Em Pouco Tempo
8 Durante a Chuva
Notas iniciais
Ficamos nos olhando por alguns instantes. Parecia que por nada nesse mundo, a Haruno abriria a boca pra falar algo. Ela estava estática e com o rosto todo corado. Pra falar a verdade, ela estava linda, do jeito dela.
– Eh... Vou para o meu quarto... Se precisar de alguma coisa, pode me chamar. – Ela concordou com a cabeça sem dizer nada. Saí de perto dela e fui andando até as escadas. Fiquei parado por algum tempo, pensando no que realmente havia acontecido. Eu beijei a Haruno e gostei. Subi as escadas e fui em direção ao meu quarto. Entrei e me joguei na cama. Estava com um sensação em meu corpo que nunca havia sentido. Era como se não houvesse mais um chão firme para me sustentar, como se a temperatura aumentasse fazendo o meu corpo esquentar.
A vontade que tenho é de voltar na sala e beijar a Haruno novamente. O cheiro que emana do seu corpo é tão bom que por pouco não me fez perder o controle. Fiquei deitado por um bom tempo. O que será que a Haruno está pensando? Gostaria de perguntá-la, mas isso a faria pensar que estou apaixonado por ela e amor não é uma coisa que eu quero nesse exato momento. Então, o que é essa sensação estranha em meu corpo?
Escuto um barulho de carro parando em frente a nossa casa. Me levanto e olho pela janela do meu quarto. Uma mulher de cabelos curtos e bem arrumada sai do carro e vai em direção à porta. Provavelmente, deve ser a assistente social na qual o Itachi mencionou. Saio do meu quarto e fico perto da escada pra tentar ouvir alguma coisa.
– Sakura querida, como você está? Vejo que está linda! Sua pele até está mais corada! – e realmente, a Haruno estava bem vermelhinha, tudo pelo beijo que eu dei.
– Que nada Shizune, é impressão sua. Sente-se aqui. – a Haruno a levou até o sofá e ambas sentaram. Me aproximei uma pouco mais para tentar ouvir melhor. Não que eu fosse o tipo de pessoa curiosa, é que eu tenho quase certeza que o Itachi e a Haruno escondem alguma coisa.
– Itachi me ligou e disse que viajaria, então ele me pediu pra ficar de olho em você.
– Não sou mais uma criança... E eu estou muito bem!
– Você tem acompanhado os noticiários? Teremos mudança de clima em nossa região, o inverno logo chegará. Não quero que...
– Não fale!
– O que? Como assim?
– Não estou sozinha na casa, então não quero que escutem nossa conversa. Você entende o que quero dizer sim?
– Claro que sim querida! E você sabe o que quero que faça, apenas fique bem!
– Tenho algo pra dizer. Não é um pedido, nem nada assim. Já decidi e vou fazer...
– E o que seria?
– Uma viagem nesse final de semana... Vou na sexta e volto na segunda!
– Você vai sozinha?
– Eh... Não... Vou com um amigo!
– Amigo? Sakura, você não tem amigos! – a Haruno entristeceu o olhar. Me deu vontade de descer e dizer algumas coisas pra essa mulher. – Quer dizer... Você não...
– Entendi, Shizune... E você tem razão, mas... Eu vou viajar e você está ciente disso. A vida é minha, e eu decido o que fazer com ela. Se não se incomodar, vou descansar um pouco.
– Tudo bem. – voltei pro meu quarto e fiquei olhando pela janela a tal de Shizune ir embora. Ouvi os passos da Haruno no corredor e decidi ir falar com ela. Abri a porta do meu quarto e ela estava entrando no dela.
– Sakura! – decidi chamá-la pelo nome. Isso faz ela perceber a diferença.
– O que foi? – ela estava um pouco assustada. Me aproximei um pouco dela.
– Eu posso ser seu amigo... Se você quiser é claro. – dei um sorriso de canto pra demonstrar que o que eu estava dizendo era sério.
– Amigo? Você e eu?
– Não quer? – ela ficou corada. Eu adoro quando isso acontece.
– Claro que quero... Então, você estava ouvindo a minha conversa? Eu sabia! – ela riu. – Tudo bem, Uchiha... Aliás, Sasuke... Amigos então! – ela estendeu a mão. Toquei em sua mão e no mesmo momento, a puxei para perto de mim, seu corpo ficou bem colado ao meu.
– E se eu quiser ser mais que um amigo?
– Ah... Eu...
– Deixei você sem palavras? Perfeito! – encostei meus lábios nos seus, dessa vez, ela me beijou com mais fervor, o que me fez ficar muito excitado. Se eu pudesse, jogava a Haruno na cama pra continuar a sentir ainda mais o seu corpo. Quando ficamos sem ar, nos separamos e novamente, ela ficou apenas me olhando sem dizer uma palavra. – Ainda vamos viajar esse fim de semana? Pois eu estou bem animado pra isso.
– Eu... Também... Então... Até... Depois... – ela falava bem lentamente. A Haruno se virou e entrou no seu quarto.
Anoiteceu bem rápido. O céu estava todo coberto por nuvens escuras e densas, isso era sinal de muita chuva. Fui pra cozinha e vi a Haruno cozinhando. Ela estava bem animada. Me aproximei do balcão e fiquei a olhando.
– Você quer me deixar encabulada. Acertei?
– Não... Apenas quero saber quantos caras você já beijou...
– Pra que?
– Só quero saber... – ela ficou me olhando com um sorriso no rosto.
– Um.
– Um? Então... – ela não tirava o sorriso, isso até me contagiou, por que do nada, coloquei um sorriso no rosto. – Tá... Eu dei o seu primeiro beijo. Você gostou?
– Não quero responder isso...
– Eu mereço saber...
– Tudo bem... Foi bom, eu acho.
– Você acha?
– É... – começamos a rir. – Daqui a pouco eu sirvo o jantar.
Fiquei a observando enquanto ela terminava o seu trabalho na cozinha. Pelo cheiro, o jantar seria ótimo. Até melhor que a comida do Itachi. Depois de um tempo, eu a ajudei a arrumar a mesa e como sempre, sentamos nas mesmas posições. Ela me serviu e eu não pude deixar de reparar que a Haruno estava linda com a roupa estranha que ela veste. Ela é linda, só que do jeito dela. Provei a comida e estava ótima. A elogiei o jantar inteiro. Isso a fez ficar alegre em todos os instantes em que estivemos na mesa.
Depois do jantar, a ajudei na limpeza e fomos pra sala. Havíamos decidido assistir um filme. Quando estava pra colocar o dvd, foi embora a energia elétrica, deixando a casa totalmente no escuro.
– Sasuke! – ela segurou no meu braço.
– Vou pegar algumas velas, fique aqui.
– Nem pensar! Tenho medo do escuro. – ouvi o barulho de chuva. E pela forma que estava o clima, uma tempestade era bem previsível.
– Ótimo! Vem comigo... Tem velas no quarto do Itachi.
Subimos as escadas e fomos em direção ao quarto do Itachi. Pegamos algumas velas e as acendemos, colocando algumas nos pontos mais estratégicos da casa, de forma a não deixá-la totalmente no escuro. Fomos pra sala e ficamos por várias horas conversando sobre o nosso passado. E do fato de que jamais fazíamos ideia de que estaríamos morando juntos. A cada instante que passava, a tempestade piorava. O pior era que a Haruno demostrava que morria de medo de trovões. Olhei no meu celular e vi que já era quase meia-noite. O tempo passou tão rápido que nem percebemos.
– É melhor irmos dormir. Amanhã, vamos acordar bem cedo...
– Você vai conseguir dormir com esses trovões? Eu não consigo! – ela estava apavorada.
– Quer dormir comigo? – ela ficou me olhando sem dizer nada. Isso tá ficando comum à ela. Um barulho estrondoso de um trovão a fez dar a resposta bem rapidinho.
– Quero sim!
– Ótimo... Vem comigo! – peguei em sua mão e a levei pro meu quarto. Coloquei apenas duas velas dentro dele. Ela se sentou na cama e ficou me olhando toda sem jeito. – Você vai dormir com essa roupa?
– Não... Mas, não quero que você me agarre...
– Sem problemas.
– Se vira. – obedeci a Haruno e fiquei de costas. – Pode olhar. – ela estava coberta com o lençol e com os cabelos soltos. Eles eram bem compridos. Olhei pro chão e vi sua roupa bem dobrada.
– Você está nua?
– Não! Estou de camisola. Peguei uma no caminho pro seu quarto. – Fiquei de frente à ela e tirei minha camisa e meu short, ficando apenas de cueca em sua frente. Ela cobriu o rosto. Me aproximei da cama e entrei embaixo do lençol com ela. Ainda podia ver as curvas do seu corpo. Coloquei minhas mãos sobre a sua cintura e percebi que ela era perfeita e que o seu corpo me deixava bem excitado. Ela se virou e ficou bem de frente comigo.
– Está frio... Quero sentir o calor do seu corpo...
– Você disse que não ia me agarrar...
– Já disse isso uma vez... Não consigo resistir...
– Estou me apaixonando por você. – ela ficou me olhando seriamente.
– Eu também. – Coloquei o meu corpo sobre o dela e nos beijamos. Ela passava sua mão em minhas costas, isso estava me deixando louco. Nosso beijo ficava cada vez mais profundo. Quando dei por mim minhas mãos estavam tocando em seus seios. Ela pegou em minha mão e a tirou de lá. Entendi o recado. Não posso ser tão rápido com ela. Não quero decepcioná-la ou iludi-la. Pela primeira vez tenho certeza absoluta que estou apaixonado. A puxei pra cima do meu corpo, de forma a abracá-la. Ficamos aquecendo o corpo um do outro enquanto a chuva caia do lado de fora.
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