Em mil pedaços.
6 Meu primeiro dia.
Quando estava voltando para o meu lugar ele me chama novamente.
– Sophie, você poderia se apresentar para a classe.
– S- sim, meu nome é Sophie, Sophie Collins e eu vim de Phoenix.
Eu só disse isso, eu não iria contar a história da minha vida, muito menos para essas pessoas que eu nem se quer conheço.
– Pode voltar para o seu lugar Sophie.
– E ai Sophie, quer um chiclete? – Pergunta Tyler.
– Na- não obrigado.
– Se quiser eu tenho um monte, é só pedir.
– O-obrigado.
Então o professor faz a chamada e começa a explicar a aula, eu sempre gaguejava quando falava, não sou um tipo de pessoa muito sociável.
– Então turma, esse trabalho será feito em dupla, então escolham seu colega para conclui-lo, mas sem bagunça por favor.
– Então antes mesmo de todos levantarem de seus lugares Reid vira para mim e pergunta:
– Quer fazer dupla comigo?
– Que-quero.
“Sério? Ficar gaguejando, tem como piorar??”
– Não, não, ela vai sentar comigo. – Diz Tyler.
– Com vocês? Não mesmo ela vem é comigo. – Até o Pogue entrou nessa.
Então, por mais incrível que pareça, três dos quatro bonitões estavam discutindo para ver qual deles se sentariam comigo.
– Que alvoroço é esse?
– Não é nada não professor. — Diz Reid.
– Hã.
– Eu já disse ela vai sentar comigo. – Sussurra Pogue.
E tudo começa de novo.
– Já que é assim ela não vai sentar com nenhum de vocês.
Todo mundo já tinha feito dupla.
– Então ela se sentará com quem? – Pergunta Tyler.
– Comigo, e fim de papo.
Ah não, sentar com o professor? Só pode ser brincadeira, não acredito, por mais que ele seja muito gato é um mico, meio que privilégio, mais mico do mesmo jeito.
– Então Sophie, você é de Phoenix mesmo?
– Sim.
Então comecei a fazer o meu dever. Tínhamos uma aula toda para fazer isso, ou seja, cinquenta minutos mas em metade do tempo eu já havia acabado, ele estava eu, parada e quieta com minha mesa ao lado da do professor, de frente para a sala, vendo as garotas olharem para mim e ficarem de segredinhos.
– Já acabou? – Pergunta o professor assustado.
– Sim, o senhor vai corrigir?
– Vou sim, se quiser já pode me entregar o seu que eu já corrijo.
– O.k.
– Meus parabéns, você acertou tudo. Espero que seja assim até o fim do ano.
Ele me parecia muito simpático e serio ao mesmo tempo, sinceramente eu tinha medo dele, “não, não é isso, não como um louco maníaco e psicopata”, mas vai saber tipo e se eu confiar nele e ele for um falso? To fora.
– Então turma tempo esgotado, hora de entregar os exercícios. Irei corrigir e amanhã trarei para vocês, lembrem – se, aqueles que não terminarem me entreguem até a terceira aula, caso contrário ficarão sem nota. Tchau.
– Vamos para a outra sala? – Pergunta Pogue pegando em minha mão com a maior naturidade.
– Va-vamos.
– Ei se você pode pegar na mão dela, eu também posso. – Diz Reid.
Muitas garotas viram Pogue pegando em minha mão, e não gostaram.
– Aff, Reid não enche tá.
– E aqui é onde temos nossas aulas de Sociologia.
– Sociologia?
– É, porquê?
– Odeio essa matéria.
– Todos nós odiamos.
Dessa vez eu sentei perto de Caleb.
– Para deixar bem claro, se esse velho passar tarefas para dupla, eu vou com ela. – Diz Reid.
– O que deu nos seus amigos?
– Ah, eles gostaram de você.
– Que estranho.
– Porque estranho?
– Para mim isso é novo, os garotos nunca foram muito de brigar por mim.
– Nossa, serio? – Pergunta Reid. – Como eles são trouxas, você é muito linda, deviam matar por você.
– Vai se acostumando. — Diz Caleb rindo.
“Gente, nessa escola só tem cara gato?”. Então entra o professor de sociologia, bem mais jovem do que eu imaginava, pensei que ele era um velho gordo. “Só que não”. Na verdade ele tinha o cabelo cor de meu, bem enrolado, parecendo o anjinho do turma da Monica, um sorriso muito bonito e os olhos verdes.
Ele fez a chamada, nem perguntou nada de mim ou sobre mim, passou troxentas coisas para fazermos e só perguntou quando me dirigi a mesa dele para dizer que havia acabado.
– Você deve ser Sophie Collins não é?
– S-sim.
Olha eu gaguejando de novo!
– Olá Sophie, eu sou o professor Mark, de onde você veio?
– Vim de Phoenix.
– Ah sim, Phoenix. Então já que acabou pode me fazer um favor?
“Como é que é? Eu nem chego direito na escola e já me pedem favores? Era só o que me faltava”.
– Claro.
– Leve essa pasta até a diretoria.
– O.k.
E onde fica essa diretoria? Então quando eu estava andando perdidamente procurando aquela tal diretoria esbarro em dois gêmeos. Que provavelmente haviam chegado agora na escola.
– Procurando a diretoria? – Pergunta um deles.
– Sim, vocês sabem a onde fica?
“Não gaguejei? Gloria a Deus!”
– Sabemos sim, ela é por aqui olha.
– Obrigado.
– Você está vindo do terceiro c?
– Sim, porque?
– Aula de sociologia não é?
– É.
– Esse professor maluco, sempre mandando as novatas para penambular pela escola.
Então eu levei a tal pasta para a diretoria e voltei para a sala, e já tinha mais coisas para fazer, já vi que esse professor não pega leve.
Finalmente aquela aula horrorosa acabou.
– Então, agora é aula do que?
– Aula de natação. Caleb é um dos melhores nadadores da Aron, e você Sophie, sabe nadar? – Pergunta Tyler.
– Não.
– Não se preocupa a gente te ensina. – Diz Caleb.
– Obrigado.
Então lá estava eu com o maio da escola e o cabelo preso, sem os óculos, morrendo de vergonha dos garotos.
Como eu não sabia nadar eu só observava as meninas gritarem os nomes de Pogue Reid, Tyler e Caleb como tietes em um show de rock.
– Vocês nadam bem.
– Obrigado, logo logo é você a próxima campeã. – Diz Caleb. – E ai, você vai na nossa casa sexta com o Damon?
– Acho que sim.
– Legal.
Então no mesmo instante veio uma piriguetes metidas a bestas se esfregarem nos garotos.
– Ah, olá Pogue, te vimos nadando e você é ótimo. – Diz Angélica.
– Obrigado.
No mesmo instante que ela ai beijar ele, ele saiu de perto dela.
– Sophie, quer conhecer a escola com a gente. – Pergunta Pogue.
– Pode ser.
Angélica me olha enfurecidamente, meio que me fuzilando com os olhos.
– Então vamos.
E na hora em que estamos saindo Angélica entra na frente dele se oferecendo e pergunta:
– E eu Pogue?
Então Pogue empurra ela levemente para o lado e segue comigo para nossos vestuários, depois ele veio me mostrando a escola.
– Bem como deve saber aqui é o banheiro, aqui em cima os quartos.
– Quartos?
– Sim, quartos.
– Mas para que quartos?
– Bem, aqui também serve como colégio interno.
– Ah, entendi.
Então no tempo vago que sobrou da aula de natação nós ficamos andando pela escola e finalmente chega a hora do intervalo.
– Oi Sophie, você quer sentar comigo? – Pergunta Sacha.
– Quero.
– Sophie você vai andar com quem? – Pergunta Tyler.
– Com a Sacha.
– Então tá.
– Oi Sacha.
– Oi Sophie, tudo bem?
– Sim e você?
– Bem.
– Sacha, você viu a Claudia em algum lugar?
– Vi, ela disse que ia ali comprar comida, sei lá.
– Ata.
– Acho que ela irá voltar logo, me conte, como foram as suas primeiras aulas?
– Boas, aquele professor de sociologia é um saco.
– É, ele não vai com a cara de ninguém. Não esquenta com ele.
– E ai Sacha. – Diz Reid.
– Oi Reid. – Diz Sacha de cabeça baixa.
– Sophie e Sacha, vocês não querem vir sentar com a gente.
– Ah, não sei.
– Vem, tem dois lugares sobrando.
– Mas não são a Kate e a Sarah que sentam ali? – Pergunta Sacha.
– Sim, mas elas não vieram.
– É melhor não, eu nem conheço elas e ai amanhã elas chegam e nós estamos sentadas lá, não vai pegar bem.
– Então senta só hoje.
– Só hoje.
Enquanto estamos indo para a mesa em que os garotos estavam eu e Sacha vamos sussurrando.
– Quem são Kate e Sarah?
– As namoradas de Caleb e Pogue. Elas são bem chatas.
– Entendi.
Então eu e Sacha ficamos lá, quietas, paradas, uma olhando para a cara da outra sem saber o que falar. O pior é que eles não paravam de me perguntar as coisas, eu estava meio sem graça, pois não era acostumada a ter esse tipo de atenção, atenção dos garotos bonitões e populares, aqueles em que todas as garotas queriam estar perto e os nerds queriam ser.
– Então Sophie, esse é o nosso último ano na escola, que faculdade você irá fazer? – Pergunta Caleb.
Então, todos os olhos da mesa se direcionaram a mim.
– Bem eu vou fazer faculdade de medicina, mas na verdade eu queria trabalhar na polícia.
– Nossa, na polícia, que legal, o pai do Pogue é policial. — Diz Tyler.
– Legal.
– E você Sacha.
– Eu? Eu quero ser uma cantora famosa. – Diz Sacha meio sem graça.
Eu sabia muito bem o que Sacha estava passando, isso era meio desconfortável, até parecia essas brincadeiras de mal gosto no qual os populares fingem ser amigos das “invisíveis” como nós para depois fazerem uma brincadeira de mal gosto, tipo o filme Carrie a estranha. Tadinha da Carrie, as pessoas são cruéis mas adolescentes como eles parecem serem monstros desalmados, “pera ai, eles são monstros desalmados, egoístas, convencidos e acham que sempre estão certos”.
Então depois dessas perguntas em que não sabia como responder sem parecer uma idiota chegou o fim do intervalo, tive mais três aulas chatas e fui para casa.
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