do que se tratava o que quer que aquele envelope contivesse. Contudo, a coragem… sim, coragem, parecia ir na direção oposta à curiosidade.

Mais uma vez, os dilemas travavam seu duelo. Ansiava saber… e tinha medo do que encontrar. Seu corpo protestava, aquela poltrona era certamente confortável, mas não o suficiente por quatro horas interruptas, em compensação não queria sair dali; sua razão escolhia por ignorar aquele envelope, mas por quê podia sentir que algo importante, talvez, se perderia se o ignorasse? A ideia de não ter expectativas e o desejo de deixar a vida fruir a consumia.

A ponta de seus dedos percorre seu nome marcado no papel. Por que não? Por que sim? Você suspira, desejando uma simples resposta para sua vida.

O temporal persiste na avenida lá fora, e não pode conter a risada sarcástica ao fazer alusão que seja o seu mundo, na verdade, que parece desmoronar ao menor abalo.

Frágil. Delicado. Insano.

O que há a perder? Mais nada de relevante, certo? Apenas o último sopro de um sentimento… Então, que seja. Os conflitos em algum ponto, cessam.

É com este pensamento, um fechar de olhos e um suspiro, que rompe o lacre do envelope, e testemunha que se trata de uma carta.

Você retira o papel carta, depositando o envelope ainda em seu colo, inspira o perfume daquele pequeno grande tesouro, ou armadilha, você ainda não sabe, em suas mãos.

O desdobra com cuidado, sente pontos marcados na superfície como se fossem... lágrimas. É inevitável a sensação do músculo se apertando no seu peito; assim como sequer percebe que bolsas d'água se amontaram um pouco em seus olhos. Antes que suas lágrimas contribuam com as marcas no papel, você permite-se perder naquelas palavras.

Eu nunca fiz isto… Escrever uma carta de amor.

Não te escrevo para pedir teu perdão.

Não te escrevo para me desculpar contigo.

Não te escrevo para lhe fazer juras.

Sabes por que te escrevo?

Porque aprendi a amar a simbologia e os clássicos, e que maneira mais clássica de te mandar o meu amor senão por uma carta de amor?

Porque tu és a minha luz, que mesmo longe me guia por esses caminhos, sendo o da vez, as palavras.

Porque enquanto te escrevo, desejo depositar entre essas linhas e entrelinhas meu carinho por ti… Entre as lágrimas derramadas neste papel as saudades que tu me faz… Na minha caligrafia os nossos encontros, desencontros e reencontros… Eu me perco e meu acho em ti.

Porque quero te acalentar…

Por querer te entregar-me e pegar-te para mim…

Os embates do dia a dia? Enfrento todos se te tenho comigo.

Na nossa delicada intimidade tu me és, e eu te sou.

Sabes este músculo? Que pulsa; dilacera meu peito bombeando por toda e cada célula de meu corpo este amor que sinto por ti; que já apanhou, foi estilhaçado; agora remendado, dotado de um sopro revigorante de vida, paixão, loucura e amor por ti…

Sabes?

Que bate forte quando teus olhos se encontram aos meus; quando teu corpo se encaixa ao meu…

Que sangra, que derrama vida na minha corrente sanguínea para me manter te amando…

Pegue. Segura-o.

Está em suas mãos… meu coração.

Lágrimas escorriam pelo seu rosto, respingando no envelope que jaz em teu colo, tornando-o translúcido, assim revelando algo ainda deixado ali.

Sua mão esquerda pressionando aquela carta sobre seu coração, sua mão direita agarrada ao que estava escondido anteriormente no envelope… a correntinha com o coração dourado.

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Fim (?)

Notas finais
Um texto pequenino :x
Bem, não tenho ideia se vou continuar, talvez só se der algum outro surto, por isso não marquei como terminada... mas, enfim, nada certo mesmo.
Eu escrevi pensando em uma das duas - Quinn/Rachel - especificamente, mas tentei não deixar nada tão explícito. Se alguém leu, eu gostaria de saber qual das duas foi visualizada aqui, então, deixa review, por favor. =D
A quem ler - se alguém leu até aqui - o meu muito obrigada.
Beijo,
J
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.