A expectativa da pergunta repetida por ele fazia com que meu estômago embrulhasse, minha boca ficasse seca e os lábios ficavam rachados, como o deserto. Essa era a impressão que sentia.

"O que somo?" Repetia novamente, e o cigarro preso no canto da boca de Jack.

Preferia me manter calada, de cabeça baixa e olhos fixos na calçada de terra batida, nos meus sapatos levemente gastos.

O "por que" era uma pergunta, quase impossível de identificar sobre à sua real referência, mas sabia.

Sempre sabia.

A expectativa da resposta me sufocava e tudo o que dizia era "eu não sei, mas assim o fiz."

"Se disser que somos super-melhores-amigos, estaria machucando e ignorando seus reais sentimentos."

"Seja sincero." A advertência na minha voz soava afiada, o cortando de tentar fugir do assunto.

"Estou sendo sincero ao dizer que não sei."

Ele pausava, respirava fundo e jogava o cigarro, pela metade, no lixo.

"Tem dias que somos desconhecidos, como hoje, outros dias somos os melhores amantes e em outros dias, somos irmãos e amigos."

A expectativa havia se transformado em uma grande bolha de confusão.