Em meus sonhos
22 Cap.22
Notas iniciais
Uma pontinha de receio ardia em meu peito, como se algo pudesse acontecer em meio a nossa saída, mas o que eu sentia quando estava ao lado do Damon era mais forte do que qualquer receio ou medo, ele me passava segurança, mesmo com tantas dificuldades ao nosso redor, ele me passava uma paz que fazia com que tudo ficasse mais leve e seguro.
A Katherine já me fitava ao longe, com toda certeza, ela não estava gostando da minha presença ali, o que era muito ruim, mas em todo caso ela teria que me engolir, claro que eu não tinha nada contra ela, mas também não abriria mão de sair com os meninos só pelo fato dela não gostar da minha proximidade, principalmente da minha proximidade com o Damon.
_ Acho que querer saber ao menos pra onde dois marmanjos e uma garota que quer me fuzilar estão me levando é natural, não acha? — falei fingindo perplexidade para o Damon, que me olhou com um ar de riso, olhar esse que eu já conhecia muito bem...
_ Ah Lena, não fala assim da Kath vai... ela é inofensiva, não pense que por ela alimentar um ciuminho por meu irmão bonitão, ela vá te matar... ela só está tentando te intimidar. -Stefan falou em resposta.
_ Ciuminho esse que não há fundamento algum para existir, não é mesmo Katherine?- Perguntou o Damon, ao se aproximar da morena que não fazia questão nenhuma de esconder seu desdém pra mim.
_ Ciúmes, eu? É sério isso Damon? Ah faça-me o favor Damonzito, por que eu teria ciúmes de você? — Kath, indagava com um tom de voz firme, porém, por trás de toda aquela firmeza havia uma ponta de insegurança, pois como o Damon havia dito pra mim, ela já sabia o que eu representava pra ele, sendo assim algo com certeza tinha sido despertado na Katherine, seja pela possibilidade de perder a atenção total do Damon por ser sua amiga de infância ou por perder qualquer tipo de chance de tê-lo novamente como seu namorado.
Tanto o Stefan como o Damon silenciaram deixando a pergunta retórica da Kath no ar, ela não olhou diretamente pra mim uma só vez, entramos no carro com o Damon dirigindo, Stefan ao seu lado e nós duas no banco traseiro. A medida que o tempo passava ao olhar pela janela do HB20, fui reconhecendo para onde estávamos indo exatamente, pouco a pouco ficávamos mais perto do Central Park. A Katherine que pra mim não lançava um breve olhar estava aos risos com o Stefan, acariciando sua nuca. Vez por outra o Damon olhava pelo retrovisor, quando nossos olhares se encontravam ele me lançava um sorriso com o canto dos lábios fazendo com que meu coração saltasse subitamente, eu tentava desviar o olhar mas, era simplesmente impossível não retribuir, o Damon era lindo em muitos aspectos, principalmente quando sorria daquela maneira.
Chegamos sem muita demora, o sol estava quase se pondo o que tornou o lugar a nossa frente ainda mais bonito, os raios do sol ao entardecer faziam com que o tom das folhas das árvores ficasse ainda mais vibrantes, num verde amarelado, laranja avermelhado, entre outros. As cores naquele lugar eram incríveis e singulares. O Damon estacionou o carro próximo a entrada principal do park, o Stefan desceu abrindo a porta lateral, dando passagem para que eu e a Katherine saíssemos, fiquei um pouco distante dos dois aguardando o Damon sair do carro, rapidamente ele veio em minha direção, sorri olhando diretamente para seus olhos que com a ajuda do por do sol, se tornaram um azul claro cristalino, me convidando a mergulhar naquela imensidão...
_ Sei que não é um lugar inusitado, mas particularmente eu gosto muito do Central Park nesse horário do dia e pelo o que conheço da senhorita, acho que também deve amar tudo isso aqui, não?
_ Com toda certeza, olha só as cores que vibram com a luz nessas árvores... é simplesmente perfeito, não teria lugar melhor pra passar o restinho da tarde. — falei enquanto observávamos a paisagem a nossa frente, começamos a caminhar lado a lado com certo espaço entre nós dois, a nossa frente estava o Stefan e a Katherine, os dois conversavam em meio a gargalhadas...
_ E quem foi que lhe disse que iremos passar apenas o restinho da tarde aqui? — perguntou o Damon se aproximando um pouco mais de mim, quase que falando aos meus ouvidos...
_ Ué, vocês pretendem ficar por aqui durante a noite também?
_ Não aqui exatamente, mas iremos ficar mais um pouco sim.
_ Como assim, não aqui exatamente? Para onde vamos Dam? -perguntei um tanto curiosa confesso, todo esse suspense aguçava minha curiosidade, mas seja qual fosse o lugar eu já sabia que seria perfeito, não pelo lugar em si, mas sim por estar ao lado dele.
_ Você já deve conhecer o lugar, mas, não adianta Lena, eu não vou lhe dar nenhuma dica. — ele falou sério olhando em meus olhos enquanto caminhávamos adentro do Central Park.
_ Tudo bem, eu não vou insistir, já me acostumei com esses mistérios todos...
Não demorou muito e chegamos a um belo campin onde jovens casais conversavam sentados em seus tapetes de tecido, crianças brincavam e corriam para todos os lados, famílias inteiras se reuniam para desfrutar do ar fresco da tarde na velha conhecida "Big Apple". Caminhamos pelas ruazinhas do Central Park, até chegarmos ao Shekespeare Garden, tenho plena certeza de que a sugestão do lugar foi do Damon. Por várias vezes eu indagava em minha mente, como um garoto poderia ter se tornado um homem tão sensível aos íntimos detalhes sobre os gostos de sua companheira, contudo só me restava uma resposta a essa questão e ela era simples, o verdadeiro amor. O amor, tem o poder de transformar as pessoas, dentre todos os sentimentos o maior deles é o amor.
Ficamos no Garden até a lua aparecer no céu, Damon sempre ao meu lado conversando e dando risadas volta e meia ficávamos sérios apenas registrando em nossas memórias as maravilhas daquele lugar, infelizmente por alguns instantes meus pensamentos voltavam a conturbação que estaria por vir assim que o Matt voltasse, era involuntário, porém eu me recusava a cair nas armadilhas de minha mente por mais que a enxurrada de lembranças quisessem me assaltar.
Katherine não disfarçava em momento algum sua repulsa em relação a mim, quando estávamos todos conversando ela fazia questão de me alfinetar com algum comentário inapropriado, mas, pra não estragar a noite eu simplesmente a ignorava. Stefan alugou um pequeno barco e fomos jantar no Loeb Boathouse, o restaurante era incrível com sua arquitetura Rústica que até 1924 era uma casa de barcos Vaux. Após passar por algumas reformas por fim foi oficialmente inaugurado em 1954. Eu amava visitar aquele restaurante pois meus pais costumavam me contar várias de suas histórias que ali foram vivenciadas, no entanto desde a morte dos dois eu ainda não havia voltado ao restaurante.
_ E então, qual será a pedida? -perguntou o Stefan enquanto sentávamos numa mesa próxima a uma das várias janelas que personalizava o Loebe.
_ Podemos pedir o mesmo de sempre, ou o meu prato preferido, o que vocês acham? — perguntou a Katherine sorrindo olhando diretamente pro Damon, ela não perdia uma oportunidade de me provocar...
_ Lena, o mesmo de sempre seria Bife grelhado, salada, e batas fritas e... Antes de terminar o Damon, foi interrompido pela Kath.
_ O meu prato preferido é lagosta regada ao azeite, o que você acha Lena?
_ Bom, em minha opinião podemos ficar com qualquer um, mas, de sobremesa eu não abro mão de uma bela fatia de torta de maçã com chocolate.
_ Ok, ok. Então, pedimos o de sempre, eu estou com muita fome e nem 10 lagostas seriam o suficiente pra mim.
Stefan tomando a frente chamou o garçom e fez os pedidos, enquanto esperávamos o meu celular vibrou anunciando uma nova mensagem, eu deslizei o dedo na tela abrindo-a, ao ler a mensagem minhas mãos gelaram e um leve tremor percorreu o meu corpo, o Matt conseguia abalar o meu sistema nervoso com apenas uma mensagem, isso me enfurecia mas, como eu já disse, era involuntário pois os danos que ele causou em mim não foram apenas físicos mas sim psicológicos. Pedi um momento a todos já que na mensagem ele pediu para que eu retornasse, e pelo o que eu já conhecia do Matt, ele estava chateado com alguma coisa... O Damon, observava cada movimento meu, eu sorri de leve olhando em seus olhos e fui em direção ao sanitário feminino.
_ Oi Matt, como estão às coisas por ai?
_ Eu é quem pergunto Elena, o que é que você anda fazendo pra não me ligar uma só vez? -sua voz do outro lado da linha estava mais ríspida do que o normal, eu havia esquecido completamente de ligar pra ele...
_ Desculpe, eu acabei esquecendo, você sabe como eu sou distraída, mas não se preocupe por aqui está tudo bem. -tentei parecer o mais firme possível, pois se minha voz vacilasse, ele poderia desconfiar de alguma coisa, assim voltando antes do previsto...
_ Por aqui as coisas estão melhorando, minha avó está se recuperando, então estarei de volta na segunda pela manhã.
_ Ah, isso é bom...
_ Elena, que barulho é esse? Onde você está? -Droga, e agora, como eu vou explicar?
_ Ah... Esse barulho? É que estou no Loeb com a tia Jenna, resolvemos jantar aqui hoje, você sabe o quanto eu gosto desse restaurante. — falei rapidamente para não deixar transparecer meu nervosismo, eu não gostava de mentir, mas, se eu falasse a verdade estaria tudo arruinado...
_ Certo, estou com saudades, não vejo a hora de voltar pra te ver, como está sua recuperação? — Ainda bem que ele não percebeu nada, ou se percebeu disfarçou muito bem.
_ Está tudo bem, eu não aguardei o tempo que o médico recomendou e retirei os gessos, mas, não afetou nada em minha recuperação, me sinto super bem...
_ O idiota do Damon Salvatore não apareceu novamente, não é? — Só de ouvir o Matt pronunciando o nome do garoto que em apenas alguns dias roubou o meu coração, fez com que um nó se formasse em minha garganta...
_ Não, não. Não há com o que se preocupar. — foi só o que eu consegui dizer, em meio ao nervosismo que tomava conta de mim...
_ Ótimo, por que eu não sei o que seria capaz de fazer se aquele imbecil se aproximasse de você novamente.
_ Tudo bem Matt, não se preocupe ok?
_ Ok Lena, eu já vou meu pai quer que eu vá com ele no centro da cidade comprar algumas coisas.
_ Tudo bem. Então até segunda!
_ Até, eu amo você Elena.
_ Eu também.
O matt desligou a ligação, e meu coração apertou-se em meu peito não só por sua frieza ao dizer as ultimas palavras, por que com a frieza do Matt eu já havia me acostumado, o que me perturbou verdadeiramente foi ouvir mais umas vez suas ameaças em relação ao Damon.
Olhei-me no espelho que estava a minha frente e procurei me acalmar, guardei meu celular em minha bolsa e lavei rapidamente as mãos numa tentativa de distrair meus pensamentos, retoquei meu gloss e contive as lágrimas que insistiam em cair, resolvi voltar pra mesa antes que alguém viesse me procurar.
_ Voltei! — falei forçando um sorriso que o Stefan e principalmente a Kath pareceram não notar nada demais, mas o Damon me olhava desconfiado. Eu não queria que ele soubesse da ligação, pois, se ele tomasse noção daquela ligação sei que ficaria chateado e preocupado e eu não queria que a alegria do nosso final de semana se esvaísse.
_ Até que fim, achei que você tinha se perdido lá dentro, já não agüentava mais esperar por você, estou morrendo de fome! — reclamou a Katherine.
_ Não era necessário me esperar gente, vocês poderiam ter começado sem mim...
_ Ta vendo só, eu avisei, mas vocês quiseram bancar os corteses...
_ Não tem problema Lena! Venha vamos comer se não a comida vai esfriar. — A voz calma e rouca do Damon soou como o sol apaziguando a tempestade que estava dentro de mim.
O jantar foi tranquilo, apesar da ligação do Matt, pois estar com aqueles três me fazia um bem imensurável, mesmo sabendo que a Katherine não fazia questão alguma em me ter ali. Quando o relógio marcou 20h30min, atravessamos a lagoa e caminhamos em direção a entrada do Park, o Damon deu as chaves pro Stefan ir buscar o carro junto com a Katherine, quando eles atravessaram a avenida o Damon se aproximou de mim, e eu já sabia o que ele queria conversar...
_ Lena, o que houve? Você mudou quando voltou do banheiro... Aconteceu alguma coisa? — ele estava a uns 30 cem trímetros de distancia, augurando minha mão direita, seus olhos estava preocupados, eu sabia que na verdade ele estava perguntando já sabendo a resposta, por mais que quisesse disfarçar, era impossível esconder algo dele...
_ Está tudo bem Dam, foi só uma ligação ruim, mas não se preocupe. -falei rapidamente sorrindo pra ele.
_ O que o Matt falou? — ele perguntou por fim, era notável a raiva no Damon ao pronunciar o nome do Matt.
_ Não, não vamos falar nisso, não importa o que ele falou, eu não quero tocar nesse assunto novamente, como eu lhe disse assim que ele voltar eu vou colocar um ponto final nessa história. Mas, enquanto isso eu peço que não toquemos no nome dele. — falei enquanto segurava firmemente suas mãos junto a mim...
_ Tudo bem, eu não vou tocar no nome dele novamente, afinal, você sabe que estou com você pro que der e vier. Lena, não importa o que aconteça eu farei de tudo pra ficar ao seu lado. Você sabe que pode confiar em mim.
_ Eu sei disso, e por ter essa certeza que estou aqui. — O Damon me olhava intensamente, seus olhos azuis pareciam conhecer cada detalhe do meu rosto, senti sua mão acariciar o mesmo, acabando com toda agonia que ardia em meu peito, mesmo que por um breve momento.
O stefan buzinou para que entrássemos no carro que agora estava com a Katherine sentada no banco da frente ao lado do Stefan, o Damon abriu a porta pra mim entrando em seguida, ao sentar ao meu lado ele segurou minha mão acariciando-a eu deitei meu rosto levemente em seu ombro e assim fomos até chegarmos a mansão Salvatore. O stefan e a Katherine entraram na mesma e o Damon assumiu a direção, eu fui para o banco ao lado dele, como de costume ele colocou sua play-list para tocar, então uma melodia suave tomou o carro. Warren Barfield descrevia em Ten hours o resumo daquele momento entre nós dois.
Chegamos à rua do meu apartamento, o Damon estacionou o carro em frente ao prédio, no mesmo lugar que ele me deixou da ultima vez.
_ Então, aqui encerra uma de muitas noites que ainda teremos juntos. — falou enquanto caminhávamos rumo a entrada do prédio, eu sorrir ao ouvir sua afirmação e segurei sua mão fazendo-o parar a minha frente.
_ Damon, muito obrigada por tudo, foi incrível ter conhecido um pouco mais da sua família e ter compartilhado mais uma vez de momentos tão maravilhosos. — ele sorria me olhando profundamente nos olhos...
_ Não tem o que agradecer Lena, eu escolhi você e farei o que for preciso pra lhe dar motivos pra sorrir enquanto estiver ao meu lado!
_ Tudo bem, então eu vou indo, se não a tia Jenna é capaz de gritar lá de cima pra eu poder subir... e eu não estou exagerando...! — Damon gargalhou roucamente ao ouvir meu argumento, pois na verdade tudo o que eu queria era permanecer ali por mais alguns instantes e saciar a vontade que estava de beijá-lo, mas como eu não podia, argumentei...
_ Tudo bem Srt. Gilbert eu já entendi, se bem que eu não imagino a Jenna gritando do 16° andar...
_ Isso é por que você ainda não a conhece tão bem!
_ Ok,ok. — ele se aproximou abraçando-me, depositando um beijo terno em minha cabeça. _ Eu amo você Lena.
_ Eu também te amo, Damon.
Nossos corpos se afastaram e eu adentrei no prédio, agradecendo mais uma vez a Deus por ter colocado o Damon em minha vida e também por não ter ninguém na portaria do prédio mais uma vez.
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