Em cinco estações
1 Introdução – Este mundo cruel
Notas iniciais
Introdução – Este mundo cruel
Este mundo é cruel.
A natureza imutável que nos cerca e oprime é a mesma natureza em que os instintos animais são o necessário para a sobrevivência. Existem algumas coisas no Universo que não podem ser questionadas porque simplesmente é da natureza; desconsideremos a dúvida metódica, pois estas coisas simplesmente existem. As cobras são e serão traiçoeiras com o ambiente ao seu redor, por mais que isso implique em sua sobrevivência; os ratos correm e correrão quando algo os ameaçar; escorpiões picam e picarão quando acharem necessários.
Neste mundo cruel, humanos ainda seguirão ao instinto de ficar perto do indivíduo designado, popularmente conhecido como alma gêmea, mesmo que isso vá contra o livre arbítrio tão idolatrado e defendido. Mesmo que você ame outra pessoa, mesmo que você não queira ser um produto social, no qual é praticamente obrigado a ficar com alguém que você muito provavelmente nunca sequer viu na vida. Muito menos ama.
Vivemos em um mundo onde existem as almas gêmeas, demarcadas por uma tatuagem. A tatuagem é as primeiras palavras de sua outra metade que você ouvirá na vida e, quando isso acontecer, ela queimará dolorosamente e, por um momento, tudo ao redor irá sacudir. Alguns hormônios agirão em seu corpo e você provavelmente sentirá um impulso de estar sempre perto daquela pessoa, sejam como melhores amigos (o que geralmente é uma forma platônica), sejam familiares (a mais incomum e talvez a mais pura forma. Algumas necessidades, ainda bem, são misteriosamente inibidas), seja romanticamente. O amor aparece de várias formas, afinal, mas não necessariamente da forma romântica.
A marca representa sua união, algo que expõe o fato de você ter alguém em quem pode confiar, a única pessoa no mundo que te entende como ninguém, que acredita em você quando ninguém mais acredita, que te ama e apoia incondicionalmente... Aquela ladainha toda, obrigatória e estúpida. Você não é o único que a possui, sua alma gêmea também tem uma pra fazer par com a sua.
Se algo acontecer a um dos dois, a tatuagem preta se torna cinzenta e dolorida, como uma ferida aberta que nunca cicatrizará. Para que você nunca esqueça. Além disso, ela não pode ser removida, nem escondida com outra tatuagem, nem arrancada cirurgicamente. Escondida com maquiagem, sim, talvez por ser temporário, de acordo com todos os inúteis artigos científicos. Demétrio pesquisara o suficiente disso durante os últimos três anos para saber. Consultara médicos e testou uma tese por si mesmo. De seus experimentos restara apenas uma fina e branca cicatriz, a passagem escrita cobrindo-a orgulhosamente.
Com pensamentos seguindo pelo pior rumo possível naquele dia e algo pesando em seu peito, duro o suficiente para fosse difícil deixar o ar passar para os pulmões, Demétrio olhou com raiva para a frase em seu quadril, destacando seu osso proeminente e fazendo com que o que quer que existisse em seu interior se tornasse mais difícil. A toalha solta em seus pés e a fraqueza nas pernas o fazia questionar se foi uma boa decisão sair da cama naquele dia em especial. Queria vomitar e já tinha se livrado do que bebera na noite anterior, então não entendia todo esse mal estar que, de alguma forma, era tão emocional que se tornava físico.
Quando era criança, claro, a realidade deste mundo cruel não era relevante e nem desconfortável, já que ele ainda não entendia o peso de estar preso a alguém que não conhecia, a alguém que poderia chegar a nunca conhecer. Na adolescência, ele sabia o que queria dizer e, mesmo que não se orgulhasse, queria encontrá-la.
Será que era bonita? Será que ela o amaria, apesar dos óculos e dos dentes tortos? Será que a amaria, mesmo que ela não gostasse de leitura e fosse propensa a fazer bullying na escola? Sua alma gêmea deveria ser uma moça tão obcecada por Harry Potter quanto ele, ou não seria sua alma gêmea. Eles deveriam ser no mínimo melhores amigos e os gostos influenciariam muito, ele tinha certeza.
O Demétrio de quinze anos era tão ingênuo...
Agora, adulto e na fase mais madura e estável de sua vida, não tinha encontrado sua pessoa especial e muito menos ainda tinha esperanças ou vontade de fazê-lo. Demétrio, com seus vinte e sete anos, já tinha achado alguém cuja companhia era suficiente para uma vida tranquila e feliz e sem todo esse achismo e essas incertezas que um indivíduo designado trazia consigo. O nome dela era Sun Bae Hee.
Sun Bae Hee era tudo o que ele poderia querer, neste momento e nos próximos. Eram feitos especialmente um para o outro, ao que parecia, pois suas necessidades eram sanadas quando tentavam juntos. Ao menos no começo. Ela era uma muito bem sucedida dona de uma agência de modelos, na qual Demétrio era um dos muito bem pagos fotógrafos. Os cabelos escuros e lisos sempre presos em penteados elaborados, além dos olhos amendoados, delineados e destacados no rosto calmo, foram o que chamaram atenção no começo.
Quando ele tinha vinte e quatro anos e a atração era puramente física, eles começaram a sair. Claro, isso mudou com o tempo e ele pode ver mais qualidades do que seu rosto bonito. Ela era inteligente e doce, porém não gostava dos mesmos livros, nem dos mesmos filmes, nem das mesmas coisas. Ela gostava de suas fotografias e era suficiente. Nem tudo poderia ser perfeito, pensava divertido quando refletia sobre o fato.
Depois de meses, Sun contou que encontrou sua alma gêmea quando tinha nove anos, mas infelizmente se desvincularam pouco tempo depois, em questão de alguns anos. A marca em seu antebraço perdeu a cor e ela, após muita terapia e muito tempo, resolveu seguir em frente. Como se não fosse nada, usando de toda sua delicadeza, a mulher disse que estava pronta para outro relacionamento sério quando a pessoa certa aparecesse. Eles começaram a namorar depois disso.
(Demétrio sabe que Sun nunca superou, entretanto. O choro de madrugada, aquele que ele finge nunca ouvir, é conclusivo o suficiente.)
Não muito tempo depois, motivado pela força dela em encenar por pelo menos dezesseis anos que tudo estava bem, mostrando que ele poderia ao menos tentar ter uma vida sem uma alma gêmea, Demétrio a pediu em casamento, de forma intima e modesta. A cerimônia, entretanto, foi tudo, menos humilde. Uma festa em que o fotografo capturou com seus treinados olhos cada raio de luz e cada fio de cabelo de Sun fora do lugar, mas onde o enorme salão e extravagante Buffet pareciam insignificantes, aconteceu. Ela se mostrava radiante e seu sorriso discreto era como uma promessa de que tudo daria certo. De que eles tentariam fazer dar certo.
E deu. Ele gostava dela e a respeitava, realmente, assim como sabia que era reciproco. Mesmo que ela já tivesse encontrado sua alma gêmea e mesmo que a possibilidade existisse para Demétrio, eles ficariam bem. Uma pessoa desconhecida não estragaria isso... Ninguém garantiu, entretanto, que o estrago não viria de eles mesmos.
O relacionamento estava passando em uma crise nos últimos onze meses. Se bem que “passando uma crise” parecia uma expressão eufêmica para o que acontecia com eles naquele momento. Demétrio os sentia estilhaçando. Se eles eram tão incríveis juntos, se ela, com sua sagacidade e polidez, parecia ser a tão correta e melhor opção, por que a marca em sua pele parecia tão dolorosa quando estava consciente dela? Por que o curto casamento de longos três anos parecia tão repulsivo agora? Por que, a cada noite em que se deitavam lado a lado e viravam as costas, a cada dia com conversas limitadas, ele os percebia mais distantes?
(Demétrio não queria admitir. Não queria admitir que o choro de Sun o fazia sentir-se impotente e que os recentes sonhos sobre sua alma gêmea o fazia hesitante.)
Ele se sentia sozinho e a pior solidão é aquela que se instala entre corpos nus e indiferentes. Aquela que entra junto com um monte de destilado e não sai depois de vomitar. Aquela cujo gosto fica na boca. A mesma solidão que sentia quando estava sozinho com Sun.
Vestiu a roupa, sentindo a cabeça latejar com qualquer mínimo movimento e qualquer maior pensamento que tivesse graças a todo o álcool que ingeriu na noite anterior. Sua esposa estava em uma conferência em Milão, algum desfile que prometia novos rostos e novas tendências. Ela voltaria naquele dia e há uma semana ele conseguia dormir sem que fosse necessário colocar pra dentro pelo menos duas doses de absinto. Entretanto, na noite anterior foi diferente. Não entendia porque não conseguia pregar o olho, não entendia porque não conseguia parar de pensar no que aconteceria na sua vida, com sua vida, se ele e Sun rompessem.
Pôs os óculos, sentindo a dor de cabeça melhorar consideravelmente de forma gradativa quando sua visão ajustou e ele não era mais obrigado a se esforçar a enxergar nada. Pegou as chaves, a carteira e sua inseparável câmera; mesmo que no estúdio tivesse todas que quisesse ao seu dispor; aquela era especial, a levava consigo, mesmo que soubesse que não iria usá-la, o que não era o caso. Estava disposto a não estragar o próprio dia e a se esforçar no trabalho. E, melhor ainda: se resolveria com Sun através de conversas sinceras e novas tentativas. Três anos jogados fora por causa de nada (Literalmente nada, já que todo o histerismo em seu comportamento não tinha explicação.)? Certamente que ele tentaria, ao menos, impedir.
...
O estúdio estava uma bagunça. As modelos que fotografaria na sessão daquele dia estavam correndo de um lado para o outro, não literalmente, mas Demétrio as enxergava assim. Era tudo uma bagunça. Estava impaciente, e seu maior receio era não conseguir ser profissional o suficiente para, ao menos, aguentar até o final do dia. Ignorou-os, observando uma garota receber ajuda para cobrir a tatuagem no colo com maquiagem para o conceito verão, onde usaria roupas leves e decotadas, talvez biquíni. Sentiu pena dela. Estava irritado com aquela escondida em seu quadril, então como seria se tivesse uma tão visível quanto aquela?
— Sun chegou! – uma alta exclamação o tirou de seus devaneios; uma das estilistas parecia bastante aliviada quando sua chefe e esposa apareceu, elegante como sempre. A moça estava em uma discussão realmente acirrada com um maquiador na última vez que averiguara, mas não estava lúcido o suficiente para interromper ou ajudar. Não sabia qual era o seu problema naquele dia, apenas sabia que não estava bem. Não estava agindo em seu normal, definitivamente.
Um sorriso discreto pintava o rosto pálido e ela o olhou brevemente antes de dar atenção às mulheres que discutiam profissionalmente. Desviou os olhos de sua figura pequena e se dedicou a tarefa de limpar a lente da câmera que usaria, mesmo que soubesse que ela estava absolutamente higienizada. Não queria ter que encarar Sun Bae e sua bondade inocente naquele momento, alheia a todo o seu conflito interno. Não quando tudo o que queria era distância dela e de tudo o que aquele casamento representava.
Distraído o suficiente com seus pensamentos, não percebeu o momento em que ela se aproximou e parou em sua frente. Sentiu um toque suave no ombro esquerdo, e se obrigou a parar com a limpeza forçada. Olhou-a com expressão vazia e percebeu o rosto dela vacilar. Quase se arrependeu por estar sendo tão indiferente com quem não merecia, entretanto, o sorriso polido que recebeu o irritou novamente, levando para longe qualquer traço de culpa que se instalou em sua garganta.
— Bom dia, Demétrio. – ela cumprimentou cortês e ele se viu na obrigação de responder. Suas conversas com ela nunca foram como a de outras pessoas íntimas, ele sempre soube. A cultura, a educação e os sentimentos dela, tudo parecia diferente das de seus conterrâneos.
— Bom dia, Sun; por que não foi descansar depois da viagem? – indagou de forma educada e, de certa forma, sincera, sem forçar preocupação. Ele não a desejava há alguns meses, mas achava que, se não conseguisse contornar a situação caótica de seu casamento, eles ainda seriam amigos.
— Eu tenho coisas a resolver aqui que não podem esperar, infelizmente, mas vou acabar logo com as pendências. – ela abanou a mão displicentemente, o gesto mostrando que ela estava se esforçando para manter a conversa educada e distante. – Na verdade, eu vim com um novo modelo; ele veio apenas conhecer o lugar, já que o trabalho começa amanhã. Insistiu tanto, o garoto. – ela riu adoravelmente, como se realmente achasse engraçada a dedicação que o menino mostrava. – Temos uma nova e longa campanha pela frente, e o parafuso de publicitária soltou dentro do avião. – ela riu novamente, mas dessa vez saiu um som travado e seco, não cristalino como ele se deveria ser. Ocorreu a ele, não da forma egoísta de sempre, que talvez este casamento também estivesse fazendo mal a ela. Mas que mal maior ele faria, se o pior, que é perder sua alma gêmea, já aconteceu? Demétrio sorriu, apenas para fazer a situação menos desconfortável.
— Ele vai entrar agora? – questionou quase retoricamente, porque não estava interessado em nenhum novo modelo. Queria que a publicitária fosse para casa descansar, para que pudessem conversar civilizadamente depois, com calma. Eles precisavam disso.
— Uhum. Eu o deixei conversando com o pessoal da maquiagem, mas ele vai entrar a qualquer momento. – deu de ombros, desinteressado. O silêncio se instalou entre eles por alguns segundos, constrangedor e espesso o suficiente para que Demétrio voltasse, de uma forma que a fina educação de Sun julgava rude, sua atenção às lentes da câmera. – Sabe, nós... – a voz hesitante e arranhada dela foi interrompida.
Interrompida por outra, excessivamente alegre e barulhenta. O som irritante, contudo, não foi o alvo da meticulosa e profissional atenção de Demétrio. Ele nem prestava mais atenção nisso no segundo seguinte. O conteúdo da frase foi o que o deixou com todos os pelos do corpo arrepiados. Ou talvez tenha sido a constatação, ou talvez as tais substâncias tenham sido liberadas a torto e a direita em seu cérebro. Quando aquele homem pronunciou as palavras, entretanto, foi como se todo o mundo tivesse parado bem debaixo de seus pés.
Tornou-se difícil respirar e alguma coisa bateu asas em seu estômago. Borboletas? Ele não tinha certeza, e não quis levantar os olhos. Algo em seu corpo o mandava fazer isso, ainda assim. Algo queria conhecer o dono da voz, algo queria ignorar tudo ao redor. Algo que não era racional, não pensava e nem pesava consequências. Algo que certamente não prestou atenção em Sun Bae tensa ao seu lado, olhando com espanto e, mais tarde, uma pintura de desgosto no canto da boca.
— O homem da minha vida está aqui, eu não acredito! – uma coisa gelada e pegajosa escorreu por sua espinha, e Demétrio quis que um meteoro caísse na Terra e o matasse ali mesmo. – Esse é o melhor dia de todos! Sun Bae Hee e Demétrio Acarella na mesma imagem. Nem sei o que dizer, apenas queria ser você e registrar o momento... – a última parte foi diretamente dita para si, olhando em seus olhos, o sorriso claro e branco repuxado nos lábios.
Demétrio, pela primeira vez em quinze segundos conseguiu dar nome a algo: prisão. Fora isso que viu quando aquele rapaz olhou em seus olhos. Uma prisão cor de avelã que não permitia qualquer movimento ou qualquer respiração mais profunda. Ele podia ouvir seu coração, podia sentir as batidas em seu peito tão violentas que poderia haver um rompimento de alguma artéria ali. Quis morrer. Lambeu os lábios de repente secos e engoliu com força a saliva que pareceu acumular na boca. Sorriu levemente, não porque queria, mas porque não conseguia evitar. Mais tarde, quando pensasse sobre isso, se repreenderia. Foi provavelmente uma expressão estúpida que dava mais margens a interpretação do que deveria haver em um rosto tão sério quanto o seu.
— Sempre podemos registrar na memória. Eu tenho muitos ciúmes das câmeras. – sorriu suavemente pelo que mais tarde suporia ser educação. Viu o rosto do jovem homem empalidecer na sua frente e a mão esquerda dele correr ao pulso direito, coberto pelo longa manga do casaco, e massageá-lo discretamente. Provavelmente ali estava a tatuagem.
Sem que percebesse, prendera a respiração e encarava submisso aos olhos cor de mel; então era isso encontrar sua alma gêmea? Nenhuma oportunidade de escolha? Seria encantado por ele assim que o visse? Qual o sentido de construir uma vida antes disso? Qual o sentido do livre arbítrio, de se ter uma escolha? O que acontecia com seu casamento? Com ele e com Sun? Por que tantas perguntas sem respostas surgiam em sua mente naqueles poucos segundos enquanto via aqueles olhos cor de avelã que no momento eram quase só pupila, quase negros?
— Efrem Petrovich, apesar de eu achar os sufixos uma frescura. – riu discretamente, estendendo a mão. Foi quando Demétrio o olhou melhor. A pele cor de oliva e o rosto simétrico e deixou desconfortável; essas características tão marcantes pareciam, porém, apenas meros e esquecíveis detalhes, diferentemente dos olhos castanhos tão claros. Não pôde evitar que suas fantasias com uma moça fã de Harry Potter voltassem. – Pode me chamar só de Efrem, ou de fã. Eu não me importo. – Apertou a mão com firmeza, sentindo um choque na base da coluna quando sua pele fria e sua mão suada pelo nervosismo tocou a mão confortável e fina de Efrem, quase mãos de músico. Perguntou-se se ele era modelo de mãos... Ou de qualquer outra coisa. Não se lembrava de olhos tão bonitos assim em toda a sua vida capturando pessoas.
— Efrem parece de origem russa. – recebeu um sorriso e um aceno positivo. O garoto quase não tinha sotaque, mas poderia dizer de onde ele veio pelo sobrenome. – Você sabe então, como fã, que sou casado com Sun Hee? Essa adorável dama é a minha esposa. Incrível empresária, incrível publicitária. – sorriu solicito para o modelo, não entendendo de todo por que tocou nesse assunto. Os olhos, antes quase negros, passaram a ser pura cor de mel, a pupila diminuta. De ombros tensos, ele parecia estar assimilando a ideia. Os dedos finos de Sun apertaram seu braço de forma que apenas ele sabia disso porque sentia. Ela não gostava do rumo da conversa. – Desculpem-me. – pegou novamente a câmera, ajustando seus óculos e soltando-se discretamente de sua esposa. – Tenho que terminar de ajustar o material para a próxima sessão. Descansem bem, Sun e Efrem.
Ele respondeu algo que Demétrio não ouviu. O barulho em seu interior era muito mais alto e ensurdecedor. Sun o apertou novamente, mas não se dignou a olhá-la. Efrem não disse nada. Estava em silêncio. Tudo estava em silêncio. Não ouviu quando eles saíram da sala. Percebeu que suas mãos tremiam e que era observado. Todos sabiam que havia algo errado com o fotografo que tocava nas máquinas da mesma forma que médicos experientes tocavam em instrumentos cirúrgicos, com mãos firmes e seguras. Aquele era, definitivamente, o pior dia de sua vida.
{...}
Fale com o autor