Em Perigo

22 Capítulo 22 - Perigosamente perto


Notas iniciais
Música linda, da banda linda que essa autora ama! Aproveitem e LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Minhas mãos tremiam e apesar do casaco, um frio intenso dominava todo meu corpo. Esmagava-me perante a multidão de corpos que se embalavam por um ritmo qualquer na sala da enorme mansão. Desde quando a festa de Alice ficara tão lotada? Sacudi a cabeça, querendo mandar todo mundo que impedia minha chegada até o portão se foder. Será que não podiam cooperar?



Empurrei todo sólido que tocava minha mão, fazendo questão de impulsionar os braços com força e finalmente saí do emaranhado de pessoas, sentindo uma brisa suave me alcançar em meio ao sufoco. Senti o olhar preocupado de Jasper em mim, do outro lado da sala, mas não havia tempo para justificativas, eu precisava correr. Atravessei o portão e montei a moto com a enorme sensação de que deveria ficar em casa. Enfiei a chave na ignição e parei por alguns minutos absorvendo tudo que havia acontecido. Mal podia acreditar que ele não havia matado Ben, eu me sentia tão... enganada. A vontade que tinha era de meter a mão naquele rosto de merda, então quer dizer que todo meu esforço para ignorá-lo havia sido em vão? Argh! E quem era aquela garota com ele?




Levei as mãos a cabeça pensando seriamente em ficar ali. O desgraçado estava com outra. Ok, está certo que não era meu namorado nem nada, mas, quem era aquela? As palavras dela me atingiam como um soco. "Então foi dessa puta que você estava falando, amor? Ela é realmente uma vadia, você estava com razão." Realmente havia dito que eu era uma vadia? A ideia me fez murchar, apesar de saber que realmente havia agido como uma. Mas não era minha culpa, eu pensava que ele havia matado Ben! No fim das contas, a culpa sempre era de Edward. Olhei para cima com nostalgia. Custava ele ser uma pessoa normal? Custava ter me apaixonado por uma pessoa normal?




Não, eu não podia me apaixonar por um cara normal. Precisava me apaixonar justamente pelo cara que infernizava minha vida desde a primeira vez que toquei meus pés no cartel. O cara que tinha sérios problemas de relacionamentos e odiava tudo à sua volta. O cara que fazia questão de ser um babaca com todo mundo e ainda por cima, ficava saindo com loiras baratas. Sim, a vida era uma grande bosta. Eu era uma grande bosta. Bati minha cabeça uma sequência de vezes na moto, fazendo a buzina ressoar. Afinal, o que eu estava fazendo? Ir até Edward era só a primeira parte, eu simplesmente não sabia o que faria quando o encontrasse.



"Oh moça, dá pra sair de uma vez, está prendendo o meu carro" Um cara alto apareceu ao meu lado bastante irritado e só pude me lamentar, afinal, nem pensar eu podia. Resolvi de uma vez. Eu nunca fora covarde, não era minha característica. Iria atrás desse mafioso e foda-se o que acontecesse depois. A merda já estava feita mesmo.



Arranquei com a moto tentando me concentrar nos sinais. Mas foi exatamente ai que tive o pensamento principal da noite: eu não sabia onde ele estava. Parabéns Alice, me manda ir atrás do irmão babaca, mas não me diz pra onde ele foi, ótimo. Enquanto esperava o sinal vermelho mudar de cor vasculhei minha mente em uma tentativa quase desesperada de achar algum provável lugar onde ele iria. Talvez o cartel, mas era óbvio demais, ele não voltaria ao cartel agora. Pensei mais um pouco e lembrei de uma das conversas com Cida, onde ela afirmara que Edward adorava praias desde de pequeno e normalmente ia até o mar quando se sentia triste. Ok, isso era há anos atrás, quando ele ainda era um pequeno e inocente garoto. E do jeito frio que ele me tratava eu duvidava muito que minhas palavras gerassem qualquer tipo de tristeza nele, mas não podia perder tempo. Arriscaria assim mesmo!



Olhei o relógio constatando que ainda eram dez horas, a praia mais próxima ficava a quase trinta minutos de onde eu estava. Pisei no acelerador, torcendo com toda minha força que Edward fosse previsível a ponto de seguir as palavras de Cida. O nervosismo me atingia por completo e por um momento eu desejei que tudo fosse normal. Que não houvesse cartel, ou drogas, ou mafioso estúpido de olhos azuis. Eu provavelmente estaria exercendo minha função de advogada ou estudando para algum concurso público que me traria uma ótima carreira profissional e teria um namorado incrivelmente atencioso ao meu lado. Mas não, havia um cláusula invisível que impedia minha vida de ser normal. Não, nunca existirá vida normal para Isabella Swan, tem que ser bem louco e difícil pra ela não ter paz em nenhum segundo.



Revirei os olhos e notei que a rua estava deserta. Claro, era natal. Todos estavam com suas famílias e eu estava procurando o mafioso mais perigoso de Londres em uma moto emprestada. Talvez eu devesse escrever um livro sobre minha vida, mas acho que ninguém realmente acreditaria na minha biografia. Aliás, Reneé ficaria louca se soubesse metade das coisas que eu vivia. Todos os pensamentos embaralhavam-se em minha mente numa tentativa frustrada de ofuscar a insegurança e nervosismo que passavam por mim. Não sabia o que diria para ele, na verdade, nem sabia o que estava sentindo. Disse para Alice que estava apaixonada, mas seria isso mesmo? Estava apaixonada pelo cara que mais odeio? Era possível odiar e gostar da mesma pessoa? Porque certamente eu conseguia, e como.



A moto praticamente guiava-se, pois minha atenção estava completamente voltada para os últimos acontecimentos. Passei por vários sinais em alta velocidade e ao parar em um deles, finalmente constatei que a natureza agia contra mim. Uma fina garoa começou a cair do céu selando minha noite. Logo os pingos finos tornaram-se grossos, encharcando-me. Ótimo, obrigada natureza, era tudo que eu queria. Ignorei a chuva que incomodava meus olhos e voei pelas ruas, notando as decorações de natal que enfeitavam cada lugar que passava. Revirei os olhos, lembrando que só comigo que essas coisas aconteciam.



Finalmente avistei a praia de longe e acelerei um pouco mais para alcança-la. Desliguei a moto e botei os pés no chão. A rua extremamente deserta era pacífica, e os diversos postes iluminavam a calçada, fazendo com que apenas a praia fosse vista. O barulho das ondas acelerou ainda mais meu coração e apesar da chuva torrencial ainda podia avistar um carro preto na há alguns metros de mim, sorri em comemoração, aquele era o carro de Edward. Corri até a praia procurando-o. Ok, se ele ainda estivesse com a loira-aguada eu daria meia volta e fingiria que nada tinha acontecido. O nervosismo tomava cada vez mais conta de mim e meus olhos passaram a vasculhar minuciosamente, procurando por um maldito mafioso. Avistei um ponto preto distante vários metros. Era ele.



Senti uma lufada de ar sair de minha garganta com força e obriguei minhas pernas trêmulas a andarem, era a hora de fazer aquele mafioso de merda ouvir tudo que merecia. Notei que a garota não estava com ele, ponto pra mim. De repente, enquanto meus passos duros e firmes aproximavam-se cada vez mais, me senti completamente enfurecida. Ele havia me enganado esse tempo todo, obrigando-me a odiá-lo. Havia dito coisas horríveis pra mim e havia me feito dizer coisas horríveis. Desde o primeiro dia em que o conheci, ele só fazia merda. Sim, eu estava com muita raiva, será que ele não podia fazer uma coisa certa na merda da vida dele?



Finalmente o alcancei e não me importei em dizer nada, apenas levantei a perna e disparei um chute contra sua costa. Ele virou-se assustado e pareceu ainda mais pálido ao me ver, provavelmente surpreso demais. Os olhos azuis me encararam por alguns segundos como se esperassem que eu dissessem algo. O que ele estava sentado na areia, com os pés encolhidos e no meio da chuva torrencial. Qual era o problema dele afinal?



"Levanta" Ordenei e ele franziu o cenho para minha autoridade forçada.



"O que?" Ele realmente parecia confuso.



"Levanta!" Gritei e os olhos azuis arregalaram-se minimamente.



"O que está fazendo, Swan?" Não soube decifrar o que se passava em sua mente e isso me trouxe certo desespero. Quando se tratava do mafioso eu não sabia o que aconteceria, não sabia como tudo terminaria no final. No momento a única coisa que eu queria era me livrar de todo aquele peso dentro de mim.



"Levanta, porra!" Gritei, aproximando-se e disparando vários tapas estalados em seus braços, enquanto ele tentava se defender de meus ataques desordenados e me encarava assustado. "Vamos, levanta dessa areia, levanta!" Um nó apertado estava em minha garganta e faltava pouco para que as lágrimas derramassem por meu rosto, mas não lhe daria esse gosto. As coisas eram difíceis demais quando se tratava do mafioso, eu estava tão cansada!



Em um movimento rápido ele inverteu as posições me fazendo ficar por baixo, com seu corpo por cima, prensando-me na areia. O rosto estava retorcido em uma careta, em uma tentativa frustrada de evitar a chuva. As pontos de seus cabelos tocavam meu rosto e os olhos azuis me encaravam com uma intensidade nunca antes vista por mim. Notei que ele tentava me codificar, tentava entender que porra estava acontecendo. Encarei seus olhos com facilidade, pois seu rosto não deixava que a chuva chegasse até mim.



"O que está fazendo aqui, Swan?" Sua voz era apenas um sussurro, tão rouco que fazia com que todo meu corpo arrepiasse com apenas uma frase.



"Você é um mentiroso" A agressividade estava presente em cada uma de minhas palavras, naquele momento eu odiava Edward Cullen. Foda-se o provável sentimento adolescente que eu sentia, aquilo era um acerto de contas.



"O que?" Franziu o rosto novamente.



"Você é a porra de um mentiroso!" Gritei em seu rosto sentindo minhas veias forçadas pelo esforço. "Não foi você que matou o Ben." Disse em um sussurro e seus olhos arregalaram minimamente, algo que passaria despercebido se não fosse pela minha proximidade exacerbada. No momento seguinte seu rosto era uma máscara impassível e eu soube que ele negaria. Me soltou e finalmente levantou-se, olhando-me de cima.



"Não sei do que está falando" Cara-de-pau!



"Jura que vai ficar negando?" Encarei seu rosto com soberba. "Porque posso ficar aqui a noite inteira Edward, então deixe de ser um mentiroso e diga a verdade uma vez na vida"



"Se você quer acreditar no mundo de imaginação que sua mente inventou, tudo bem, mas eu matei o garoto, Swan e você não pode mudar isso" Até em um quilômetro de distância eu veria o nervosismo nítido do mafioso que denunciava sua última tentativa de apegar-se àquela mentira mal contada. Passou as mãos nervosamente pelo cabelo me fazendo perceber que até ele mesmo gostaria de acreditar que matara Ben, para seu bem próprio, mas não era a verdade.



"Alice me contou" Disse baixo e fitei-o com precisão, notando um filamento de reconhecimento passear por seu rosto que em poucos segundos tornou-se em puro ódio.



*Coloque essa música para tocar: McFly — Too Closer for Comfort*




"Isso não é da sua conta, por que fica se metendo onde não é chamada?" Exclamou e passou a andar com passos largos, praticamente correndo de mim, mas eu não tinha dirigido por meia hora para perdê-lo tão facilmente. Meus pés rapidamente o alcançaram e minha mão direita puxou fortemente seu braço, fazendo com que eu me pusesse em sua frente.



"Porque faz isso? Por que continua fingindo que não se importa?" Me encarou com olhos pulsantes de raiva. "Por que faz essa merda toda ser ainda mais difícil?"



"O que você quer dizer aqui?" Ele estava transtornado, como se não quisesse que eu estivesse ali, como se eu estivesse próxima demais.



I never meant the things I said, To make you cry can I say I'm sorry?
(Nunca quis dizer as coisas que eu disse para fazer você chorar, posso dizer que sinto muito?)



It's hard to forget and yes I regret all these mistakes

(É difícil esquecer e sim, eu me arrependo de todos esses erros)



"Quero saber por que você me enganou!" Gritei e ele continuou me encarando em um silêncio quase doentio. "Vamos, você não é o sabe tudo?" Voei em sua direção espalmando socos em seu abdômen e sentindo as lágrimas finalmente derramando entre meus olhos. "Vamos, pode dizer por que me fez de idiota esse tempo topo, diga!" Ele segurou meus braços com força, obrigando-me a encará-lo.



"Por que eu quis" Decretou com os olhos secos vidrados em mim. "Simplesmente por isso"




I don't know why you're leaving me, but I know you must have your reasons
(Eu não sei por que você está me deixando, mas eu sei que você deve ter suas razões)
There's tears in your eyes, I watch as you cry. But it's getting late.
(Há lágrimas em seus olhos, eu assisto enquanto você chora. Mas está ficando tarde.)




Voltei a golpeá-lo, sentindo a fúria e a decepção fluir por cada pedaço de mim. Eu o odiava, odiava tudo que me fazia sentir, o odiava por tudo que tinha feito, odiava pelo que faria, eu odiava aquele homem! Ele segurou meus braços com ainda mais força, fazendo-me ficar colada em seu corpo. Nossos corpos já estavam completamente encharcados e minha respiração pesada confundia-se com a dele. Ali, éramos um só, estranhos e desalinhados demais.



"Você não entende, Bella?" Me obrigou a encará-lo. Sua voz era carregada de fraqueza, como se não pudesse mais lutar, como se fosse suas últimas tentativas. Os olhos azuis me encaravam com tristeza e seu rosto estava contorcido mostrando toda sua frustração. "Não o matei, mas poderia ter matado. Esse sou eu, Bella, sou um criminoso. Não consigo lidar com suas expectativas, sou um fodido, não vou mudar, então pare com essa merda e me deixe em paz" Sua voz era quase agressiva e ele me soltou com força, me fazendo cambalear. Andou com passos rápidos em direção ao mar, mas eu ainda não estava pronta para desistir. Havia aprendido com a porra de um mafioso de olhos azuis que não se podia desistir quando quisesse algo.




Was I invading in on your secrets? Was I too close for comfort?
(Eu estava invadindo seus segredos? Eu estava perigosamente perto?)
You're pushing me out, When I wanted in
(Você está me afastando, quando eu quero entrar)
What was I just about to discover? When I got too close for comfort.
(O que eu estava a ponto de descobrir, quando cheguei perigosamente perto?)
And driving you home? Guess I'll never know.
(Levando você para casa de carro? Acho que nunca saberei)




"Então é isso?" Puxei seu braço, obrigando-o a me encarar. A fúria só aumentava, o maldito bastardo queria me obrigar a ficar longe. No fundo, eu o conhecia como ninguém. Todos o haviam abandonado e para negar qualquer tipo de dor, ele obrigava a todos que tentavam se aproximar a correrem para longe. Agora eu entendia, era por isso que dava todas aquelas ordens, por isso que fazia questão de ser bruto, de tratar cada subordinado do cartel da pior forma possível. Não era por ser mal, era por medo. Tudo que ele sabia era solidão, por isso que qualquer tipo de relacionamento o assustava tanto. "Quer me obrigar a abandoná-lo?"



"Por favor, pare de fingir que significa algo para mim, eu não me importo com você Swan, entenda isso de uma vez por todas" Sua voz era firme, mas seus olhos eram traiçoeiros e traíam suas palavras falsas, ele não me enganaria mais.



"Jura?" Gritei irônica. "Então me diz porque me salvou quando eu estava na floresta" Continuou me encarando com olhos vazios. "Me diz por que procurou minha pulseira por horas, me diz por que foi até minha festa de aniversário mesmo sem ter sido convidado" Ele tentou desviar o olhar, mas eu segurei seu queixo com força. "Me diz porque não me matou, mesmo eu sendo a iniciante mais rebelde do Cartel, me diz Cullen, por que as suas ações dizem uma coisa e suas palavras dizem outra, então me diga em quem devo acreditar" Soltei de uma vez, sentindo a tensão se instalar no ambiente. O olhar que ele me lançava era intenso e sentia que havia uma corrente elétrica entre nós. Tudo com Edward era intenso, ele era a tensão em pessoa.




Remember when we scratched our names. Into the sand and told me you loved me?
(Lembra quando nós escrevemos nossos nomes. Na areia e você disse que me amava?)
And now that I find that you changed you mind. I'm lost for words.
(E agora que descubro que você mudou de ideia. Estou perdido nas palavras)




"Deve acreditar quando eu digo que não me importo Swan, porra, quantas vezes vou ter que dizer que não sou um príncipe encantado?" Gritou passando as mãos nervosamente pelos cabelos, seu rosto era um misto de confusão e dúvida. Eu podia ver o medo que exalava de mim refletindo em seus olhos, pois ele tinha o mesmo medo. O que seríamos, se aguentaríamos um ao outro. Quanto duraríamos até um dos dois desistir? Eram infinitas perguntas e nenhuma resposta. Olhando para Edward eu não via mais um mafioso — apesar do lado grosseiro e rude certamente estar ali — eu via apenas um garoto. Eu não sabia o que havia acontecido com Edward no passado, mas o medo irradiava de todos os poros de seu corpo. Ele simplesmente não conseguia confiar. Era poderoso e auto-suficiente demais para admitir que estava tão fodido quanto eu, mas nada disso importava. Eu havia ido ali para buscar algo que era meu e não sairia enquanto não conseguisse.



"Que papo furado, ninguém aqui está pedindo para você ser o príncipe encantado Edward, não seja estúpido" As lágrimas continuavam correndo soltas por meu rosto e Edward não era o único desarmado ali. Naquela praia eu havia me livrado de tudo. O meu orgulho e minha razão já tinham ido para o espaço há muito tempo. Estava desarmada como nunca havia acontecido. Em minha mente uma voz desesperada gritava para que eu saísse dali o mais rápido possível, gritava que eu estava fazendo a maior estupidez da minha vida, gritava que tudo que o mafioso tocava virava merda e a próxima coisa que ele tocaria era eu. Mas não havia volta. Eu sabia desde o começo, desde o primeiro dia que havia visto aqueles malditos olhos azuis me encarando com soberba, sabia que não poderia escapar. Era por isso que o odiava tanto: ele me prendera desde o primeiro segundo. Constatar que ele era um completo idiota só acentuara meu ódio por mim mesma, afinal, pela primeira vez na vida eu havia me apaixonado por um completo imbecil.



Mas eu não me importava com aquilo. Encarei os olhos que pareciam tão profundos que poderia afogar qualquer um que ousasse se aproximar. Ele precisava de mim. Edward estava tão envolto em seu mundo escuro onde só tinha vingança e dor, que não podia entender qualquer sentimento bom que tentasse entrar. Tinha segredos demais para permitir que alguém chegasse perto. Pela primeira vez percebi que não era a primeira a receber a recusa dele, pois ele era a própria recusa. Ele não sabia fazer outra coisa que não fosse afastar as pessoas.




And everything I feel for you, I wrote down on one piece of paper.
(E tudo o que eu sinto por você, eu escrevi em um pedaço de papel)
The one in your hand, you won't understand how much it hurts to let you go
(Esse na sua mão, você não entenderá o quanto dói eu te deixar)




Lembrei das frases que escutei ao entrar no cartel: "Cuidado com o mestre, ele é perigoso" , "Tudo que eu sei sobre esse cara é que ele é louco" , "Se você não obedecê-lo, vai morrer". Essa era a visão que tinham dele. Todos que se aproximavam sentiam-se oprimidos demais com sua personalidade forte e corriam. Ninguém se importara o suficiente para permanecer. Ninguém realmente havia acreditado que ele tinha algo de bom. E apesar de ser provavelmente o maior erro da minha vida, eu correria o risco. Eu não abandonaria Edward Cullen, não seria mais uma filha da puta que corria de medo, ele teria de aguentar.



"Então o que você quer, Swan?" Me encarou com desespero, sacudindo-me. "Hein, o que você quer de mim,?" Me soltou ao ver que permanecia calada.



"Não tenho nada a oferecer Bella, só tenho merda na minha vida, sempre foi assim, pare de tentar encontrar algo de bom porque não vai encontrar nada" Era como se ele confessasse um crime, como se essa fosse sua sentença. Por um momento o desespero me alcançou. Porque deixaram que ele ficasse assim? Porque ninguém antes de mim insistiu? Eram um bando de filhos da puta que fizeram Edward acreditar que não tinha nada de bom. Eu podia ver que ele tinha.



A vontade de salvá-lo era muito maior que a voz quase gritante que dizia para que eu me salvasse.




Was I invading in on your secrets? Was I too close for comfort?
(Eu estava invadindo seus segredos? Eu estava perigosamente perto?)
You're pushing me out, When I wanted in
(Você está me afastando, quando eu quero entrar)
What was I just about to discover? When I got too close for comfort.
(O que eu estava a ponto de descobrir, quando cheguei perigosamente perto?)
And driving you home? Guess I'll never know.
(Levando você para casa de carro? Acho que nunca saberei)




"Eu não me importo" Disse com firmeza e ele franziu a testa.



"O que?"



"Não me importo" Continuou me encarando como se não soubesse o que minhas palavras diziam. "Porra, eu não me importo. Não me importo se é um fodido, não me importo se tudo o que toca vira merda, simplesmente não me importo" As palavras eram ditas rapidamente e conforme as dizia notava a sinceridade e facilidade com a qual minha boca as expelia. "Eu não me importo, só..." Segurei seu rosto em minhas mãos. "... só não me expulse da sua vida. Quero você Edward, não importa se você é um criminoso ou quantas pessoas você matou, quero você mesmo assim" Os olhos azuis estavam completamente arregalados como se o que eu dissesse fosse pura loucura. E era, eu sabia que era. Sabia que estava entrando numa bagunça tão grande que me estragaria completamente depois, mas naquele momento eu não conseguia pensar em algo mais cruel do que deixar Edward.




All this time you've been telling me lies, hidden in bags that are under your eyes.
(Todo esse tempo você esteve me dizendo mentiras escondidas em bolsas que estão debaixo dos seus olhos)
And when I asked you I knew I was right
(E quando eu te perguntei, eu sabia que estava certo)
But if you turn it back on me now, when I need you most but you chose
(Mas se você descontar em mim agora, quando eu mais preciso de você)
Let me down, down, down
(Mas você só me desaponta, desaponta...)




"Você não deveria dizer isso" Agora eram as suas mãos que me puxavam para perto, com os olhos profundos me encarando com ansiedade.



"Sim, eu não deveria" Respondi nunca deixando de encará-lo.



"Você é louca" Pude ver a sombra de um sorriso surgir em seu rosto simétrico fazendo com que todo medo ou nervosismo se dissipasse.



"Sim, eu sou"



"Você é a porra de uma louca" Ouvi uma gargalhada sair de sua boca e segundos depois senti minha boca sendo esmagada pela boca do mafioso e meu corpo ser prensado contra o dele. Um gemido de satisfação saiu de sua boca como se tivesse sentindo falta de mim, como se precisasse da minha boca esmagada contra a dele. Suas mãos puxaram minhas pernas para cima e eu circundei sua cintura para obter equilíbrio. Minhas mãos voavam por todos os lugares, apertando cada músculo que fosse possível e em resposta obtive alguns gemido e alguns beliscões em minhas pernas. A chuva não impedia que o fogo passasse por nós, pelo contrário, por um momento, tudo o que tínhamos ali era fogo. Tudo queimava e senti minhas pernas se contraírem de desejo e sentia que ele também me desejava. Edward me apertou, fazendo sua ereção roçar no lugar em que mais precisava e soltei um gemido alto com a certeza quase dolorosa de que precisava dele.



Só então percebi a ironia do destino. Estávamos na mesma praia em que havíamos transado pela primeira vez e também estava chovendo! Franzi a testa sentindo todas as sensações tomarem conta de mim ao mesmo tempo. Eu estava perdida. A partir do momento que havia subido naquela moto eu estava perdida. Algo bem explícito dizia em minha mente que Edward ferraria com tudo, que ele era o tipo de pessoa que machucava os que estavam ao redor. Não havia salvação para ele, e agora, nem para mim tinha. Havia me lançado nas mãos do inimigo por conta própria, havia selado a porra do destino. Não importava se eu seria ou não mais uma na estatística de mulheres que se rendiam. Aliás, quem se importava com a porra das estatísticas? Ali, sentindo Edward passear com a boca em meu pescoço, perigosamente perto de meus seios, senti que estava exatamente onde deveria: nas mãos do única que me fazia querer ficar.




Won't you think about what you're about to do to me and back down?
(Você não vai pensar sobre o que está prestes a fazer pra me deixar pra baixo?)




Arrancou meu vestido sem se importar com o que eu vestiria para voltar para casa, aliás, eu também não me importava. Afastou o rosto para trás e derramou seus olhos em meu corpo, me fazendo corar. Era um olhar diferente, quando voltou a me encarar, os olhos de Edward estavam carregados de pura adoração, como se o que visse fosse surpreendentemente novo, como se desconhecesse quem estava em seus braços. Descobri que Edward tinha também o poder de me deixar incrivelmente corada. Estava de calcinha e sutiã, mas ambos estavam molhados demais, o que deixava meu corpo completamente visível.



"Você é gostosa demais para seu próprio bem" Sussurrou e passeou com uma das mãos por minha barriga fazendo com que todo meu corpo contraísse com o toque firme. A outra mão segurava firme em meu quadril para me dar apoio. Sua mão passou da barriga atrevidamente para a borda de minha peça íntima e ele não pediu permissão para enfiá-la bruscamente, e passear os dedos exatamente onde meu corpo implorava. Senti todos meus músculos ficarem tensos e os olhos do mafioso ficaram ainda mais escuros. O mar e a enorme praia eram testemunhas de meu presente dominado, eram os únicos que presenciavam a incrível junção das peças mais quebradas da face da terra. E embora tudo gritasse que tudo estava errado, eu decidira contrariar.



Ele me invadiu com dois de seus dedos me fazendo contorcer em suas mãos, o prazer atingia cada célula do meu corpo e eu tentava entender como conseguia ter ficado tanto tempo sem aquela sensação. Parecia que eu havia vivido a vida inteira apenas para chegar até aquele momento, apenas para ser dele. Ele gemeu em meu ouvido e notei que não era a única que me divertia ali. Edward possuía os olhos devoradores, como se estivesse olhando para a única pessoa que realmente desejasse. Enquanto me estimulava seus olhos estavam carregados de desejo e estranhamente pareciam emocionados. Não entendia porque, mas pela primeira vez desde quando o conheci, ele parecia realmente estar ali. Não apenas levado pelo desejo ou pela vontade de me ter e dominar, ele estava ali porque queria, porque estava surpreso demais para fugir.



Percebi que estava quase chegando no clímax, mas antes de fazê-lo, Edward tirou a mão de mim fazendo com que um patético gemido de protesto saísse da minha boca e uma gargalhada rouca surgiu.



"Sinto muito, mas preciso entrar em você agora" A urgência com a qual sua voz saiu e a rouquidão só me estimularam ainda mais. Abaixou-se e logo eu estava na areia, assistindo enquanto despia a jaqueta e a blusa. Fui até sua calça jeans com urgência e puxei para baixo recebendo um sorriso de agradecimento. Me empurrou mais uma vez para o chão e observou meu corpo, voltando a me estimular com as mãos, enquanto eu fechava meus olhos aproveitando a sensação.



"Por favor" Clamei e ele sabia exatamente o que estava sendo pedido.



"Tem certeza que quer isso Bella?" Perguntou e abri os olhos sentindo a tensão em seu tom de voz. "Sou um filho da puta de um egoísta e se você disser que me quer, então não vou mais deixa-la ir embora, se disser sim, não vou permitir que vá embora mesmo que isso te machuque no futuro, é você quem decide"



Por um momento tudo que vi em seus olhos foi medo. Ele realmente estava me dando o poder de decisão, o que lhe dava uma enorme possibilidade de que minha resposta fosse negativa. Era esse o motivo da tensão em seus olhos?



"Já disse que vou ficar com você Edward, porra, não me faça repetir" Xinguei com vergonha de ter de dizer em voz alta o que queria pela segunda vez na noite.



Seus olhos relaxaram e senti que um sorriso formou-se em seu rosto. Não tive tempo de analisar o que acontecia por que logo em seguida ele me penetrou com força, tão fundo que sentir o ar escapar de meus pulmões. Um gemido alto saiu de minha boca e senti Edward rosnar em cima de mim, sua boca veio em direção à minha tampando os gritos que insistiam em querer sair enquanto ele se movimentava firmemente. Nossos gemidos misturavam-se e a chuva fazia com que pequenos choques elétricos passeassem em emu corpo. Era só ele que conseguia fazer com que eu me sentisse assim, só ele que me fazia esquecer a porra do resto do mundo. Levei minhas mãos até ele, arranhando-o onde podia, enquanto ele gemia em resposta. Queria puni-lo por ser tão miseravelmente desejável, puni-lo por me fazer perder o controle.



Cheguei ao clímax e ele logo me acompanhou lançando seu corpo sobre o meu com um último gemido. A chuva parava aos poucos e eu me sentia envergonhada e completamente cansada. Era como se em alguns segundos toda a tensão dos minutos anteriores se acumulassem em mim em forma de sono. Meus olhos ficaram pesados e não notei como, mas ele inverteu as posições, fazendo com que eu ficasse parcialmente por cima dele. Forcei meus olhos a ficarem abertos e percebi que ele me analisava.




Was I invading in on your secrets? Was I too close for comfort?
(Eu estava invadindo seus segredos? Eu estava perigosamente perto?)
You're pushing me out, When I wanted in
(Você está me afastando, quando eu quero entrar)
What was I just about to discover? When I got too close for comfort.
(O que eu estava a ponto de descobrir, quando cheguei perigosamente perto?)
And driving you home? Guess I'll never know.
(Levando você para casa de carro? Acho que nunca saberei)



"Você não parar de me surpreender" Ele encarava o céu, parecendo pensativo. "Que porra de garota"



"Você devia parar de xingar tanto" Sussurrei com hipocrisia, afinal, sabia que minha boca não era o que se chamava de limpa. De repente os relances da festa me atingiram e nó formou-se em minha garganta ao lembrar da garota que estava acompanhando-o. "Então, onde está sua garota?" Ele voltou os olhos para mim com surpresa e eu fechei os meus, deixando que minha mente se entregasse à escuridão. Tentei forçar a porra do ciúme a ir embora, mas ele continuava ali.



"Que garota?" Não abri os olhos e nem precisei falar, pois ele pareceu lembrar no minuto seguinte. "Ah, a Kelly?" Lá queria saber o nome da vagabunda. "Ela não é minha garota, ela é a irmã de Tiziano, eu só estava fazendo um favor" Disse parecendo envergonhado e abri os olhos sentindo a curiosidade tomando conta de mim, era estranho vê-la tão calmo. Ele notou que eu esperava por mais detalhes e suspirou derrotado. "A conheci há muito tempo, em uma de minhas viagens à Paris com Tiziano, ela mora lá" Revirou os olhos. "Ela é uma pirralha mimada e adora provocar confusão por onde passa. Veio passar as férias aqui e por algum motivo não encontrou com Tiziano, então me ligou"



Voltou o olhar para mim novamente. "Era por isso que eu fui até Alice, estava procurando-o, achei que pudesse estar lá" Engoli o ciúme e baixei o olhar para praia.



"Então o que ela disse..."



"Era mentira Bella" Revirou os olhos como se fosse óbvio. "Você tem o péssimo hábito de acreditar em tudo que dizem e isso é um defeito patético, pare com isso" Agora quem revirou os olhos fui eu, até parece que ele mandava em meus defeitos. "Aliás, não precisa ficar com ciúmes, ela é como Alice pra mim, aliás, ela é como Lizzie para mim considerando sua idade mental" Tentei sair de seus braços, mas ele me segurou e o sono era tanto que continuei ali.



"Não estou com ciúmes" Disse sem olhar para ele, fazendo-o gargalhar.



"Claro que não está" Ironizou. Juro que se não estivesse tão cansada tiraria aquele sorriso idiota do mafioso, mas resolvi ficar na minha. De repente sua voz parecia séria de novo, como se estivesse discutindo sobre um problema mundial ou algo parecido. Ia responder algo, mas altos barulhos me interromperam. Uma explosão de fogos surgiu no céu e a chuva agora era somente uma garoa. O mafioso olhou para o relógio dando um pequeno sorriso.



"Meia noite" A voz era suave e o clima parecia finalmente amênuo entre nós.



"É natal" Murmurei já com os olhos fechados e senti a boca dele tocar minha testa. "Feliz natal, mestre"



"Um feliz natal pra você também, Isabella" Soltou uma gargalhada demonstrando pela primeira vez um bom humor quase palpável. Lutei contra meus olhos, notando que ele se levantou e juntava suas roupas. "Pode dormir, te acordo depois" Foi o que bastou e meus olhos se fecharam com a certeza de que agora eu estava irrevogavelmente nas mãos do mafioso dos olhos azuis.



*



Terminei de vesti-la, notando que estava sendo cuidadoso demais. Porra, tinha que parar de frescura, eu era a porra de um mafioso! Mas a maldição de garota ficava ainda mais linda dormindo, o que me fazia pensar que eu era um fresco por pensar essas merdas. Levei seu corpo aos meus braços caminhando em direção ao carro e entrando na parte de trás, enquanto o motorista acelerava de volta ao cartel. Olhei para baixo vendo que ela realmente estava ali. Ela havia ficado, mesmo sabendo que eu era a porra de um fodido. Talvez ela estivesse cega demais pelo desejo, talvez ela mudasse de ideia depois. A hipótese de que depois ela pudesse realmente mudar de ideia fazer algo embolar dentro de mim. Talvez ela não soubesse, mas eu falava sério quando disse que não a deixaria ir. Mesmo que isso a machucasse, não a deixaria ir. E eu sabia que ao descobrir quem eu era de verdade, quando percebesse que eu realmente não podia ser salvo, desejaria ir embora. Desejaria ir para a porra do lugar mais longe do mundo, tentaria me afasta. Mas agora era tarde demais. Em breve ela veria quem era o verdadeiro Edward Cullen.



Enquanto isso não acontecesse, eu aproveitaria a presença a mulher que tinha o poder de me enfeitiçar: Isabella Swan.

Notas finais
São sete da manhã e eu estou MORTA! Espero que virar um zumbi tenha servido pra alguma coisa. Sério ESTOU INSEGURA PRECISO DA OPINIÃO DE VOCÊS, por favor, não poupem os dedos de vocês ok? Obrigada a todas que RECOMENDARAM EP essa semana, e as que curtem a história e não recomendaram ainda: NA MORAL, TOMEM VERGONHA NA CARA Nem preciso comentar que AMEI colocar música do McFly né? Pf, digam que vocês também são fãs! Escuto McFly desde quanto o Danny era baby e o Tom era gordinho hahahahaah As fãs antigas entendem! Bem, é isso! A gente se vê mais tarde no @EmPerigo todas seguindo! Bia sem vocês é Bia sim caramba! hahahah Bjo