Em Pouco Tempo
21 Cuidados Extras e uma Sakura Irritada
Notas iniciais
Acordar cedo em um sábado não é algo típico de mim. Mas, hoje tudo está bem diferente. Olhei no relógio e são apenas seis horas da manhã. Levantei apenas de short, coloquei uma camisa e mesmo com o cabelo todo bagunçado, saí do meu quarto e andei em passos silenciosos em direção ao quarto da minha rosada. Abri a porta lentamente e vi que ela ainda estava dormindo. Fui até a cozinha, peguei um copo d’água e voltei ao quarto da Sakura. Me sentei ao lado da sua cama e toquei em seu rosto suavemente. Ele abriu os olhos e deu um sorriso.
– O que houve? – ela perguntou.
– É hora do remédio...
(...)
Oito horas da manhã e o café já está pronto. Fiquei na porta do quarto da Sakura esperando ela sair para levá-la até a cozinha. Assim que ela abriu a porta, segurei em seu braço para que ela se apoiasse em mim.
– A escada pode ser um perigo pra você...
– Não precisa.
– É claro que precisa, se apoie em mim...
(...)
Nove horas da manhã e a Sakura está sentada lendo um livro. Depois de limpar a cozinha, Itachi saiu para fazer compras e me pediu para ficar cuidando da faxina. A Sakura quis me ajudar, mas eu peguei um livro e coloquei em sua mão e a deixei sentada no sofá. Muito esforço pode ser perigoso para a saúde dela.
(...)
Consegui terminar de arrumar alguns cômodos da casa e fui me sentar ao lado da Sakura.
– Posso sair desse castigo? – ela me perguntou em um tom irônico.
– Amor, isso é para o seu bem...
– Posso beber um suco?
– Deixa que eu pego pra você. – me levantei e busquei o que ela me pediu. Mesmo dando em sua mão, ela pareceu não estar satisfeita.
(...)
Já é meio dia e o Itachi ainda está preparando o almoço. Me preocupei com a demora. Olhei para a Sakura e me lembrei que ela tinha que tomar mais uma dose do remédio.
– Ah... Eu já tinha me esquecido. – ela disse e pegou o remédio de minhas mãos.
– Por isso que é essencial que eu cuide de você...
O Itachi nos chamou para o almoço e antes que a Sakura se levantasse, fiz com que ela se apoiasse em mim e a levei até a mesa. Quando ela se sentou, peguei o seu prato e servi a sua comida.
– Irmãozinho?
– O que foi?
– Acho que a Sakura é capaz de fazer isso... – olhei e ela parecia incomodada com a situação. Apenas ignorei e entreguei a sua comida.
– Eu posso fazer isso por ela...
– Tudo bem pra você, Sakura? – ele perguntou e ela deu apenas um sorriso.
(...)
Três horas da tarde e a Sakura está em seu quarto descansando. Mesmo sendo contra a sua vontade, a obriguei a se deitar um pouco. Fiquei na sala lendo um anúncio do jornal a respeito da venda de alguns carros.
Ouvi barulhos de passos e olhei para trás para ver quem era. Acabei me deparando com a minha rosada toda arrumada para sair.
– Aonde você pensa que vai?
– Quero ir dar uma volta.
– Volte já para o seu quarto, ontem mesmo você estava em um hospital e agora já quer sair, não é assim que as coisas funcionam.
– Sasuke, você está sendo irritante... Me desculpe dizer a verdade, mas eu não aguento mais... Me deixa fazer algo, por menor que seja, esse jeito cuidador já passou do limite... – A sua voz um pouco exaltada chegou até a me assustar. Me levantei e fiquei bem em sua frente.
– Não quero que você volte a ficar em um hospital!
– Você sabe que eu não vou escapar disso, mais cedo ou mais tarde, terei que fazer esse tratamento... E por sinal, vai ser bem cedo... Não quero passar os dias presa nessa casa...
– Então, eu levo você!
– Quero ir andando ao parque central da cidade...
– É um pouco longe daqui... Posso pegar o carro se preferir!
– Já disse! Quero andar um pouco!
– Haruno, você é muito teimosa... Espera eu me arrumar... – fui até o meu quarto e troquei a camisa que eu estava por uma preta e arrumei um pouco o meu cabelo. Peguei minha carteira para prevenir qualquer evento inesperado que possa acontecer. Assim que desci, ela estava me esperando na porta. – Temos que voltar antes das seis... Não posso esquecer de dar o seu remédio!
– Tudo bem, papai. – ela pegou em meu braço e fomos caminhando até a praça.
Assim que chegamos, olhei em volta e fiquei até espantado com a quantidade de pessoas que estavam no local, desde crianças até adultos. Todos estavam sentados ou brincando ou comendo algo. O lugar parecia ser agradável.
– O que quer fazer?
– Hum...
– Vem comigo! – ela segurou em minha mão e me levou até uma banco perto de uma grama verde na qual havia uma placa escrito ‘não pise na grama!’. Algumas pessoas passavam e nos olhavam, era difícil não chamar a atenção, pois a última vez em que estive aqui, foi apenas para me meter em uma confusão com o Gaara e o Naruto. – Quero conversar com você!
– Pode dizer...
– Uchiha, eu quero que você fique ao meu lado, mas não quero que você exagere nessa história de cuidar de mim... Eu entendo todo esse cuidado, mas mal passamos um dia em casa e eu já quero sair de tão sufocada que eu estou...
– Eu apenas quero que você fique bem...
– Sei disso! E agradeço muito... Mas, se esses forem os meus últimos momentos aqui, nessa cidade, não quero que seja assim...
– Não diga besteiras... Sakura.. – toquei em seu rosto e o aproximei do meu. – Você terá muitos momentos a viver comigo!
– Então, me deixe viver do jeito em que estávamos...
– Mas...
– Nada de mais... Você vai continuar cuidando das coisas que fazia antes, sem se preocupar com os meus remédios ou com a minha comida... Isso é algo que eu sou capaz de fazer! – sua expressão serena e decidida me fez dar um sorriso e entender o que ela estava sentindo.
– Tudo bem então... – encostei meus lábios aos seus e a envolvi em meus braços.
– Sempre quis me deitar nessa grama... Quando meu pai me trazia aqui, eu implorava para que ele deixasse, mas era em vão... – me separei dela e nesse exato momento me levantei e a puxei comigo.
– Então, vamos fazer isso hoje!
– Não podemos... É proibido!
– Sakura, aprenda comigo a quebrar as regras... – passamos o pequeno cercado e nos jogamos na grama verdinha olhando para o céu. As pessoas passavam e cochichavam algo, que com toda certeza era sobre nós. Não dei a mínima e pelo sorriso estampado no rosto da minha rosada, ela também não.
– O céu está lindo... Mesmo sendo inverno, é lindo...
– Estive pensando sobre a tal apresentação de inverno... Temos poucas semanas para isso e... Gostaria de vê-la se apresentar como pianista...
– O desejo é recíproco também... Minha maior vontade é de ver você no meu lugar fazendo essa apresentação...
– Hum... Sabe que isso é impossível...
– Uchiha, namorar com você era algo impossível e aconteceu... Para mim, não existe o impossível quando se tem desejos...
– O meu desejo é que você sempre fique ao meu lado...
– Mesmo que o pior aconteça comigo, mesmo que fisicamente eu esteja longe, meu coração sempre estará com você!
– Eu te amo! – entre os nossos olhares, surgiu uma pequena lágrima em seu rosto.
– Ei, garotos, é melhor saírem daí... – ouvimos uma voz e quando olhamos era o guarda do parque que estava do lado de fora do cercado.
– Já estamos de saída. – falei para o guarda. Nos levantamos e saímos em meio aos nossos risos. – Tenho que confessar, saí com você é a melhor coisa que fiz no dia de hoje!
(...)
Chegamos em casa e o Itachi estava sentado no sofá acompanhado pela Shizune. Ambos nos olharam com uma expressão nada feliz.
– Aconteceu alguma coisa? – a Sakura perguntou.
– Temos duas notícias para dar a vocês dois... – meu irmão respondeu. – Sentem-se aqui! — Ficamos um ao lado do outro com as mãos dadas.
– Posso contar a eles, Itachi? – a Shizune perguntou.
– Fique a vontade...
– As notícias serão ao mesmo tempo satisfatórias e desagradáveis... A primeira é que conseguimos um quarto especial para a Sakura no Hospital em que ela fará o tratamento... E a segunda, é que a viagem será nesse próximo final de semana...
– Tão rápido assim? – perguntei.
– O diagnóstico da doença não está nada bom... Se não arriscarmos logo, podemos sofrer com a perda da Sakura... – minha rosada ficou cabisbaixa com essas palavras, isso me irritou profundamente.
– Como você tem a coragem de dizer isso dessa forma? Perder a Sakura? Acha que realmente isso pode acontecer?
– Sasuke... – ela sussurrou e apertou mais forte a minha mão.
– Eu aprendi que não existe o impossível quando se tem desejos... E nunca, jamais, irei perder a Sakura!
– Belas palavras, garoto... Espero que continue assim quando as coisas piorarem...
– Como assim?
– Shizune... Eu continuo agora... Sasuke, Sakura... O tratamento causará algumas mudanças em você, Sakura... Não será fácil... A começar pelos seus cabelos, seu corpo, suas forças irão se abalar... Mas, saiba, que todos estaremos ao seu lado...
– Isso é uma quimioterapia? – ela perguntou um pouco nervosa.
– Não exatamente... Mas causa sintomas semelhantes a esse tratamento...
– Eu vou conseguir?
– Amor, estarei com você nisso!
– Sasuke, já havia lhe dito isso antes... O tratamento é caro e você não poderá ir... – O Itachi disse. Olhei para a Sakura e segurei em suas duas mãos.
– É como você disse... Posso não estar fisicamente ao seu lado... Mas, o meu coração irá com você! – ela sentiu a firmeza em meu olhar e pareceu mais confiante.
– Sensei... Shizune... Sasuke... Eu vou conseguir! – ela sorriu e todos pareceram menos tensos do que quando chegamos.
– Essa é a minha garota!
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