Em Suas Mãos
2 Capítulo 1 – Contrato
Nas suas Mãos
Capítulo 1 – Contrato
3:40 da madrugada.
Todas as noites no mesmo horário os pesadelos voltam para atormentá-la e tirar seu sossego. Um misto de dor e angústia se tornam tão insuportáveis que desperta suada e sem fôlego, desesperada em encontrar algo que a prenda à realidade. Dessa vez foi a pasta de arquivos que deixou na mesa de cabeceira ao lado da cama antes de se deitar que fez esse papel.
Ainda um pouco trêmula, levantou-se e foi para a cozinha preparar um chá enquanto encarava o lado de fora pela janela. A rua estava deserta. Havia apenas o som da discussão de um casal qualquer próximo dali e alguns carros barulhentos que cismavam em passar na avenida aquela hora.
Assim que ouviu o apitar do bule, pegou um saquinho na dispensa e o pôs na caneca, levando-a em direção à mesa da sala onde deixou seu notebook e algumas anotações.
Deu um pequeno gole no líquido ainda quente e abriu o arquivo mais uma vez antes de recostar no sofá analisando-o minuciosamente junto com as informações pesquisadas.
Niklaus Mikaelson, solteiro, 29 anos. Filho de Mikael e Esther Mikaelson junto com outros quatro irmãos. Proprietário de uma das maiores empresas de construção civil do país com seu sócio Damon Salvatore.
Por tudo que ela cavou, percebeu não se tratar de um garotinho, muito menos daqueles playboys que parecem ser mimados por ser cheio de dinheiro e gostar de farra com drogas e strippers, como ela estava acostumada a lidar. Ele era experiente e discreto. Sua vida familiar e pessoal é totalmente reservada e isso tornava as coisas ainda mais difíceis. Sempre cercado de pessoas, entre elas seguranças para eventos importantes, ele consegue ser de pior acesso que alguns empresários e políticos ao qual Caroline teve o desprazer de esbarrar e o prazer de derrubar. A única coisa que predominava era a típica arrogância, a tendência em se achar superior aos outros e usar a influência e poder de forma desenfreada em benefício próprio.
Mais uma investigação a fundo e cobrança de alguns favores, a loira constatou que Niklaus não tem passagem pela polícia ou já se envolveu com algum tipo de escândalo, o que é estranho para alguém com um perfil como o dele, e também não é visto com muitas mulheres, embora fosse flagrado com algumas uma vez ou outra. Completamente o contrário do famoso mulherengo Damon, cujo tem um irmão mais novo, Stefan, advogado da empresa.
― Sem pontos fracos. – Pensou alto. ― Não por muito tempo. – E fechou o arquivo jogando-o encima do notebook e se encaminhando para o banho.
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― Bom dia Sr. Lockwood. – Disse a secretária trazendo seu café junto com algumas pastas. ― Tem uma moça aqui fora querendo falar com o Sr.
― As vagas para assistentes já foram encerradas, Marie. Avise a essazinha para procurar emprego em outro lugar. – Falou o patrão ríspido, enxotando sua secretária logo em seguida.
Antes dela alcançar a porta entreaberta Caroline entrou vestida com um terninho, saia na altura da coxa e scarpin de salto, todos pretos.
― Acredito que deva abrir uma exceção pelo menos por hoje, Sr. Lockwood. – E lhe lançou um olhar que o fez estremecer.
Tyler a observou de cima à baixo, imaginando que ninguém pela manhã se sente assim e ela era realmente linda. Mas da mesma forma que aquele sorriso brindado nos seus lábios vermelhos pelo batom era estonteante, era igualmente sombrio.
Ele pediu para que a secretária se retirasse e ficou a sós com a loira. Por um momento desejou que a porta não precisasse ser fechada, mas para entregar os papéis, isso se fez necessário.
― Aqui está. – Entregou uma pasta repleta de informações e fotos à Caroline, que sentou na cadeira analisando-os.
― Ele era o motorista. – Caroline afirmou ao olhar a ficha do acidente.
― Sim. E estava completamente embriagado. Aquele maldito! – Tyler cuspiu a ofensa. ― Foi proposital. A vingança perfeita contra mim. – E se debruçou sobre a mesa com os dedos espaçados e os braços rígidos.
― O que quer dizer com isso se ele dirigia o veículo? Teria o mesmo risco de morrer, Lockwood. – Questionou ironicamente em voz baixa e continuou folheando os papéis.
Caroline estranhou o fato de não ter encontrado algo relevante sobre isso. No mínimo ele teria passagem pela polícia ou seu rosto estaria estampado em um tabloide qualquer. E ela era boa demais para ter deixado isso passar.
― Um carro como esse não tem falhas no airbag apenas do passageiro. – Disse apontando para o laudo e Caroline deu mais atenção às informações contidas nele. ― Isso sim é irônico, não?
Ela fechou a pasta e a colocou na mesa suspirando profundamente. Sabia que quando um assassino quer se livrar da culpa, ele usa outros ou meios de destacar a sua inocência. No caso de Niklaus, esta seria a bebida. Mas por que não encontrou sequer um registro, mesmo apagado, comprado ou escondido dessa situação?
Tyler sentiu que precisaria de mais para convencê-la e deu a volta, sentando-se na ponta da mesa de vidro ficando cara a cara com a loira. Se fosse em outra ocasião, uma menos tensa e temerosa, ele definitivamente investiria naquela mulher.
― Ele tentava a todo custo comprar a empresa e negociava a transação com minha mãe, mas ela se recusava a acrescentar um Mikaelson até como faxineiro. Desde então tenta nos derrubar nos negócios. – Caroline reparou que Tyler ficou um pouco menos tenso, mas ainda assim, irritado. ― Depois de ter matado minha mãe e a tirado da jogada ele fez com que perdêssemos espaço no mercado. – Foi sua vez de suspirar pesado e voltar a encará-la. ― E eu mesmo meteria um bala na cabeça desse covarde por tudo o que ele me fez passar, mas não quero sujar minhas mãos com esse imbecil. Tive que negociar. Ele me deixaria seguir com a empresa em paz a partir de então e eu não deixaria a história vazar ou faria uma ocorrência, mas não adiantou, meus investidores alegam que ele continua tentando me foder aqui. Os relatórios completos dos fatos estão todos aí. – Tyler colocou uma mão delicadamente sobre a pasta e ela o fitou um pouco mais convencida. Então sentiu que devia avançar na negociação. ― Me diga, Srta. Forbes... Qual o seu preço?
Caroline disse o valor e Tyler engoliu seco, mas ao ouvir o tempo mínimo necessário para executar o serviço, se estressou de imediato.
― 1 ano?! Você só pode estar de brincadeira! – Bateu com uma das mãos na mesa e cerrou os dentes. ― Eu não tenho esse tempo, porra! Até lá ele já comprou meu caixão e até a minha alma!
Caroline não entrou em detalhes, mas sabia que derrubar alguém como o Mikaelson levaria tempo. No seu modus operandi discreto e pessoal, não existe espaço para suspeitas ou elas são quase nulas, e para isso ela precisa de tempo, o tempo necessário para realizar todo o processo à sua maneira.
Tyler engoliu seco ao saber que meio milhão de dólares iria para algo que ele mesmo faria em um ou dois dias, mas hesitou ao ouvir que se entregasse em mãos erradas acabaria preso junto com o assassino ou cavaria a própria cova, literalmente. Tem gente que faria por muito menos, mas na primeira semana o entregaria para quem pagasse mais alto ou se fosse pego, toda a sua carreira e vida desandaria. Era um valor muito alto a se pagar, ele sabia disso, e muito tempo para esperar, mas como Marcel disse “trabalho bem feito e sem provas, sem rastros, perfeito, custa caro e leva tempo mas vale cada centavo para se livrar de um pequeno incômodo com eficiência e discrição.” E bom... era isso que ele queria.
― Se é dinheiro que quer, terá. Mas quero um passo-a-passo. Em nenhum momento me deixará sem informações. – Tyler tomou coragem e se aproximou ameaçadoramente de Caroline, que apenas observava serenamente a situação.

― Se eu te ligar ou mandar mensagens, exijo resposta imediata. Terá que me manter sempre atualizado e se alguém perguntar sobre o nosso envolvimento eu negarei até a morte e espero que faça o mesmo.
Ela riu alto, quase uma gargalhada. Nunca admitira um encontro pessoal pelos motivos óbvios: anonimato e eles não se sentiriam seus patrões porque ela... Ela trabalha sozinha. Sem ordens, sem mandantes, sem ninguém. Às suas próprias vontades sempre que quisesse. O dinheiro podia ser um bom propulsor para manter seu padrão e estilo de vida, mas ela fazia por diversão e quando é assim... o trabalho é sempre bem feito.
Get on your knees and let the games begin
(Fique de joelhos e deixe que os jogos comecem)
Caroline se levantou lentamente ficando centímetros do rosto dele enquanto encarava-o diretamente nos olhos. Um sorriso malicioso e arrepiante brotou em seus lábios e Tyler sentiu imediatamente uma estranha sensação.
Bow to your queen and I will crown your head
(Curve-se à sua rainha e eu coroarei sua cabeça)
[...]
― A única coisa que você precisa saber, Sr. Lockwood, é que esse é o meu jogo... – Caroline segurou em sua gravata e começou a afrouxar, despertando a curiosidade e pavor de Tyler. ― e sou eu quem dou as cartas. – Tirou de vez o acessório e o jogou em um canto qualquer. ― Aqui, você é o cliente, não eu. – Desabotoou o primeiro botão da sua camisa lentamente enquanto ele engolia seco sem esboçar qualquer reação. ― E se alguém perguntar algo sobre o nosso “relacionamento”— Ela o puxou no colarinho fazendo outros dois ou mais botões da sua camisa arrebentarem e deu um beijo delicado em sua orelha, depois pescoço, deixando-o marcado. Tyler estava completamente apavorado e excitado enquanto Caroline usava sua voz suave e unhas em seu peito semi exposto. ― diga qualquer coisa para todos, mas em momento algum fale que nunca me viu ou algo do tipo. Pega mal e é arriscado, vai por mim. – Sussurrou.
Tyler fechou os olhos quando Caroline se aproximou ainda mais e o beijou no canto dos lábios.
I need someone young, willing, and able
(Eu preciso de alguém jovem, disposto e capaz)
You need someone old enough to know better
(Você precisa de alguém com idade suficiente para saber melhor)
― Se quiser ou tiver que falar algo, que eu seja mais uma puta a deitar-se com você. Começando por agora. – Caroline derrubou as coisas da mesa de Tyler e ele abriu os olhos fitando-a com desejo. ― Eu-não-me-importo. – Sibilou pausadamente em um sussurro com seus lábios quase se tocando.
I want you to
(Eu quero que você)
E afastou-se subitamente.
― Passar bem.
O barulho dos passos largos pelo corredor fez com que a secretária olhasse para dentro da sala de Tyler e deparasse com seu chefe excitado, desarrumado e confuso.
Tyler saiu do devaneio ao escutar o som do elevador e se deparar com Marie piscando inúmeras vezes. Ele se levantou e fechou bruscamente a porta dupla que Caroline deixou escacarada e deu um sorriso ao encostar com o dedo em sua boca.
Do my dirty work
(Faça o meu trabalho sujo)
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