Em busca da... Coroa?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordei cedo nesta manhã com meu irmão maluco Elliot jogando um travesseiro na minha cara, como sempre gostava de fazer. Eu só não entendia o porquê das minhas criadas (melhores amigas, mas papai insiste que eu as chame assim) não obedecerem a minha ordem de não deixá-lo entrar no meu quarto. Talvez porque ele seja o principe, mas isso é um pequeno detalhe.
–Acorda,Tara, o papai quer falar com você no escritório dele!- Elliot fala rindo, ainda batendo em mim com o travesseiro
–Tão cedo?- pergunto fazendo careta
–Sim,papai quer te ver, acho que é alguma coisa importante.
Levanto bufando e o observo para ver se ele se toca
–O que foi?- pergunta
–Preciso me arrumar! Pode me dar licença?
–Ah claro, me desculpe.
A propósito, que falta de educação a minha. Meu nome é Tara, tenho dezenove anos e sou a princesa de Illéa. Você deve achar que eu adoro ser princesa, tudo as mil maravilhas, certo? Errado. Esse doido aqui é Elliot, meu irmão. Ele é apenas dois anos mais novo que eu, mas tem um porte físico igual ao do meu pai.
Meu vestido era amarelo claro e não tinha saia rodada, como as pessoas esperam que tenha.Meu cabelo estava preso em um rabo te cavalo entalado por grampos e minhas sapatilhas eram brancas.Não sou do tipo mimada e tímida, como a maioria do povo do país pensa. Na boa, odeio isso. Acho que puxei minha mãe.
Mamãe nunca escondeu de mim que no começo odiou o fato de estar na seleção, e também sempre me contou detalhes de sua relação com meu pai quando eram jovens. Quero ter a sorte, de ter um amor verdadeiro e ser feliz assim como eles.
Mas devo admitir que foi pura sorte deles terem se apaixonado verdadeiramente. A seleção é uma maneira estúpida de conseguir alguém e, na minha opinião, tem muita gente mimada pro meu gosto.
Saio do meu quarto e vou ao escritório do meu pai, que se encontra do outro lado do palácio.Além do que é na maioria das vezes puro interesse por um cargo e não por mim. Jurei para mim mesma que não vou me deixar enganar por esses que querem a coroa.
Deixo me levar em meus devaneios e não percebo que bati de cara na porta imensa que dá no local esperado. Bato duas vezes seguidas e entro sem esperar avisos.
–Me chamou, papai?
–Bom dia, querida, dormiu bem?- perguntou papai, se levantando de sua cadeira vindo me abraçar.
–Claro, até me acordarem. — Respondo irônica- Por que me chamou cedo assim?
–A seleção, minha filha, está na hora de acontecer não acha?
–Na verdade... não.
–Vamos lá, se anime um pouco! Tenho certeza de que terá a mesma sorte que tive com sua mãe!
Respirei fundo e assenti.
Não queria fazer parte daquilo mas fazia parte de um ciclo, e meus pais já me ajudam tanto evitando me tratar como uma princesa que eu seria incapaz de negar algo assim.
–Claro, pai. Se não se importa, vou descer e pensar um pouco. Se precisar de mim, estarei no jardim.
O jardim, como sempre meu refugio, assim como era o do meu pai em situações semelhantes.
Meu pai beijou minha testa delicadamente e abriu a porta para que eu me retirasse.
O jardim era minha parte favorita do palácio, era onde eu podia ser mais ou menos livre, respirar um ar puro, já que nunca pude sair do castelo. Além de que a ideia de meus pais terem se conhecido lá, o que me cativava muito. Cumprimentei os guardas que guardavam os portões e sente no "banco dos meus pais". Eu ainda era muito jovem pra casar. Não queria ter essa prisão me cercando dessa maneira. Esse é um dos motivos pelo qual odeio ser princesa. Nunca posso fazer o que me agrada, tenho sempre que seguir ordens, ser formal e sempre com postura. É revoltante!!
Algo tampa meus olhos, adivinhe quem era? Elliot, claro. Quem mais me trataria de maneira tão informal nesse lugar?
Ele se senta ao meu lado e passamos longos minutos de silencio absoluto
–Como se sente?- ele pergunta finalmente
–Em relação há?
–A Seleção! Como se sente com tudo isso?
–Como sabia que esse era o assunto de papai comigo?- repliquei
–Uma suposição!
–Bom... me sinto insegura, assustada, pressionada e...- ele me cortou depressa
–Não continue, eu já entendi- falou sério
Coloquei minha mão sobre a dele que a acariciou com ternura. Me puxou para um abraço e encostei minha cabeça em seu ombro.
–Sabe que pode contar comigo certo?- Perguntou
–Obrigada- disse agora confiante- Bom, vamos fazer o que nesta manhã?
–Ah... vamos tirar mais fotos que nem aquele dia?- Elliot era apaixonado por fotografia, assim como papai- prometo não tirar fotos enquanto te assusto outra vez!
–Ok, ok... Vamos então, mas é bom você cumprir a promessa, mas, antes, eu tenho que tomar café, ainda não comi nada.
–Claro, vou com você- e seguimos para o salão principal.
–Bom dia!- falou nossa mãe sentada a mesa
–Bom dia!- dissemos em coro
Uma criada me serviu de suco de laranja e preparou algumas torradas.
–Obrigada, pode deixar que eu me viro!- falei tentando ser o mais simpática possível
A moça olhou para mamãe que suspirou e a dispensou.
–Filha, estão aqui pra nos servir, te entendo, mas... Não pode fazer tudo sozinha, entende?- Questiona mamãe, pacientemente
– Não entendo. Por quê? Porquê não! Posso muito bem cuidar de mim mesma, tenho duas mãos para fazer minhas coisas sozinha.
–Tara, seja razoável...
–Tudo bem mãe, me desculpe!-digo, ironizando a situação.
–Então mamãe, o que vai fazer hoje?- pergunta Elliot na esperança de acabar com a tensão.
–Ah, tenho que resolver umas coisas com a rainha da França, ela anda criando muitos problemas ultimamente- disse ela, com uma pontada de raiva
–Se não fosse pelo seu pai, as coisas estariam bem piores com eles.
– Entendo... -Responde Elliot, pensativo.
–Vamos fazer aquelas fotos Elliot?
–Mas acabamos de...
–NÃO IMPORTA! Vamos logo, tudo bem?
–Claro...
Saímos em direção ao jardim novamente.
–O que aconteceu?- ele perguntou assustado
–Só não estou a fim de ficar escutando a mamãe falar, me fez perder a fome.
–Mas ela é nossa mãe!
–Mas me irrita todas as vezes que começa a falar de problemas com outros reinos e sobre como tenho que aceitar essa vida
–Você esta sendo radical.
–Não estou não, apenas estou sendo realista.
–Sabe quantas pessoas gostariam de estar no seu lugar Tara?
–Não imagino o porquê.
–Pessoas que gostariam de ter pelo menos o pouco do que você tem, pessoas que gostariam de um pouco de conforto como temos aqui!-ele vez uma pausa- Não seja ingrata!
Ele tem razão, ás vezes me deixo levar pela fúria e esqueço que tenho tanta coisa a minha disposição, diferente de muitas outras pessoas.
–Talvez eu tenha exagerado.
–Esqueça isso, agora... Vamos às fotos?- Disse ele, estendendo sua mão, fingindo ser cavalheiro, me fazendo rir.
– Claro, “majestade”!- aceitei a mão e passamos o dia todo tirando fotos e nos divertindo.
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