Em Pouco Tempo
33 Momentos de Uma Flor
Notas iniciais
Sakura Pov's On
Meus dias no Colégio de Konoha não são os melhores. Procuro não chamar muito a atenção e me refugio apenas no grupo de música, no qual o professor é a pessoa que considero como meu pai, Itachi Uchiha. Ele cuida de mim desde que fiquei sozinha. Apesar de não vivermos juntos, ele sempre me visita e me leva para aprender música em sua casa. Infelizmente, seu irmão Sasuke Uchiha, não se agrada muito de mim e me ignora de todas as formas. Mesmo estudando juntos, nunca trocamos uma palavra. Suas atitudes infantis apenas me mostram o quanto ele é arrogante, chegando até a jogar os livros da minha mão e nem ao menos ter a coragem de me pedir desculpas. Mas, apenas tento conviver com isso.
– Sakura...
– Sensei, você veio me ver? — estava deitada em minha cama na casa da Shizune, ela é a assistente social que cuida de mim.
– Claro que sim... Você está bem?
– Um pouco... Obrigada por vir me visitar! — seu celular começou a tocar. — Você pode atender se quiser... — ele olhava pra tela, mas ignorava a chamada.
– É apenas o meu irmãozinho...
– O Sasuke né... Ele me odeia e faz questão de mostrar isso a você!
– Sakura, não se preocupe com ele...
– Certo...
(...)
Hoje seria um novo dia e o sensei me prometeu levar para o colégio. Levantei bem cedo e olhei em todas as minhas roupas e escolhi uma que menos chamasse a atenção. Escolhi uma blusa larga e de mangas compridas e uma calça jeans que também não se ajustava ao corpo. Prendi o meu cabelo e peguei todos os meus livros. Ouvi o barulho do carro do sensei chegando, ele buzinou uma vez e logo buzinou novamente. Saí toda desajeitada e vi logo que era o Sasuke que estava no volante. O Itachi saiu do carro e pegou os livros da minha mão. Fiquei olhando apenas para o sensei para não ter que cruzar o meu olhar com o do Sasuke. Entrei no carro e logo em seguida, o Itachi. Percebi que ele me olhava seriamente pelo retrovisor interno do carro, e mantive firme o meu olhar. Se ele acha que serei intimidada por ele, está muito enganado. Fiquei firme. Não desviaria o olhar por nada. E finalmente, ele cedeu e não olhou mais em meus olhos durante o caminho todo até o colégio.
O sensei foi chamado pela diretora e teve que se afastar de nós, deixando apenas o Sasuke e eu. Ele se encostou no carro e eu fiquei organizando meus livros para me dirigir até a entrada. Ele ficava me olhando, mas não dei a mínima atenção para ele.
– Qual o seu problema Uchiha? Se quer que eu vá embora, já estou indo. Apenas estou organizando esses... – e os livros que estavam em minha mão acabaram caindo. – Livros. – me abaixei rapidamente e comecei a pegá-los. Ele também se abaixou e pegou o último livro pra mim. Novamente, nossos olhares se cruzaram, só que de uma distância bem mais próxima. Me levantei e saí de perto dele o mais rápido que pude em direção a entrada do colégio.
Entrei na biblioteca e fiquei sentada, sozinha. Pensando no que havia acabado de acontecer. Com alguns minutos ele apareceu. E para piorar, puxou uma cadeira bem de frente à minha e sentou.
– Você deixou isso pra trás. – ele entregou o livro em minhas mãos.
– Obrigada... Me diga, o que você quer?
– Ei... Calma, apenas estou sendo gentil... Se não gostou eu vou embora!
– A quem você quer enganar? Ontem mesmo, você derrubou os livros da minha mão e hoje me ajuda com eles! Me desculpe, mas esse Sasuke que está em minha frente não é o mesmo que frequentou essa escola todos esses anos.
– Escuta garota, apenas quis ser gentil com você.
– Já acabou? Então me deixe em paz! Não quero ser vista conversando com um garoto como você! – dei um sorriso e continuei a ler o meu livro.
– Não me faça rir. Se eu quisesse, faria você ficar louca de amor por mim.
– Jura? Não sou eu que estou atrás de você...
– Veremos então. – ele saiu de perto e comecei a rir sem parar.
(...)
Durante a aula, acabei me sentindo um pouco mal devido a medicação da noite anterior e acabei saindo da sala de aula. Por sorte, o sensei me encontrou no corredor e me levou até em casa. Assim que chegamos, ele me levou até o quarto e me deitou na cama, sentando-me ao meu lado.
– Acho melhor levar você para a minha casa!
– O que?
– Já conversei com a Shizune e ela concordou que é o melhor a se fazer, afinal, sou seu tutor!
– E o seu irmão?
– Apenas quero que fique longe dele! Deixe que com o Sasuke eu me resolvo!
(...)
Ele me ajudou a arrumar as malas e me levou para a sua casa. Shizune não se impôs, pois sabia que a minha tutela estava sob as ordens do Itachi. Assim que chegamos em sua casa, o Sasuke veio abrir a porta e ficamos calados, realmente, u não sabia o que dizer.
– Itachi... O que ela faz aqui?
– Sasuke, me ajude a levar as coisas da Sakura pro quarto da mamãe... Ela ficará lá por uns tempos. – ele ficou bem de frente à mim. Bem próximo mesmo. Não sei se fiquei corada, mas senti o meu rosto esquentar, mas não desviei o olhar. – Sasuke. – Itachi tentava chamar a sua atenção. – As malas estão aqui... Vem, me ajude logo... E Sakura, sente-se ali no sofá! Daqui a pouco eu preparo o almoço...
Fiquei sentada sem saber o que fazer. Estar sob o mesmo teto que Sasuke Uchiha era o sonho de qualquer garota do colégio, menos o meu. Com alguns instantes, ele voltou e se sentou ao meu lado no sofá.
– Eh... – tentei dizer alguma coisa. – Eu não quero ser um incômodo pra você.
– Não seja!
– Vou continuar do mesmo jeito na escola. E...
– Sabe de uma coisa... Você me irrita! – novamente, ele aproximou o seu rosto do meu.
– Garotos como você não me intimidam ao se aproximar!
– Tem certeza? – Ele se aproximou mais ainda. Podia sentir até a sua respiração. E do nada, ele se afastou e começou a rir. – Esses dias serão bem divertidos.
(...)
Finalmente, o sensei surgiu da cozinha e ficou nos olhando com uma expressão um pouco sem jeito
– Eh... Podemos ir almoçar, a não ser que vocês dois queiram conversar mais um pouco...
– Hum. – ele se levantou primeiro e logo fui em direção à mesa para almoçarmos. Apenas respirei fundo e comecei a me servir.
– Sakura, eu vou precisar sair no período da tarde... Tenho assuntos pra resolver com a diretora Tsunade sobre a apresentação musical de inverno.
– Ah... Tudo bem... Não se preocupe comigo sensei, eu não estou aqui para atrapalhar nada.
– Isso chega a ser hilário! Tem certeza que você, a garota mais irritante que existe, não está aqui pra atrapalhar? – fiquei apenas o olhando, mas logo me virei para falar com o Itachi.
– Sensei, eu acho melhor... – antes de terminar, ele me interrompeu.
– Já disse! Você não atrapalha em nada... Não dê ouvidos ao Sasuke, ele ainda é imaturo e egoísta demais pra conviver com outras pessoas. Já me acostumei com ele... – ele piscou pra mim e me fez até dar um sorriso. – Espero que você sobreviva no tempo que ficarei fora.
– Você devia se preocupar comigo! Coloca uma garota dentro de casa que não é muito normal. Já imaginou se ela é uma psicopata? – Esse comentário dele me deixou muito irada, tirando-me do sério.
– Psicopata? É mais fácil você tentar fazer alguma coisa pra mim. Agora a pouco, você tentava me intimidar com esse jeito de garotão popular e arrasador de corações. Se enxerga, Sasuke. Você não consegue fazer nenhuma garota te amar de verdade! – comecei a aumentar o tom da minha voz
– Não me faça rir... Você estava louquinha pra me beijar!
– Já chega! Os dois! Sasuke, deixe de irritar a Sakura... E Sakura, meu irmão é assim mesmo... Tente ao menos suportá-lo.
– Tudo bem, sensei.
– E quanto a você Sasuke? Achei que já tínhamos conversado.
– Ok... – finalmente, ele se calou e tentamos jantar em paz.
Minha estadia nessa casa não começou muito bem, mas aos poucos, nossas vidas foram tomando um rumo bem diferente daquele que imaginei. E foi durante uma grande tempestade que nos aproximamos um do outro para assumirmos o que realmente sentíamos.
(...)
Depois do jantar, a ajudei na limpeza e fomos pra sala. Itachi já havia viajado, então, havíamos decidido assistir um filme. Quando o Sasuke estava pra colocar o dvd, foi embora a energia elétrica, deixando a casa totalmente no escuro.
– Sasuke! – segurei firme em seu braço.
– Vou pegar algumas velas, fique aqui...
– Nem pensar! Tenho medo do escuro! – ouvi o barulho de chuva. E pela forma que estava o clima, uma tempestade era bem previsível.
– Ótimo... Vem comigo! Tem velas no quarto do Itachi...
Subimos as escadas e fomos em direção ao quarto do Itachi. Pegamos algumas velas e as acendemos, colocando algumas nos pontos mais estratégicos da casa, de forma a não deixá-la totalmente no escuro. Fomos pra sala e ficamos por várias horas conversando sobre o nosso passado. E do fato de que jamais fazíamos ideia de que estaríamos morando juntos. A cada instante que passava, a tempestade piorava. O pior é que o meu medo por trovões só piorava. Olhei no meu celular e vi que já era quase meia-noite. O tempo passou tão rápido que nem percebemos.
– É melhor irmos dormir... Amanhã, vamos acordar bem cedo... — ele disse.
– Você vai conseguir dormir com esses trovões? Eu não consigo!
– Quer dormir comigo? – Não sabia o que dizer. Mas, um barulho estrondoso de um trovão me fez dar uma resposta bem rapidinho.
– Quero sim!
– Ótimo... Vem comigo! – ele pegou em minha mão e me levou até o seu quarto. Me sentei em sua cama e ele ficava me olhando sem parar. – Você vai dormir com essa roupa?
– Não... Mas, não quero que você me agarre...
– Sem problemas.
– Se vira. – Quando ele fez isso me deitei na cama e embrulhei o meu corpo com o lençol. – Pode olhar.
– Você está nua?
– Não. Estou de camisola. Peguei uma no caminho pro seu quarto. – Ele começou a tirar as suas roupas ficando apenas de cueca em minha frente. Meu corpo agia de uma forma diferente e eu não poderia explicar que sensação era essa. Ele entrou embaixo do lençol comigo e colocou as suas mãos em minha cintura, puxando o meu corpo para bem mais perto do seu.
– Está frio... Quero sentir o calor do seu corpo...
– Você disse que não ia me agarrar...
– Já disse isso uma vez... Não consigo resistir...
– Estou me apaixonando por você. – disse sem pensar duas vezes. Sem nem ao menos levar em consideração que os meus dias estão contados devido a minha doença. Temi pela resposta dele.
– Eu também. – Ele colocou o seu corpo sobre o meu e nos beijamos. Nosso beijo ficava cada vez mais profundo. Quando dei por mim, suas mãos estavam tocando em um dos meus seios. Ele estava rápido demais e isso me assustava. Mas, não queria que ele parasse. Mas, por impulso, peguei sua mão e a tirei de lá. Ele deu um sorriso e ficamos abraçados, aquecendo o corpo um do outro enquanto a chuva caia do lado de fora.
Semanas Depois...
Eu consegui. Consegui chegar a tempo de vê-lo tocar. Ele estava lá no palco em meu lugar. Valeu a pena cada segundo em que vivi apenas pelo fato de vê-lo em um momento como esse. Assim que ele terminou de tocar a música, toda a plateia ficou em pé o aplaudindo. Se rosto estava cabisbaixo, mas assim que seu olhar se direcionou a mim, meu coração chamou o dele. O Sasuke pulou do palco em meio à multidão e veio correndo em minha direção sendo acompanhado pelas palmas das pessoas. Quando fiquei frente à frente com ele, suas mãos tocaram o meu rosto. Era como se ele não acreditasse que eu estava lá. Não saiu palavra alguma de nossas bocas. Parecia que nos entendíamos apenas pelo olhar e sabíamos o que queríamos. Ele afundou o seu rosto em meu pescoço.
– Prometi que voltaria e cumpri a minha palavra. – pude sussurrar em seu ouvido.
– Não quero mais viver longe de você!
– Nem eu... – nos afastamos e todas as pessoas continuavam a nos olhar com muita alegria.
– Itachi...
– Tudo bem... – ele disse e o entregou a chave do carro. Saímos juntos do Salão do Colégio em direção ao estacionamento para pegarmos o carro. Assim que entramos, não consegui conter as lágrimas, mas ao mesmo tempo, ficava sorrindo por tamanha felicidade.
– Obrigada! Obrigada por tudo, Uchiha...
– Ei, Haruno... – ele tocou em meu rosto. – Eu te amo!
– Eu também te amo! – Ele aproximou o seu rosto ao meu e juntamos nossos lábios em um beijo terno e cheio de amor. Meus lábios necessitavam dos seus. Ele segurava firme o meu rosto e aprofundamos ainda mais o beijo. Apenas nos separamos por falta de ar. Ele distribuía diversos beijos em meu rosto.
– Vamos pra casa! – ele disse. Finalmente, estávamos juntos, outra vez.
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