Em Suas Mãos

3 Capítulo 2 – Um Drink, Uma Sentença.


Nas suas Mãos

Capítulo 2 – Um Drink, Uma Sentença

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Era uma noite de Sexta e todos se reuniam no Kimball House. Caroline se sentou em uma mesa um pouco mais distante e pediu mais uma cerveja enquanto analisava toda a movimentação do ambiente e as pessoas que faziam parte dele.

Em uma delas, ao lado de uma morena de cabelos curtos e vestido mais ainda, ela avistou Damon. Sentado de costas no balcão com um copo de Whisky era o Salvatore mais novo e ao redor, alguns homens da equipe de Niklaus bebiam, falavam alto e riam. Tudo em excesso. Caroline se certificou em saber o nome, o cargo e a função de cada um dali. Antes de entrar no jogo é preciso conhecer os jogadores. À direita de camisa cinza estava o diretor de marketing, à esquerda de verde o de RH, o malabarista trazendo 5 canecas de chopp era Kol Mikaelson, irmão mais novo de Niklaus e investidor e finalmente no meio de todos seu alvo da noite, Liam, o diretor financeiro.

Caroline foi até o balcão e pediu mais uma cerveja enquanto esperava Liam passar e na volta do segundo malabarista de canecas da rodada, ela agiu.

Por mais estúpido e clichê que fosse, sempre dava certo.

― Não faça isso, gatinha! Quanto menos líquido de ninar em uma noite de Sexta, pior. – Liam sorriu e Caroline passou as mãos pelo rosto e cabelos fingindo estar sem graça.

― Não se preocupe, eu pago. – E foi rapidamente em direção ao balcão.

Liam correu para a mesa dos rapazes e depois correu para o balcão, se pondo ao lado da bela loira.

― Por favor, não foi isso que eu quis dizer. – Ele disse em tom de arrependimento e Caroline não o respondeu.

― Nem pense em recusar. – Ela empurrou duas canecas cheias em seu peito e olhou em direção a algo mais que foi junto propositalmente.

Ele sorriu abertamente ao ver um papel com um número de telefone e quando levantou a cabeça para falar algo, a loira já estava passando pela porta, então apenas o guardou no bolso da calça e voltou para beber com os amigos.

Após uma noite de bebedeira todos se dirigiram para o lado de fora e cada um entrou em um táxi, menos Liam que tentava se manter de pé, sem sucesso.

― Você está bem? – Stefan se abaixou para ajudar o amigo se levantar.

― Sim. Só acho que bebi demais. – Disse tão embolado que quase não pode compreender sua fala ou acreditar no que dizia, afinal, ele nem bebera tanto assim. Não o suficiente para ficar nesse estado.

― Está tarde, Liam. Peça um táxi e vá para casa.

― Já pedi, Sr. Salvatore. – Bateu continência e riu em deboche. ― E este filho da puta está dez minutos atrasado. – Lamentou divertido fazendo biquinho.

Stefan riu, deu dois tapinhas no ombro do amigo e subiu na moto. Se Liam não morasse na contramão da sua casa ele até lhe daria uma carona, mas também não queria passar pela situação de ter o sem noção do grupo passando mal na garupa descontando na sua jaqueta mais uma vez, então o deixou lá quieto enquanto aguardava sua digna carona chegar.

Liam reclamava do atraso do taxista quando se lembrou do bilhete de desculpas da jovem loira do bar e discou seu número, não chegando a completar a chamada quando um homem dentro de um carro gritou algo com um sotaque forte de periferia e ele se aproximou, ainda cambaleando e praticamente se arrastando, para entender melhor.

― Foi você quem chamou um táxi especial duplo? – O homem repetiu.

― Especial duplo? – Liam questionou confuso. ― Foi? Não sei. – O homem abaixou o vidro e ele avistou duas mulheres virtuosas no banco de trás. ― Pode ser. – E guardou o celular sorrindo empolgado.

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― Formada em Economia de Desenvolvimento Global pela Universidade de Boston, mestre e doutora pelo mesmo programa. Diretora Executiva na Berkshire Hathaway e chefiou o departamento de finanças da Exxon Mobil. Isso tudo com apenas 28 anos. Estou impressionado.

― Obrigada. – E sorriu sem modéstia.

Caroline realmente se dedicou em estudar e crescer profissionalmente. Foi assim que alcançou altos níveis hierárquicos no mercado executivo que a fizeram ter acesso a determinadas áreas corporativas restritas e às suas vítimas mais complexas.

― O que aconteceu com seu último trabalho e como soube da abertura da vaga Srta... – Ele releu o papel em suas mãos. ― Forbes? – Completou.

Caroline nunca se preocupou em trocar de nome ou identidade quando fazia seus trabalhos, pelo contrário, ela tinha prazer em se apresentar exatamente como é, usando sua identidade real sem esconder o nome, apenas a intenção. Além de tudo, quanto mais identidades diferentes, mais confuso e irreal se torna para sustentar e dá abertura a furos e suspeitas. E isso era algo ao qual ela não corria riscos.

― Nada demais. – Disse tranquila. ― Digamos que eu esteja atrás de objetivos específicos na minha vida profissional e acredito que aqui seja o lugar correto. – Mais sincera, impossível. ― E soube da vaga quando procurava um apartamento aqui em Atlanta e um emprego com o meu perfil. – Elijah soltou um leve sorriso.

― Então é melhor se preocupar somente com o apartamento, Srta. Forbes, porque a vaga é sua. Não farei qualquer outro processo seletivo tradicional. Não será necessário pelas suas qualificações e até agora não apareceu alguém com o seu nível, digamos assim. Nem mesmo o antigo Diretor o tinha.

― Obrigada, Sr. Mikaelson. – Ele acenou com a cabeça e deu a volta na mesa, estendendo sua mão para Caroline como um cavalheiro.

― Queira me acompanhar, por favor, Srta. Forbes. – E ele era de fato um cavalheiro.

Niklaus andava na sua sala de um lado para outro sem parar. Não se lembrava da última vez que a ansiedade lhe corroía. Precisava encontrar uma maneira de apagar a péssima imagem que a saída nada triunfante de Liam deixou ligada à empresa.

Fazia quase semana desde que a imprensa local promoveu uma série de reportagens desmoralizadoras à Mikaelson’s Civil Construction Company quando seu Diretor Financeiro fora pego em um motel de quinta com duas prostitutas e uma delas morta por overdose de cocaína.

E encontrar alguém à altura do cargo e como Liam lidava com ele parecia uma tarefa complicada e quase impossível, afinal, ele sabia mais que ninguém que a minoria das pessoas aceitariam a lidar com determinadas implicações impostas por ele.

Se aquilo corresse até a imprensa internacional seria o seu fim.

Elijah abriu a porta sem nenhuma delicadeza e adentrou na sala, fechando o último botão do seu terno e observando o semblante estressado e cansado do irmão.

― Niklaus. – Elijah lhe chamou a atenção e ele pareceu não escutar. Ou estava simplesmente ignorando-o.

Ele continuava andando na sala com as mãos unidas junto a boca como se esperasse uma solução milagrosa para as coisas que estavam acontecendo tão rapidamente.

E ali estava, logo atrás de Elijah, uma loira de cabelos soltos levemente ondulados, vestido azul marinho na altura das coxas com pouco ou quase nenhum decote, scarpin alto preto, com uma pequena bolsa da mesma cor e maquiagem moderada, mas que fazia-se notar a beleza.

Elijah a deixou entrar e saiu da sala deixando-os a sós.

― Muito bom. – Niklaus gargalhou irritado. ― Eu peço alguém competente e Elijah me traz uma garota. – Dá um gole no seu whisky e vai a mesa servir-se mais uma vez. ― Não faça eu perder meu tempo. – E olhou diretamente para Caroline que permanecia em pé na porta, fitando-a com arrogância.

― Garota... – Ela riu pelo nariz. ― Você quis dizer mulher, correto? É, e sou uma... bom... pelos motivos óbvios. – Ela olhou para as partes baixas e riu. ― Os mesmos pelo qual você é um garoto, inclusive. – Debochou. ― E sobre minha competência... Acho que não leu meu currículo e tenho certeza que a diretoria da Home Depot não falaria algo do tipo. Muito menos faria uma distinção prepotente, arrogante e completamente ridícula.

Ele se irritou ainda mais, deu um gole forte na bebida e passou a encará-la.

― Como é? – Falou serrando os dentes.

― Bom, se você não tempo a perder, eu também não. Então com licença. – Ela colocou a mão na maçaneta sem ao menos olhar para Niklaus, que permanecia atônito a como ela se comportava de maneira abusada e audaciosa quando ninguém, nem mesmo seus irmãos e pais, ousam enfrentá-lo. ― Dê meus sinceros agradecimentos ao seu irmão e diga que lhe desejo sorte para encontrar alguém para esta vaga. – E girou a maçaneta.

Antes de puxar a porta para abri-la, foi impedida por um toque sutil. Ela olhou para a mão de Niklaus pousada sobre a sua e ele se aproximou com ela ainda de costas e deslizou sua mão na dela, passando vagarosamente pelos seus braços, pousando em seu ombro. Aquilo seria incrivelmente sensual se não fosse as circunstâncias.

― Por favor, eu não quis ofendê-la com um comentário machista. Minha forma de lidar com a equipe é muito... Peculiar. Principalmente quem vai mexer diretamente com meu dinheiro. – Falou com voz de cansaço e ela se virou para encarar seus olhos. Uma mistura perigosa de cinza com verde. ― Você soube o que aconteceu com o antigo diretor?

― Não. Por que? – Sibilou com calma as palavras. ― Isso é uma ameaça? – E sua voz saiu como um sussurro. ― Vai me dizer que você o matou...

― Não, mas estou com muita vontade. Quem sabe você não pode me ajudar com isso? – Caroline riu pela ironia. O clima descontraiu e Niklaus retirou a mão dos seus ombros, fazendo com que sua pele sentisse falta do toque quente que ele emanava. ― Mas ele não aguentou a pressão, ou a minha presença constante – Niklaus riu desanimado. ― e se envolveu com coisas erradas para se livrar disso e de brinde manchou no nome da empresa. Pensei que soubesse, mas vejo que não é daqui. Isso explica. A notícia ainda não se espalhou. Ainda.

Klaus se aproximou e pôs-se à sua frente, ficando próximo do seu rosto. Caroline podia sentir seu cheiro masculino misturado ao aroma do whisky.

― Eu apenas... – Ele passou a mão pelos cabelos. ― Preciso que concorde com contrato de trabalho antes de aceitar a vaga.

― Certo.

― Tempo é dinheiro e eu gosto de dinheiro, não de perder tempo. Você trabalhará integralmente para mim, a qualquer pedido meu, afinal como diretora financeira preciso que fique a par de tudo que acontece na empresa.

― Certamente. – Retrucou e Klaus a encarou.

― Preciso também que me acompanhe em reuniões, jantares de negócios, viagens executivas entre outras coisas. Terá uma folga por semana, sendo o dia alternado em grau de importância. Não se preocupe, eu pago hora extra.

― Espero que sim. – O fez novamente e ele percebeu ter encontrado alguém à sua altura quando ela nem por um momento desviou o olhar ou acelerou a respiração. E aquilo seria mais divertido do que imaginava.

― Então você começa hoje. Pegue essas pastas. Quero duas cópias de cada arquivo. Uma ficará comigo e outra com você. Faça isso e poderá sair mais cedo.

Caroline faria mais alguma provocação, mas é esperta o suficiente para saber até onde ir. Ela acenou e desceu para a sala de cópias.

Pelo mapa feito por ela do lugar, a sala de cópias 1 dá acesso a alguns arquivos ali guardados e seria por onde ela começaria a procurar brechas e fraudes financeiras.

Tyler deixou claro que queria derrubar a empresa antes dela fazer o mesmo com Niklaus.

Ela entrou na sala, rapidamente fez as cópias e pegou os arquivos que Klaus pediu. Isso lhe deu tempo de vasculhar com calma a primeira torre de gavetas do ambiente. Ao chegar na última, ouviu alguém passando o cartão na porta e entrando bruscamente.

Ela se levantou com um movimento rápido, colocando tudo em ordem e deixou algumas coisas caírem desajeitadamente de propósito.

Ao olhar para cima viu um homem de terno, cabelos levemente loiros e olhos verdes escuro. Era o advogado.

Stefan sorriu abertamente como se quisesse rir da situação e foi ajudar Caroline.

― Esse não é o trabalho de uma diretora financeira. – Caroline semicerrou os olhos em curiosidade e Stefan deu de ombros. ― Desculpe. É que essas notícias correm rápido, Srta. Forbes. – E ambos sorriram juntos.

― Se eu soubesse que no primeiro dia teria que fazer isso, faltaria ou bateria no chefe, não consigo me decidir. – Disse em deboche e Stefan riu alto.

― Esse é o efeito Klaus. E ficará ainda pior. Devo lhe informar que um deles é ser flagrada em um motel de quinta completamente chapada com duas prostitutas e com uma delas morta por overdose de cocaína. – Usou um tom divertido na voz e novamente ambos riram.

― Então acredito que o antigo diretor ter se envolvido com drogas e prostitutas foi uma maneira de se livrar do chefe lá e não o contrário. – Stefan riu da piada de Caroline. ― É. Ele me disse algo do tipo. Só não pensei que fosse tão sério. Tomarei os devidos cuidados.

Ele estava começando a gostar de uma companhia feminina de um cargo mais alto dentro da empresa e de bônus ela era linda. Linda e divertida, pensou.

― Você vai na festa da próxima semana? – Perguntou ao terminar de recolher as coisas do chão.

― Não fui convidada.

― Não precisa. Ela é aberta a todos os funcionários.

― Não sei. Ainda não estou estabilizada. Preciso encontrar um apartamento e organizar minha mudança.

― Eu conheço uma pessoa que pode te ajudar nisso! – Disse empolgado. ― Vamos lá... Não é obrigatório ir, mas se quiser ser minha companhia posso te apresentar a todos. Prometo não te deixar entediada nem te agarrar bêbado no final da festa.

― Até porque eu posso ser faixa preta em alguma coisa, Sr. Salvatore. Nunca se sabe.

― Hm, nervosa. Gostei. – Ele riu pensando ser uma falsa e divertida ameaça, sem saber o quão real aquela afirmação da bela loira à sua frente era. ― E ah, por favor, me chame de Stefan. – Estendeu as mãos.

― Caroline. – E ela o cumprimentou de volta.

― Isso é um sim?

Caroline riu em confirmação.

Ir com Stefan teria suas vantagens. Ela poderia observar Klaus num ambiente social descontraído, Stefan conseguiria um apartamento para ela e além disso, o Salvatore mais novo era um charme.