Em Perigo

20 Capítulo 20 - Fugitivos


Notas iniciais
O capítulo não está tão grande, mas prometo que desconto no próximo! Aproveitem e leiam as notas finais!

Meus pés batiam violentamente contra o chão e eu segurava a mão do sujeito atrás de mim ciente de que um babaca de olhos extremamente azuis viria atrás de nós em pouco menos de um minuto, mas nada daquilo me importava. Sabia que armar uma cena contra o Cullen era estupidez, sabia que ele era o "poderoso-chefão" de tudo ali, mas não me importava, o desgraçado se achava a última coca-cola do deserto entretanto, provaria justamente o contrário, nem tudo seguia suas ordens e uma dessas coisas era a minha vida. Tudo parecia mais lento e os objetos giravam ao meu redor enquanto puxava firmemente a mão do cara que eu nem conhecia para algum lugar desconhecido para mim, em segundos tudo que eu conseguia pensar era nos olhos azuis.

É falando no demônio que ele se manifesta, não demorou muito até escutarmos passos rápidos e firmes atrás de nós, tentei andar mais rápido, mas fora inútil, logo a sua mão arrancou minha mão do braço do rapaz, me puxando para perto dele, fazendo com que ficasse de frente.

"Deve estar louca se acha que realmente vai para algum lugar com esse desgraçado" Os olhos azuis estavam possuídos com um misto de ódio e de autoridade. O rosto vermelho e a respiração acelerada demonstravam que a bomba estava a um sopro de explodir, o que só atiçou meu lado provocador, estava ali exatamente para isso, foda-se os detalhes, queria ver as bombas explodindo mesmo.

"Não — toca — em — mim" Disse possuída de cólera puxando meu braço com força, soltando-me. "Não é nada para mim, quando vai perceber que não me importo com sua opinião?" Apesar de firmes, as palavras saiam um pouco atrapalhadas devido o nível alcoólico em meu sangue, ok, admitia, talvez fosse um pouco fraca com bebidas, mas só um pouco e a cara do mafioso valia a pena qualquer estupidez causada. Virei de costa para o inimigo, focalizando minha visão no rosto do homem que parecia observar a cena indeciso, com um misto de incômodo e receio. Coitado, era até bonitinho, mas pelo jeito que as coisas andavam, não era uma boa ideia estar comigo naquela noite, sabia que após aquele incidente, Edward reviraria até o inferno para achar o maldito que tentara algo comigo. No entanto, aquele pensamento não me trazia nenhuma preocupação, pelo contrário, tudo parecia extremamente divertido naquele estacionamento, principalmente meu inimigo sendo feito de otário. Segundos depois percebi que a otária era eu ao virar de costa para o criminoso.

De repente tudo que via era o chão de cabeça para baixo e uma enorme vertigem me atingia confirmando que estava exatamente na costa do mafioso, com suas duas mãos firmes em minhas coxas. Tentei ignorar o fato das mãos quentes do criminoso exatamente naquela parte do meu corpo não era uma boa ideia, era absurdo demais me sentir quente por dentro por ter as mãos fortes e brutas em minhas pernas? Talvez a bebida realmente não estivesse me fazendo bem. Era melhor me pronunciar antes que fosse tarde demais.

"Me põe no chão agora!" Gritei e fui prontamente ignorada enquanto me debatia, o homem tinha o dobro do meu tamanho e músculos — maravilhosamente grandes e perfeitos — bem distribuídos por todo o corpo, o que lhe dava uma enorme vantagem sobre mim. "Olha qui seu mafioso de merda, se pensa que pode me carregar e..."

"Cale a merda da boca!" A mão direita apertou minha coxa com força e imaginei que aquilo fosse algum tipo de punição por falar demais, mas não pude evitar que uma onda de prazer passasse por meu corpo pelo simples toque de meu inimigo. Não sei se foi a autoridade imposta na voz do mafioso, se foi o medo de que as mãos fortes me apertassem novamente ou a mistura das duas coisa, mas me calei. Estava curiosa para ver até onde me levaria e notei que era mais óbvio do que minha mente imaginava: na longa garagem do Cartel havia uma luxuosa ferrari que jamais havia visto por ali. Nem preciso dizer de quem era, não é mesmo?

O Cullen estendeu uma das mãos e após um breve ruído o automóvel foi destravado, mas antes que sua mão pudesse alcançar a porta do carro, senti um solavanco no ombro do meu inimigo e notei espantada que o cara da boate estava logo atrás de nós em uma tentativa frustrada de me defender. Só tinha três palavras que vinham em minha mente naquele momento: Ia dar merda.

Senti o corpo do meu inimigo tremer de cólera em baixo do meu. Abriu a porta do passageiro, me lançando na parte de dentro sem nenhuma delicadeza, trancando as portas logo em seguida. Não demorou nem dois segundos e golpes fortes eram deferidos no rosto do meu acompanhante, fazendo com que um enorme desespero tomasse conta de mim. Certo que não conhecia o indivíduo e tinha plena certeza que só desejava ter sexo casual com a louca do bar — vulgo: eu— mas não me sentia nada satisfeita em ver alguém morrer por um capricho meu. A verdade era essa, tudo aquilo foi montado para que meu ego fosse satisfeito. Sabia que não fazia nenhum sentido que quisesse provar algo ao Cullen, aliás, quem o estava evitando por todo esse tempo era eu e não ele.

Não devia me sentir incomodada por vê-lo agarrando duas mulheres na festa, era Edward Cullen, um mafioso solteiro e ignorado por mim. Tinha todo direito de ficar com quem quisesse. Então por que me sentia mal por vê-lo tão próximo daquelas vagabundas?

A irritação foi tão grande que nem pensei duas vezes e fui em direção ao bar, sabia que se voltaria para mim se me visse com outro. Essa era a grande verdade: precisava urgentemente do mafioso e saber daquilo me assustava. Não era justo que alguém se machucasse por causa da minha infantilidade, simplesmente... não era justo. Decidi que agiria, mesmo tonta e lenta demais para conseguir fugir de um carro trancado provavelmente com travas de criança feitas especialmente para mim. Quebraria o vidro da ferrari se fosse necessário, mas não deixaria que matasse meu acompanhante. Entretanto, logo em seguida percebi que era tarde demais, o Cullen já voltava em direção ao carro com as mãos sujas de sangue e com o rosto tão fechado quanto antes.

Entrou no carro e de repente o automóvel que parecia tranquilo e frio, agora irradiava irritação e tensão. Ainda estava com raiva do mafioso e não importava o quanto gostava de suas mãos fortes ou de sua voz rouca, nada mudaria quem era e o repúdio que meu corpo sentia. Aprenderia a lidar com uma mulher nem que fosse na base da porrada. Não que fosse bater nele, até por que era infinitamente maior que eu... ok, sinto que meus pensamentos estão cada vez mais confusos.

"O que você fez com ele?" Exclamei assistindo o corpo jogado no chão e torcendo para que a raiva de meu inimigo não o fizesse esmagar o que sobrara do pobre homem com os pneus da ferrari. "Está morto?"

"Quem me dera" Disse mais para si mesmo do que para mim, seu tom de voz parecia bem mais baixo do que segundos atrás, mas ainda era carregado de cólera . "Não se morre com uns socos, Swan, pare de falar merda" Não havia percebido nossa velocidade até notar que as árvores passavam por nós como vultos. Já era de madrugada e a rodovia estava sem nenhuma alma vida, o que era ótimo, evitaria a morte de pessoas inocentes por um mafioso estúpido correr demais.

"Para onde pensa que está indo?" Exclamei chateada por ser ignorada, será que não merecia nenhuma noite sem que aquele demônio me atormentasse? "Quero voltar"

Tinha plena consciência de que minha voz era aguda e provavelmente pateticamente infantil, mas continuei falando mesmo assim. Quem sabe não notaria o quanto era patética quando bebia e me deixaria em paz de uma vez por todas. Ok, isso era somente um ilusão, Edward não costumava desistir tão facilmente, não quando o assunto era me atormentar. Aliás, no fundo desejava que isso nunca acontecesse, só de imagina-lo me ignorando causava uma dor latente dentro de mim. Por algum motivo adorava quando aqueles olhos azuis estavam em mim, me imaginar sem isso era devastador.

A resposta não veio e aos poucos a velocidade só aumentava, me assustei ao notar que chegávamos aos 150 Km/h em apenas alguns minutos, o cara só podia estar ficando louco.

"Edward, quer nos matar?" Meus olhos se arregalaram. "Para esse carro!"

Os punhos agarravam o volante com tanto força que não me surpreenderia se partisse ao meio. As veias saltadas e a respiração forte denunciavam o humor nada agradável de meu inimigo e a todo instante só conseguia imaginar o momento em que perderia a direção do carro e nós dois acabaríamos mortos.

"Edward, pelo amor de Deus, pare com isso!" O velocímetro continuou aumentando, denunciando que a lucidez de meu inimigo havia ido para o espaço há muito tempo, mas logo em seguida um verdadeiro susto tomou conta de mim. Um brilho surgiu na estrada há poucos metros de nós, porém, minha vista estava embaçada demais para identificar o que realmente era aquilo, o que não me impediu de gritar ainda mais alto.

"Edward, tem alguma coisa na estrada!" Gritei fazendo-o despertar do transe, pisando com força no freio, mas era tarde demais. Nossos corpos foram impulsionados para frente com a parada brusca e um pequeno gemido foi ouvido do lado de fora. Forcei minha vista e identifiquei um pequeno cachorro bem em frente ao carro. "Ah não, merda, merda, merda!" Pavor foi o que tomou conta de mim. Desde pequena não tive sorte com animais e tinha o trauma de vê-los morrer. Tivemos apenas um cachorro quando era pequena que morreu envenenado pelo vizinho. Nem lembro quantas semanas chorei a morte do bichinho, mas de alguma forma a história sempre se repetia. Sempre que havia alguma morte de um animal quando estava por perto. Meu Deus, talvez fosse culpa minha que estivesse ali, talvez fosse uma maldição que carregava comigo.

Passei a mexer desesperadamente na trava da porta, tentando abri-la. Edward falava algo perto de mim, mas sua voz estava distante demais e meus olhos estavam focados apenas no pequeno cachorro. Sabia que meus pensamentos não faziam o menor sentido e aquilo era uma droga. A porta foi finalmente destravada e saí com um pouco de dificuldade, ajoelhando perto do cachorro. Precisava pedir desculpas, precisava pedir desculpas.

*

Parei o carro o mais rápido possível ao ver o maldito cachorro e notei que Isabella tentava abrir a porta do carro desesperadamente balbuciando frases desconexas como "Matei o cachorro" e "É a maldição". Ok, agora era oficial, a garota era completamente louca. Sim, Edward Cullen, um dos mais temidos mafiosos do mundo estava dando uma de babá para uma bêbada louca, simplesmente por que não queria que outro desgraçado colocasse as mãos nela. Sim, a vida era uma grande merda e as coisas pareciam cada vez piores. Bella era sinônimo de problema, por que ainda não tinha aprendido isso?

Desci do carro e a encontrei agachada ao lado do cachorro que parecia bem demais e até abanava o rabo para ela, que parecia simplesmente desolada.

"Oh, não, não, não" Massageava o pelo do cachorro e a posição em que estava deixava ainda mais visível o decote do vestido que parecia ter sido comprado em um sessão infantil de tão curto. Só de imaginar um homem a desejando meu maxilar travava de puro ódio. "Matei ele, ah não, por favor, respira, respira" Franzi a testa para a cena à minha frente e segurei o riso querendo aproveitar ao máximo o lado bêbado de Isabella. Abraçava o pequeno cachorro tentando fazê-lo respirar e não percebia que não havíamos tocado nele com o carro.

"Swan, ele está vivo" Minha voz era um misto de diversão e curiosidade, era maravilhoso ver a garota que mais infernizava a minha vida desde o dia que chegou no cartel de guarda baixa e me peguei surpreso de estar me divertindo pelo simples fato de vê-la sendo ela mesma.

"Não, matei ele Edward" Lançou um olhar aterrorizado para mim. "Vou pro inferno Edward, Deus vai me punir por todos os animais que matei, tenho certeza" Soltei uma gargalhada e me agachei perto dela.

"Ele tá vivo Swan, está vendo?" O cachorro levantou e passou a pular nas minhas pernas, fazendo com que arregalasse os olhos em pura descrença.

"Oh meu Deus!" Exclamou com um grito de empolgação. "Ressuscitou ele, você conseguiu" Passou a comemorar numa espécie de dança e daria minha vida para ter uma câmera naquele momento, gravar as humilhações de Isabella seria uma ótima tática para usar quando insistisse em empinar aquele maldito nariz. Segundos depois voou em meu pescoço, quase nos fazendo cair. "Você é um herói as vezes, um herói muito bonito" Passou uma das mãos em meu rosto e senti todo meu corpo reagir com o contado dela. As coxas bem torneadas que pareciam ser a própria perdição estavam em meu colo e a cada movimento que fazia, sentia que meu corpo reagir de uma maneira vergonhosa, fiquei feliz dela estar bêbada demais para notar o quanto meu corpo se adequava ao dela. Mas foi algo na estrada que puxou a minha atenção de Swan.

Algo brilhou na estrada e tive a confirmação da hipótese que surgira na viagem dentro da ferrari: Havia alguém nos seguindo. A movimentação quase amadora me fizera perceber um carro enquanto nós andávamos, mas não pensei que fosse algum seguidor devido a óbvia denúncia de movimentos bruscos demais para perseguidores. Notei que estava errado, em segundos, o carro vinha em alta velocidade em nossa direção, o que demonstrou sua clara intenção de morte.

Não tive tempo de fazer muita coisa, levantei com rapidez e lancei Bella em minha costa, que soltou um gritinho de empolgação. Definitivamente proibiria Swan de tomar qualquer bebida caso não estivesse comigo. Minha mente bloqueava a simples hipótese de imaginar o que um filho da puta seria capaz de fazer a tendo tão vulnerável em suas mãos, mas lancei os pensamentos de lado, não era hora de me preocupar com a estupidez da rebelde que estava em meus braços. Entrei no carro com rapidez, lançando-a no banco do carona e antes que pudesse acelerar com o carro, ela soltou um grito.

"O cachorro!" Gritou me fazendo lançar-lhe um olhar abismado.

"Como é?" As palavras saiam emboladas, mas as dizia com veemência.

"Pega o cachorro, o cachorro!"

"Não vou pegar cachorro nenhum!" Enfiei a chave na ignição, mas ela a puxou das minhas mãos fazendo com que toda a minha raiva começasse a pulsar novamente. Olhei pelo retrovisor notando que o carro estava cada vez mais próximo. "Me dá a chaves Isabella, isso não é brincadeira"

"Só saio daqui com o cachorro" Cruzou os braços no peito como uma criança mimada e juro que desejei atirar no meio daquele rosto de anjo maligno, mas não havia tempo. Saí do carro com pressa e enlacei o maldito cachorro com os braços, voltando para a ferrari em segundos. Joguei o bicho nos braços dela, que parecia quase saltar de tanta alegria e puxei a chave de suas mãos.

Acelerei com toda força que meus pés podiam tentando imaginar uma solução rápida para a maldita BMW que nos perseguia. Várias hipóteses voavam por minha mente e tentava me lembrar de todos os possíveis inimigos que tinham motivos para me matar. Parei de pensar quando cheguei no centésimo mafioso de cartéis inimigos, certo, não seria tão simples imaginar quem seria, afinal, todos pareciam ter um motivo para me matar. Olhei para a garota ao meu lado vendo que conversava com o cachorro e imaginei que só podia ter grudado a porra de um chiclete na cruz para acabar fugindo com uma bêbada. Essas eram a situações quando estava com aquela mulher: só problema.

"Bella" Chamei fazendo-a virar com movimentos mais lentos que o normal. "Preciso que você salte do carro"

"Quê?" Arregalou os olhos para mim.

"Vou pisar no freio, você se joga do carro e corre o mais rápido possível, entendeu?" Expliquei e vi os olhos piscando com um misto de curiosidade e divertimento.

"Correr para onde?" Ok, ela estava entendendo, isso era um bom sinal.

"Correr para dentro da mata, acho você depois, mas terá que correr o mais rápido que você puder e não deixar ninguém te pegar" Exclamei sentindo todos meus músculos tensos com a ideia de Isabella sozinha na floresta, aquilo não ia dar certo.

"É tipo pega-pega?" Exclamou sentando-se sobre as coxas e cheia de excitação pela novidade. Bati com a cabeça no volante desejando do fundo do meu coração que houvesse algum santo que protegesse os bêbados, se não ia dar merda.

"É, isso mesmo" Afirmei dando graças por não ter ninguém presenciando a constrangedora conversa. "Não pare de correr até me ver, ok?"

"Tá, tá" Bateu palmas em sinal de empolgação e quase gargalhei, disse quase. Era maravilhosamente bom vê-la naquele estado, mas não era a porra da hora certa para isso. Analisei o retrovisor notando que o carro diminuíra a velocidade o que me dera a oportunidade perfeita. Freei com força e abri a porta do carona, expulsando Isabella.

"Vai, vai!" Exclamei ainda analisando o retrovisor e a vi saltar do carro e correr em meio aos arbustos. Acelerei a ferrari pegando uma velocidade incrível e de repente senti um latido me assustar. A garota havia deixado o cachorro no carro. Um enorme desejo que acabar com a Swan da forma mais dolorosa possível se apoderou de mim e em breve me pagaria pela noite turbulenta. Voei com o carro tentando achar alguma rotatória para despistar o seguidor, mas a pista era reta, continuar em alta velocidade só faria a maldita situação se prolongar. Foi quando vi mais alguns brilhos atrás de mim e percebi que eram a porra de mais dois carros, três filhos da puta tentavam acabar com a minha vida o que só me impulsionava ainda mais. A adrenalina corria solta por minhas veias me lembrando o motivo pelo qual adorava ser mafioso: podíamos trapacear.

Dei um cavalo-de-pau no carro que já estava à 150 km/h e pisei fundo no acelerador fazendo o motor ranger. Claramente assustados, as três BMW diminuíram a velocidade ao me verem vindo de encontro. Minha mente trabalhava a todo vapor tentando guardar o lugar exato no qual Isabella havia ficado e quando senti que estava próximo, freei o carro bruscamente, pegando o maldito cachorro e me jogando para fora do automóvel. Tive tempo de correr e lançar meu peso para dentro da mata, mas os desgraçados não tiveram a mesma sorte. Devido à alta velocidade, os carros não conseguiram parar a tempo e bateram de frente com a ferrari gerando uma série de explosões consecutivas que fizeram meus olhos lagrimarem. Joguei o cachorro no chão após ter absoluta certeza de que todos estavam mortos e entrei com destreza no emaranhado de galhos e plantas, achar Isabella no meio de toda aquela escuridão não seria nada fácil.

Passei a gritar o nome da mulher que me atormentava e me preocupei por não obter resposta, conhecia o jeito desastrado que parecia ter sido posto nela exatamente para me irritar. As mais diversas impossibilidades que poderiam levar alguém a morte cresciam exponencialmente quando se tratava da rebelde, o que me deixava sempre com a sensação de que algo ruim aconteceria se permanecesse sozinha. Somado ao fato de que estava dentro de uma floresta, sem luz e com o álcool bem nítido em sua corrente sanguínea, os riscos quase que triplicavam, me fazendo andar mais rápido, quase beirando o desespero. Odiava a sensação de preocupação que causava em mim, odiava todas as coisas ruins que trazia com a cara de anjo caído. A maldição de garota invadia minha vida sem pedir permissão a todo instante e uma cólera tomava conta de mim simplesmente por imaginar que não podia fazer nada em relação a isso.



Em um dos meus chamados obtive resposta, um curto gemido e uma gargalhada alta foi o que escutei e passei a me guiar pelo som da voz que aumentava de volume à medida em que meus passos eram dados. A encontrei sentada entre duas enormes árvores quase no meio da floresta enquanto se divertia com algum tipo de planta quando voltou seus olhos para mim.

"Edward, você me encontrou" Deu um sorriso. "E trouxe o cachorro" Só então notei que o cachorro havia me seguido por todo esse tempo, não bastava a mulher que havia arranjado, ainda tinha que ter um cachorro. O mundo definitivamente decidira me fazer de idiota naquela noite. "Ei, é uma cadela, você é linda, muito linda" Falava com voz infantil enquanto massageava o pelo do cachorro, fitei a cena com incredulidade tentando ao máximo guardar o resto do que sobrara de minha paciência, que era basicamente nada.

"Larga esse cachorro e levanta desse chão, Swan" Olhou com cara feia para mim. "Temos que achar um jeito de sair daqui, você trouxe o celular?"

Lembrei que meu celular ficara dentro da ferrari que agora não passava de sucata e me senti estúpido por não ter pensado em pegá-lo com a pressa da situação. Anos de treinamento e acabo praticando um erro patético, culpa da da mulher que atrapalhava até na hora da fuga.

"Ela é minha agora, não fala assim tá" A voz parecia menos embolada e sentia que um risco de consciência mostrava-se de volta, levantou-se e bateu no vestido tentando tirar o que sobrara da terra e planta do local. Foquei meus olhos nas coxas torneadas que agora estavam parcialmente descobertas sentindo algo pulsar entre minhas pernas. "Meu celular ficou na bolsa" Avaliei suas mãos tentando manter o foco em outra coisa que não fosse as coxas deliciosamente descobertas em minha direção e notei que não havia bolsa alguma ao redor. "A bolsa ficou na festa, Edward" Revirou os olhos como se o que dissesse fosse óbvio até para uma criança. Diminui os passos que nos afastavam e agarrei seu braço direito puxando-a para pista. Precisava arranjar algum jeito de nos levar de volta para o cartel.

"Dá pra andar devagar, não estamos em uma maratona" A voz insuportavelmente irritante quebrou o curto silêncio me fazendo acelerar ainda mais o passo.

"Não, não estamos em uma maratona, mas estamos no meio da floresta, sem comunicação e com minha ferrari em pedaços, então" Virei para lançar o pior olhar que tinha. "Faça um favor e cale a boca"

"Não tem o direito de me mandar calar a boca!" Puxou o braço, tentando me ultrapassar, mas o único resultado que obteve foi andar ao meu lado.

"Ah, tenho sim, tenho todo o direito do mundo, se estamos nessa situação é por que você não consegue passar um minuto sem fazer merda" A voz aumentava aos poucos e via a irritação crescente em ambos. Não, não havia um momento de paz ao lado daquele furacão em forma de gente.

Finalmente chegamos à pista e passamos a andar na direção norte, ainda vendo os carros em chamas. Assustadoramente o silêncio reinou no local, por um milagre divino — que só Deus sabe o quanto agradecia — Isabella ficou calada enquanto ouvíamos apenas nossos passos.

Atravessei a pista tentando achar nossa localização e procurando algum lugar em pudéssemos passar a noite, era óbvio que Isabella não duraria muito tempo acordada já que a bebida em breve faria efeito sonífero. Lembrava de uma cabana por aquelas áreas, mas não conseguia lembrar exatamente qual era a localização, o que me deixava puto. A estrada só tinha mato dos dois lados e nenhuma cabana era vista em metros de distância.

"Por que está desse lado?" A voz suave atingiu minha audição e virei mortificado notando que realmente viera da rebelde, era incrível como seu humor oscilava, uma hora ela estava aos gritos, no momento seguinte ela parecia simplesmente amuada, como se algo estivesse perturbando.

"Não é da sua conta" Rosnei para ela tentando evocá-la para o anterior estado de silêncio que me ajudava a pensar melhor, mas foi a frase seguinte que me chocou.

"Você não gosta de mim" Afirmou e tive que voltar os olhos novamente para o outro lado da estrada certificando-me que realmente a voz era dela. A garota possuía os longos cabelos castanhos espalhados na costa e olhava para o chão, tropeçando vez ou outra devido o salto alto. O mais engraçado era que ela realmente parecia triste, fato que me lembrara um dos efeitos tardios que a bebida causava na minha inimiga: nostalgia. Minha memória voou para meses atrás, quando a fiz beber alguns goles de vodka em seu aniversário e após algumas horas ela parecia alguém prestes a entrar em depressão. Se houvesse algum santo da bebida ele certamente adorava tirar com a cara da rebelde, já que tinha os piores efeitos possíveis. Estranhamente o fato só me divertiu ainda mais, fazendo o ambiente ficar leve. Era hora de aproveitar, não sabia quanto tempo levaria para vê-la assim novamente.

"Se não gostar, que diferença faz?" Forcei um tom rude tentando ver qual era sua reação e ela simplesmente parou de andar, olhando-me com os enormes olhos castanhos que agora pareciam prestes a chorar.

"Então você realmente não gosta de mim?" Deletou inconformada e voltou a andar irritada, batendo os pés contra o chão. Não podia evitar de achar suas atitudes ridiculamente infantis simplesmente deliciosas, de alguma forma, eu gostava daquela Isabella sem barreiras diante de mim. Gostava de ser o único a vê-la daquele jeito e da sensação de que se sentia a vontade perto de mim, ainda que fosse um efeito do álcool. Atravessei a pista com determinação e parei em sua frente, guardando o rosto dentro de minhas mãos.

"Gosto de você" Piscou algumas vezes e abriu um sorriso mínimo, que me deixou ainda mais divertido, simplesmente se odiaria se descobrisse tudo que estava falando. Não sabia ao certo por que falara aquilo ou o motivo de estranhamente não parecer uma mentira ao sair de minha boca, mas considerando que não lembraria de nada no outro dia, não custava nada vê-la satisfeita e caçoar um pouco daquela que só trazia problema para os outros.

"Então me carrega" A voz subiu uma oitava com a empolgação e um vinco formou-se em minha testa com o estranho pedido. "Nós somos amigos agora, me carrega, me carrega" A voz infantil clamava para ser saciada e eu não sabia em que merda de mafioso estava me tornando, mas a ideia de tê-la em meus braços não parecia tão ruim para mim. Era ridiculamente humilhante assumir, mas havia dois meses que eu não tocava naquela mulher e só Deus sabe o quanto eu sentia falta de ter aquele corpo em minhas mãos. Enlacei suas pernas com um de meus braços sentindo-a estremecer quando minhas mãos tocaram a parte inferior de sua coxa. Passei o outro braço por sua costa, envolvendo-a em uma concha invisível. Swan encaixou o rosto no vão do meu pescoço deixando os pelos do meu braço eriçados com a respiração quente batendo em mim. O efeito que ela tinha sobre era patético e me fazia sentir ainda mais raiva.

Voltei a andar sentido todos os meus músculos reagirem com a aproximação da rebelde. De vez em quando ela encostava os lábios em meu pescoço dando um curto selinho e dava um risada baixa. Definitivamente era assustador vê-la tão espontânea, sabia que ela provavelmente não acreditaria em mim quando contasse, mas apesar de tudo isso, era bom tê-la nos meus braços. Olhei para baixo e ela não me encarava, mantinha os olhos fixos no cachorro atrás de nós com um sorriso fino nos lábios. Para variar, ainda tinha um cachorro na história, já disse que a Swan só faz merda?

Após minutos andando notei que tudo o que surgia era estrada, não havia a porra de um hotel ou forma de comunicação, era tudo terra e floresta. Que cidade era aquela que mal tinha iluminação?

Avistei ao longe uma pequena cabana que parecia velha demais e estava pela metade. Talvez alguma chuva tivesse destruído o local, fazendo com que sobrasse apenas o chão e o teto, sustentado por uma das paredes. O resto havia desmoronado, demonstrando que o local estava abandonado. Andei mais rápido em direção ao local, tendo em mente que passaríamos o resto da noite ali e tentaríamos uma carona quando os carros voltassem a circular pela manhã.

Por causa de Isabella Swan, eu, Edward Cullen, o maior mafioso de Londres, dormiria em um pedaço de cabana e torceria para alcançar algum tipo de carona com uma alma solidária no dia seguinte. Já disse que a vida era uma merda?

O frio havia aumentado e fiquei satisfeito por todos no cartel possuírem uma jaqueta de couro, o que nos protegia de congelar. Cheguei na cabana e Isabella não moveu um centímetro para sair do meu colo, então sentei com ela ainda em meus braços, encostando-me na única parede de madeira que sobrara da construção mal feita. Devido o firme silêncio que se instaurara desde a estrada imaginei que Isabella tivesse pego no sono e fechei meus olhos levemente, apertando-a ainda mais em meus braços.

"Edward" Um sussurro surgiu, mas não abri os olhos, apenas murmurei um gemido como demonstração de atenção. "Como sua irmã e sua mãe morreram?" O choque veio juntamente com a pergunta, Isabella tinha o dom de me surpreender e de repente me vi sem palavras diante da rebelde. Nossos no cartel sabiam que ela haviam morrido em um acidente e isso era só o que era dito, até por que ninguém ficava muito confortável em falar de meu passado. Travei uma guerra com meu subconsciente que afirmava que aquela história deveria ser relembrada apenas dentro de mim e não para personagens secundários que nada poderiam fazer, mas a guerra era inútil e assustadoramente me senti a vontade para falar do passado com aquela que agora fazia parte do presente.

"Acidente de carro" Afirmei e senti o silêncio dominar novamente, por alguns momentos era como se eu estivesse sozinho ali, falando para o vento. A memória voltou alguns anos e logo me vi falando novamente. "Elas estavam fazendo uma viajem, iam até Paris por que Catherine adorava ver os grandes desfiles, coisa de garota idiota" Soltei uma risada mórbida, me afundando aos poucos no abismo que era meu passado e sentindo milhares de pontas espetarem de dentro para fora, rasgando tudo o que viam pela frente. "Mas por algum motivo que nunca souberam explicar, o carro explodiu"

"Quem as encontrou?" A voz soou meio desesperada, temendo a resposta que logo veio.

"Eu" Confessei como quem confessa um crime relembrando a cenas de terror que se passaram naquele maldito dia. Elas não chegaram nos limites na cidade quando o carro explodira e em uma busca desenfreada pelas duas desaparecidas fui o que as encontrou. Os dois corpos carbonizados já irreconhecíveis eram o último resquício da minha família, se foram e me afoguei em uma escuridão que era muito maior do que eu. Lembrei com ironia das palavras de Cida ao procurar em Isabella a salvação para mim. Não havia salvação. Eu havia morrido naquele instante, diante dos dois corpos carbonizados. Uma leve surpresa me atingiu ao sentir pequenos dedos gelados tocarem meu maxilar e abri os olhos a tempo de ver a garota me encarando com uma sinceridade quase tangível.

"Eu sinto muito" Foram três palavras que mostraram que apesar de toda bebida que circulava em seu sangue, ela me ouvia de verdade. Dei de ombros tentando demonstrar que o que ela sentia nada mudava a situação. Ela abaixou a cabeça e relaxou em meu peito novamente, mas não tirou a mão de meu rosto e de tempo em tempo movia os dedos em uma forma de demonstrar um carinho que provavelmente nunca existiria entre nós em qualquer outra situação que não fosse aquela. "Quando perdi meu pai, perdi tudo o que eu tinha, eu sabia que a partir daquele dia nada seria igual" Os olhos femininos agora estavam focados no céu à nossa frente, que parecia tão cheio de estrela que a qualquer momento algumas delas cairiam em nós. "Era uma merda por que todo mundo queria que eu superasse logo, como se eu fosse estúpida demais por estar triste"

A nostalgia presente em suas palavras nada mais tinham a ver com a bebida alcoólica anteriormente ingerida e sim com um passado nada arrebatador. A rebelde possuía tanta vida e traços tão fortes que tornava-se estranho vê-la deprimida ou imaginar que um dia ela fosse só tristeza. Lembrei da noite na cachoeira em que ela tentara desistir de tudo e só de imaginar a possibilidade de tornar a ver aqueles olhos sem o fogo que eu adorava ver, fazia meus punhos se fecharem. Swan não tinha o direito de ficar triste ou nostálgica, não queria aquilo para ela.

"Como ele morreu?" Me surpreendi com o próprio som da minha voz, mas uma vontade enorme de saber mais sobre a porra do passado que a atormentava era crescente dentro de mim.

"Câncer no estômago" Deu de ombros e notei a delicada pulseira que pendia em seu braço que ainda tocava meu rosto, notando que a pequena jaqueta estava ali, exatamente como eu lembrava de ter colocado. Era bom mesmo que ela usasse, todos deveriam saber quem ela era a partir de agora e a quem pertencia.

"Estou esperando você dizer que sente muito"

"Não vou dizer" Revirei os olhos irritado com a presunção da rebelde que tentava exigir coisas de mim sem notar que quem mandava em mim era eu. Um breve risada saiu de sua boca e ela voltou-se para mim novamente.

"Com quantos anos perdeu sua virgindade?" Arranquei sua mão de meu rosto sentido uma irritação ainda maior devido a ousadia da rebelde e sentido que ela fazia perguntas estúpidas apenas para me irritar. Juntei seus braços na frente do corpo e os segurei prendendo-a em minhas mãos.

"Feche a porra dos seus olhos e durma" A voz grave e a expressão fechada a fez gargalhar ainda mais.

"Aposto que você broxou" Disse com a voz salivando de pura ousadia e implicância.

"Isabella..." Era um aviso que ela logo atendeu.

"Ok, ok, eu me rendo, preciso dormir" Estendeu o rosto e depositou um último beijo em meu pescoço. "Boa noite, mestre"

Foram precisos apenas alguns segundos e sua respiração ficou leve demonstrando que ela havia apagado. Olhei para a floresta que parecia inofensiva diante dos perigos que Isabella me proporcionava. Em apenas uma noite fomos perseguidos e agora estávamos em uma cabana semi-destruída para no dia seguinte procurarmos um jeito de voltar para casa. A maldição de garota conseguia me tirar do sério e minha cabeça voava para os perseguidores que foram mortos. Só de pensar que algum deles pudessem colocar as mãos nela meus punhos se fechavam e minha garganta secava. Minha mente constantemente me acusava de usá-la para meus próprios fins, o que não era de todo mentira, mas eu não considerava exatamente assim. Nossa relação era uma troca e enquanto ela fosse útil para mim, em troca, eu daria toda a proteção que ela precisasse. Enquanto estivesse comigo nenhum dedo tocaria em Isabella. A troca era mútua e Isabella sabia muito bem quem eu era, desde o primeiro dia fora avisada de quem era Edward Cullen, então poderia ser considerada exatamente com ingênua ou enganada.

Voltei os olhos para baixo e fitei o ser adormecido em meus braços e notei assustado que aquele parecia ser o exato lugar para ela estar. O rosto ameno relaxava em meus braços e me senti satisfeito por ela estar ali e por confiar plenamente ao ponto de descansar sem grandes preocupações. Se eu não fosse o maior traficante da atualidade e mais temido criminoso de Londres, poderia até achar aquela cena bonita. Isabella parecia estranhamente perfeita em meus braços e decidi que por enquanto seria assim.

Com Isabella em meus braços e uma bola de pelos dormindo ao meu lado notei a descoberta mais assustadora da noite: Eu me sentia bem ali.

Pela primeira vez em anos, senti que estava exatamente onde deveria estar e isso era a porra de mais uma das merdas que a Swan trazia para minha vida.

Notas finais
Ok, eu sei, eu sei, esse capítulo foi muita melação de cueca, ah mas fala sério, to nesse clima de ano novo e queria muito ter um mafioso pra me colocar nos braços e me fazer dormir então parem de reclamar! hahahahaha Bem, FELIZ NATAL ATRASADO! É tão bacana por que DAQUI A POUCO É ANO NOVO MINHA GENTE! 2013 vai chegar chegaaaaando!! Desejo um ano MARAVILHOSO pra cada uma de vocês, só Deus sabe o quanto me sinto realizada por ter conhecido cada uma de vocês e ter partilhado EP com tanta gente linda! Obrigada por terem feito do meu 2012 ainda melhor, de verdade! LEITORAS DO CORAÇÃO, AMO VOCÊS! Ps. Me desejem feliz ano novo nos comentários táááá? Muita paz, saúde e amor no coração, que todas vocês encontrem o príncipe encantado (ou o mafioso malvado, tanto faz hehehe) nesse novo ano, e que os sonhos se realizem. Deixem o passado pra traz e vivam o que é novo, Deus tem muito pra gente nesse ano que tá chegando. Acho que é basicamente isso, obrigada por todo o apoio e me contem como será/está sendo o ano novo de vocês! Passarei meu ano novo na igreja (faço isso todos os anos) e depois vou de madrugada para o sítio da minha família, nada melhor que ficar com os familiares nessas horas né? É isso, Bia sem vocês não é Bia! Ps. Capítulo 21 vem com muitas surpresas, vocês vão amar! Ps 2. COMENTEM PRECISO DA OPINIÃO DE VOCÊS! Ps 3. Quem ainda não seguiu, vem pro time! @emperigo Ps.4. Quero sugestões, o que vocês acham que vai acontecer nos próximos capítulos?