Em Pouco Tempo

4 Trato Desfeito


Notas iniciais
Boa Leitura!!! *---*

De acordo com o relógio que estava na parede bem em frente de onde a rosada e eu estávamos sentados, dizia que já se tinham passado quinze minutos desde o momento que falei algo a essa garota. Para mim, parecia que já haviam se passado uma hora de tão entediante que estava ficar ao lado dessa garota sem graça. Mas, olhando bem, até que a rosada não é tão feia. Ela tem olhos bem bonitos e que deixam qualquer um fixos a eles. Seu rosto também parece ser bem delicado, a expressão não é lá tão ruim. Se ela trocasse essas roupas sem graça por algo bem mais sensual e chamativo, ou seja, algo bem mais feminino e soltasse o cabelo, alguém poderia até se interessar por ela. Mas, que droga é essa que eu estou pensando? Desde quando eu ligo pro estado de alguma garota? Principalmente, pra situação dessa daí. É óbvio que é impossível alguém se apaixonar por essa irritante.

Finalmente, Itachi surgiu da cozinha e ficou nos olhando com uma expressão um pouco sem jeito. A rosada estava sentada olhando apenas pra frente, sem desviar o olhar pra nenhum lado. E eu estava na mesma direção que ela, só que com as pés sobre a mesinha da sala também olhando pra frente.

– Eh... Podemos ir almoçar, a não ser que vocês dois queiram conversar mais um pouco... – ele tentou ser engraçado, mas não foi.

– Hum. – me levantei primeiro e logo fui em direção à mesa para almoçarmos. Nossa mesa era retangular e tinha apenas seis lugares. Itachi não gostava de móveis muito espaçosos; com exceção de um, é claro, que não vem ao caso citar. Ele sempre sentava no lugar que devia estar sendo ocupado pelo nosso pai se estivesse vivo. E eu sempre ficava no seu lado direito. E a minha mãe ocupava o esquerdo. Como ela não está mais entre nós, esse lugar não era ocupado há muito tempo. Mas, nesse exato momento, fico bem de frente com a rosada. Ela está bem no lugar em que a minha mãe sentava. Apenas respirei fundo e comecei a me servir.

O jantar seria perfeito se Itachi não abrisse a boca pra tentar quebrar o gelo. Como ele diz que eu devo ficar longe dela, se quer ficar de papinho com a gente no almoço?

– Sakura, eu vou precisar sair no período da tarde... Tenho assuntos pra resolver com a diretora Tsunade sobre a apresentação musical de inverno.

– Ah... Tudo bem... Não se preocupe comigo sensei, eu não estou aqui para atrapalhar nada. – ela disse.

– Isso chega a ser cômico! Tem certeza que você, a garota mais irritante que existe, não está aqui pra atrapalhar? – deixei bem claro o que achava de tudo isso. Ela ficou me olhando sem nenhuma expressão em seu rosto.

– Sensei, eu acho melhor... – ela foi interrompida pelo meu irmão.

– Já disse... Você não atrapalha em nada! Não dê ouvidos ao Sasuke, ele ainda é imaturo e egoísta demais pra conviver com outras pessoas. Já me acostumei com ele... – ele piscou pra rosada e ela deu um riso de vitoriosa. Isso me deixou mais irritado. – Espero que você sobreviva no tempo que ficarei fora.

– Você devia se preocupar comigo! Coloca uma garota dentro de casa que não é muito normal. Já imaginou se ela é uma psicopata? – falei ao Itachi olhando pros olhos verdes da irritante. Ela pareceu não gostar do comentário e logo abriu a boca pra revidar.

– Psicopata? É mais fácil você tentar fazer alguma coisa pra mim. Agora a pouco, você tentava me intimidar com esse jeito de garotão popular e arrasador de corações. Se encherga, Sasuke. Você não consegue fazer nenhuma garota te amar de verdade! – ela começou a aumentar o tom de voz, eu não podia deixar por menos.

– Não me faça rir... Você estava louquinha pra me beijar! – ela ficou com mais raiva ainda.

– Já chega! Os dois! Sasuke, deixe de irritar a Sakura... E Sakura, meu irmão é assim mesmo... Tente ao menos suportá-lo.

– Tudo bem, sensei.

– E quanto a você Sasuke? Achei que já tínhamos conversado.

– Ok... – fala sério... Essa havia sido a primeira vez que eu discutia com uma garota. O que tá acontecendo comigo?

Depois do almoço, a rosada se dispôs a lavar a louça. Finalmente, ela havia feito algo de útil. Fui em direção ao meu quarto e levei comigo os mesmos anúncios de carro, se Itachi cumprir o que ele prometeu, logo, terei o meu próprio veículo. Pretendo comprá-lo antes de chegarem as férias. Dessa forma, poderia viajar sozinho em meu carro. Quando fico olhando os anúncios, parece que o tempo acelera de tal forma que quando dou por mim, já se passaram até horas... Olhei pela janela do meu quarto e vi Itachi saindo. Provavelmente, a caminho do colégio. Então, está só eu e a rosada na casa.

Prefiro nem sair do meu quarto. Mas, a todo momento fico com vontade de ver o que ela está fazendo. Mas, resisto por uma boa causa. Ela pode estar preparando uma armadilha ou algo assim. Volto pra cama e fico olhando pro teto pra esperar o tempo passar e Itachi logo chegar com o carro pra eu dar uma volta. Havia um silêncio na casa. Sempre gostei dessa calmaria. Pelo menos, a rosada não é barulhenta. Não suporto garotas assim. De repente, escuto um som bem harmônico e familiar vindo da sala. O som era tão agradável que acabei não resistindo e indo em direção até o local. Sem fazer barulho, me aproximo da sala e vejo a rosada tocando o piano. Esse era o móvel que Itachi idolatrava na casa, mesmo ocupando espaço, ele fazia questão de preservá-lo. A Haruno até que não era ruim, mas ainda estava errando algumas notas dessa música. Itachi mostrou essas notas no fim de semana passado e ela parecia aprender as notas com facilidade.

– Ele está um pouco desafinado. – eu falei um pouco longe. Ela ficou surpresa ao me ver. Apenas me aproximei e sentei ao seu lado. – Itachi me disse, que em um tempo livre faria o serviço.

– Ah... Espero que o barulhe não o incomode.

– Por que agiu daquela forma comigo na biblioteca? – mudei o assunto da água pro vinho.

– Ainda chateado?

– Você não pode responder uma pergunta com outra pergunta.

– Desculpe... É que você não é o tipo de cara muito gentil... Sua fama entre as mulheres não é a das melhores no colégio. Mas mesmo assim, elas insistem em correr atrás de você. Eu não entendo.

– A vida não é pra se entender. É pra aproveitar!

– Não de forma imprudente. A vida é muito importante pra ser desperdiçada com coisas banais... – logo a interrompi.

– Tipo o amor. – ela ficou me olhando.

– Não... O amor não é banal.

– Tudo bem então, mas ele não existe mesmo... Nunca senti.

– Nunca? Duvido. – ela deu um sorriso de canto.

– Sabe, acho que é a primeira vez que nós dois conversamos.

– Não, não é... Já havíamos nos falado antes, mas você sempre agia como um idiota.

– Idiota eu? Você que é irritante....

– Tá vendo? Já começou.

– Certo... Vamos fazer o seguinte. Se vamos morar juntos, é melhor ficarmos em paz. Eu deixo você continuar a ser a garota estranha do colégio e você continua me deixando ser o mesmo de sempre. Podemos nos falar em casa, mas...

– Mas no colégio não. Eu sei... – ela riu e estendeu a mão. – Feito.

– Feito. – estendi minha mão e toquei na dela. A rosada tinha um pele bem suave. Meu corpo ficou diferente com o seu toque. – Lembre-se de uma coisa, ainda posso brincar com você.

– Como assim? – me aproximei do rosto dela e dei um beijo em uma das suas bochechas, deixando a rosada bem corada.

– Desse jeito. – fiquei olhando fixamente em seus olhos, até sua expressão mudar de surpresa para extremamente chatada.

– Uchiha, se acha que vou cair nessa sua conversinha de garoto legal, está muito enganado. O meu maior problema é acreditar que as pessoas mudam e que bem no fundo são boas... Você brinca com as pessoas Uchiha, não pense que vai brincar comigo! – ela ficou em um tom ameaçador.

– Haruno, espero que você consiga manter essa pinta de boazinha porque eu vou te torturar de todos os jeitos... – me levantei e fui andando em direção ao meu quarto, virando as costas pra rosada.

– Eu duvido que você consiga!

– É o que veremos!

Notas finais
O que acharam do capítulo? Beijos e até o próximo!! O/