Notas iniciais
Depois de mais de um ano, estamos ai. Espero que curtam, e por favor, comentem. Quero saber como está minha escrita. Beijinhos ♥

Devo dizer que menti, as adoradas criaturas de meu pai na verdade eram dragões, e foi com eles que ele reergueu o império da família. Desde restaurantes temáticos até marcas de roupa. Mas, infelizmente para ele, eu era como minha mãe, não peguei gosto pela administração com o tempo e por ser filho único eu seria constantemente perturbado com as cobranças de meu pai.

Gravatas, ternos e longas reuniões não eram o que me definiam.

~

A música tocava alto, o cheiro de bebida era inebriante, de modo a tudo ser sentido até mesmo pelo outro lado da linha.

— Soluço, você me entendeu?! – o senhor de meia idade gritava ao telefone tentando ser ouvido.

— Por que você ainda pergunta se sabe que ele vai responder “sim” de qualquer forma? – a mulher jogada em uma poltrona perguntava, rindo da irritação do marido.

Sim, aham, ta tudo okay.

— Viu! — a mulher novamente se gabava enquanto o marido perdia a paciência cada vez mais.

— Vem Soluço, vamos nos divertir – uma voz feminina sibilava junto ao telefone enquanto Valka revirava os olhos e sorria.

— Soluço!!

Pai, relaxa – o garoto ria – quantas vezes eu já te desobedeci? – respondia com sarcasmo.

— O que?! Você quer por ordem cronológica ou alfabética?!

Sua esposa desatou a rir.

Agora eu vou ter mesmo que ir pai, reunião muito importante do, do... Eu já usei a desculpa do grêmio estudantil quantas vezes mesmo?

— Sete. – Valka gritou sorrindo.

Oi mãe, não sabia que estava ai— disse suavemente, rindo com cumplicidade – Mas agora eu tenho mesmo que ir, os deveres administrativos me chamam.

Vem logo Haddock.. – foi a voz masculina ouvida antes do telefone ser desligado.

O homem grande e bruto no quarto parecia prestes a explodir.

— Querido – Valka dizia com um sorriso no rosto – pode ser uma confraternização de fim de semestre.

— Hahaha – respondeu irônico – pelo menos eu sei de onde ele puxou o senso de humor – terminou de responder puxando a cadeira para se sentar, massageando logo as têmporas.

— Mas em uma coisa ele tem razão, você sabe. — terminou a frase sendo desafiada pelo olhar do marido a continuar com seu raciocínio.

— Por mais que ele sempre esteja na farra – ela sorriu – nunca deixou de estar presente em alguma reunião que realmente fosse importante – continuou sem deixar que o marido a interrompesse – suas notas são impecáveis, e não é só na teoria, ele também é um aluno brilhante na prática. Eu, sinceramente, já não vejo tanta razão para nos preocuparmos.

Seu marido bufou entendendo que perdeu a pequena discussão.

— Há Valka – resmungou puxando a esposa para seu colo — é só que, sempre que tudo está bom demais, algo da errado. — terminou a frase acomodando seu rosto na curva do pescoço da mulher, dessa forma, lhe arrancando suspiros.

— Você é paranoico demais. — terminou lhe fazendo cafune.

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Do outro lado do país...

If I couldfall, intothesky. Do youthink time, wouldpass me by. — gritava a plenos pulmões o homem ao volante.

Cause youknowI´dwalk, a thousandmiles. — a morena no banco do carona completava.

If I could, justseeyou... — Soluço completava com a voz falsamente afetada.

Tonightgritavam todos juntos, perdidos em meio as risadas.

— Deuses, eu amo esse filme.

— Okay bonitão, a gente sabe – o mais velho respondeu revirando os olhos – agora vê se controla essas risadas. — encerrou rindo.

— É cara, a gente nem bebeu e você já tá mais vermelho que a minha boca. — a morena zombava enquanto virava o corpo para a parte de trás do veículo.

— Ponto muito importante esse que você acaba de tocar minha adorada Heather – o motorista comentava enquanto terminava de estacionar o carro.

— Imagino que queira ter as honras – completou tentando beijar a mão da moça que logo fez sua falsa cara de nojo, arrancando dessa forma mais risadas de Soluço.

— Como eu já iria dizendo – comentava enquanto revirava sua bolsa – eu fui a motorista da última festa, cargo esse que inclui as mais diversas responsabilidades. — continuava seu discurso ainda sem largar sua bolsa.

— Tais como, não beber, não comer qualquer alimento suspeito e não se envolver sexualmente com ninguém por mais de duas horas. – a última afirmação sendo enviada diretamente para o homem ainda no volante — Já que o Viggo já teve o desprazer de nos ensinar que teor alcoólico pode ser passado pelo beijo.

— O que eu posso fazer?! — o homem se defendia rindo – eu sou um poço de dados científicos.

— ”Científicos”, sei – a morena dizia enquanto erguia dois palitos de dentes retirados da bolsa, com aparente orgulho.

— Olha, ela não esqueceu dessa vez. — Soluço dizia irônico enquanto abria seus braços sobre os bancos – Cheguei a pensar que alguém seria novamente a motorista da rodada por pura irresponsabilidade. — completou levantando as sobrancelhas e sorrindo de lado.

— Deus me livre – respondeu levantando as mãos — já estão na minha bolsa a três dias. E que eu saiba, o título de irresponsável do grupo não é meu, senhor Haddock. — encerrou a frase com aparente deboche.

— Ou, ou, ou, será que da pra irmos logo com isso. — Viggo interveio assim que percebeu pelo sorriso irônico do amigo a longa discussão repleta de indiretas que viria pela frente, apenas, como ele costumava dizer, para esquentar os ânimos — Eu não gastei uma grana pra ficar conversando no carro com as duas maricas.

— Parece que você se livrou da derrota esmagadora.. dessa vez, Lucinho.

— Será que foi eu mesmo o poupado?! — Perguntou com a mais falsa cara de inocente.

— Vocês sabiam que o meu curso ensina a dissecar pessoas? — Viggo perguntava com uma irritação palpável na voz.

— Okay, okay. — a morena resmungava enquanto embaralhava os palitos – Pronto senhores, e que o mais sortudo vença.

~

Os três anos de visita a aquele local não haviam diminuído sua angústia. Fossem pelas frias celas sem vida ou os olhares indignados e penalizados, tudo aumentava a sua dificuldade de ir em frente.

Seu objetivo toda última terça-feira do mês era alcançar a última sala do corredor, mas sua respiração, que não conseguia alcançar seus pulmões, a impedia de resolver suas pendências.

Ela precisava daquele acordo, o tempo estava se esgotando. Era ela quem deveria alcançar aquele cômodo, ou tudo estaria perdido, não haveriam chances. Por mais que imaginar seu sorriso só lhe desse mais raiva, ainda não era o suficiente para parar de tremer, então, o que seria?!

Com todo o medo que assolava seu minúsculo corpo, coberto por grossas camadas de roupas, decidiu novamente se virar. Talvez ignorar aquele problema por mais um mês lhe desse forças. Mas olhando ao celular ela percebeu que dessa vez a angústia lhe acompanharia.

—Cinco meses, a partir de hoje, só cinco meses... É menos da metade do ano – seus dedos tremiam – Mês que vem vai dar certo – ela sussurrava enquanto caminhava de volta a entrada.

—Mês que vem...

Notas finais
E então?? Se vocês comentarem, prometo que respondo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.