Em Suas Mãos

6 Capítulo 5 – Me Perdoe, Padre. Eu Pequei.


Em Suas Mãos

Capítulo 5 – Me Perdoe, Padre. Eu Pequei.

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Ela sentia-se estranha naquela roupa. Era irônico e ao mesmo tempo divertido vestir-se daquela maneira. E apesar de ser um uniforme para alguns, era a fantasia de um Carnaval macabro para ela, anunciando o cair da máscara de todos aqueles que decidiram entrar na dança sem música. O local do baile? Convento Sant’Ana, ao Sul da Califórnia.

O som do badalar do sino era um acariciar ao ascender da noite e, com ela, todos os seres pertencentes à escuridão que os habita. Não muito diferente da loira que seguia em procissão para dentro do enorme lugar de pedra.

Observou uma das salas que constatou ser de noviças. Uma aula de introdução às práticas religiosas e seus costumes, uma iniciação para quem quer seguir os mandamentos de Deus, do Todo Poderoso, aquele ao qual Caroline não tem o direito de ser dirigir. Ela não era digna e não se importava com isso.

De cabeça baixa, preces aleatórias e roupas pretas, ela acompanhou outro grupo até o outro lado dos dormitórios femininos e esperou até o som ecoar à meia noite.

Era a hora.

Olhou em volta de si e reparou todas dormirem em um sono calmo e profundo. Tão ingênuas, tão comportadas. Riu baixo ao lembrar-se de que um dia foi assim. Se levantou sem ser notada e seguiu calmamente pelo corredor escuro de pedra até o acesso ao prédio tão antigo e sombrio quanto aquele. O silêncio ali era absoluto. O único som ao qual se escutava era o da sua risada interna e os seus pensamentos tão divertidamente barulhentos.

Parou em frente a uma porta grande de mogno e sorriu ao se ver sozinha. Deu três batidas firmes com a mão e aguardou o que esperou por um tempo acontecer.

Um homem de meia idade e cabelos bem penteados tão escuro quanto seus olhos atendeu e um arrepio satisfeito percorreu seu corpo ao vê-lo parado de frente para ela sem entender o ocorrido.

― Irmã... – Ele tentou recordar-se, sem sucesso. E nem ao menos poderia.

― Forbes. – Completou.

Caroline frequentou dois seminários apenas para observá-lo mais de perto, mas se manteve longe o suficiente para não ser notada. Embora desejasse que ele se lembrasse do quanto ficava incomodado com sua presença como se estivesse no mesmo ambiente com o inimigo, ela apenas aguardaria isso acontecer de maneira lenta, quase imperceptível.

― O que faz aqui a essa hora Irmã Forbes? – Disse baixo, olhando para os lados do corredor. ― Já estão todas dormindo.

― Preciso me confessar. Não há outro modo de continuar com isto se não assim. – Não era uma mentira. Nem um pouco.

O Sacerdote permaneceu inerte ao pedido. Havia um misto de curiosidade e apreensão em sua postura. Caroline levantou a cabeça e lhe deu um sorriso convincente o suficiente para ele dar passagem para a loira adentrar ao seu quarto.

― Por favor. – Ele sentou-se em uma das cadeiras em frente à escrivaninha com uma Bíblia e vários papéis espalhados em cima e apontou para o outro lado.

Caroline sentou-se na beirada da cama observando-o cautelosamente. O Sacerdote, mesmo que tentasse disfarçar ora abaixando a cabeça ora mordendo os lábios como uma punição, não conseguia ignorar a bela mulher que se encontrava a sua frente.

― Sabe… Eu tenho feito algumas coisas sujas. Umas piores, outras nem tanto, mas ainda assim, impuras. – Ela disse em uma voz doce. ― E posso dizer claramente que sinto certo prazer em ser assim. – Se levantou e foi em direção a ele, que engoliu seco ao notar o olhar estático sobre si. ― Só que ao contrário de algumas pessoas, eu gosto e eu assumo. – Sussurrou em seu ouvido e apertou levemente seus ombros. O Sacerdote ouvia atentamente tentando não parecer tão nervoso com a proximidade da loira.

Todas as vezes que Caroline teve o desprazer em ficar perto dele, procurou por indícios do seu envolvimento com alguns atos ilícitos na Paróquia do qual fora designado. O fato é que o Sacerdote era cuidadoso o suficiente para nunca deixar transparecer suas intenções, mas Caroline era boa. Ir atrás de seres assim era o que aliviava e acalmava sua inquietação, era o que a fazia ficar mais perto do que procura há vinte anos.

― Todos temos pecados, minha filha. – E afrouxou o colarinho branco.

― Digamos que sim. – Ela disse despretensiosa e sentou-se na cama novamente.

― E qual foi o que te trouxe aqui? – Perguntou curioso.

Flashes satisfeitos inundaram a sua mente. Até ali, fez coisas que jamais imaginou um dia fazer. Mas nada disso importava. Usaria esse momento também como um desabafo, algo que ela sabia que jamais sairia dali. A confissão necessária.

― São muitos. Incontáveis, na verdade. Mas o principal é que esse é o meu trabalho e eu gosto da forma como faço e também que usei muitas pessoas de maneiras inexplicáveis para chegar até aqui. E eu procuro por algo que você tem. Talvez possa me ajudar... – E ela sorriu minimamente de canto de lábios. ― por bem ou por mal.

O olhar e o tom de voz da mulher a sua frente denunciavam algo muito mais sombrio que um simples pecado e finalmente ele se dera conta do quão pesado o ambiente se tornou com a presença da loira.

― O que quer dizer com isso? – Tremeu.

― A princípio que vou fazer seu mundo inseguro. Confesso que nunca achei que você chegaria tão longe. – O homem suou frio e perdeu aos poucos o controle que Caroline sabia que ele não possuía. ― Sei que possuo demônios que não foram criados por mim, mas que parecem que foram feitos sobre medida para me devorarem em vida. Até que ponto é justo carregá-los... eu não sei. Mas estes que você tem... – Disse friamente e o Sacerdote parecia cada mais nervoso. Algo próximo ao desespero. ― Estes são bem piores.

― O que você quer?! – Questionou assustado.

― Caçar você pelo grande buraco negro que chama de moral bem aí dentro. – E apontou para o peito dele. ― E obter algumas informações com isso.

― Não sei do que está falando Irmã Forbes, mas sei que pagará por isso! E o castigo Divino não tem pressa! – Cuspiu as palavras.

Caroline deu uma gargalhada que lhe fez arrepiar a alma.

― Não sou hipócrita. Sei que assim coloco a minha alma na linha. Mas eu não acredito no Dia do Julgamento e desse modo... – Apontou para ele. ― eu purifico os pecados que eu cometi na vida.

Ele se levantou e antes de conseguir girar a maçaneta Caroline se pôs a sua frente o empurrando contra a parede fria e aproximou seu rosto do dele junto com um punhal em seu pescoço.

― Eu estou prestes a fazer do seu jeito, se você não colaborar, será do meu. – Ele acenou positivamente com a cabeça. ― Muito bem. Eu quero algumas informações e sei que você as tem.

― Quem é você?

― Alguém que está prestes a cortar as suas asas. – Ela sorriu e o Sacerdote engoliu seco.

― Por favor... – Ele tentou se mover novamente e tudo o que sentiu além do pavor foi um filete de sangue escorrer para a sua batina.

― Não há para onde ir. – Caroline pressionou ainda mais. ― Sua cabeça está na linha e não há esperança, Padre, seu tempo está acabando.

Ele apontou com a cabeça para a escrivaninha e Caroline lhe deu espaço para ir até lá, observando atentamente todos os seus movimentos. O Sacerdote pressionou o fundo de uma gaveta que revelou fotografias de algumas jovens. Ele as pegou e entregou para Caroline a contra gosto.

― Marcel estava certo. – Ela pensou alto.

Caroline sacou o celular e discou um número.

― Oi.— A voz grave ecoou pelo quarto quando Caroline deixou o celular no viva-voz em cima da mesa enquanto passava as fotos.

― Marcel, boas notícias. Cheque seu e-mail em vinte minutos.

― Ele é um deles?— Perguntou.

―Definitivamente. – Sorriu maliciosa e desligou o celular.

O Sacerdote tentou se levantar mais uma vez e Caroline cravou o punhal em sua mão atravessando também levemente a madeira da escrivaninha manchando de vermelho os papéis que ali estavam. ― Nem pense nisso, Padre. – Ela o olhou e quase pode sentir pena da maneira como ele contorceu o rosto sem soltar um único som tamanho o choque. ― E sinta-se à vontade para expressar sua dor, me certifiquei de estarmos sozinhos essa noite.

Enquanto Caroline recolhia as evidências pelo local, o Sacerdote tentava falar algo que não fosse um balbucio de dor.

― O q... o... que... v-ocê... f-e...? – Ele tentou perguntar, sem sucesso.

― Nada demais. Apenas algumas pílulas para dormir no vinho dos Cardeais. Você sabe... – E deu de ombros.

Caroline continuou a busca quando em meio a alguns fundos falsos vazios e a arrumação impecável do quarto, notou na estante um livro que destoava de todos os outros.

― O que são todos esses nomes? – Ela se aproximou dele com o livro em mãos, que tentava arrancar o punhal e desistia toda vez que a dor se tornava mais insuportável do que já estava.

― Não sou estúpido o suficiente. – Bufou. ― Não vou falar nada para você! – Sua respiração estava ofegante.

― Vamos lá... – Ela girou o punhal lentamente e o Sacerdote gritou de dor. ― eu sei que pode fazer melhor que isso. E tenho a noite toda para continuar com essa brincadeira. – Girou mais um pouco e parou com o livro aberto de frente para o rosto dele. ― Os nomes. – Ele se recusou a falar e Caroline arrancou o metal afiado e o aproximou da sua jugular. ― Você não acredita no que todos os sinais dizem, mas de qualquer forma você não sairá ileso daqui.

Ele suava mais que nunca e pressionava sua mão ferida com a outra. Sua pele estava pálida e o semblante parecia cansado, pesado. Decidiu então ceder. O Sacerdote estava ciente desde o princípio que sua punição chegaria. Só não se dera conta do quão estranho aquilo parecia, caindo pelas mãos de alguém que aparentava um anjo. Se era bom por lhe tirar desde mundo ou ruim exatamente por fazê-lo não saberia dizer e talvez... Talvez fosse os dois.

― Tudo bem. – E lhe contou tudo o que sabia detalhadamente.

Caroline o ouviu atentamente falar sobre todo o esquema, as pessoas que faziam parte dele e ao final pegou as fotos e as espalhou pelo quarto junto com algumas anotações sobre os atos feitos pelo Sacerdote.

― O que pretende fazer com isso? – Perguntou assustado.

― Quando eles virem isso, virão atrás de mim e estarei preparada para derrubar todos. Um por um. E em qualquer lugar onde estiverem, eu estarei bem atrás.

Ele fechou os olhos ao ver o que a loira possuía em mãos. O barulho do enroscar no cano o desesperou. Sabia que não haveria mais tempo para rendição, mas não custava tentar.

― Pai nosso que estais no Céu...

Caroline riu e continuou enroscando o acessório pacientemente, encaixou o pente e puxou a trava.

― ... Livrai-nos de todo o mal...

― Amém. – Ela completou.

E agiu.

Silencioso, rápido, limpo, eficaz. Era assim que funcionava. E toda vez que ela o fazia, o seu burburinho descansava e estava enfim em paz.

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― São boates espalhadas por todo o país, mas ele não soube dizer a filial. – Caroline disse no celular ao desembarcar e seguir caminho para o seu carro.

― Me diga uma coisa, estou curioso. Qual foi a desculpa dele?

Ela ligou o carro, colocou a ligação no viva-voz do veículo e se dirigiu para a MC³.

― A mesma de sempre. “Não tive escolha”. – Imitou.

― Pensei que um Padre seria mais criativo.— Marcel bufou com uma risada. ― Já ouvimos isso um milhão de vezes. Mas não esqueça que muitas o seguiram também por escolha própria, Caroline. Ás vezes isso foi uma saída para uma vida miserável e a única opção delas.

― A verdade da vida é que todos temos escolhas sempre, Marcel. Não somos manipulados o suficiente para não sentir esse peso sobre os próprios ombros. – Ela mesma sentia. Aprendeu a lidar com isso. ― Mas são apenas meninas que foram seduzidas por uma vida melhor e a consequência disso não me parece justa. Falta de opção não é escolha, é apenas falta de opção.

― E a sua posição social deu a ele a oportunidade perfeita para observar as meninas da comunidade. Ele focou nas ingênuas, imaturas, fragilizadas com problemas familiares que eram atraídas com a promessa de salvação e gratificação eterna aos seus serviços prestados à Igreja e ao Clero.— Disse como uma reflexão. ― O que não sabiam, entretanto, era que seriam enviadas para outros lugares para prestarem serviços, mas estes seriam outros completamente diferentes e, para deleite dos seus algozes, elas jamais seriam salvas.

― O que pretendo mudar em pouco tempo. – Disse a loira praticamente como um sussurro.

― Mais uma coisa, Caroline.— Ele lhe chamou a atenção. ― A batalha é sua, mas saiba que sempre estarei aqui por você.

― Essa é a minha guerra, Marcel, minha responsabilidade, minha escolha. – Enfatizou e Marcel suspirou cansado.

― Se cuide, loirinha.

― Sempre. – E desligou ao estacionar na sua vaga na empresa.

Ela sentiu uma constante e antiga sensação ao caminhar pelo estacionamento e se manteve alerta. Parou por um momento e observou ao redor. Antes de conseguir fechar totalmente a porta do carro foi surpreendida.

Em um rápido movimento ela puxou seu braço para frente e o derrubou no concreto, montando nele e cruzando os braços na gola da sua camisa, enforcando-o.

― Nunca! Nunca mais venha aqui. – O apertou ainda mais vendo seu rosto se contorcer e ele se revirar até que perdesse quase totalmente o ar. ― Você tem sorte dos sistemas não registrarem essa parte da garagem!

― Voc-ê está h-á mais de um m-ês sem me dar no-tícias. – Tyler falou entrecortado tentando se justificar e Caroline o soltou.

Ele se sentou, tossiu algumas vezes com a mão no pescoço e Caroline fez sinal com a cabeça para ele entrar discretamente no carro pela a porta do motorista que ainda estava aberta.

Assim que ele pulou para o banco do passageiro, Caroline empurrou sua nuca para o meio das suas pernas segurando-o de modo que ele ficasse abaixado e disparou com o carro dali rapidamente.

Alguns metros à frente, estacionou no acostamento de uma rua não movimentada, respirou fundo e o soltou de modo que ele conseguisse se levantar.

― Meu trabalho, meu tempo. – E olhou firmemente para ele.

Tyler mexeu os ombros algumas vezes e se ajeitou no banco.

― Meu dinheiro. – Enfatizou.

― Se acha que um mês dá para conseguir montar um caso como esse, faça você mesmo o serviço, Lockwood. E o seu dinheiro... – Ela riu abafado. ― Não chegou nem a metade que esse acordo merecia. Dê-se por satisfeito. Além disso, não acho que o seu motivo seja forte o suficiente para continuar o trabalho. – Ela o provocou e Tyler se irritou de imediato.

Ela gostava da adrenalina. Gostava do modo como isso a excitava e a motivava. Era um vício, um inevitável vício do qual ela estaria disposta a manter pelo tempo que achar necessário, mas ali precisava ir com calma. Klaus era o tipo de homem que você tem que lidar com muito cuidado. Ele não é um menino mimado e desleixado como ela havia conferido anteriormente, nem um homem completamente seduzido por dinheiro ou mulheres. Era sagaz, inteligente e ela poderia realmente admirá-lo se ela mesma não tivesse selado seu destino. Além disso, ela até gostava da maneira como as coisas fluem tão fácil entre eles.

― Não importa! – Vociferou. ― Pensei que tivesse deixado isso claro! Eu quero todos os detalhes, a cada passe seu eu quero ser informado sobre. Sobre não ser o suficiente, tenho outras coisas que te deixarão mais certa sobre o que fazer com o babaca Mikaelson e não fira a sua maldita ética!

Ele percebeu ter sido uma péssima ideia agir dessa maneira quando Caroline apertou o volante com força e o encarou.

Caroline tirou o cinto e foi repentinamente na direção de Tyler, que se recolheu todo como um menino assustado. Ela riu da atitude do Lockwood e se ateve em abrir o porta luvas e lhe entregar alguns papéis dos seus últimos relatórios.

― Se isso não tiver pelo menos algo interessante... – Falou ameaçadoramente sacudindo o maço.

― Me diga, Lockwood. – Ela o interrompeu. ― Você sabe se existe vida após a morte? – Ele a encarou estranhando a pergunta e não respondeu. ― Pois bem... Se continuar me seguindo, descobrirá. – E suspendeu a camisa social mostrando que não andava sozinha.

O brilho intenso do metal demonstrou que Caroline falava sério quando disse que não brincava em serviço. Antes dela completar de puxa-la, Tyler saiu do carro, seguiu seu caminho e Caroline voltou para a empresa.

Klaus estava nervoso e agitado. Discutia com Genevieve sobre os arquivos desorganizados em sua mesa e o estresse o dominou pelos dias em que Caroline se manteve distante.

Toda a firma se perguntava quando ela voltaria para abaixar o tom de voz do autoritário e insuportável chefe. E ele se perguntava a mesma coisa, não aguentava mais ter que lidar com “aquele bando de imbecis” como costuma chamar todos que não fazem as coisas do jeito certo. Do seu jeito.

― Uau! – A loira exclamou da porta apontando para Genevieve que acabava de arrumar desajeitadamente algumas folhas se apressando para sair e passou por ela sem olhar para cima. ― Ela estava vestida! Impressionante.

Seu sorriso estava estonteante, sua postura leve e descontraída, diferente das outras vezes que ele a viu. Mas o ar irônico, o deboche instaurado na voz permanecia. Klaus sentiu falta disso e ela também embora nenhum dos dois ousasse confessar.

― Parece que três dias seguidos de folga fizeram muito bem a você. – Falou dando a volta na mesa tentando não sorrir ao ver a loira de volta.

― Trabalhar como escrava tem lá suas vantagens. Uma escrava muito bem paga, mas... Mal posso esperar um ano quando eu tirar minhas merecidas férias de você. – E ela riu e Klaus sorriu sem saber o quão irônica era a afirmação.

― Posso garantir que sentirá falta daqui...

― Certamente. – Caroline respondeu com ironia e fez menção em se retirar.

― ...e de mim. – Klaus concluiu com um sorriso debochado e foi impossível Caroline não rir.

Ela deu meia volta pela provocação e ficou de frente para ele.

― E você não deixaria, não é? Faria como dessa vez e me ligaria de duas a cinco vezes no dia para perguntar algo estúpido. Normalmente à noite, preferencialmente de madrugada...

― Que nessa não atendeu a uma chamada sequer. – Ele a interrompeu.

― Talvez eu estivesse fazendo algo muito mais interessante que atender suas ligações. – E só ela sabia o quanto.

― Já entendi que você não é o Liam, Caroline, principalmente na parte onde seu perfume impregna toda a minha sala... – Ele se aproximou ainda mais dela e a encarou. ― mas você trabalha para mim e fará o que eu quiser, quando, onde eu quiser e principalmente a hora que eu quiser. – Caroline não o respondeu embora ele mesmo esperasse.

Ela sabia quando era necessário ceder. Então apenas acenou com a cabeça e se encaminhou para a sua sala.

― E não se preocupe, amor, não acontecerá novamente. – Klaus disse antes dela abrir sua porta. ― Me refiro as folgas seguidas, não das ligações importunas. – E entrou sem olhar para ele. Caroline podia sentir o sorriso debochado dele e fez o mesmo ao sentar-se na sua cadeira e abrir o notebook.

Klaus lhe daria mais trabalho que o necessário. Em todos os sentidos. E ela não podia negar o quanto gostava disso. E agora acabaria não mais de maneira rápida e limpa como planejado, ela o faria lenta e divertidamente, se apegando aos detalhes do seu envolvimento com o Mikaelson.

Sorriu ao imaginar.