Desde de que Alison entrou no ensino médio, ela pode descobrir coisas sobre si mesma que nunca pensou que poderia acontecer. Ela descobriu estilos novos, gostos musicais novos e que mexiam com ela só de escutar. Tudo aquilo foi incrível. Ela descobriu certos sentimentos que possuía em relação não só a garotos, mas também com garotas. Seu primeiro beijo foi com uma garota, no aniversário de sua ex-colega de curso de empreendedorismo. Mesmo que Bianca, a garota popular do curso, tenha sido seu primeiro beijo e não houve nenhum relacionamento entre as duas na época, Alison nunca esqueceu do sentimento que sentiu quando beijou ela.

Agora, ela está no terceiro ano do ensino médio, pela segunda vez, aos 19 anos de idade. Aconteceu alguns ocorridos antes dela entrar no terceiro ano, o que causou a ela marcas traumáticas, que ela tentou se curar sozinha e nunca contou a ninguém o motivo dela ter reprovado no terceiro ano, no ano retrasado, por ter tirado nota zero em todas as provas de uma das matérias mais importantes e mais cobrada nos vestibulares e provas escolares.

Sua amiga, Samanta, entrou no terceiro ano apenas esse ano, por isso teve a oportunidade de estudar junto com Alison. As duas eram melhores amigas desde o fundamental, na quarta série. As duas foram vizinhas quando crianças, então criaram uma relação forte desde então. Por mais que agora Samantha tenha se mudado um pouco para longe, perto da escola, já que sua mãe era a diretora da escola onde as duas estudavam, foi difícil as duas irem embora juntas e andando grudadas na casa uma da outra. Mas isso não as impediu de serem amigas.

Alison estava em um sonho pesado. Ela sonhava que estava em um navio enorme vagando pelo mar aberto, com chuva de Donut´s caindo sobre o barco e o enchendo de cobertura derretida. Ariana Grande lhe fazia um show particular, cantando para ela “One Last Time”, vestida com um vestido imenso de Donut´s.

— Alison! Você vai se atrasar para o primeiro dia de aula!! —Lilian, sua mãe, dizia correndo por todo o canto existente da casa. Ouvia seus passos rápidos. Olha lá mais uma atrasada.

Alison desligava seu despertador quando ele tocou disparadamente em seus ouvidos. Ela se espreguiçava para o lado. Pegou seu celular na pequena mesa ao lado da cama e ligou o telefone. Era 13:20. Ela deveria estar na escola as uma e ponto.

Ela se levantava na velocidade do flash, ou talvez até mais rápido que ele, para ir até o banheiro e tomar um banho rápido. Ela ria se abaixando para pegar seus chinelos, lembrando do sonho perturbador que havia tido, mas logo se deparou com sua visão escurecendo. Ela havia se levantado rápido demais. Um estromdo se formava com seu tombo no chão, mas caiu sobre algumas roupas lavadas e amassadas, retiradas do varal no dia anterior, que esqueceu de guardar.

— Alison, o que caiu aí? –A voz de sua mãe surgia do andar de baixo, um pouco abafada. Havia um silêncio pela casa logo depois.

— Nada, mãe!! Foi meu telefone! —Alison dizia com uma certa rigidez, massageando sua costela ao perceber que a bateu com tudo no chão.

Alison se levantava mais devagar agora, se apoiando na pequena mesa ao lado de sua cama. Com passos rápidos para ir ao banheiro tomar um banho logo em seguida. Enquanto se arrumava e escovava os dentes, colocou uma música no celular, Kiss it Better, de Rihanna. Ela vestia uma calça preta legging bailarina, uma blusa colada branca e um casaco curto manga longa. Nos pés vestia um Air Force completamente branco. Arrumava seu cabelo o deixando solto. Já precisava dar um corte nas pontas, pois já estava grande. Manteria o corte wolf. Pegou a mochila e seus fones, logo saindo do quarto caminhando até a sala de estar, mandando mensagem para Sami de que já estava chegando. Era mentira, claro. Ela a mataria se soubesse que se atrasou e a deixou sozinha no primeiro dia de aula.

— Que bom que está pronta. Te darei uma carona só desta vez, ouviu. — Sua mãe dizia quase sem fôlego, enquanto se abaixava e procurava alguma coisa desesperadamente.

— O que foi?

— As chaves do carro, não encontro! —Ela se levantava debaixo da pequena mesa da sala, que ficava de frente ao sofá. — Droga… parece que não é só você que está atrasada. Somos um desastre..

— Caramba… deixa que eu te ajudo.

Alison largava com tudo sua mochila no chão e começava a procurar a chave do carro pela sala junto com sua mãe, que parecia que teria um treco ali mesmo se não achasse as chaves em um minuto. Depois de procurar embaixo da pequena mesinha de frente ao sofá e na menor que havia ao lado, Alisou viu a chave caída na caminha do nosso cachorro, Botão, um cachorro da raça Shih-tzu.

O motivo de seu nome ser esse é porque quando Alison ganhou ele de aniversário de dezessete anos, ele chegou e estava agitado e alegre, lambendo todo mundo. No dia, Sami olhou para seu buraco de trás e disse "parece um botão", já que era diferente. Coitado. Rimos tanto no dia que o nomeamos assim.

Saímos de casa e minha mãe foi ligar o carro enquanto eu fechava o portão. Entro na frente pelo banco do passageiro e ela acelera tão rápido que os vizinhos curiosos iriam pensar que estamos fugindo de alguém.

Enquanto Lilian estava a caminho da escola de Alison para deixá-la, ela olhou o relógio e percebeu que já são 13:45, sendo que ela entrava às 13:05. Ou seja, atrasada 40 minutos.

— Você está levando tudo de que precisa, né? Não esqueceu nada? —Sua mãe se virava para ela, parando no sinal vermelho.

— Estou, mãe, não se preocupe.

— Alison, as coisas vão ser diferentes agora, né? Tem certeza que aquele problema foi resolvido?

— Mãe, eu já disse, estou melhor.

— Eu sei, filha, mas é que eu não entendo. —Ela franzia a testa em preocupação. — Você sempre foi boa em matemática, mas quando estava no meio do terceiro ano no ano passado, você despencou totalmente para zero. E eu achei estranho aquele seu professor, o Sr. Enzo, nunca ter me procurado para falar sobre esse seu problema. Eu tive que saber pela Helena.

Falar sobre aquilo era difícil para Alison. Só de citar o nome daquele cara, a deixava desconfortável e tensa. A verdade é que quando Alison entrou no terceiro ano do ensino médio, um professor novo de matemática também havia entrado na escola. Seu nome era Enzo, um homem alto, intimidador, de cabelos grisalhos mas com uma aparência ainda jovem. De cara, ele foi atencioso e muito querido com todos os alunos, mas principalmente com Alison.

Em sua sala, as meninas eram um pouco para frente, só querendo saber de festas e falar de garotos e o quanto elas queriam fazer coisas com eles. Mas Alison era diferente, ela pensava no futuro, era gentil e carinhosa, tratava os professores bem e, o que mais chamou a atenção de Enzo, era que Alison era a mais bonita e madura ali. Alison já possuía o corpo formado, com curvas perfeitas, glúteos grandes, corpo definido por fazer academia e seus seios haviam dobrado de tamanho quando passou dos dezesseis anos.

Um dia ela havia ajudado Enzo a configurar seu notebook com a internet da escola e o aplicativo de tarefas que todos os professores deveriam acessar nas aulas. Alison o tratou super bem, foi educada e possuía uma conversa madura com ele, o que o atraiu mais ainda. Mas depois daquele dia, as coisas desandaram. Ele a olhava com malícia e vivia convidando ela para os dois saírem e conversarem melhor depois da escola, mas Alison começou a estranhar sua atitude logo cedo.

Quando ela ficou rígida demais, as coisas mudaram para pior. Ele a obrigava a ficar um tempo a mais em sua sala depois das aulas, dizendo que ela precisava de “reforço” na matéria. Ele a ajudava nas atividades, mas tentava tocá-la nas coxas, em suas costas, em seu rosto, em seus lábios com o polegar. Dizia a ela que ela era diferente de todas as outras, e que ele queria isso. Ele desejava isso. Alison nunca pode tentar se livrar de sua pressão, pois tinha medo dele. Claro que ninguém acreditaria nela. E ela tinha medo do que ele poderia fazer com ela se tentasse incriminar ele de alguma coisa. Ele a fez ser reprovada de propósito.

Mas esse ano ele não seria mais seu professor de matemática. Ela não sabia o que aconteceu, para onde ele foi ou se é que saiu da escola.

— Ai mãe eu já disse, eu só fiquei ansiosa demais. Tentamos ir na terapeuta e nem ela ajudou. — Alison revirava os olhos, se apoiando com a cabeça no vidro.

— Eu sei. Helen me disse que entrou uma professora nova na escola, que dará aula para você. Eu já conversei com a Helen e pedi para ela comunicar a sua nova professora o seu pequeno problema. —Ela esbanjava um sorriso vitorioso. O sinal abria e ela dava partida no carro novamente.

— Espera, você fez o quê!!!? — Ela se virava com tudo irritada para sua mãe. Mas voltou a olhar para frente ao som de inúmeras buzinas de outros carros logo ao lado delas. — MÃE, CUIDADO!!

As duas gritavam desesperadas ao notarem um cachorro da raça Golden Retriever, escapando da coleira de seu dono de meia idade. O cachorro corria e pulava em várias janelas do lado do motorista dos carros que paravam desesperadamente, enquanto buzinavam. Um cara com roupas de corrida puxava o cachorro, levando ele para a calçada de volta para o dono, que o agradecia com um sorriso tenso. Seus dedos tremiam enquanto ele tentava colocar a coleira de volta no cachorro que não parava quieto.

Alison e sua mãe recuperaram o fôlego enquanto encaravam o senhor de meia idade desaparecendo com seu cachorro maluco. As duas se entreolharam em completo choque com o que acabou de acontecer. Lilian suspirava fundo arrumando seu coque no retrovisor, ligando e dando a partida no carro novamente.

— Você está bem, querida? —Ela se virava para Alison, que arrumava seu cabelo também.

— Estou…. que loucura, achei que íamos atropelar ele.

— Eeeh… eu também achei. Quando perguntarem o motivo do seu atraso, você pode ter certeza que terá um bom motivo…

— Eh.. eu concordo.

Chegando na escola, Lilian apenas a deixou na porta e já foi embora, pois estava atrasada também. O portão estava fechado, mas o Sr. Chico era um senhor de idade muito bondoso, então abriu o portão com o maior sozinho para Alison, que o agradecia com um sorriso e um bom dia.

Com certeza ela levaria uma bronca pelo atraso logo no primeiro dia de aula, mas precisava muito parar para ir ao banheiro antes de entrar na sala de aula. Haviam alguns alunos chegando junto com ela também, então ela não se sentiu totalmente sozinha.

Enquanto corria pelo enorme corredor principal que a levava até as inúmeras escadas do segundo e terceiro andar, ela subia as escadas do lado norte, onde ficavam os últimos anos. Alison conhecia muito bem a escola, pois está lá desde sempre, mesmo que agora a escola tenha tido uma grande reforma e com a mudança de séries na escola, que agora só havia ensino médio.

Ela se apressava até o banheiro feminino que ficava em frente a escada do segundo andar. Ao abrir a porta do banheiro, automaticamente alguém abria junto pelo lado de dentro, fazendo com que a pessoa trombasse junto com Alison no meio da ação.

— Perdão.. —Alison dizia sem esboçar reação, como se nem tivesse percebido aquela pessoa direito.

Mas ao entrar na última cabine do banheiro, ela percebia que era uma garota alta – talvez nos incríveis 1,80 de altura, não sabia ao certo, mas com certeza Alison percebeu que ela era o dobro de seu tamanho. Ela parecia vestir um terno azul marinho escuro feminino, bem elegante. Elegante até demais para um estudante daquela escola. Alison nunca viu alguém se vestir daquele jeito. A garota usava também um cardigan bem elegante com colarinho e as mangas dobradas para cima. Um colete curto azul marinho escuro, que ficava perfeitamente colado em seu corpo, deixando à mostra suas curvas. Parecia confortável do mesmo jeito. Usava uma calça de alfaiataria azul marinho escuro um pouco larga na boca. Ela usava um tênis preto super elegante, que combinava com o terno.

Alison conseguiu lembrar de relance o olhar que essa garota havia lançado para ela. Era um olhar frio e irritado, parecia odiar todo mundo. Seus cabelos bem ondulados eram um loiro escuro, mas ao mesmo tempo claros e com uma franja ondulada perfeitamente feita.

— Droga… preciso me desculpar por trombar nela igual uma doida. —Alison coçava a cabeça ferozmente, tentando conter a vergonha de todos os erros que já cometeu só no primeiro dia.



Ao chegar na sala, todos estavam conversando entre si. Alguns alunos na sala conversavam em uma roda de grupos, as panelinhas misturadas da sala. Samanta estava logo na terceira mesa ao lado da janela, que ficava de frente a mesa do professor. Ela percebia que Sami a encarava com os olhos arregalados, tentando dizer a ela com um sussurro de que ela estava ferrada.

Logo parada no centro da sala, encostada no quadro, observando todos os alunos no fundo, estava a garota que Alison havia tombado no banheiro. Ela precisa analisar todo mundo da sala. Ao perceber Alison entrando completamente na sala, a garota se virou para Alisou com um olhar mortal. Ela cerrava os olhos e travava o maxilar, como se estivesse rangendo ele por dentro. Ela se encostava no quadro com os braços cruzados e as pernas cruzadas umas as outras também, como se estivesse relaxada. Mas ela não parecia nem um pouco relaxada.

— Ah, é você. —Alison andava até sua direção, com um sorriso no rosto. —Olha eu só queria dizer que eu sinto muito por trombar em você que nem uma maluca no banheiro. —Ela logo ria ao lembrar.

Ela encarava a garota esperando uma resposta, mas nada saia de lá. Ela apenas continuava a encarar Alison com seu olhar mortal de mil facadas na alma, sem nem mesmo se mover. Alison a olhava confusa agora, endurecendo as sobrancelhas, mas tentando manter o sorriso .

— Ah… você é aluna nova? —Ela olhava por toda a sala, procurando algo. — Sabe onde está o nosso professor? Pelo visto não sou só eu atrasada na sala.

— Vejo que conheceu sua nova professora, Alison!

— Espera, como?

Alison se virava em um pulo para trás. Helen, mãe de Sami, possuía um sorriso alargado e brilhante para ela. Helena usava uma saia preta casual elegante com um micro rasgo na lateral da coxa direita, não muito grande. Era uma saia abaixo dos joelhos. Junto, ela usava uma camiseta branca e manga longa, casual também. Seus saltos vermelhos cor vinho, eram o que dava seu maior charme. Seus cabelos curtos, pretos da cor dos de Sami, também deixava um enorme charme para ela. Seus olhos verdes misturados com um castanho eram brilhantes e davam poder a ela.

A mãe de Alison, Lilian, é a melhor amiga de Helena, mãe de Sami. No ensino médio, as duas viviam juntas e grudadas, assim como Alison é com Sami hoje em dia. As duas mal sabem o que suas mães já fizeram juntas quando eram jovens, as encrencas em que se meteram… Mas desde então elas nunca se desgrudaram , e criaram suas filhas juntas, para seguir o legado de suas amizades.

Helena desde de o ensino médio se destacava por onde quer que passava. Mas agora ela possuía um olhar mais rígido para Alison.

— Allison, você chegou atrasada logo no primeiro dia de volta às aulas? —Ela parecia desapontada.

— Desculpa, Helen, é que…. — Alison suspirava fundo, sem acreditar no que iria dizer. — Eu realmente acordei atrasada, mas eu ia chegar a tempo com minha mãe, se no meio do caminho um cachorro não tivesse escapado de seu dono e corrido no meio da rua e… minha mãe quase o atropelando. —Ela forçava um sorriso, levando sua mão até a cabeça, tentando parecer verdadeira com aquela história.

— Ai meu Deus, isso é muito a cara da sua mãe mesmo. —Ela suspirava fundo, massageando a testa, que formavam pequenas linhas de nervosismo. — Vem, vamos todas conversar em particular.

As três foram para fora da sala, ficando ao lado do pequeno bebedouro elétrico do lado da sala. Todas as salas tinham um bebedouro elétrico agora, graças à reforma da escola.

— Ok, eu não posso deixar escapar esse atraso, Alison. —Helena lançava um olhar preocupado para ela.

— Bom, Einstein disse que o tempo é relativo. Talvez eu não esteja atrasada e sim, vocês é que estejam adiantados. —Alison forçava uma risada, tentando amenizar a bronca que estava prestes a levar.

— Ai meu Deus, você é filha da Lilian mesmo. —Ela abaixava a cabeça cruzando os braços, disfarçando o riso com a boca. — Mas suas brincadeiras não vão te salvar da lição de moral.

— Eh, eu já sabia…

— Enfim, vejo que já conheceu sua professora nova. —Ela sorria enquanto apontava para a mulher alta, e que na verdade, não era uma garota ainda estudava.

— Ela? Ela é professora? Minha professora? —Alison ainda parecia inconformada.

— Essa é a Kathleen, sua nova professora de matemática. Achei que sua mãe tivesse dito para você que entrou uma professora nova.

— Disse mas…. ela disse que era um professor novo.

— Jesus… na próxima vez eu mesma vou até sua casa e conto as novidades… —Ela sussurrava enquanto revirava os olhos.

Kathleen encarava Alison com um olhar sério agora, cruzando os braços. Ela parecia analisar a situação com atenção absoluta. Ela parecia um robô, não dizia uma palavra sequer. Ela parecia ser o tipo de pessoa que se livraria de você se tivesse a oportunidade. Seu rosto era relaxado e neutro, mas ainda assim parecia de mau humor.

— Desculpa ofender, mas ela não é jovem demais para ser professora? —Alison se arrependia no mesmo instante do que disse, pois conseguia sentir o olhar irritado de Kathleen queimando ela só pelo olhar.

— Não precisa ser velho para ser professor, Alison. —Helen ria. —Kate entrou na faculdade aos 18 anos, e terminou aos 22 anos. Não se lembra que iríamos procurar professores mais jovens para virem para cá? Achamos que ajudaria os alunos a prestarem mais atenção nas aulas se vissem que os professores são jovens. Assim os alunos podem amigar-se com eles também, criar uma boa relação com eles.

— Ah… entendi.

— E não vamos esquecer do seu pequeno problema com matemática, não é..? —Ela estava mais calma agora, mas com um tom de preocupação em sua voz. — Eu conversei com a Kate sobre seu problema.

— Eh, eu fiquei sabendo. —Alison ficava mais séria, seu olhar permanecia no chão agora, evitando contato com Helena.

— Alison, você sempre tirou notas boas em matemática, já chegou a ser a melhor da turma, se lembra? O Enzo não dará mais aula para você, só para o primeiro ano. Talvez o método de ensino dele não tenha funcionado para você, mas a Kate ela-

— Espera, ele não foi embora..? —Alison levantava seu olhar ansioso para Helena, endurecendo as sobrancelhas.

— Não, ele ainda está na escola.

Kate encarava Alison agora. Ela estava ansiosa, remexia os dedos agressivamente, mas tentava evitar. Seus olhares se encontraram, mas Alison rapidamente desviou, tentando ficar o mais calma possível. Ela não queria que ninguém descobrisse, muito menos sua professora nova, que parecia ter sacado tudo apenas olhando em silêncio.

— Ah tá. —A voz de Alison falhava um pouco, mas passava despercebido. Pelo menos ela pensava.

— Mas esperamos que esse ano seja diferente, Alison. Não queremos te reprovar de novo, Já era para você ter terminado a escola, você vai fazer 19 anos logo mais. Queremos te ver ano que vem na faculdade, tudo bem?

— Sim… eu entendi.

— Ok, vou deixar a Kate dar a sua aula. Pode entrar. —Ela sorriu, colocando uma mecha de cabelo caída no rosto de Alison.

Kate entrava na sala e abria espaço para Alison passar. Ela encarava fixamente Alison entrando, como se ainda tentasse ler ela, de algum jeito, só pelo olhar. Alison passava as pressas e ia rapidamente até sua cadeira, atrás de Sami. Ela se sentava e suspirava fundo, tampando o rosto com as mãos em formato de concha.

— Ok, me conta tudo o que aconteceu! —Sami dizia se virando com tudo para ela com os olhos arregalados.

Após contar toda a aventura para Sami, ela logo caia na gargalhada escandalosa dela, mas a sala inteira conversava enquanto Kate parecia olhar alguma coisa no computador. Ela estava séria e concentrada, nada a faria sair daquela concentração absoluta, isso era óbvio.

— Já parou de rir da minha cara? —Alison revirava os olhos para Sami.

— Ai amiga, desculpa, mas você chegou atrasada, entrou no banheiro e ainda deu o azar de dar de cara logo com a professora nova!! Amiga você tem muita má sorte. — ela dizia com a mão na boca, quase rindo de novo.

— Enfim, qual é a dessa professora nova? — Alison sussurrava se aproximando mais de Sami. — Por que ela parece tão-

— Carrancuda? Parece estar irritada e de mau humor o tempo inteiro? —Sami a interrompia, sussurrando também. Ela sabia exatamente que Alison usaria aquelas mesmas palavras.

— Eh, basicamente isso.

— Bom, pelo o que eu fiquei sabendo, ninguém conseguiu falar com ela a não ser minha mãe. Estão chamando ela de o novo terror da escola. Ela ultrapassou minha mãe!

— O quê?!! Impossível, não dever ser tudo isso-

— Todos sentados e em silêncio!

Kate se levantava de sua mesa com calma e postura impecável, parecia um general, se posicionando no meio da sala, se encostando no quadro e olhando para todos com seu olhar cerrado e sério, como se cortasse todos com apenas um olhar. O som de sua cadeira se arrastando para trás quando ela se levantou, já foi o suficiente para todos congelarem e ficarem em total silêncio. Nem precisava que ela falasse alguma coisa.

— Eu sou a nova professora de matemática de vocês. Caso pensem que eu serei amiga de vocês ou que iremos criar algum tipo de relação fora do profissional de aluno e professor, podem cair para o mundo real, por que comigo não será assim. Só de olhar para vocês, eu sei exatamente com que tipo de pessoas eu estarei lidando.

Ela cruzava os braços e permanecia uma postura calma e relaxada, mantendo a postura ereta, o que a deixava mais elegante ainda. Sua voz era grave, firme e totalmente controlada, carregando autoridade total. Cada palavra era precisa, sem questionamentos ou adicionais. Apesar de estar rígida ali, ela possuía uma autoconfiança única, exalando poder feminino e indicando que quem mandava ali era ela.

Ela logo não dizia mais nada, apenas voltando para sua mesa e pegando seu canetão preto em seu estojo grande. A sala inteira havia ficado em completo silêncio. Até o grupo mais bagunceiro da sala havia ficado quieto.

— Retiro o que eu disse. —Alison sussurrava para Sami, com a boca entreaberta.


Notas finais
Irei publicar capítulos novos provavelmente toda semana!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.