Em meio ao Caos
19 Capitulo Dezenove
Notas iniciais
Meses depois...
Quando alguém que você ama vai embora, ele leva um pedaço seu, mas também deixa pequenas partes com cada pessoa que conheceu, cada relacionamento que viveu seja entre amigos, no trabalho, na família ou no amor.
Os dias consecutivos a partida de Edward foram dolorosas a Bella e as pessoas que o rodeavam de muitas maneiras.
Pequenas coisas os faziam lembrar dele, trazendo lagrimas aos olhos e a familiar pontada no coração, por que se tem uma coisa que a morte ensina é que nada é eterno. É uma verdade universal, mas quase sempre esquecida. Diante da correria do dia a dia, na vida agitada ou até mesmo na monotonia, é costumeiro e natural esquecer de valorizar as pequenas coisas, de celebrar as grandes e pequenas vitorias.
A vida é apenas um fio, um sopro, é um presente que precisa ser cuidado, cultivado, apreciado.
Emmett e Rosalie, tocados por esta verdade, resolveram retornar, encerrando um ciclo de suas vidas em Milão, decididos a viverem mais próximos aos familiares. Os gêmeos, empolgados com a ideia, não cansavam de repetir as noitadas na casa dos avós que se deliciavam com a presença agitada, porem, revigorante, dos netos.
Para Carlisle e Esme, a dor de perder um filho lhe parecia insuperável e em muitas noites, um abraçava o outro, confortando-se mutuamente. O amor e a união entre eles, se fortalecendo em meio a dor.
Jasper e Alice, finalmente puderam respirar aliviados, ao receberem em seus braços a pequena Valentina, que fazendo jus ao nome, veio forte e saudável. "Uma princesa perfeita", como os pais costumamente a descreviam. Ela chegou trazendo frescor e renovo, para todos ao seu redor.
Charlie e Renne, após muito ponderarem, resolveram se mudar. Aproveitando a aposentadoria e as facilidades que ela trazia, como Charlie explicou a Bella no intuito de convence-la a aceitar a ideia, venderam a casa na antiga cidade e passaram a morar no mesmo bairro que a filha e os netos.
No inicio, Bella relutou, temendo ser um peso aos pais, sendo necessário uma conversa seria e honesta, onde Charlie e Renne expuseram seus medos e preocupações, mas também alegaram seu desejo de conviver de perto com os netos e a própria Bella. Tomada por uma onde de lagrimas e gratidão, ela aceitou a ideia, abraçando os dois por longos minutos.
Lavínia amou a ideia, se empolgado a ponto de que os avós fizeram um quarto, especialmente para os netos, segundo Renne. Theodoro, apesar de não demonstrar tanto entusiamo quanto a irmã, tambem havia apreciado a ideia de conviver mais tempo com os avós maternos.
......................................
Bella soprou a xícara antes de solver o liquido preto e suspirou, deixando as lembranças permearem sua mente, relembrando a forma que seu pequeno foi anunciado aos irmãos.
FLASH BACK
Bella despertou sentindo seu estomago sacudir e correu para o banheiro, colocando o pouco jantar para fora.
O dia ainda não havia amanhecido, mas seu pequeno já estava agitado. Alisou o ventre pouco volumoso, antes de lavar o rosto e escovar os dentes, totalmente desperta.
— Mamãe, a senhora também esta doente? Lavinia perguntou esfregando os olhos parada na porta do banheiro e Bella franziu o cenho, confusa por não ter notado a sua presença.
— Não Lavinia. Porque esta perguntando isso?
— A senhora estava vomitando. Respondeu chorosa e Bella se abaixou, se colocando na mesma altura da filha, a abraçando em seguida.
— Olhe para mim. _ Pediu carinhosa que logo obedeceu. _ Estou bem, não estou doente filha.
Afirmou para tranquiliza-la. Lavinia secou o rosto vermelho com as mãos, balançando a cabeça, voltando a se enroscar no pescoço da mãe.
— Não quero que fique doente também, mamãe. Bella suspirou, fazendo um cafuné em seus longos cabelos, a compreensão lhe atingindo em cheio.
— Você acredita em mim? Voltou a perguntar com a voz embargada e ela, mais uma vez acenou. _ Então, chega de lagrimas, não chore mais.
As duas caminharam de volta para o quarto, onde Theo tambem havia despertado com a movimentação.
Eles estavam assistindo um filme juntos, na noite anterior e acabaram adormecendo. Receosa em acorda-los, Bella deixou que continuassem a dormir, mesmo que agora se arrependesse um pouco, pois teria que dar explicações do seu mal estar.
Ela tomou uma longa respiração, decidindo fazer o que deveria ter feito ha semanas.
— Na verdade, tem uma coisa que eu preciso contar a vocês. Bella começou incerta. Dois pares de olhos, idênticos aos do marido, a encarando de volta. _ Antes do pai de vocês partir, ele deixou um presente para nós. Começou, avaliando-os atentamente. O estomago voltando a dar voltas.
— Um presente? Os olhos de Lavinia brilharam em expectativa e confusão.
— Sim. Ela confirmou.
— O que é mãe? Onde está? Lavinia voltou a questionar sem conter a curiosidade, totalmente normal, para uma criança de sua idade.
— Ele vai crescer, se desenvolver, e daqui ha alguns meses, quando estiver pronto, vamos poder conhece-lo. Explicou pousando a mão em sua barriga.
— A senhora esta gravida, mãe? A voz de Theo, a fez encarar o filho.
— Sim, filho. Confirmou.
— Será... Lavinia começou, calando-se em seguida.
— O que filha? Pode perguntar? Bella apoiou, tentando desvendar as emoções ali.
— Eu só estava pensando... Será que a gente devolver este presente e receber o papai de volta? A pergunta, pegando Bella, totalmente desprevenida.
— Não meu amor. Não é assim que funciona.
— Nosso pai morreu Lavinia. Ele nunca mais vai voltar. Você tem que se acostumar com isso.
— Theo. Bella ralhou. _ Não fale assim com sua irmã.
— Eu só disse a verdade. Retrucou, erguendo-se da cama e saindo do quarto.
Bella respirou fundo para se acalmar. Não queria ser muito dura com ele, sabia que aquele comportamento era consequência do momento que estavam vivendo, contudo, seu lado racional dizia que ela não deveria deixar as coisas continuarem desta forma, ou este comportamento se tornaria constante.
— Mamãe, ele vai ser nosso irmãozinho? Lavinia questionou e Bella voltou o olhar para ela.
— Sim filha. Irmãozinho ou irmãzinha. Ainda não sabemos. Respondeu e ela acenou pensativa.
Descendo o rosto bem próximo a barriga da mãe, Lavínia cochichou:
— Oi. Eu sou sua irmã. Não machuca a mamãe, esta bem? Ela é boazinha. Só fica brava as vezes, mas eu amo ela.
Bella sorriu sentindo os olhos marejarem.
— Eu também amo você, minha filhota linda. Respondeu, enchendo o rosto pequeno da filha de beijos e arrancando gargalhadas dela.
.........................................
— Estou pronta mãe.
Bella voltou ao presente com a voz da filha que descia as escadas com a mochila, previamente arrumada na noite anterior, pendura nas costas.
— Bom dia. Desejou. _ Tem certeza que pegou tudo? Questionou e ela acenou.
— Sim, esta tudo aqui.
— E onde esta a mascara?
— Ai mãe, eu não quero usar aquela mascara. Ela incomoda. Reclamou.
— Eu sei que incomoda Lavinia, mas é a unica maneira de sairmos de casa por enquanto.
Lavinia soltou um muxoxo fazendo um bico manhoso.
— Eu tenho mesmo que usar?
— Se quiser ir a casa dos seus avós, sim.
— Esta bem, vou buscar no quarto.
— Boa garota. Bella elogiou, notando-a subir as escadas de volta.
A campainha, cobrando-lhe sua atenção.
— Bom dia, filha. Charlie falou e Bella sorriu.
— Oi pai, bom dia. Tudo bem? Chegou cedo.
— É, você me conhece, sempre levanto cedo.
— Eu sei, quer um café? Esta fresquinho, acabei de passar?
— Você esta liberada para tomar isso? Charlie questionou a analisando e Bella fez uma careta.
— Uma xícara por dia, Sr. Swan. Brincou, notando-o sorrir de canto.
Os dois caminharam ate a cozinha, onde Bella lhe entregou a xícara e ele se posicionou do outro lado do comodo.
— Como estão as coisas? Charlie perguntou após tomar um gole da bebida quente.
— Indo. Bella falou dando de ombros.
— Theodoro? Questionou e ela acenou. _ Ainda não aceitou a ideia?
Ja haviam se passado semanas desde que Bella contou sobre a gravidez, e suas varias tentativas de conversar e entender o filho.
Nas consultas que se seguiam, Renne e Lavinia sempre a acompanhavam, mas Theo optava por ficar em casa. Ao contrario da irmã, ele não demonstrava afago algum com esta gestação, o que rendia muitas preocupações a Bella.
— Eu não sei pai. É difícil conversar com ele. Quer dizer, as vezes, ele explode, fica irritado com tudo, não tem paciência alguma com a irma, outras vezes, é como se nada o interessasse.
— Você ja pensou em buscar ajuda profissional para ele?
— Estou considerando isso. Bell confessou tristemente.
— É só uma fase Bella. Ele vai ficar bem. Charlie encorajou e Bella anuiu.
A conversa, sendo interrompida, por Lavinia, empolgada, ao notar a presença do avô.
Logo ambos estavam saindo, Lavinia tagarelando e Charlie rindo do que ela dizia.
................................
— Eu não sei o que pensar sobre tudo isso. Bella confessou, horas mais tarde, quando resolveu sair e levar Theo junto com ela para espairecer um pouco. _ Quer dizer, é tão surreal. Ele estava bem e de repente... Parou, não conseguindo completar a frase. _ Eu sei que já se passaram meses, mas tem dias que eu sinto que vou acordar e encontra-lo do meu lado.
— Eu posso imaginar Bella. Rosalie respondeu com um sorriso afável.
Outra coisa que mudara.
Com o passar do tempo e o convívio entre as famílias, Bella descobriu em Rosalie uma boa amiga, a qual ela podia desabafar sem precisar se preocupar em estar machucando-a com sua própria dor. Coisa que não conseguia, sendo totalmente honesta consigo mesmo, fazer com Alice, Esme e ate mesmo Renne que ainda lutavam, assim como ela, para superar o luto.
Rosalie, apesar do carinho que nutria por Edward, era próxima o suficiente para entende-la, mas não a ponto de se debulhar em lagrimas a cada frase relacionada a Edward, o que trazia um certo conforto e segurança em sua companhia.
Bella suspirou acariciando seu ventre de sete meses. Este pequeno ser, a qual ela ainda não estava pronta para dar-lhe um nome ou saber sua identidade,mas que se fazia presente a cada instante, ora emocionando e alegrando com seus chutes e descobertas, ora despertando nela a tristeza de não poder vive-las com Edward, trazendo a recordação de que ele nunca conheceria o pai, mas que sem duvidas era uma de suas motivações para continuar levantando todos os dias e aprendendo a viver novamente.
— Agora, mudando um pouco de assunto, tem certeza que não vai querer saber o sexo do bebê? Você precisa pensar em nomes, organizar o enxoval. Como vai fazer se não sabe se é menino ou menina que esta aqui? Questionou colocando a mão sobre o ventre dela.
— A moda antiga. Da mesma forma que nossas avós e tataravós faziam. Bella respondeu, fazendo Rosalie fazer uma careta engraçada e sorriu, resolvendo explicar seu plano. _ Eu sei que é uma bobagem e pode parecer estranho, mas eu sinto que ainda não é o momento, sabe? Sei la, não consigo explicar.
— Não é bobagem Bella. Se é isso que esta sentindo, então seja leal a si mesma e siga seu coração. Rosalie aconselhou, complacente.
— Obrigada Rose.
— Não por isso. Agora será que você pode me contar que historia é esta da senhorita ter ficado no hospital e não ter avisado a ninguém?
— Eu avisei, minha mãe ficou comigo todo o dia e Charlie precisou cuidar do Theo e da Lavinia. Mas quem te contou? Ah, não fala, eu já sei. Foi a Lavinia.
— A senhorita esta proibida de dar bronca nela quando chegar em casa. Rosalie falou e Bella sentiu a habitual pontada no coração ao ser chamada de "senhorita". Uma coisa boba, mas que a incomodava. _ Ela só respondeu ao que perguntei.
— Sei. Aquela garota fala pelos cotovelos. As duas riram a menção de Bella.
— Ela é um doce e esta crescendo muito rápido.
— Isso é verdade. Bella concordou.
— Agora me diz: O que aconteceu de verdade?
— Nada demais. Apenas uma queda de pressão. Mas devido ao meu estado, eles resolveram me deixar em observação.
— Entendi. Mas se cuida, não esqueça que você tem duas crianças em casa e mais uma a caminho que precisam da mãe, forte e saudável.
— Eu não esqueço Rosalie, nem por um momento.
Fale com o autor