Em Pouco Tempo
2 Procurando Por Você
Notas iniciais
Fiquei o jantar inteiro encarando meu irmão, aguardando respostas sobre sua visita à Haruno.
– Sasuke? Vai passar o jantar inteiro assim?
– Não entendo seus sentimentos por essa garota... Ela é irritante!
– Você a conhece?
– Claro que sim. Estudo com ela desde... Eh, bem... Acho que ela sempre esteve por aí...
– Não... Você não sabe nada dela... Não pode julgar uma pessoa sem a conhecer.
– Aí que você se engana. Conheço garotas tipo a Haruno, elas apenas aparentam serem boas pessoas, mas no fim, apenas está tentando seduzir o seu professor. – disse irônico. Itachi me fuzilava com os olhos.
– Irmãozinho, você lava as louças. – ele se levantou da mesa. – E amanhã bem cedo, vamos buscar a Sakura na casa dela. Acorde no horário de sempre. Boa noite.
Acho não, tenho certeza que deixei o Itachi irado. Meu irmão é mais do tipo que não aparenta raiva. A primeira impressão que uma pessoa tem ao vê-lo é de que ele é uma pessoa bastante tranquila. Mas, ultimamente, tenho percebido atitudes um poucos suspeitas vindo dele. Não tenho dúvidas. Ele está se relacionando com aquela rosada. Imagino até as piadinhas sem graça de todos os nossos amigos ao saberem que minha cunhada tem, praticamente, a minha idade. E estuda junto comigo! Isso é o fim do mundo pra mim. Se ela pensa que vou deixar isso ser fácil, ela está muito enganada.
Lavei toda a louça suja e fui pro meu quarto. Tomei um banho e fiquei apenas de toalha deitado na minha cama com a cabeça apoiada em meus dois braços cruzados. Realmente, Itachi tem razão. Eu não conheço nada sobre a rosada. Apenas sei que a presença dela me irrita. E se eu me aproximasse dela? Aí correria o risco de perder minha popularidade. Um garoto como eu não pode ser visto com uma garota como ela. E se eu me aproximasse em oculto? A Haruno provavelmente, tiraria vantagem disso e seria questão de tempo até que todos soubessem. Já existem milhares de suposições acerca disso. Não posso aumentar as suspeitas.
Acabei adormecendo. Acordei e olhei pro despertador que ficava ao lado esquerdo da cama, ainda era muito cedo. Me virei ao lado oposto e vi duas orbes verdes me olhando. Fiquei paralisado na cama. A Haruno estava com uma lingerie vermelha muito provocante em meu quarto, bem perto da porta. Ela estava com os cabelos soltos. E não dizia nada. Apenas me olhava com suas esmeraldas. Tenho que admitir, fiquei tentado a me aproximar. Tentei sair da cama, mas o lencol se prendeu em meu corpo. Fiz força pra sair, mas sem resultado. Quando dei um impulso com muito mais força, acabei caindo de cara no chão. Abri meus olhos. Droga, foi um sonho. O que? Como assim droga? Eu queria que fosse real? Fiquei jogado no chão e em poucos segundos o maldito despertador começou a soar aquele som irritante. Me levantei um pouco estranho e parei aquele barulho infernal. Sonhar com a rosada já era muita loucura. Realizei minha higiene matinal e como sempre, desci pra tomar o café com o meu irmão.
– Vejo que não teve uma noite boa de sono. Você está com uma cara péssima. – ele tinha toda razão. Minha cara não estava uma das melhores. Tudo culpa da Haruno que me persegue até em meus sonhos. Só que dessa vez, foi um pouco exagerado.
– Tive um pesadelo terrível! Estou com um pouco de dor de cabeça.
– Ouvi um barulho vindo do seu quarto. Você caiu da cama? – ele meio que queria rir.
– Hum... – preferi mudar de assunto. — Hoje eu dirijo?
– Isso depende.
– Lá vem você... – ele riu.
– Sei que a presença da Sakura lhe irrita. Mas, hoje vamos buscá-la em sua casa.
– Ela não pode ir andando ou de bicicleta ou de ônibus? São tantas opções. Por que justo a gente tem que levá-la à escola?
– Já disse... Se quer ganhar o carro, não faça tantas perguntas... E não esqueça, a Sakura não é um assunto no qual você deva se meter. Irmãozinho, não entendo. Você a ignorou por muitos anos e agora aparenta um interesse repentino... Você?
– As palavras Interesse e Sakura em uma mesma frase não é algo que deva ser dito ao se referir a mim. Apenas não a suporto. Desculpe as palavras, mas é a verdade.
Ele apenas me fitava com uma expressão bem serena. Itachi não precisava dizer, eu entendia que ele não aceitava a minha opinião acerca da rosada.
Terminamos o café e Itachi logo deu a chave do carro em minha mão. Seguimos até a garagem e logo entramos no carro. Entretanto, teríamos que parar na casa da Haruno. Quando chegamos, buzinei duas vezes. Ela saiu da casa, meio que toda atrapalhada. Sempre com uma pilha de livros em mãos. Seu cabelo rosa estava preso, nunca o vi solto, com exceção daquele maldito sonho, quer dizer, pesadelo. O pior era sua roupa. Nada muito feminino. Uma blusa larga e de mangas compridas. Com certeza, pra esconder a falta de curvas no corpo. E uma calça jeans que também não se ajustava ao corpo. Todas as garotas que estão ao me redor procuram se vestir de forma provocante ou chamativa. A Haruno sempre foi exceção. Acho que por isso acabo tendo sonhos com ela. Que droga, lá vem eu dizer “sonho” novamente.
Itachi saiu do carro e pegou os livros da mão dela. Ela o olhava bem nos olhos com um sorriso todo bobo entregando os livros a ele. Confesso que desviei o olhar com essa cena. Ela entrou no carro e logo em seguida, o Itachi. Olhei pelo retrovisor interno do carro para o banco de trás no qual a rosada estava sentada. Através do espelho nossos olhares se cruzaram. Ela parecia firme. Não desviava o olhar. Minha vontade era continuar firme em seu olhar, mas eu tinha que dirigir. Deixei de olhar no retrovisor e passei a dirigir normalmente rumo à escola. Evitei usar esse espelho por precaução. Só de ver esses olhos, acabo me lembrando da minha noite de sono.
Como sempre, estacionei o carro e como ainda era cedo, não havia muito movimento na escola. Nenhum dos meus amigos chegava no mesmo instante que eu. Assim que saímos do carro, fiquei até um pouco feliz. Pelo menos, não fui visto por ninguém com a rosada. A diretora da escola estava bem ao lado do nosso carro, provavelmente querendo falar com o meu irmão. Ela era uma loiro com uns peitões. Muitos alunos gostavam de ir à direção para os admirá-los. O nome dela era Tsunade.
– Itachi, precisamos conversar. Estava muito a sua espera. – ela disse.
– Claro, sr. Tsunade. – ele foram andando juntos, deixando para trás apenas a rosada e eu.
Eu me encostei no carro e ela ficou organizando seus livros para se dirigir até a entrada. Meu instinto falou mais alto. Eu precisava aproveitar esse momento. Fiquei a olhando e ela percebeu, mas não deu a mínima pra mim. Continuei a encará-la, deixando um pouco nervosa.
– Qual o seu problema Uchiha? Se quer que eu vá embora, já estou indo. Apenas estou organizando esses... – e os livros que estavam em sua mão acabaram caindo. – livros. – ela se abaixou e começou a pegá-los. Me abaixei e peguei o último livro pra ela. Novamente, nossos olhares se cruzaram, só que de uma distância bem mais próxima. Ela logo se levantou e virou as costas pra mim andando em direção ao portão de entrada.
Me levantei e fiquei parado a vendo se afastar. Olhei em minha mão e vi que ainda estava com o livro daquela irritante. Peguei minha mochila de dentro e guardei o livro dentro dela. Segui até a entrada pra entregar o livro da rosada. Mas, não estava a vendo. Me dirigi até a sala e ela não estava lá. Onde essa garota se meteu? Comecei a procurá-la na escola. Até que cheguei na biblioteca e a vi sentada bem no fim da sala lendo um daqueles livros. Tirei o livro da mochila e segui até onde a rosada estava. A biblioteca parecia deserta. Um lugar ótimo pra perguntar umas coisas a essa garota. Puxei uma cadeira bem de frente à ela e sentei.
– Você deixou isso pra trás. – entreguei o livro em suas mãos.
– Obrigada. – ela parecia surpresa. Olhou pro livro e depois olhou pra mim. – Tá... Me diga, o que você quer?
– Ei... Calma, apenas estou sendo gentil... Se não gostou eu vou embora.
– A quem você quer enganar? Ontem mesmo, você derrubou os livros da minha mão e hoje me ajuda com eles. Me desculpe, mas esse Sasuke que está em minha frente não é o mesmo que frequentou essa escola todos esses anos.
– Escuta garota, apenas quis ser gentil com você!
– Já acabou? Então me deixe em paz... Não quero ser vista conversando com um garoto como você! – ela deu um sorriso e continuou a ler o seu livro idiota.
– Não me faça rir... Se eu quisesse, faria você ficar louca de amor por mim.
– Jura? – ela não me olhava. – Não sou eu que estou atrás de você.
– Veremos então. – virei as costas e fui andando em direção a saída da biblioteca. Olhei pra trás e a vi rindo. Ela estava rindo de mim! Aquilo me deixou enfurecido. Ela me desafiou. Nenhuma garota nunca disse isso a mim antes. Haruno, você vai se arrepender.
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