Em algum lugar...
13 Amanhã
Aquele amanhã havia chegado, havia tambores por todos os lados do apartamento e não me recordava de ter adormecido. Deveria ser alguma hora da tarde, mas estava nem ai.
Estava, talvez, me tornando a velha preguiçosa que tanto temia.
"Vamos, Maria. Ignore a dor de cabeça e vá no mercado!" Minha mente tentava gritar.
Jogava as cobertas para o lado e saia da cama, como se tivesse feito sexo mil vezes em uma noite. O corpo implorava por descanso.
Caminhava até a caixa de correio e pegava as cartas, contas a pagar, convites a festas. Jack.
A carta brilhava, se insinuava, agitava, rebolava e dançava na minha mão.
Odiei-a desde o principio.
Abria o pacote e agia com frieza ao ler lida.
"Resolvi seguir sua dica, não deixar o medo comum — não ser correspondido — me abalar."
Dica.
Medo comum — não ser correspondido -.
Quem liga?
Jogava a carta na mesa e a deixava daquele jeito, indo para o chuveiro para aliviar a tensão.
Não era o 'es' e menos o 'ins'.
Era ódio.
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