Em Perigo

3 Capítulo 3 - Descobertas



Enfiei a chave na ignição pisando no acelerador, meu corpo havia amanhecido ainda mais dolorido e algumas partes continham enormes hematomas, o que fazia com que sentisse uma dor chata em qualquer movimento que fizesse.



A combinação da dor, anestésicos e sono me deixava ainda mais lenta e a grossa jaqueta era a única boa daquela manhã fria, me aquecendo.



Poucas horas antes tinha sido acordada por um homem alto e de aparência muito simpática chamado Emmet, que seria responsável por meu treinamento naquele lugar. Levou vários documentos falsos e me deu instruções de como deveria me portar. Descobri que todos ao entrarem no Cartel ganhavam novos nomes, para serem usados nas transações. Olhei a identidade falsa que continha o nome "Hadassa Bardini", revirando os olhos quando soube que era Mabelle quem os escolhia, o que explicava o nome estranho.



Emmet aos poucos dizia tudo que era necessário, inclusive que a falsa identidade só deveria ser usada fora do cartel, quando fosse necessário, dentro dele poderíamos ser chamados com os próprios nomes. Me deu um dia para resolver o que fosse necessário e pegar o resto de minhas coisas para trazer ao local. Era absolutamente proibido repassar a quem quer que fosse informações sobre o que acontecia lá dentro e caso ocorresse, citando com a voz ainda mais sombria que os que se atreveram a falar demais terminaram sendo caçados.



Não me explicou o que era ser caçado, mas certamente não gostaria de experimentar para descobrir.



Ao pensar no que tinha para resolver, sobrou um único pensamento: minha mãe. Como passava a maior parte do tempo viajando à trabalho, não seria um problema tão grande o fato de ir morar em outro lugar.



Após vários minutos dirigindo finalmente estacionei na garagem do lugar onde passei minha infância. Ao entrar encontrei várias malas espalhadas pelo saguão.



"Bella?" A voz aguda de minha mãe soou. "Estou na cozinha, querida" Ainda estava com o uniforme do trabalho. "Acabei de chegar de viagem, você não sabe quão entediante foi passar o final de semana inteiro com aquele bando de gente chata, mereço um bolo de chocolate tamanho gigante por isso" Disse mexendo em algumas panelas. "Vai ficar parada ai ou vem me ajudar?" Disse erguendo a panela para misturar os ingredientes.



"Então, tenho uma novidade" Peguei a panela jogando alguns ovos. "Jasper conseguiu um emprego para mim"



"Jura?" Me olhou surpresa. "Não acredito, você acabou de se formar!" Começou a rir e me deu um abraço. "Você é o máximo mesmo, só podia ser minha filha prodígio" Voltou para o fogão. "O Jaz é sempre um amor, faz um tempo que não vem aqui, diga que estou com saudades" Minha mãe tinha um sério problema de mudar rapidamente de assunto para outro.



"Então, o problema é que parece que o trabalho é integral" Joguei a bomba torcendo para que minha mãe não pedisse muitos detalhes. "É uma empresa importante, têm uma filial aqui perto de Londres e precisam que mude para lá, é uma dessas empresas que possuem dormitórios e essas coisas"



"Mas que empresa é essa?" Perguntou desconfiada, minha mãe podia ser tudo, menos ignorante, teria que inventar uma boa desculpa.



"Para falar a verdade, nem sei ainda, o Jaz não explicou muita coisa" Sentei na bancada provando um pouco da mistura. "Só disse para levar minhas coisas ainda hoje"



"Mas que raio de empresa é essa que te contrata do nada?" Colocou a massa no forno. "Você não fez nem entrevista e já te contrataram?"



"O dono da empresa é amigo do Jaz, parece que que muitos funcionários saíram esse mês, precisam de uma substituição rápida"



"Isso está me cheirando a encrenca Isabella, não precisa entrar nisso agora, se quiser pode esperar um pouco mais e não ter este transtorno de morar lá" Ela segurou minhas mãos. "Ainda surgirão outras propostas de trabalho, muito mais simples do que essas e..."



"Mãe, já decidi" Cortei a fala dela sem querer prolongar muito a conversa. "Só vim buscar minhas coisas, será uma boa oportunidade para mim" Subi as escadas deixando minha mãe sozinha na cozinha.



Uma dorzinha chata me invadiu ao ver a feição magoada que minha mãe fez, mas logo passou. Não tinha tempo a perder com desculpas, a partir de agora teria que aprender a fazer as coisas por mim mesma e a lidar com esse tipo de situação. Minha mãe sempre soube se virar sozinha, passava a maior parte do tempo viajando, morava praticamente sozinha em nossa casa, não haveria muita diferença.



Peguei uma enorme mala e joguei minhas roupas dentro, me livrando de tudo que era muito colorido, afinal, as pessoas pareciam usar apenas preto naquele lugar. Abri a gaveta da mesa de cabeceira pegando alguns documentos, revireis os olhos ao ver meu diploma.

Isabela Swan

Formada em Direito pela Universidade de Londres — Turma 707.


Estava forma há dois meses. Devido à vaidade de minha mãe, me matriculou na escola antes de todas as outras crianças, o que me fazia ser adiantada, simplesmente adorava minha exibição na frente de pessoas da alta sociedade, talvez por não ter tanto dinheiro quanto eles, o único modo de se sentir superior era através de mim. Praticamente implorou para que o diretor de minha escola permitisse que meu ensino médio inteiro fosse realizado em apenas um ano, o que me gerou muita dor de cabeça e várias noites sem dormir.



Havia terminado o ensino médio com quinze anos e agora estava formada em direito. Olhei novamente para o diploma, só podia ser ironia do destino, formada em direito, doutora das leis e termino entrando para um cartel de drogas.


A vida era uma droga mesmo.


Olhei para gaveta e vi a última coisa que faltava: minha pulseira.



Admirei por alguns segundos e após prendê-la ao pulso, peguei minhas malas dando uma última olhada em meu quarto, sem saber se voltaria algum dia para aquele lugar. Desci as escadas e minha mãe ainda estava sentada na cozinha com uma feição preocupada.



"Ei, não estou indo para outro país mãe, venho passar os finais de semana e feriados sempre" Menti e apenas deu de ombros.



"Como se pudesse te impedir de alguma coisa" Levantou e me deu um abraço. "Mas vou ficar de olhos bem abertos, vê se não se mete em confusão Bella" Me soltou e foi atender o celular enquanto me dirigia para a porta, chamando um táxi para me levar de volta.



Olhei uma última vez para minha casa com um pouco de nostalgia, expulsando-a rapidamente.



Agora não tinha mais volta.



*



Em poucos minutos já estava de volta ao cartel, o segurança já parecia me reconhecer, deixando passar facilmente. Entrei em meu quarto, tentando arrumar as minhas coisas. O quarto era pequeno, mas ao mesmo tempo confortável, sem contar a vista encantadora. Era possível ver parte da cidade de Londres, o que me deixava bastante satisfeita.



Guardei a última peça de roupa e notei um pequeno livro no fundo do armário: Regras do Cartel.



"Só pode ser brincadeira" Era inacreditável, aquele lugar realmente tinha regras. Revirei os olhos e abri o livro lendo algumas partes, contava a história do cartel, os antigos líderes e como eram feitos os carregamentos das drogas, realmente não conhecia a dimensão do tráfico: os carregamentos atravessavam o mundo através de via marítima, aérea, terrestre. Descobri que aquele lugar trabalhava até com submarinos.



Com curiosidade fui passando as páginas até chegar no último capítulo: Obedecendo ao mestre.


Edward Cullen nasceu em agosto de 1988, respeitado por carteis do mundo inteiro, é o maior traficante da atualidade. Filho de Esme e Carlisle Cullen, é o mais novo traficante da história, conhecido por seu sigilo e competência.



Bufei achando patética a descrição do Cullen, provavelmente deve ter sido feita por Mabelle que parecia idolatrá-lo, aliás, todos naquele lugar pareciam tratá-lo como um semideus. Continuei lendo com indignação.


É terminantemente proibido chama-lo pelo nome ou sobrenome. Sempre se dirigir a ele sempre com expressões respeitosas, subordinando-se a sua vontade e direcionamento. Todos devem se referir ao mesmo pela identificação de "mestre" ao não ser que tenha permissão do próprio. Respeito e lealdade devem ser devotados a ele. Um membro do cartel tem a obrigação de protegê-lo em qualquer tipo de situação e dar sua vida, se necessário. Todos devem fazer reverência ao vê-lo, sob punição caso não acate a exigência.



Não suportando mais e quase sentido uma ânsia de vômito, fechei o livro com força e jogando brutalmente de volta no armário. Era ridículo o modo como todos o tratavam, praticamente o adoravam. Deitei na cama contrariada ouvindo uma batida na porta.



"Os seguranças me avisaram que tinha voltado" O rosto de Emmet surgiu sorridente em minha porta. "Ah, estava lendo as regras?" Sentou-se ao meu lado pegando o livro. "Que iniciante dedicada" Soltou uma gargalhada sincera.



Emmet era um homem muito bonito, usava camisas polo e possuía um físico de dar inveja, ao contrário de todos daquele lugar, usava sempre tonalidades claras o que combinava perfeitamente com seu aspecto interior, irradiava energia positiva. Era dono de belos olhos verdes, mas o que se destacava nele era o sorriso que parecia sempre constante. Me perguntei como alguém naquele lugar podia ser tão feliz.



"Nunca vi coisa mais patética" Revirei os olhos encarado o pequeno livro. "Sério que vocês seguem isso?"



"Todo lugar precisa de regras, se não, vira bagunça" Sorriu, oferecendo uma das mãos. "Vamos, vou te mostrar meu setor"



Subimos algumas escadarias, passando por várias partes do castelo, aquele lugar parecia nunca ter fim. A vegetação brilhava tanto que certamente devia ser resultado do trabalho de algum profissional desse ramo, a verdade é que tudo parecia ser bem cuidado ali, dezenas de pessoas deveriam trabalhar para o cartel ficar em bom estado.



Parei quando finalmente adentramos uma enorme sala branca.



"Bem, sou responsável pelo setor de segurança interna e externa, tenho dez pessoas na minha equipe, são mestres em computador e são responsáveis por proteger todo o castelo, que é vigiado por mais de trinta câmeras" Falou orgulhoso enquanto avaliava o local "Incrível né?" Sorriu me direcionando novamente para fora da sala.



Passamos por mais algumas escadarias, começava a me perguntar quanto dinheiro o Cullen deveria conseguir com o tráfico para conseguir manter todo aquele castelo. Claro que sabia que provavelmente era muito dinheiro, mas antes de entrar naquele lugar nunca havia me interessado por esse assunto, então não sabia praticamente nada sobre traficantes ou Cartéis.



Dei uma vista rápida nos computadores, enquanto era novamente levada para fora pelos enormes braços de Emmet, que me arrastou mais algumas escadarias e quando o cansaço pareceu me atingir, finalmente chegamos a uma outra entrada.



"Aqui" Abriu uma enorme porta. "Essa é a melhor vista do castelo" Olhei e espantada notei que simplesmente conseguia ver toda a cidade de Londres. O Sol estava se pondo, o que fazia com que a vista fosse ainda mais impressionante. "Sempre venho aqui quando sinto saudade de casa" Sorriu se encostando no parapeito.



Ficamos em silêncio alguns minutos, apenas observando a magnífica vista. Um silencio reconfortante.



"Parece feliz em estar aqui" Encostei-me ao seu lado, quebrando o silêncio.



"E estou, aqui é um lugar incrível" Explicou empolgado. "Sei que deve estar assustada com toda essa história de contrabando de drogas e tudo mais, mas não é assim tão ruim" Parecia realmente gostar daquele lugar. "Conheci pessoas incríveis aqui e sentir o poder, o perigo..." Parou extasiado. "... é simplesmente maravilhoso, faz você se sentir vivo"



“Uhuu” Fingi animação enquanto ele gargalhava novamente.



"Ei, pode parar de me zoar, sou seu chefe mocinha!" Continuei olhando para baixo, que permitia que minha visão tivesse acesso ao enorme jardim que circundava o castelo. "Sabia que está conhecida?" Sorriu. "Todo mundo está falando da garota que enfrentou o mestre"



"Não tenho medo dele" Dei de ombros.



"Pois deveria" Ficou sério de repente. "Sério Bella, você não deve se meter com ele, deve obedecê-lo se quiser viver" Voltou-se para o jardim novamente. "Já matou várias pessoas por muito menos, você tem sorte de não ter feito nada com você"



"Não consigo entender como o obedecem tão cegamente" Lembrei da devoção de Jasper por ele. "Quer dizer, são dezenas de pessoas obedecendo um só homem, vocês poderiam tirá-lo do poder facilmente, o cara pode ser linha dura, mas é só um"



"Você não entende" Disse aliviando o rosto. "Ele que faz tudo isso funcionar, querendo ou não, nossas famílias dependem desse dinheiro, e o Cullen faz tudo andar na perfeita ordem, mesmo parecendo exagero, ele é um bom líder"



"Me parece mais um ditador" Continuei contrariada. "Não deve ser tão difícil liderar um cartel de drogas"



"Talvez não, difícil mesmo é fazer com que respeitem e temam o seu cartel" Virou-se para mim. "Aqui a coisa fica séria Bella, ninguém tem dó, se você for fraco ou tiver o mínimo de compaixão, é passado para trás" Mantinha o olhar no horizonte. "Aqui, ou você é o melhor, ou morre, é isso que acontece nos cartéis, líderes fracos são destruídos"



"Você parece saber muito sobre isso" Falei impressionada com o domínio que possuía sobre o assunto.



"O cartel está na minha família faz muito tempo" Deu de ombros, não querendo aprofundar o assunto. Algo tocou, e ele pegou um pequeno rádio em seu bolso. "Temos que voltar para a ala central, o dever chama" Voltou a me segurar pelas mãos, me fazendo sentir reconfortada. De alguma forma era bom poder confiar em alguém naquele lugar, era bom descobrir que talvez existissem pessoas boas naquele enorme castelo, nem todas eram como o maldito Cullen.



Chegamos novamente à sala central do dia anterior. O Cullen estava em sua cadeira e mais algumas pessoas estavam por perto. Procurei pelos seguranças que haviam me assediado na noite anterior, mas não os encontrei.



Meu olhar encontrou-se com os olhos castanhos de Jasper e notei que a saudade que sentia dele era infinitamente maior que a raiva que tentava tão fortemente nutrir, minha insistência em fita-lo o fez desviar o olhar, rígido. Encostei-me em uma parede, agora observando os diversos grupos que estavam na sala. Em cada pedaço percebi pessoas conversando, todos estavam em grupo, não havia pessoas sozinhas ou em duplas, sempre se reuniam em grupos.



Talvez fosse estratégia do próprio cartel fazê-los trabalhar em grupos, fazê-los parecer uma gangue. A única garota sem grupo era eu e duvidava muito que isso fosse mudar, ninguém parecia feliz em me ter ali e com certeza não gostaria de conhecê-los ou formar algum tipo de amizade. Estava ali por minha conta.



"Mestre, nós conseguimos!" Um rosto cheio de satisfação surgiu na enorme porta, fazendo com que todos parassem para observá-lo, era Estep, um dos homens de confiança do Cullen. "Roubamos a carga do Cartel de Sinaloa"



"Daria a vida para ver a cara daquele desgraçado ao ver que sua carga não estava no lugar desejado" O Cullen mostrava um sorriso de satisfação. "Bom trabalho" O homem fez uma reverência, distanciando-se.



"Mestre" Mabelle surgiu irada. "Algum engraçadinho vomitou em toda a área do jardim, está tudo sujo!"



"Por acaso tenho cara de faxineiro?" Disse com sua famosa expressão de desprezo. "Mande alguém limpar" Voltou a atenção a alguns papeis, enquanto Mabelle passava furiosa por entre as pessoas, quando algo pareceu mudar nos olhos do Cullen. "Espere Mabelle" Voltou-se para ele.



Pela primeira vez naquele dia me encarou com um olhar possesso.



"Bardini, vem cá" Me chamou por meu sobrenome falso me fazendo revirar os olhos. Desencostei da parede andando vagarosamente até ficar a alguns metros dele. "Fiquei sabendo que anda falando meu nome por ai, estava tentando me lembrar quando dei autorização para isso" Virou-se para um dos seguranças, dando uma ordem. "Peguem ele" Apontou para Emmet que observava tudo com uma expressão preocupada no rosto.



O enorme segurança pegou suas mãos com força colocando-as para trás com uma de suas mãos e dirigindo um canivete para o pescoço do mesmo.



"Quando um aluno não é aprovado, costumo dizer que a culpa é do professor" Um sorriso zombeteiro dançava nos lábios do maldito. "Emmet não deve estar fazendo um bom trabalho como treinador, já que não explicou as regras" Balançou a cabeça em uma falsa desaprovação. Emmet continuava calado com o capanga do Cullen em seu encalço. "Acho que devemos matá-lo e dar a você um novo treinador" Deu um sinal para o troglodita, que puxou Emmet pelos cabelos fazendo com que seu pescoço ficasse a mostra. "O que acha?"



"Não!" Gritei e o segurança parou olhando para o Cullen, que deu sinal para que relaxasse. "Ele me explicou, eu sei as regras"



"Não estou entendendo" Disse se fazendo de desentendido. "Você sabe e não as cumpre?" Ele balançou novamente a cabeça em desaprovação. "A culpa é de Emmet por não ter disciplinado você, pode matá-lo" Disse friamente para o segurança.



A sala inteira havia congelado para assistir o teatrinho do Cullen.



"Não!" Falei desesperada. Emmet não podia morrer, não por minha culpa. "Eu cumpro, vou cumprir tudo" Falei engolindo o que restava do meu orgulho, a vida de Emmet era mais importante. Não conhecia os limites do Cullen, não sabia se estava blefando, mas sabia que faria qualquer coisa para conseguir o que desejava. Seu desejo era unicamente me humilhar e se fosse necessário, mataria alguém para alcançar o objetivo.



Fez um sinal para o segurança.



"Nossa" Deu uma risada, zombando. "Que garota obediente" Levantou-se, se aproximando de mim com a expressão mudando rapidamente, de repente estava carregado de uma seriedade angustiante, mostrando que não estava brincando. "Ajoelhe-se!" Ordenou impassível.



Demorou alguns segundos para que obedecesse, o pouco de orgulho que ainda restava me fez resistir, mas ao ver outro olhar dirigido a Emmet, me ajoelhei, ouvindo um risinho generalizado no ambiente. Era exatamente isso que o Cullen queria mostrar seu poder, humilhar a infeliz que tinha ousado desafiá-lo.



"O que sou para você, Bardini?" Falou impassível enquanto continuava calada. Não é nada, absolutamente nada! "Fale!" Continuei calada, a língua parecia travada e nada saia de minha boca, meu corpo inteiro parecia reagir negativamente ao Cullen. "Mate logo esse idiota" Disse salivando de raiva e virou-se de costa para mim, voltando a sua cadeira.



"Mestre!" Gritei, fazendo com que parasse. "Você é o mestre, é o meu mestre!" Finalmente vomitei as palavras e agora a humilhação estava completa, o Cullen virou-se com seu sorriso zombeteiro.



"Sou o que, Bardini?" Desceu um degrau. "Acho que Jasper não escutou"



"Você é o mestre" Falei de cabeça baixa enquanto mais uma onda de escárnio surgia de Mabelle, que parecia vibrar de felicidade com minha humilhação.



"Pode soltá-lo" O enorme troglodita finalmente o soltou fazendo com que o alívio finalmente tomasse conta de mim. Jasper, que assistia toda a cena, parecia me olhar culpado, ótimo, meu melhor amigo com pena de mim. "É bom saber que é uma iniciante tão obediente" Sentou-se novamente em seu lugar com seu famoso sorriso de deboche. "Agora você pode ir com Mabelle, receberá um esfregão e poderá ser útil ao Cartel"



Saí do local acompanhada de Mabelle enquanto piadinhas eram feitas por todo canto.



O ódio cintilava em meus olhos, agarrei o esfregão dado por Mabelle com tanta força que meus dedos protestaram. Olhei para a área e realmente o local estava absolutamente imundo, garrafas de bebida alcoólica jogadas por todo o chão, vômito e um cheiro insuportável. O rosto de Mabelle retorceu em uma careta.



"Deixe tudo bem limpo" Disse e apenas saiu rapidamente, não suportando o odor.



Joguei a mistura de sabão, água sanitária e água em todo o pátio esfregando com toda a força que tinha, imaginando ser o rosto do Cullen de baixo dos meus pés. Maldito Cullen mal-amado da porra! Me imaginei denunciando toda aquela merda, imaginei a polícia invadindo o local e prendendo-o.



Mas sabia que isso não iria acontecer devido aos pactos que o Cartel tinha com policiais corruptos. Na verdade, a polícia sempre soube da existência do Cullen, mas era mais confortável, para ambas as partes que tudo ficasse exatamente como estava: O contrabando de drogas acontecendo e a polícia fingindo que não sabia – e sendo bem remunerada para isso.



Passaram-se algumas horas e logo o local estava limpo, com algumas gotas de suor no rosto, finalmente havia terminado de limpar a imundice do pátio. Olhei para o lado e o grande jardim se encontrava ali, sentei em um dos bancos para descansar sentindo minhas pernas latejarem.



Olhei para o céu e só havia escuridão, estava sem nenhuma estrela, apenas uma enorme lua. Uma fraca luz brilhava de um antigo poste perto do banco em que estava, enfiei o rosto entre minhas mãos e relaxei, a noite mal dormida fizera com que o cansaço me alcançasse.



Fechei olhos por alguns instantes, mas ouvi uma risada que me fez abri-los novamente. Fitei os arbustos e não havia ninguém. Fechei-os mais uma vez, pensando que provavelmente estava ficando louca devido a tanto estresse, quando ouvi novamente.



Abri os olhos e dei de cara uma garota que estava a alguns centímetros de mim carregando uma expressão séria. Vê-la tão perto me assustou. A garota possuía grandes olhos azuis e longas madeixas negras, com uns óculos pendendo em seu pequeno nariz.



"Então você é a nova garota" Me mediu de cima a baixo. "Pensei que fosse bonita"



"É permitido crianças aqui?" Revirei os olhos e levantei-me, era só o que faltava para o meu dia ficar perfeito, uma criança irritante.



"Ei, você não pode me dar as costas" Me puxou com uma de suas mãos. "Se você quer ter um futuro nesse lugar, é melhor começar a me bajular" Me encarou com o nariz empinado. "Começando que já é um milagre você estar aqui dentro já que claramente não possui perfil para ser uma criminosa" Disse apontando para as minhas roupas que estavam ensopadas.



"Você não devia estar dormindo?" Olhei o relógio. "É hora de criança estar na cama"



"Me poupe do seu papo furado" Revirou os olhos para mim e fez uma careta. "Não sou criança, aliás, sou mais criminosa que você"



"Ah, você deve ter roubado muitos doces" Dei uma risada, a situação era no mínimo cômica. "Certamente vai para o inferno"



A pequena garota levantou-se com cara de poucos amigos.



"Pensei que podia ter uma conversa amigável com você, mas claramente não é possível" Disse com ar de superioridade. "Já perdi tempo demais"



"E posso saber quem é você?" Me abaixei para ficar em sua altura. "Sua mãe deve estar te procurando"



Revirou os olhos mais uma vez.



"Sou Elizabeth Cullen" Me olhou superior. "Filha de Edward Cullen" Disse com um orgulho palpável. "Fiquei sabendo que desafiou meu pai" Riu abertamente. "Provavelmente deve ser louca"



Paralisei completamente.



Edward Cullen tinha uma filha?

Notas finais
Uhul, terceiro capítulo para vocês! Esse capítulo ia ser bem maior, mas tive pouco tempo para escrevê-lo e acabei de terminar-lo ás pressas! Daqui a pouco estarei viajando, e já como não sei se terá internet na casa onde vou ficar, decidi postar logo. O próximo com certeza será maior, desejem muita inspiração para que eu possa escrever os próximos! O que vocês tão achando do Cullen malvado? Posso comentar com você que amo o Jasper? Hahaha Obrigada pelos comentários, continuem dando a a opinião de vocês, é super importante! Um beijo, Bia.