Em Suas Mãos
4 Capítulo 3 – Controle
Nas suas Mãos
Capítulo 3 – Controle
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A semana passou corrida. Todos os dias Niklaus apenas pedia a Caroline que fosse a algum lugar fazer algo que não era de sua obrigação, mas ela não reclamava já que aos poucos ele liberava todo acesso à empresa.
Ao longo de uma Sexta agitada, ela se manteve ocupada com os arquivos desorganizados deixados por Liam e, da forma como as informações estavam cruzadas e obsoletas, seria o suficiente para a Mikaelson’s Civil Construction Company, ou MC³, se extinguir por conta própria e seu papel ali era colocar tudo em ordem, infelizmente ou felizmente, ela não conseguiu decidir. De qualquer forma, este não era o momento de agir aos seus próprios interesses. Ela sabe que toda empresa esconde alguns truques e faria tudo para descobrir onde. Tyler queria que a empresa fosse junto com Niklaus e Caroline estava determinada em decidir o que cairia primeiro.
Ao final do expediente, se dirigiu para a sala dele e bateu à sua porta. Alguns minutos do que parecia ser uma calorosa discussão houve o silêncio. Caroline bateu mais uma vez e fora ignorada. Ela estava com pressa. Teria que dirigir por quase duas horas até chegar em seu apartamento e sabia que deveria trabalhar sob os termos do chefe, mas de forma alguma seria sua escrava. Ela insistiu e aguardou no que julgou tempo demais, girou a maçaneta e encarou uma cena estranha e que só não beirava o absurdo pelo o que ocorreu a seguir. Niklaus sentado em sua cadeira como se tivesse acabado de voltar de uma corrida, com os cabelos bagunçados e alguns botões da camisa abertos e, saindo do que aparentemente era um banheiro, sua secretária ajeitava a saia e abotoava os últimos botões da camisa ainda com uma prancheta e caneta em mãos. Mesmo assim, Niklaus estava visivelmente irritado, nada muito diferente de uma semana atrás quando entrou por essa mesma porta na qual a secretária saiu sem graça com a presença intimidadora da loira.
Tenso demais para importar-se com sua presença ele aguardou Caroline falar. Ela se aproximou e ficou de pé em frente à mesa, mantendo o profissionalismo.
― Sr. Mikaelson, a contabilidade do último ano separada em trimestres. – E o entregou uma pasta de arquivos.
Ele as analisou por alguns instantes e fez sinal para que ela se retirasse. Caroline não se importou com um agradecimento ou sequer reconhecimento. Estava tão acostumada a lidar com esse tipo de gente que já esperava essa atitude arrogante deles.
Niklaus olhou os arquivos com mais afinco e percebeu uma notável diferença entre estes e os que Liam o entregou. A raiva subiu-lhe à cabeça. A empresa estava beirando o vermelho e ele nem ao menos sabia ou está sendo enganado.
― Forbes, que merda é essa? – Adentrou como um furacão na sala de Caroline sacudindo os papéis. ― Isso não pode estar correto. Quero essa porcaria revisada na minha mesa amanhã cedo! – Falou com arrogância. Ele estava de saída e em um impulso virou-se novamente para Caroline. ― E sobre Genevieve, não interprete mal, nós...
― Eu interpreto da forma que eu quiser. – Ela o interrompeu de forma abrupta, levantando-se. ― Tenho meu senso moral para isso. Mas se quer saber se eu me importo, a resposta é não e se alguém souber será puramente pela sua falta de discrição ou a de noção dela. E sobre o trabalho, que é o que me interessa, eu falei com seu irmão a respeito dos reajustes a serem feitos. Ele já repassou para alguns clientes e todos deram um feedback positivo. Inclusive já fora avisado as equipes sobre uma reunião nas próximas semanas.
Niklaus passou a mão no rosto em sinal de extrema irritação e andou em direção à Caroline que arrumava suas coisas para sair.
A forma como ela falava, a forma como ela agia com ele... E além, como CEO, estava acostumado a ter todas as informações de primeira mão e nesse momento sentia-se traído, mesmo não havendo motivo para se sentir assim. Talvez fosse o costume, e talvez, se ele prestasse mais atenção no trabalho da loira sem distrações com ruivas, saberia de tudo o que aconteceu nesses últimos dias.
Ela se preparava para sair quando ele bufou próximo demais do seu rosto.
― Você trabalha para mim!
Qualquer um se assustaria ou sairia correndo, mas ela não se importou com a aproximação e o encarou firme nos olhos.
― Eu o avisaria se não me mandasse fazer coisas estúpidas todo tempo ou não se mantivesse tão ocupado para me receber em sua sala no final do expediente a semana inteira. – Debochou em um tom leve de quase imperceptível sarcasmo. Se não fosse pelo mesmo ao qual ele costuma usar, jamais seria percebido. ― Agora com licença. Minhas horas extras custam muito para a empresa e precisamos cortar gastos.
― Quem paga suas horas extras sou eu. – Vociferou em um sorriso torto como se tivesse ganhado uma discussão.
― Hm, interessante. – Ela disse com um sorriso leve, quase sem demonstrá-lo e Niklaus pensou ter achado o ponto de interesse da loira. ― Ainda assim, precisamos cortar algumas despesas desnecessárias. A luz é uma delas, além de ser ecologicamente correto. – Sorriu irônica. ― Então se me der licença... – Ela se manteve próxima a ele que permanecia parado apoiando-se com uma mão na porta entreaberta. ― Até mais tarde, Sr. Mikaelson. – O hálito doce do sussurro rouco de Caroline roçou em sua barba e sentiu em um milésimo de segundo seu corpo eriçar.
― Mais tar...? – Não completou. Ela já estava longe.
Niklaus apenas a observou caminhar pelo corredor e entrar no elevador enquanto soltava seus cabelos. Nunca foi tão irritante ser desafiado em sua temida autoridade. Ser quem ele é perto dela parecia ter nenhum efeito e ele particularmente gostava disso. Liam era um capacho. Um fantoche bobo e manipulado ao qual ele poderia pedir o céu e o inferno que ele o traria, mas Caroline poderia ser um dos dois. Estava curioso em saber o que há por detrás dessa máscara executiva da loira que o deixava tão intrigado.
Hoje seria a festa de fim de ano antes dos recessos de Natal e Ano Novo e apesar dela sentir calafrios com as recordações que esta época lhe transmite, precisava se manter focada. Deixaria a dor e a angústia apenas para os pesadelos constantes que a consome todas as noites. Dirigiu até seu apartamento e tomou um rápido banho, colocou um vestido azul claro não muito curto, afilado na cintura e com um decote quadrado, valorizando na medida certa seus seios, uma maquiagem leve e clara com a leveza dos seus cabelos presos com algumas mechas ondulados soltas. Ela contrastava com seu cargo, sempre de roupas escuras e sérias.
Mesmo pensando estar atrasada, chegou na hora e sorriu ao entrar. Diferente das outras festas corporativas, essa tinha um tom leve e descontraído, os funcionários pareciam se divertir e Niklaus agora sorria como se o bom humor fizesse parte dele.
Depois de Caroline sair, ele analisou melhor os resultados e percebeu que embaixo de todas aquelas folhas estava um planejamento de levantamento da empresa detalhado e incrivelmente satisfatório. Mesmo não querendo, sentiu-se culpado por trata-la daquela maneira.
― ...Impressionante. Não pensei que a saída de um diretor como Liam acarretaria em mudanças tão positivas em tão pouco tempo e... – Uma mulher, esposa de um conhecido político da cidade falava com ele quando Caroline entrou.
Imediatamente o Mikaelson parou de prestar atenção. Tudo a seguir fora ignorado. Ele nem sequer pediu licença e foi até ela. Queria dizer o quanto estava linda, mas se ateve em apenas lhe lançar um sorriso.
― Devo agradecê-la pelo o que fez... – Pegou uma taça de champanhe, entregando-a, que aceitou de bom grado. ― e também pedir desculpas pelo o que fiz.

― Não é necessário, Sr. Mikaelson. – Ela bebericou do champanhe e voltou a olha-lo. ― Digo o agradecimento, não as suas desculpas que fique claro. – Disse com humor e ambos riram.
― O representante da Hilton e a esposa do Sr. Lewis se tornaram novos cliente graças à você. – Niklaus suspendeu a taça em direção à mulher e Caroline a observou por um momento.
― A esposa do Sr. Lewis parece bem mais interessada em outras coisas se não um acordo. – Disse insinuando algo pela forma com que a mulher olhava desejosamente para ele, que o fez dar uma risada.
― Sempre com uma resposta.
― Não consigo evitar.
Uma música um pouco mais lenta começou a tocar e ele estendeu a mão à ela e embora seu apito interno num alarme constante insistisse para não aceitar, ela o fez.
Eles olharam para o encontro das suas mãos e depois se encararam.
No meio do salão, movimentaram-se conforme o som dos acordes e da melodia. Naquele momento pareceu que o mundo ao redor ficou em câmera lenta, mas não era a música a culpada disso.
Os passos tão sincronizados e leves, a postura calma e séria era como se fizessem isso todo tempo. E depois Caroline se desligou de tudo.
― Além disso, sabe dançar. – Klaus disse e ela acordou.
― Tem muitas coisas da qual eu sei fazer bem além de fechar negócios... E dançar, é claro. – Disse em um tom perigoso. Talvez estivesse tão acostumada com esse tipo de jogo que nem sequer se deu conta da provocação.
― Hm. Não duvido. – Ele disse sem desviar dos olhos verdes dela. Estava quase se tornando um hábito se encararem daquela forma.
A música parou e ele ouviu seu nome atrás de si. Virou-se para atender e em um momento, como mais cedo no escritório, ela não estava mais lá.
Caroline procurou pela saída. Mal chegara e estava prestes a ir embora. Agora ela trabalharia para si. Aos seus próprios termos. Mas perto de uma das portas, ela avistou uma jovem que parecia terrivelmente perdida mesmo em um ambiente familiar e notou que ela olhava fixamente para frente e logo depois abaixava a cabeça em negação, repetindo o processo como um ritual de tortura mental.
― Acho que ele gosta de você. – Caroline se aproximou dela enquanto observava a singela troca de olhares de Damon, que insistia em um sorriso torto na direção da bela morena de olhos escuros.
― E eu acho que ele é um canalha que nunca valerá a pena, isso sim. – A morena bufou e cruzou os braços, visivelmente irritada.
― Acho que também gosta dele. – Ela disse e riu.
Caroline passou tanto tempo observando as pessoas que sabia o que se passava entre elas, mesmo que palavras não sejam sibiladas. Os olhares, os sorrisos, o não dito, o clima... e tudo era sinal de uma única coisa. E no fundo, tão no fundo que mal pode ser acessado, ela tinha inveja disso.
A morena fez uma cara de “você me pegou” e descontraiu.
― Caroline. – Ela se apresentou.
― A nova diretora financeira do Klaus. – Ela completou e Caroline assentiu. ― Me chamo Elena. E eu sou apenas a secretária. Alguém do porte dele não se importaria comigo. – Disse desanimada.
― Tem certeza? – Caroline fez menção com a cabeça de modo que ela olhasse em direção a Damon disfarçadamente e Elena sorriu sem perceber. ― Vai por mim, os patrões sempre têm uma quedinha pelas secretárias. – E olhou para Klaus, que agora conversava com Genevieve.
Elena sorriu sem graça, um pouco tímida.
― Soube por Stefan que busca um imóvel. Tenho uma amiga que é corretora e está vendo um para mim também, mais espaçoso, mais perto do trabalho, menos caro... Essas coisas. – Elena deu de ombros.
― E como vai essa procura? – Caroline perguntou curiosa.
― Complicada. Pelo menos na parte do barato e onde eu preciso de apenas um ônibus para chega na firma.
Elena começou a trabalhar na MC³ pelo salário oferecido ao cargo dela. Mesmo assim, este não era o suficiente para pagar seu apartamento minúsculo, transporte e faculdade. Medicina não era um curso barato e ela vivia na conta. Não faltava, mas também não sobrava. Tentou morar em república, mas não se habituou às festas, à bagunça e principalmente ao assédio dos rapazes. Ela era do tipo estudiosa, não aquelas certinhas que não saem para se divertir de vez em quando, mas gostava das coisas certas. O que ela não contava, entretanto, era se apaixonar pelo canalha do seu chefe enquanto ele sai com todas as mulheres da cidade e se pegar imaginando se um dia ele sentiria o mesmo por ela.
― E se tivesse que dividir o aluguel com alguém? – Caroline sorriu. ― Trabalhamos no mesmo lugar. Eu poderia te dar uma carona, inclusive. – Sugeriu.
Elena não representava nenhum tipo de perigo. Era jovem, sonhadora e cheia de esperanças para a vida. Pela primeira vez, Caroline cogitou que talvez fosse bom ter alguém assim por perto.
Os olhos de Elena brilharam docemente e Caroline se viu fazendo algo bom ao menos uma vez. Não que não houvesse interesse por trás disso, mas ainda assim era algo bom.
― Podemos dividir um quarto espaçoso. – Disse a morena animada já imaginando como seria o seu canto.
― Sugiro que sejam dois. – Elena a olhou com estranhamento desfazendo todos os planos mentais em ter vários acessórios personalizados no seu lado do quarto. ― Você precisará de privacidade quando levar seu chefe para lá. – E deu uma piscadela para a morena que riu alto.
― Talvez eu não seja a única a precisar de privacidade com um Salvatore. – Caroline perguntaria que tipo de piada estranha era aquela quando viu Stefan se aproximar.
Ele estava com uma camisa social escura sem paletó, calça também social e sapatos que brilhavam tanto quando seus cabelos levemente loiros. Ele era realmente muito bonito.
― Vejo que já se conheceram. – Stefan disse e Elena deu um sorriso em direção a Caroline, que retribuiu em confidência. ― E também vejo que já estou sobrando. – Ele riu. ― Mas tratarei de mudar isso agora mesmo. – Ele estendeu o braço e Caroline o enlaçou. Elena acenou positivamente e eles saíram.
Stefan circulou todo o salão com Caroline em uma conversa amigável e animada apresentando-a a cada equipe e clientes da empresa. Da faxina ao marketing e aos diretores, ela conseguiu em pouco tempo de conversa interagir com todos.
― Venha. – Ele subiu um degrau e segurou a mão de Caroline para que ela subisse. ― Ainda tem lá encima.
Ao chegarem ao topo e andarem alguns poucos metros Stefan se virou para ela.
― Que pena. Não há mais ninguém aqui para te apresentar. – Lamentou falsamente. ― Bom... Ao menos não estou bêbado, nem te entediando, então não terá motivos para usar seu karatê kid em mim.
Caroline riu da piada e do que se deu conta nos planos de Stefan em leva-la para cima. O Salvatore mais novo puxou Caroline pela cintura e a beijou levemente.
O mais estranho foi que ela deixou. Diferente de tudo, como todo esse acordo desde o início, ela decidiu que mudaria algumas regras do jogo, afinal, ele era o seu jogo. A única coisa a ser mantida seria a eficiência. Isso era algo ao qual ela admirava em si mesma e não pretendia mudar jamais.
― Eu queria fazer isso desde o dia que te vi passar pela porta da empresa. E eu gostaria muito de leva-la para casa esta noite.
― Embora a oferta seja tentadora o poderoso chefão pode precisar de mim. E eu trabalho integralmente para ele.
Falavam relativamente baixo, mas suficientemente alto para Niklaus conseguir vê-los e ouvi-los quando saía do banheiro naquele mesmo andar.
― Então nada mais ideal que uma noite comigo com direito a algumas sensações relaxantes antes do dever chamá-la. – Stefan a beijou novamente e ela colocou os braços sobre seus ombros.
― Stefan... – Niklaus chamou a atenção do Salvatore e se aproximou dos dois apontando com a cabeça para a escada.
Andou por alguns degraus, mas não o suficiente para descer por completo ou deixar de escutar o que falavam.
― Está quase me comprando com isso, mas não. Realmente não dá. E relaxante por relaxante, tenho uma banheira me esperando em casa, obrigada. – Desdenhou divertida e ele fez beicinho. ― Então... nos vemos outro dia? – E se despediu dele com um selinho.
― Sim, claro. – Stefan soou mais animado do que deveria.
― E quem sabe eu não esteja estressada o suficiente para aceitar sua oferta de Spa pessoal. – E levantou uma sobrancelha provocativamente.
A essa altura o Mikalelson já estava quase de frente para eles e observara a cena sem um pingo de humor.
― Stefan! – Ele o chamou novamente, desta vez ainda mais irritado.
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E ele a forçou trabalhar mesmo ninguém estando lá com dedicação integral ao trabalho... aos dois trabalhos, Caroline pensou. E ela gostava do modo como isso soava. Podia apavorar ou irritar outras pessoas, mas a ela não. Há anos não havia motivos para comemorar aquela data e passou a ser tão sem sentido como qualquer uma outra, mas ainda assim, cheia de significados.
A lembrança é tão vívida que ao fechar os olhos por um instante ela vivencia cada sensação, assim como em todas as noites quando o medo, a insegurança e a confusão daquela noite natalina voltam para atormentá-la.
Caroline acordou do devaneio encarando o espelho do banheiro e puxou o ar fundo, soltando-o depressa.
Ao sair, notou que as luzes já estavam apagadas. Há quanto tempo, ela não sabe dizer. Mas pelo jeito não fora a única que permaneceu na empresa até tarde. De todos os corredores apagados, este era o único que permanecia aceso. E ela decidiu ir até lá.
A porta estava aberta e havia apenas o abajur da mesa aceso sem alguém nela. O que havia ali era um vazio completo e absoluto. Quase como si mesma.
― Já são quase 22h. – Niklaus falou próximo a sua nuca, assustando-a. Ele gostaria de perguntar o que ela fazia ali a essa hora, mas lembrou-se que ele também estava. Seja lá qual for o motivo, não era justo julgá-la, até porque, não gostaria que o fizesse com ele. ― Espero que não se importe de estar quase fria. – Lhe entregou uma caixa de comida japonesa, um hashi e sentaram-se em um poltrona de couro vermelho dupla que ficava no canto direito da sala, próximo ao local ao qual agora Caroline constatou ser realmente um banheiro.
― Então Sr. Mikaelson, trabalhar num feriado como esse me dá direito a mais uma folga, certo? – Disse ela pensando em seus próximos passos.
― Sim e... por favor, me chame de Klaus. Se formos lidar diretamente um com o outro todos os dias prefiro que me trate pelo nome, Caroline. – Ela assentiu e abriu sua caixa sem confessar o quanto gostou do estalar do seu nome na língua de Klaus devido ao charmoso e carregado sotaque que ele tinha.
― Podia ao menos vir com saquê. Seria digno. – Ela disse e riram juntos.
A companhia de Klaus não era ao todo ruim. Ele sabia ser agradável quando não estava por aí cuspindo ordens e praticamente maltratando pessoas. A conversa seguiu fluida. Quanto mais ele falava, mais informações ela captava e retia.
Na maioria dos casos, senão todos, ela tinha que pesquisar a fundo todos os mínimos detalhes ou arrancar-lhes à força, o que soava muito mais divertido para a loira. Mas ali era como um bate papo informal.
Lindo, culto e inteligente. De alguma forma ela achou um desperdício para o mundo não tê-lo mais daqui a alguns meses e ao mesmo tempo não se importou com isso.
Klaus não estranhou o fato dela ficar lá até essa hora, muito menos de trabalhar sem reclamar. Ele também havia feito uma pesquisa breve sobre ela. Solteira, sem família e com uma carreira exemplar. Quase que como uma maneira de tamponar o que o excesso da falta fez em sua vida. O que ele não imaginava, entretanto, era a forma como ela administrava esse vazio.
A única coisa da qual Caroline estranhou foi o fato de Klaus permanecer na empresa com uma desculpa qualquer de trabalho para não ir para casa com Elijah, Kol e até mesmo seus irmãos que vieram de longe para passar em família, mas ele se recusara em ir, segundo o próprio. E ela pensou que Klaus não sabia a sorte que tem ao estar cercado da família, amigos e pessoas do qual o amam e se importam com ele. Ao mesmo tempo, entende como ele pode ter tudo isso e ainda assim se sentir como ela.
Vazio.
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