Em memória a seus amigos
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Em memória a seus amigos
Por Rebeca/Pikenna
One-shot
Eles estavam mortos, e ele não podia fazer nada em relação a isso.
Cada um que compunha o esquadrão Rivaille era mais do que um soldado para Levi. Cada um ali era um amigo seu. Amigos que encontraram finais trágicos que ele nunca imaginou que encontrariam. Só restava a ele se despedir, porque carregar consigo qualquer desejo de vingança não os traria de volta. O melhor que ele poderia ter feito naquele dia foi não ter agido por impulsão, permanecendo estoico diante de suas mortes, o mesmo semblante sério estampado em sua face. Afinal, é assim que funciona em um campo de batalha. Uns morrem, outros sobrevivem. O lamento ficaria pra depois. Pra depois quando ele estivesse só em seu quarto, seguro.
Agora que estava lá, diante da janela, com sua xícara de café forte, observando o sol se pôr, poderia deixar que o arrependimento tomasse conta de seu ser. O arrependimento por ser quem é. Frio. Calculista. Dominado. Porque Levi era um homem dominado, aceitando as ordens de seus superiores sem questioná-las. E era por isso que seu esquadrão estava morto. Se ele ao menos tivesse um pouco de impulsividade, talvez poderia tê-los salvo. Ou não. Talvez estivesse morto com eles. Mas talvez fosse melhor assim. Porque estar vivo sozinho é uma merda. Principalmente quando carrega o fardo da culpa em seus ombros, fardo que ele próprio havia se dado, pois com o sofrimento não deixaria que as mortes deles fossem em vão. Dolorosamente se lembraria de cada um todos os dias até que seu último suspiro de vida fosse arrancado dele.
Ele sente falta. Sente mais falta nessa noite de inverno. Nessa mesma noite que os conheceu. Cada um do seu esquadrão. Nessa mesma noite que ele a conheceu. Petra. A quem nunca vai poder dizer o quanto a ama, porque cadáveres não escutam, não sentem, não falam. Os mortos ficam apenas mortos. Ele nunca vai se perdoar por tê-la perdido. Porque se ele estivesse lá com ela não a teria deixado morrer. Não teria permitido que aquele titã fêmea tivesse a matado. Não lhe foi dada chance alguma de vê-la sorrir mais uma vez. Só mais uma vez. Ele a perdeu. E esse fardo ele também carregaria consigo, pois ninguém mais o poderá fazê-lo. Perdê-la foi, é e será o maior de todos os seus arrependimentos, porque nenhuma outra garota foi tão capaz quanto ela de alcançar seu gélido e longínquo coração que muitos acreditavam ser incapaz de amar. Mas ele amou. Amou e está sofrendo por isso.
Ele nunca havia falhado com seu esquadrão. Até aquele dia. Em que um a um foi perdendo o brilho em seu olhar. Tiraram as luzes de seus olhos. E em consequência, o pouco brilho restante nos olhos de Levi também se foram. Se foram com seus amigos. Seus fiéis soldados e companheiros. Ele nunca deixaria que retirassem as luzes dos olhos de seus amigos. Nunca. Mas aconteceu. E ele não pode reparar isso. Só espera que o arrependimento que carrega consigo não o jogue no antro da escuridão, trancando-o dentro de si próprio. Já basta ter que se fechar para não se magoar. Já basta ter que arrancar partes humanas de si para não sentir nada. Não quer perder aquele resquício de brilho que ela lhe trouxe. Porque é esse resquício que a mantém viva dentro dele. E ainda que as lembranças lhe sejam dolorosas, ele fará questão de recordá-las, uma a uma. Método que achou para homenageá-la.
Ele não pode salvá-la. Nem a ela e a nenhum outro amigo. E cada morte é uma ferida feita em sua alma, feridas que jamais vão cicatrizar e com as quais Levi vai ter que lidar cotidianamente. E em uma promessa silenciosa, feita diante do pôr do sol, ele jurou salvar a humanidade. Salvá-la por cada um de seus companheiros de esquadrão para que a morte deles não fosse em vão. Jurou derrotar os titãs.
Eles estavam mortos, e ele não podia fazer nada em relação a isso, mas podia honrá-las. E ele assim o faria. Em memória a seus amigos.
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