Em Pouco Tempo
40 Memórias
Notas iniciais
– Quanto tempo temos?
– Não sei... – estávamos deitados em uma cama com os nossos corpos um colado ao outro. – E o que isso importa? Muito ou pouco tempo... Pra mim, cada segundo ao seu lado é mais precioso que qualquer coisa...
– Sasuke, fico pensando em tudo o que houve e... Já passamos por tantas coisas juntos que parece que eu estou no paraíso agora...
– Senhora Uchiha, é melhor guardarmos apenas em memórias o nosso passado e vivermos com um felizes pra sempre...
– Com certeza, senhor Uchiha... – seu rosto se afundou em meu pescoço e eu podia sentir o calor da sua respiração.
– Obrigado... – sussurrei perto do seu ouvido e a apertei em meus braços.
Quando acordei, a Sakura não estava mais na cama. Me levantei todo apressado, mas percebi que não haviam muitos raios solares invadindo o quarto. Me aproximei da janela e notei que a chuva estava bem forte. Saí do quarto e fui andando até a cozinha, sendo atraído pelo cheiro maravilhoso de um café da manhã bem especial feito pela minha mulher. Ela nem notou a minha presença devido ao seu entusiasmo em cozinhar.
– Você devia ter me chamado... – disse.
– Não gosto de ser um despertador pra você! – me aproximei dela e dei um selinho em seus lábios. Nos sentamos juntos e tomamos o nosso primeiro café da manhã como marido e mulher.
(...)
A chuva insistia em se manter. Estávamos sozinhos na casa de campo e ir para o lago não parecia uma boa ideia naquele momento.
– Que tal pensarmos um pouco nos planos para o futuro? – sugeri e a Sakura apenas deu um sorriso.
– Certo...
– Hum... O que acha de tentarmos entrar em uma faculdade?
– Eh... Parece legal...
– Estou falando sério...
– Tudo bem... E depois?
– Um filho? – ela me olhou bem intrigada. — Podemos tomar todos os cuidados e...
– Sasuke, vamos deixar as coisas acontecerem no momento certo... – ela apenas me lançou um olhar terno. Concordei com ela e ficamos sentados na sala, olhando a chuva pela janela. Mantínhamos nossos corpos em total contato um com o outro.
(...)
MEMÓRIAS — Banda Malta
Hoje eu vejo que não consigo entender
O que houve entre nós
Eu ainda consigo ouvir sua voz
Me dizendo o que eu já sei
Tudo tem um começo e o fim
Eu vejo a dor em seu olhar
E mesmo sem querer eu te deixo partir
Pra que possa tentar ser feliz
Outra vez recomeçar
E quando eu me perco em suas memórias
Vejo um espelho contando histórias
Sei que é difícil de esquecer essa dor
E quando penso no que vivemos
Fecho os olhos, me perco no tempo
Pra mim não acabou
Tudo tem um começo e um fim
Eu vejo a dor em seu olhar
E mesmo sem querer eu te deixo partir
E quando eu me perco em suas memórias
Vejo um espelho contando histórias
Sei que é difícil de esquecer essa dor
E quando penso no que vivemos
Fecho os olhos, me perco no tempo
Pra mim
Sei que você vai seguir
Mas eu não vou desistir
Eu espero que você se entregue neste amor
Sei que você vai seguir
Mesmo com a dor
Vai lembrar de mim
Hoje eu vejo que eu não consigo entender
O que houve entre nós
E quando eu me perco em suas memórias
Vejo um espelho contando histórias
Sei que é difícil de esquecer essa dor
E quando penso no que vivemos
Fecho os olhos, me perco no tempo
Pra mim não acabou
Pra mim não acabou
(...)
Dez Anos Depois...
Escuto um som bem irritante ao meu lado. Abro meus olhos e vejo o despertador vibrando e soltando um som nada agradável. Era sinal de que meu dia estava prestes a começar. Paro o despertador com um sorriso no rosto, afinal, foi o presente mais irritante que a Sakura me deu em nosso aniversário de três anos de casados. Ela sabia como eu era péssimo em acordar sozinho.
Depois de realizar toda a minha higiene matinal, fui andando em direção a sala. A casa estava um pouco maior. Durante esse tempo, fizemos muitas reformas e mudamos quase tudo nessa casa de campo, que se tornou o nosso lar. Atualmente, sou o dono de uma escola de música juntamente com o Itachi. Me formei em Administração e posso dizer, que estou indo muito bem em meus negócios.
Estava sentado na sala olhando o quadro com o retrato da Sakura. Não há dúvidas de que ela é um sinônimo de perfeição. Sinto saudades. Cada segundo longe dela parece um inferno de tão atormentador que se torna. Pelo menos, a Chiemy estaria a caminho para me deixar bem mais animado.
(...)
Recebi a ligação de que ela já estava a caminho. Fiquei sentado na varanda olhando para o portão principal, apenas aguardando a chegada de duas pessoas importantes em minha vida. Assim que o carro parou, a garota de vestidos e chapéu rosa veio correndo em minha direção.
– Papai! – a carreguei em meus braços, girando a minha pequena garota no ar. — O tio Itachi me trouxe logo porque ele disse que o senhor ia precisar de mim... – ela disse bem baixinho em meu ouvido.
– Isso é verdade...
– E a mamãe? Quando ela volta?
– Filha... É melhor você ajudar o papai a arrumar as suas coisas em seu quarto... Afinal, quando a mamãe chegar, você não vai querer que ela fique brava com você! – coloquei a minha pequena no chão e ela foi correndo em direção à porta para entrar. O Itachi se aproximou de mim com aquele sorriso de sempre.
– Saudades da Sakura?
– Você não faz ideia...
– Pelo o que a Konan disse, ela chega bem antes do que a gente pensa...
– Só fico preocupado com o fato de não receber nenhuma ligação... Acordo e fico olhando o quadro com o retrato dela e todas as fotos da nossa família e o pior é que a Chiemy ainda foi passar esse final de semana com você... Tudo isso se tornou uma tortura...
– Irmãozinho, relaxe... – entramos em casa e ficamos sentados no sofá. A pequena Chiemy estava sentada no chão mexendo em suas coisas.
– Então, Itachi... Quando você casa?
– Ainda estamos pensando em uma data... A Haato anda um pouco ocupada, mas, isso será breve...
– Que bom... – Ficamos por um longo tempo ouvindo a Chiemy contar sobre o seu final de semana com o Itachi e depois de algumas horas conosco, ele foi embora e ficou apenas a minha filha e eu em casa. Ela ainda tem apenas seis anos, mas entende que a ausência da mãe é necessária. Fico tentando entender o que se passa em sua cabeça. Quando ela está focada em alguma coisa, acaba me lembrando aquela Sakura misteriosa do passado. E quando ela sorri, me lembra da Sakura doce e simples. Na verdade, ela é a Sakura. Os cabelos, os olhos, o sorriso. Mesmo com a minha esposa insistindo que ela tem as minhas expressões, eu tenho certeza absoluta de que a Chiemy é uma cópia da minha rosada. Agora, são duas mulheres que dominam o espaço do meu coração.
(...)
– Papai, por que a mamãe não nos leva com ela? – estávamos sentados na varanda olhando a chuva cair.
– Bem... Você precisa ir à escola e o papai tem que cuidar de você... Por isso, não podemos viajar com ela...
– Como vocês dois se conheceram? – ela sempre foi uma garota muito curiosa.
– Ainda tenho tudo bem guardado em minha memória... O primeiro beijo, o primeiro abraço... Tudo... – ela me olhava bem intrigada. – Mas, essa história fica melhor quando a sua mãe conta...
– Eu quero que você conte...
– Então, quando a sua mãe chegar eu prometo que te conto tudo...
– Tudo bem. — continuamos a olhar a chuva. Como já era mais quase dez horas da noite, achei melhor levar a Chiemy para o seu quarto. Coloquei a minha garota em sua cama e ela dormiu rapidamente. Saí do se quarto e fui para a sala pegar o telefone para tentar mais uma ligação. E novamente, sem muito sucesso.
(...)
– Sakura, Sakura... Você me faz tanta falta... – fiquei falando comigo mesmo até ouvir algumas batidas na porta. Me levantei apressado para ver quem seria nesse horário. Quando a porta se abriu, fiquei parado, apenas olhando o seu cabelo molhado, seu sorriso meigo e seu olhar amável.
– Não acredito que vim de tão longe apenas para te ver parado sem fazer nada! – ela estava rindo bastante. – Sasuke, diz alguma coisa!
– Você continua me irritando... – a puxei pelo braço e a apertei bem forte em meus braços. – Por que não me ligou? Eu poderei ir buscá-la em qualquer lugar! O que houve?
– Desculpe... Não quis te dar trabalho... O tratamento foi bem longo, mas... Agora estou de volta... Isso pra mim é um milagre... Quero apenas ficar com você e com a nossa filha! – continuava a abraça-la. – Amor, acho melhor entrarmos... Está um pouco frio e não sou muito fã de chuva...
– Claro...
(...)
Passamos o resto da noite sem dormir. A Sakura me contou tudo o que havia acontecido durante as semanas do seu tratamento e tive que relatar como foi cuidar da Chiemy sozinho.
– Nossa filha quer saber sobre a nossa história... – disse.
– Ela é bem curiosa... Igual a você, Sasuke... – começamos a rir. – Então, por onde poderíamos começar a contar?
– Hum... Pra quem achava que teríamos pouco tempo juntos, acho que se surpreendeu em ver que um milagre aconteceu...
– Sasuke, eu te amo e quero passar o resto da minha vida ao seu lado... Cuidando de você e da nossa filha... Quero realizar todos os nossos projetos que ficaram apenas em planos... Quero tentar a faculdade... Quero...
– Shiiiiii... – coloquei meu dedo em seus lábios. – Temos muito tempo pra isso...
– Mamãe, você chegou... – a Chiemy apareceu na porta do quarto ainda bem sonolenta. Ela veio andando em nossa direção e se deitou entre nós dois, abraçando bem forte a Sakura. – Eu já estava com muita saudade!
– Eu também...
– Papai, você já pode nos contar! – a Sakura deu um sorriso e juntas ficaram me olhando bem atentas.
– Certo... Então, por onde eu posso começar?
“Escuto um som bem irritante ao meu lado. Abro meus olhos e vejo o despertador vibrando e soltando um som nada agradável, era sinal de que meu dia estava prestes a começar. Paro a droga do despertador e sigo em direção ao banheiro. Após o banho, me arrumo e desço para tomar o café da manhã. Meu irmão faz questão que eu me faça presente. [...]”
Fale com o autor