Há coisas distantes, inalcançáveis, demasiadamente fantasiosas para coexistirem com a realidade. Entretanto, sou ousada e teimosa, tenho em mim sonhos enormes sobre dias melhores, sobre sentimentos maiores, sobre dores menores. Dentre todos eles, três destacam-se pela sonoridade que criam em meio peito e flutuam em meus devaneios.

Eu queria que você me amasse. Pense que coisa mais bonita, mais simples e eterna, sua pele deslizando pela minha, apertando-se a mim, afagando minha intimidade, roubando-me alardes, roubando-me suspiros, roubando-me beijos e caricias, roubando-me para ti. Tu és tudo em que quero pensar. Espero que, vez por outra, por piedade de minha alma, penses também em mim.

Eu queria que todas as pessoas fossem iguais, que não existissem distinções: não houvesse Negros nem Pardos nem Brancos, não houvesse Cristãos nem Budistas nem Islâmicos nem Hinduístas nem Pagãos nem todas as outras religiões que só fazem as pessoas se evitarem, não houvesse Ricos nem Pobres. Queria mesmo que só existissem Pessoas, Humanos, não classes, não raças. Todavia, o Iluminismo morreu sem de fato uma revolução!

Por último, tenho um sonho, na verdade um desejo íntimo e egoísta, que trava guerrilhas dentro de mim. Acho que desde pequena sempre soube que quando eu fosse grande o que eu queria fazer era escrever. Por anos tentei desvencilhar-me disto, mas a maldita vontade acabou por ganhar. Hoje escrevo não por obrigação, não por mera vontade ou vislumbre de criatividade; escrevo por necessitar da palavra, escrevo por ela estar tão untada a mim que às vezes nem sei quem eu sou: uma manifestação da escrita ou o sujeito dela.

Notas finais
Resolvi participar de um desafio que encontrei pela internet, em que consiste em escrever, todos os dias, durante um mês, cartas sobre alguma coisa específica. Nesse caso, no quinto dia do mês, deveríamos escrever uma carta sobre "os seus sonhos". Ao invés de uma carta propriamente dita, escrevi um pequeno texto para enviar a centenas de desconhecidos. Espero que gostem!