Em Tempos de Paz
2 Intensidade
Notas iniciais
Embora seja uma única estória, seus capítulos são independentes e foram assim avaliados no 1º Desafio Relâmpago de Drabbles do fórum Saint Seiya Dreams (novembro/2009).
Este capítulo (INTENSIDADE) recebeu a nota 9.
Link para o tópico do desafio: http://www.invisionplus.net/forums/index.php?mforum=ssdforum&showtopic=1415&mforum=ssdforum&st=0
Este capítulo (INTENSIDADE) recebeu a nota 9.
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Em tempos de paz...
... desejamos ardentemente a guerra. O calor da batalha esquenta nossos corpos, as lutas pela sobrevivência regozijam nossas almas. Lutamos porque nascemos para isso. Lutamos porque temos algo a defender. Mais que Athena, mais que a Terra. Defendemos nossos desejos egoístas, porque, afinal, somos ainda humanos. E como tais, cedemos àquilo que nos dá prazer. Mas quando não há mais nada que nos ameace. Quando, afinal, já passamos por todas as provações, ficamos deslocados. Alguns se rebelam, outros se retiram para os lugares ermos e outros ainda enlouquecem. E para não enlouquecer tive que fazer minha própria guerra, porque embora a paz fosse boa e desejável, era terrivelmente tediosa. Meu inimigo foi escolhido a dedo. E nossos campos de batalha eram nossas camas. Camus era tudo que eu jamais quis ser. Tedioso, idiota, metido, presunçoso. Ele sempre acreditava ser melhor do que os outros, sentado à sombra das árvores lendo seus livros de filosofia. A presença dele ao mesmo tempo me irritava e me alegrava. Desde mais novos, desde que chegou ao Santuário, ele sempre foi meu melhor amigo. Não porque tivéssemos alguma coisa em comum, nem porque nos interessássemos pelos mesmos assuntos. Nós éramos os melhores amigos porque a despeito de nossas diferenças, a despeito de todas as brigas diárias, no fundo, nós nos entendíamos. Mas eu sempre adorei brigar com ele. Vê-lo perder a cabeça era o melhor espólio de guerra que eu poderia conquistar. Nossas disputas eram acirradas, intensas, fatais e eu não sei bem a partir de quando elas foram parar na cama. Entre suor e saliva, entre mordidas e puxões, prazer e dor, a linha que separava caricias de castigos era tão tênue quanto a que a distinguia paixão de ódio. Ele tinha esse jeito de me tocar estranho, como se quisesse arrefecer um fogo descontrolado à força. Às vezes eu cedia, tentado pelas suas carícias, pelo tom de sua voz ao meu ouvido. E por algum tempo deixava-o acreditar que tinha me vencido até que eu me cansava e deixava claro, bem claro, que todos os esforços que ele fizesse seriam em vão. Porque eu nunca cederia totalmente a um francês metido a intelectual. Geralmente nossas noites terminavam aí, numa briga que acordava todo o Santuário. E eu costumava voltar para casa coberto de gelo, mas não sem antes deixá-lo paralisado por um tempo. Depois de dois ou três dias, porém, tudo voltava ao normal, como se nada houvesse acontecido. Essa era nossa excitante e incansável rotina. Às vezes, somente às vezes, nós parávamos para pensar sobre esse estranho relacionamento que tínhamos, mas por mais que tentássemos, nunca conseguimos chegar a um consenso. Se nós nos amávamos, nos odiávamos ou se simplesmente nos aturávamos mutuamente, essa é a grande questão que nenhum de nós jamais conseguiu e provavelmente nunca conseguirá responder. O que nós dois sabíamos com toda a certeza era que um precisava do outro. Para amar ou odiar. Para brigar ou levar para a cama.
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