Em nossos Sonhos
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Capítulo 02
Os dias passaram depressa para Jared e quando ele menos esperava já estava em sua última semana de aula, seus últimos dias no ensino médio. Ele já havia feito suas provas e entregado os trabalhos, então, essa última semana era para ele se despedir de seus amigos e se preparar para as novas coisas que aconteceriam em sua vida.
Nesse momento ele estava sentado com sua mãe e sua irmã tomando café. Mia olhou para ele e sorriu, ela era incrivelmente parecida com sua mãe; os mesmos olhos castanhos e nariz fino, lábios grossos e sorriso contagiante.
—Sabia que depois da formatura o Jar vai sair em uma viagem mamãe? —A garota disse enquanto mordia uma torrada.
—A quanto tempo você tem planejado isso, Jared? —A mulher mais velha questionou arqueando uma sobrancelha.
—Um mês, é algo bem recente.
—Por isso que terminou com a Kimberly?
—Também. Nosso relacionamento não era mais a mesma coisa a um bom tempo. —Ele respondeu encolhendo os ombros.
—A matilha está bem com isso? Sam já sabe dessa sua viagem?
—Sam me disse que tudo bem eu ir; tem algo me incomodando e eu preciso resolver.
—Você sabe quanto tempo vai ficar fora? —Ela perguntou se servindo café.
—Não. Não sei quanto tempo vai demorar para eu encontrá-la.
—Encontrar quem? —Mia perguntou erguendo os olhos de seu café da manhã.
Jared parou com a colher a meio caminho da boca, leite e cereal escorrendo para a tigela à sua frente.
—Hum… ninguém. —Ele respondeu sorrindo sem graça.
—Jared, sem segredos, lembra? —Mia falou agora prestando total atenção no irmão.
—Sua irmã tem razão, Jared. Que garota você vai encontrar? É alguém que você conheceu pela internet?
—Olha só a hora… vamos nos atrasar, Mia. Vamos logo. —Ele disse se levantando e puxando a irmã pelo braço.
A mãe dele nada disse, apenas observou seu filho sair puxando a irmã para fora de casa.
No carro, Jared e Mia se encararam em silêncio.
—Quem é a garota? —Ela perguntou olhando para o rosto inexpressivo do irmão.
—Ninguém, Mia. Esqueça isso. —Ele resmungou ligando o carro e dando partida.
—Jar, quem é a garota? —Ela disse em um tom baixo e calmo.
Jared odiava quando ela falava daquela forma; ele nunca conseguia esconder nada dela enquanto ela estivesse o olhando profundamente com aqueles olhos castanhos que pareciam perfurar sua alma.
—Eu não sei. —Ele murmurou fazendo uma curva até uma rua mais movimentada.
—Pera aí, eu acho que não entendi. —A garota disse quando ele parou o carro no estacionamento. -Você não a conhece? Você vai deixar sua matilha para ir atrás de uma garota que você não sabe nem quem é?
—Sim Mia, eu não a conheço. Droga, eu apenas sonho com ela; Sam me autorizou a viajar porque ele acha que é algo do lobo. Ele está neste exato momento fazendo pesquisas nos livros antigos para tentar entender porque desde que eu me transformei, eu sonho com essa garota; com seus olhos, seu sorriso, seus longos cabelos castanhos… —Ele se interrompeu e olhou para a irmã que o observava boquiaberta.
—Você realmente está indo atrás disso?
—Sim, Mia. Meu lobo exige isso de mim; chega a ser opressor o quanto ele quer encontrá-la. Enquanto eu estava com Kim, meu lobo vivia inquieto quando ela estava por perto; era como se nada nela o agradasse. Já o simples pensamento nessa garota desconhecida o acalma, é como se ele estivesse implorando para tê-la por perto. —Ele terminou e respirou profundamente; era maravilhoso falar aquilo para alguém que não fosse a matilha.
Ele amava seus irmãos, mas eles conseguiam ser bem idiotas as vezes.
—Então, seu lobo está apaixonado por essa garota?
—Parece que sim… —Ele começou mas foi interrompido pelo som do sinal indicando que eles deveriam se preparar para entrar na sala de aula.
—Falaremos sobre isso mais tarde, tenho muitas perguntas para fazer. —Ela disse saindo do carro.
Jared observou a irmã se afastar e balançou a cabeça negativamente; era inacreditável que ela tinha apenas catorze anos. Ele desceu do carro e caminhou rapidamente até seu armário, onde pegou alguns livros e foi para a sala de aula.
As primeiras aulas se passaram rapidamente e quando o sinal para o intervalo tocou, ele e Leah (com quem ele compartilhava a aula de álgebra) foram os primeiros a saírem para o corredor que se enchia rapidamente.
—Então está tudo certo para você sair em busca da garota dos seus sonhos logo depois da entrega do diploma? —A garota perguntou enquanto eles caminhavam lado a lado.
—Sim. Você vai ser privada de ver o meu belo rosto por tempo indeterminado. —Jared respondeu se afastando dela para ir até seu armário.
Após guardar seus livros, ele voltou seu caminho para o refeitório, sabendo que Leah o alcançaria. Quando ele estava quase chegando na porta do refeitório, ele sentiu um peso contra suas costas e soube imediatamente que era Leah pulando nele.
—Vamos lá, babaca. Me leve. —Ela riu contra o ouvido dele. Rindo também, Jared levou as mãos até as pernas dela e a arrumou confortavelmente em suas costas.
Para os dois, não tinha duplo sentido naquela brincadeira, eles eram como irmãos; ele carregava Mia daquela forma e fazer isso com Leah, era a mesma coisa, era algo fraternal.
Porém, nem todos pensavam dessa forma. Kimberly e algumas garotas do segundo ano estavam saindo do banheiro feminino no momento em que Jared passava por lá carregando Leah. No momento em que os olhos dela avistaram os dois, ela parou no meio do corredor, impedindo-os de passar.
—Jared. —Ela murmurou transparecendo raiva em cada sílaba do nome do metamorfo.
—Kimberly.
—Me chama de Kimberly, agora?
—É o seu nome, não? — Ele disse soltando as pernas de Leah; a garota saltou para o chão com invejável graciosidade e se colocou alguns passos atrás dele.
—Mas até uma semana atrás não era assim que você me chamava.
—Até uma semana atrás éramos namorados. —Ele rebateu cansado.
—E essa aí não perdeu tempo né? Foi só você ficar solteiro que ela grudou em você. —Ela indicou Leah com a cabeça. —Minha mãe me disse para tomar cuidado com ela ao seu redor; ela me disse que todas as mulheres dessa família são…
—São o que, Kimberly? —Leah interrompeu se colocando exatamente ao lado de Jared. —Termine essa frase se você tiver coragem. Você está falando da minha família, garota. E eu não vou aceitar qualquer ofensa contra eles. Mas quero saber o que sua mãe disse sobre as mulheres da minha família, Kim. Ela disse que as mulheres da minha família são vagabundas? Tudo isso porque meu pai preferiu ficar com minha mãe ao invés dela? Depois de tantos anos, achei que ela teria superado.
Kimberly se encolheu e não se atreveu a responder; Leah era claramente maior do que ela, e a vontade de brigar com alguém como Leah era mínima.
—Leh, não caia nos joguinhos dela. Deixa que eu resolvo isso. —Ele sussurrou colocando a mão sobre o ombro dela, que tremia levemente.
A escola da reserva era pequena e as notícias se espalhavam rapidamente; quando Kimberly interceptou Jared e Leah, uma pequena multidão se formou rapidamente e todos assistiam ansiosos o desenrolar daquilo.
—Eu e Leah não temos nada, Kimberly; nosso relacionamento acabou, porque tinha que ter acabado, ninguém é o culpado disso. —Jared disse com uma voz controlada. —Eu agradeceria se você não ofendesse meus amigos; você vem fazendo isso nos últimos meses, desde que eles se tornaram mais presentes em minha vida, eu aguentei calado porque eu ainda tinha pelo menos um pouco de sentimentos por você, mas acabou. E da próxima vez que você ofender meus amigos, principalmente Leah, eu não vou me colocar entre vocês, você terá que lidar com as consequências. Agora com licença, já perdi tempo demais aqui.
Ele pode ver os olhos de Kimberly se encherem de lágrimas de raiva quando ele e Leah passaram por ela e suas amigas. Mas ele não deu importância, Kimberly era uma página virada em sua vida; um novo capítulo de sua história começaria em breve e ele não deixaria sua ex-namorada estragar tudo.
—Ela enlouqueceu de vez. —Leah disse assim que eles estavam distantes o suficiente de Kimberly. —Até parece que eu, Leah Clearwater, namoraria com você. Até pensar nisso me faz ter calafrios.
—Vamos fingir que acreditamos nisso, Leh. —Ele piscou enquanto abria a porta para ela entrar no refeitório.
Ambos se serviram e foram até a mesa onde os outros estavam e se sentaram.
—Demoraram hoje. —Seth disse olhando de sua irmã para Jared.
—Tivemos um probleminha chato no meio do caminho. —A garota respondeu após engolir.
—Deixa eu adivinhar… Kimberly? —Brady disse segurando uma risada.
—Ela acha que eu e Jared temos um caso. Isso é simplesmente nojento.
—Leah, eu realmente estou começando a me ofender. —Jared disse arqueando uma sobrancelha para a garota.
—Sinto muito, Jar. Você é gato e tudo, mas pensar em você dessa forma é a mesma coisa que pensar em Seth dessa forma; absolutamente nojento.
—Sério, ela iria pirar se descobrisse que Jared terminou com ela por causa de uma garota que ele nem sabe se existe. —Isaac disse fazendo todos rirem.
Jared já tinha se acostumado com a matilha fazendo piadas sobre seus sonhos e a garota deles; mas ele sabia que eles torciam para que ele encontrasse a garota. E ele sabia que seu lobo o levaria até ela, onde quer que ela esteja.
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Bella suspirou e limpou o suor da testa com as costas da mão enluvada; estava frio, mas o esforço físico e o grosso casaco de pele que ela usava fazia seu corpo superaquecer.
—Aqui, querida. —Charlie lhe entregou outro grande pacote que ela amarrou com firmeza no capô da caminhonete. —Agora eu preciso ir, mas nos vemos em breve.
—Boa viagem papai. —Ela se aproximou envolvendo o homem em um abraço apertado.
—Tem certeza que ficará bem, querida? Sempre podemos pedir para você ficar com os Mason, Judy te adora… —Ele se ajeitou no banco do motorista ao lado dos dois cachorros que sempre viajavam com ele.
—Papai… eu não tenho mais dez anos de idade. Vou ficar bem. —Bella sorriu e deixou o homem envolvê-la em outro abraço apertado. -A barraca e os cobertores estão na bolsa?
—Sim; assim como comida, sinalizador, isqueiro, cordas sobressalentes e tudo o mais.
—Certo então, papai. Boa viagem. —Ela beijou a bochecha dele e se aproximou dos cachorros. —Cuidem bem de Charlie, sim? Não deixem ele fazer nada estúpido.
—Hey mocinha, eu ainda sou seu pai! —O homem brincou enquanto Bella beijava a cabeça peluda dos dois cães.
—Por isso eu me preocupo. Lembre-se de parar todos os dias por volta das cinco da tarde, se alimente e alimente os cachorros. —Ela se permitiu ser abraçada por Charlie mais uma vez.
—Fique bem, pequena. Te vejo em breve. —Ele se despediu fechando a porta e girando a chave na ignição.
Bella observou até que o carro de seu pai fosse apenas um pontinho à distância e entrou de volta na casa aquecida; se desfazendo do casaco de pele e das botas na soleira da porta.
Ela ligou o rádio em uma estação de dark country e pegou um dos muitos livros que ela tinha na estante e começou a ler. Nesses primeiros momentos em que ela ficava sozinha em casa, logo após a partida de seu pai para mais uma entrega do outro lado do estado, ela pensava em sua vida e em como nada acontecia naquele lugar…
Bella se lembrava dos dias anteriores, quando sua mãe ainda era viva e as duas se despediam de Charlie, não apenas ela… essas lembranças eram reconfortantes; ela sentia falta de sua mãe, sentia falta dos biscoitos e do chocolate quente que ela nunca conseguiu replicar com precisão.
Ela ansiava o dia em que poderia sair e descobrir o mundo; nos livros que ela lia desde muito jovem, sempre falavam de terras onde o sol brilhava e aquecida tudo… ela nunca teve a oportunidade de ver o sol em toda a sua glória; ela havia nascido ali, estava cercada de neve e frio desde que se lembrava.
Algo dentro dela dizia para ela manter a calma e esperar só mais um pouco, a oportunidade de mudança estava chegando… com esse pensamento, Bella fechou os olhos e respirou profundamente, absorvendo o cheiro da madeira queimando na lareira e sentindo a paz que esse aroma lhe proporciona.
Sua vida iria mudar em breve, ela sabia disso. O que ela não sabia, é que essa mudança viria na forma de um jovem homem quileute que começaria sua busca por ela em breve...
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