Em Perigo

14 Capítulo 14 - Feliz aniversário! PARTE I


Notas iniciais
Eu sei que vocês querem me matar por eu ter demorado tanto, mas juro que não foi de propósito, o mundo simplesmente não conspira ao favor de postagens! Espero que gostem e COMENTEM NO FINAL E LEIAM AS NOTAS!

O silêncio do cômodo mostrava a tensão que visivelmente pairava no ar, e ver o rosto surpreso da mulher que me atormentava diariamente fez a longa viajem até o interior da França valer realmente a pena.

Alice me fuzilava com o olhar e sabia que receberia um enorme sermão da pequena garota, porém, nada substituiria a enorme sensação de contentamento pelas expressões impagáveis de todos presentes no local, eu olhava quase com pena para Reneé que realmente acreditava que eu era um chefe extremamente bem intencionado e tratava com apreciação sua adorável filha.

Não que ela estivesse errada, afinal, eu realmente apreciava sua adorável filha, mas não no sentido ingênuo da palavra.

Swan me encarava com um sentimento que beirava a fúria, o que só me impulsionava a continuar com o divertido teatrinho. Jasper estava estranhamente inquieto e Emm parecia um pouco preocupado com a situação delicada, mas a colega de quarto do furacão sorria, tão divertida quanto eu.

Uma mulher surgiu da enorme escada que era localizada no centro do saguão.

"Bella" A voz aguda semelhante e o rosto quase idêntico ao de Reneé mostravam que era a avó de Isabella. "Menina, você está enorme" A voz reconfortante mostrava o quanto sentia falta da rebelde. "E que pontas duplas são essas no seu cabelo?" O rosto trazia um estresse fingido. "Vai levar um belo de um sermão por não estar usando produtos de boa qualidade"

A senhora aparenta ser bem mais nova do que realmente era, talvez devido a algumas plásticas e cosméticos, ou talvez por Reneé ter nascido quando ainda era jovem demais, não sabia ao certo.

Avaliei o local confirmando a ideia de que Isabella fora criada em um ambiente de puro luxo, o enorme chalé possuía uma decoração que deveria ter custado pequenas fortunas e os três andares mostravam a ostentação dos Swan, nada que eu já não estivesse acostumado, mas havia algo de diferente no imóvel, por algum motivo que não entendia, era quente, possuía o calor de uma família, o calor que conheci vários anos atrás. A enorme casa, ao contrário das paredes do Cartel não possuíam frieza ou perigo, era quase reconfortante estar naquele ambiente.

"Tão linda" Abraçou a neta, que parecia um pouco desconcertada. "Adorei seus amigos querida, são realmente encantadores" A mulher ainda não tinha me notado, um pouco atrás de Reneé, e lançava o olhar admirado apenas para os outros convidados.

"Marie" A voz ansiosa de Reneé trouxe sua atenção para nós. "Esqueci de apresentar Edward, ele é o chefe de Isabella" Apresentou com certa tonalidade de orgulho e a senhora virou-se para mim com olhos tediosos.

"Seja bem-vindo" Sentenciou e voltou-se para a neta, levando todos para a mesa de jantar, algo passou em seus olhos negros, porém não soube identificar o que era, mas sua expressão era tensa. Sentamos e graças à ingênua Reneé que tentava constantemente fazer sua filha rebelde demonstrar alguma gratidão por mim fiquei sentado na frente de Isabella, posicionado estrategicamente para minha diversão, o que com certeza facilitaria muito meus planos.

A mãe da insubordinada não sabia que sua filha já possuía muito mais do que gratidão por mim, sua filha era minha cúmplice dos piores e melhores momentos, mais minha cúmplice do que de qualquer outra pessoa presente na mesa de jantar. Receber o convite da prestativa genitora que me ligou no dia anterior, avisando da festa, tinha sido excepcionalmente surpreendente, tinha presenciado alguns rumores de Alice sobre o evento, mas jamais havia imaginado estar presente, uma decisão fatalmente deliciosa de minha parte.

Estava ali, pois possuía o enorme desejo de conhecer tudo sobre a voluptuosa garota, queria conhecer os malditos detalhes, os temores de minha mafiosa mais insubordinada, nada mais justo do que conhecer quem estava em minhas mãos, ou ao menos, quem deveria estar, pois sabia que nada era muito certo quando se tratava de uma Swan, tanto sabia que possuía exatamente três delas com olhares sobre mim.

O primeiro olhar era da matriarca da família que me fitava com uma certa curiosidade misturada de reconhecimento e mais alguns sentimentos indecifráveis, o segundo olhar provinha da ponta da mesa, a segunda da geração me olhava com uma adoração quase palpável, o que era bem previsível para uma viúva que apreciava gestos cavalheiros, e o terceiro — e mais poderoso — olhar que pairava sobre mim era o que mais me chamava atenção, o olhar de fúria da terceira geração de Swan's me fuzilava, porém, tudo o que eu realmente sentia era divertimento.

Todos já estavam na enorme mesa, e Jamie, avô da mafiosa, logo se juntou a nós.

"Então Edward" Marie começou. "Como funciona sua empresa?" Todos na mesa parecerem ficar um pouco aflito, com exceção da garota à minha frente.

"É, Cullen" A rebelde estimulou. "Conte aos meus avós como funciona sua empresa" Sorriu desafiante e eu voltei o mesmo sorriso para ela.

A maldita queria mesmo me provocar, deixando-me em uma situação arriscada, mas tudo o que gerava em mim era pura comédia, o rosto irritado à minha frente queria me dar impressão de felina, de vencedora, de alguém que tinha todas as cartas extras na manga, mas o que ela não sabia era que perto se tornava apenas um pequeno filhote, em minhas mãos, grandes felinos tornavam-se pequenos e inofensivos gatinhos, e talvez fosse exatamente por isso que eu estava alí, exatamente por isso que suportava ver seu nariz naturalmente arrebitado, porque simplesmente adorava pequenos gatinhos que se achavam grandes felinos.

"Vendemos de tudo senhora, de pequenos chaveiros até carros importados" Lancei um sorriso para Alice, que parecia nervosa demais. "É um trabalho árduo, mas meus funcionários são realmente eficientes, tornam tudo mais fácil" Lancei um sorriso forçado para Isabella, que retribuiu com um chute por de baixo da mesa. "Algum problema com seus pés Isabella?"

Perguntei transbordando inocência, enquanto todos viravam-se para ela, fazendo-a corar.

"Não, foi sem querer, desculpe" Deu um sorriso falso, com o olhar transbordando de fúria.

"Queria propor um brinde" Jamie levantou-se do lugar e ergueu o copo de vidro. "Mesmo que seja refrigerante" O ar espontâneo era o oposto dos passos quase cogitados da esposa. "Quero propor um brinde à vida de um dos melhores presentes que a vida já me deu, Bella" O olhar que era lançado à maldita mulher era quase de adoração, como se fosse realmente a melhor pessoa que já havia tocado os pés na terra.

Algo embrulhou dentro de meu estômago, alguma coisa naquela cena lembrava-me de anos atrás, a voz serena e sincera de Jamie me lembrava de vozes antigas, uma leve nostalgia me atingiu e não entendi o motivo da cólera que surgia em mim aos poucos, a casa era tão reconfortante que uma pessoa poderia passar anos no local sem ao menos notar.

O maldito James possuía a mesma tonalidade de voz tranquila de minha mãe e não entendi porque passei a lembrar cenas de anos que pareciam tão distantes, admirei intrigado a família, que apesar de estupidamente calculada, parecia unida e odiei Swan mais uma vez, ela tinha a porra de uma família, coisa que eu jamais teria novamente.

Alice lançou-me um olhar intrigado notando alguma reação atípica em meu rosto, percebi que era o único da mesa que não estendeu o copo e levantei rapidamente, o que causou alívio em todos os presentes, estendendo o copo para me juntar ao estúpido brinde.

"A minha melhor funcionária" Estendi o copo com carisma, se era para estressar a maldita Swan, com certeza faria com maestria.

O enorme bolo logo estava partido, e a dona da casa se direcionou à cozinha trazendo os pratos que comeríamos aos poucos, enquanto os convidados se divertiam com alguns jogos e a falas de Reneé. Levantei da mesa gigantesca e encostei em um móvel tentando esticar as pernas, foram horas sentado na moto e meus músculos doíam mais do que o esperado.

Eu poderia ter usado o helicóptero, mas não desejava causar uma má impressão, não desejava que nenhum dos Swan entendessem a atividade ilegal de meu Cartel, uma empresa simples não teria poder suficiente para dar um helicóptero até mesmo para o seu maior gerente, e não pretendia que os familiares da adorável aniversariante suspeitassem de meus negócios, pelo menos não ainda.

Os carros importados na garagem do cartel todos à disposição também eram opção, mas algo me impulsionou a pegar a Suzuki, mesmo sendo com muitas horas de viajem ao interior que parecia ter sido escondido por Deus, a moto reluzente, apesar de não tão confortável para viagens longas, era uma ótima opção. A Suzuki possuía um enorme valor para mim e não poderia adentrar um território tão desconhecido — e talvez até mais traiçoeiro que todos os becos de comercialização — apenas em um carro, queria chegar no chalé e mostrar — ainda que indiretamente — quem era Edward Cullen.

Era o maior traficante da atualidade e não me esconderia, mesmo não expondo a verdade explicitamente, não me esconderia de quem quer que fosse, porém, poderia apostar metade de minha fortuna que eles não ficariam tão felizes em saber quem realmente era, muito menos a pacata Marie e o protetor Jamie ficariam satisfeitos em saber que a adorável neta, era nada mais, nada menos, que a aprendiz do maior traficante do país. Não, eles certamente não ficariam nada satisfeitos.

"É linda, não é?" A voz de Reneé me tirou dos pensamentos, e vi que se direcionava até Alice. "Essa foto foi feita no aniversário de dez anos dela" Alice possuía um porta-retrato em mãos e tentei prestar mais atenção no que a mulher dizia. "Sempre odiou os aniversários que fazíamos para ela" Revirou os olhos, em desaprovação. "A única parte que ela gostava era o final da festa, quando o pai a levava para Château de Val e os dois assistiam o sol nascer e só voltavam para casa de manhã" Deu uma pequena risada.

O porta-retrato possuía Reneé, o pai de Isabella e a pequena garota, os três estavam juntos, mas era possível notar a aproximação visível da garota com o pai até na foto, onde estavam de mãos dadas. O que me surpreendeu foram os olhos tranquilos de minha inimiga, a paz que eles carregavam com certeza não estavam mais presentes nos olhos castanhos atuais, tudo que eu podia ver hoje era solidão, talvez até tédio e fúria límpida. Nada como a paz que eles a foto demonstrava.

"Eles realmente pareciam ser bem próximos" Alice afirmou, compadecida.

"Eu nunca fui o modelo ideal de mãe, para ser sincera, só engravidei porque a família pressionava demais, meus pais sempre desejaram herdeiros, mas acho que nunca estive realmente prepara para ser mãe ou cuidar de alguém" Os convidados entretidos estavam alheios à pequena descoberta que Reneé nos entregava sobre a garota, e me questionei porque exatamente ela escolheu Alice para contar sobre a própria vida. "Mas nunca me preocupei com isso, porque Charlie sempre dava conta de tudo, ele sempre deu à Isabella tudo que faltava em mim"

Os olhos claros da matriarca estavam vidrados na foto desgastada e ela parecia absorta demais em suas próprias lembranças para notar que falava demais da própria vida para estranhos, porém, sabia como era ter uma culpa encravada dentro do próprio coração, confessar para quem quer que fosse era um alívio extremamente grande e talvez esse fosse o exato motivo das revelações familiares.

"Ela adorava ir ao Château de Val por causa das estrelas" Retornou o olhar para Alice. "Sempre adorou o céu e todos os anos era a mesma coisa, confesso que me sentia bastante ofendida quando queria ir com ele até o maldito castelo e ela simplesmente dizia que era uma coisa deles" Deu um meio sorriso. "Me sentia excluída em todos os aniversários, mas sabia que não havia competição, ela adorava o pai e eu jamais ultrapassaria isso"

Alice observava a mulher, atenta, e nenhuma das duas notava que eu estava próximo demais e escutava toda a história.

"O que quero dizer Alice" Voltou a atenção. "É que quando Charlie morreu, não perdi somente meu marido" Deu uma pequena pausa, os olhos azuis carregados de decepção. "Perdi minha filha também" Abaixou os olhos para a fotografia. "Ela morreu junto com Charlie e eu jamais consegui fazer com que ela se sentisse feliz novamente, nunca tive esse poder sobre ela"

"Reneé, tenho certeza que... "Alice interrompeu, tentando reconfortá-la, mas foi impedida.

"Não Alice, é verdade" Afirmou. "Estou colhendo o que plantei e não posso culpar Isabella por isso, não quando sei que fui a mãe mais desleixada que uma garota poderia ter" Deu um pequeno sorriso. "Só quero agradecer por isso, Isabella parece realmente feliz com vocês, não sei como é a vida na empresa ou que tipo de atividades vocês fazem por lá" Havia um tom de desconfiança em sua voz aguda. "Mas estou feliz por Isabella, por ter conseguido amigos como vocês" Virou os olhos em minha direção, notando-me finalmente. "Vocês fazem bem a ela"

O olhar trazia uma enorme segurança e perguntei a mim mesmo que tipo de estupidez levava Reneé a acreditar que o cartel fazia bem à Isabella, talvez Emmet e Alice realmente fossem bons amigos para ela, mas não eu, não éramos amigos, não éramos nada.

"Ela foi um enorme presente para nós" A voz de Alice transbordava de sinceridade. "Estou realmente feliz por tê-la conosco"

Depois da confisão, Reneé deu um sorriso e saiu rapidamente, reformulando uma postura de rigidez.

Avaliei um pouco mais as fotos instaladas por toda a bancada do longo cômodo, várias fotos da pequena garota com os avós e com os pais, e até mesmo com um enorme cachorro, fazendo com que me perguntasse se a rebelde gostava de animais, mas, o que realmente chamou minha atenção foi o fato de que ela era apenas uma criança em todas as fotos, não haviam fotos atuais, o que comprovava que talvez a garota não visitasse a família tanto quanto antigamente.

Eu não sabia por quê, mas a curiosidade me assombrava, o desejo era descobrir todos os segredos de Isabella, por algum motivo, minha mente desejava conhecer cada pedaço da vida dela, queria que estivesse desarmada diante de mim, que não houvesse nada que ela pudesse me contar que eu já não soubesse, minha inimiga não sabia, mas minha ida àquela festa que parecia informal demais para que pudesse me sentir confortável, era justamente para isso, pois descobriria tudo sobre o seu passado, e então a teria em minhas mãos.

Ser um profissional era exatamente isso, era pegar todos os fatos, agarrar as evidências e usá-las contra quem merecia. No caso, contra a mulher que insistia em atormentar meus pensamentos.

As vozes logo voltaram a preencher o ambiente e a comida fora finalmente servida, fazendo com que todos voltassem aos seus lugares na enorme mesa, a rebelde em minha frente evitava me encarar e parecia conversar algo com Jenny, que estava ao seu lado.

"Bella, temos ótimas notícias" Reneé sentou-se novamente. "Rosalie e Rebecca estão vindo amanhã, disseram que querem parabenizá-las pessoalmente" Eu estava distraído demais para avaliar quem seriam as duas pessoas citadas pela matriarca.

A rebelde deu um leve sorriso em aprovação e as conversas começaram a fluir, as vozes misturadas, e as superficiais conversas não em tiravam o foco de minha inimiga que ainda me evitava.

Os diversos doces já haviam sido servidos pelos empregados, e todos pareciam satisfeitos, o jantar terminou e todos travavam conversas animadas.


Enquanto a rebelde travava uma conversa com Jenny, passei o pé esquerdo levemente por sua perna, ainda prestando atenção na história que Jamie contava animadamente para mim e Emmet. Swan congelou e continuou conversando, tentando disfarçar sua surpresa com minha atitude, sorri levemente, observando-a de canto de olho.

A perna inquieta tentou afastar-se, mas eu insisti em seguí-la, admirando entretido o tom vermelho que atingia o rosto da maldita mulher, afastou-se mais uma vez, mas eu a segui, provocando-a, a raiva era visível em seu rosto e me diverti ao ver que Jenny olhava estranho para ela, nossas pernas travavam um luta e minha inimiga acabou chutando a mesa sem querer. Alice virou-se em nossa direção, enquanto Isabella levantava da mesa irada e ia rapidamente com passos duros e firmes em direção à cozinha.

Levantei lentamente e a segui, pisquei para a Alice e fui em direção à cozinha.



Era hora de começar a festa.

*

Peguei outro prato esfregando com a maior força que podia, quase fazendo com que meus dedos ficassem doloridos sob a esponja, no cômodo ao lado o maldito Cullen deveria estar dando gargalhadas internas por invadir a privacidade de minha família e incomodar a paz do ambiente de um jeito que só ele sabia fazer, a festa de aniversário que nem ao menos desejei que acontecesse.

Há anos eu odiava festividades como aquela, principalmente com a morte de Charlie, o que fazia com tudo tivesse ainda menos sentido para mim, a única parte da festa que um dia havia gostado não poderia mais acontecer, a revolta só aumentava com a patética adulação que minha mãe insistia em derramar feito cascatas sob o Cullen, eu simplesmente odiava a sensação de tê-lo tão próximo de minha família, apesar de conhecê-lo um pouco melhor do que quando entrei no Cartel, sabia que ele podia ser perigoso se quisesse e não gostava nada da idéia de tê-lo em minha casa.

Concluí que só podia ser castigo divino por todos os meus pecados acumulados, o homem tinha saído do próprio inferno para me atormentar por onde fosse, mas não deixaria que tocasse em minha família, não me importava que ele me machucasse ou até mesmo implicasse diariamente, durando as poucas semanas em que estive no Cartel havia até mesmo me acostumado com a brutalidade típica do mafioso, mas outra coisa completamente diferente era ele estar ali, no lugar onde somente amigos deveriam estar.

Odiava ter minha vida invadida pelo Cullen, e vê-lo dominar tão bem a situação com minha família só fazia minha cólera aumentar, o estresse já era enorme o suficiente pelo dia não desejado e a visita inesperada do traficante só fazia aumentá-lo.

A porta da cozinha se abriu e não precisei virar o rosto para reconhecer quem era.

"Posso saber que porra você está fazendo na minha casa?" Virei com olhos transbordando em fúria e o encontrei encostado em um dos enormes armários, tranquilo, com sua típica postura superior.

"Estou prestigiando o aniversário da minha melhor funcionária" A ironia transbordava em suas palavras. "Pensei que soubesse que não deixaria uma data tão incrível passar em branco"

"Quero que você pegue sua ironia de merda e dê o fora da minha casa, entendeu Cullen?" O sangue circulava rapidamente por minhas veias e sentia a adrenalina sendo liberada juntamente com a fúria.

"Oh, mas que falta de educação a sua" Sacudiu a cabeça em negação, com um sorriso brincando em seus lábios. "Não sabia que era uma anfitriã tão ruim, não é correto expulsar os convidados antes do final da festa" Deu alguns passos em minha direção. "E pelo que sei, a festa só termina quanto o final de semana acabar" Esbanjou um sorriso, mostrando todos os dentes perfeitamente brancos.

"Não brinque comigo, Cullen" Apontei em sua direção com veemência. "Você pode mandar no Cartel inteiro, mas aqui é minha casa e não quero você aqui" Voou em minha direção rapidamente e segurou o dedo que usei para apontá-lo com força.

"Não brinque comigo você, Swan" A sombra de sorriso logo sumiu de seu rosto e o perigoso mafioso mostrava-se de novo. "Não pense que pode me dar ordem, se fosse você, tomaria muito cuidado, afinal, estou na sua casa e em qualquer descuido seu, seria extremamente fácil para mim acabar com a paz que existe aqui"

Puxei minha mão com força, encarando, não deixamos o contato visual nem por um segundo e notei que alguém entrara na cozinha.

"Querida, já arrumei os quartos e todos já estão acomodados" A voz de minha mãe ressoou na enorme cozinha, enquanto notava a tensão presente no local.


"Edward, não tenho mais quartos disponíveis, mas a cama de Isabella é de casal e não teríamos problema nenhum em..."

"Ele já estava de saída, mãe" Interrompi com firmeza ainda encarando o maldito mafioso. "Já pagou a diária do hotel, não há como cancelar" Afirmei, sem saber se meu inimigo me desmentiria na frente de minha mãe.

"É verdade Edward?" Perguntou receosa, sem saber o que se passava.

Me encarou por mais alguns segundos, relutando em virar-se, mas finalmente quebrou o contato visual, virando-se para Reneé.

"Infelizmente, é verdade" A farsa de galanteador e educado voltou novamente e me senti enojada. "Não sabia se teriam quartos suficientes, então decidi por reservar a diária no hotel"

"É uma pena" Minha mãe disse com sincera tristeza. "Tudo bem, mas me prometa que não pagará a diária de amanhã, dormirá ao menos uma noite em nossa casa" Lançou a proposta reluzindo de esperança.

"Com certeza" Voltou o olhar soberbo para mim. "Não perderia uma noite em sua casa por nada, Reneé" Apesar de falar com minha mãe, notei que a fala cheia de ousadia era dirigida para me afrontar, revirei os olhos, voltando-me para a louça.

"Ótimo" Reneé bateu duas palmas, empolgada e apenas continuei lavando os pratos com força.

"Acho que já estou na minha hora" A voz do meu inimigo ressoou tranquila, era incrível como em segundos ele assumia uma postura completamente diferente que a anterior. "Preciso descansar da viajem" Não entendi porque, mas algo parecia mentira em sua tonalidade de voz, sabia que Cullen era acostumado a passar dias acordado, uma viajem como aquela tê-lo cansado era praticamente um absurdo, mas ignorei a hipótese, independente do motivo, tê-lo longe do chalé era ótimo. "Até logo, Bella"

Me chamou por meu apelido, na tentativa de passar a ideia de que éramos íntimos para minha mãe ingênua, e ouvi a porta batendo levemente, o que denunciava sua saída.

"Realmente precisa disso, Bella?" A voz ofendida de minha mãe me incomodou. "Edward é extremamente simpático, um verdadeiro cavalheiro aparece em sua vida e simplesmente não consegue ter nem o mínimo de educação?"

Virei abismada para Reneé, não acreditava que estava levando um sermão por causa do maldito mafioso.

"É isso mesmo Bella, não podia ter o mínimo de educação?" Passou a andar de um lado para o outro. "Sabe Deus quando aparecerá outro desse na sua vida, e você simplesmente fica agindo como uma idiota"

"Acho que se estou agindo como uma idiota ou não, o problema é meu Reneé" Tentava ao máximo segurar a raiva que parecia maior que eu mesma.

"Presta atenção Bella" Disse, tentando se concentrar em me convencer. "Edward Cullen é um homem incrível, tem dinheiro e uma vida estável" Soltei uma risada, pensando na vida estável de meu inimigo, que se resumia a mortes e carregamentos de drogas. "E fora tudo isso, ainda é inacreditavelmente bonito" Tentei revidar, mas continuou me impedindo. "E não adianta questionar, porque isso é visível aos olhos de qualquer pessoa, até mesmo um cego pode ver a oportunidade que você está perdendo" Apontou o dedo para mim. "Não sei se você acha que está podendo, e por isso insiste em tratá-lo mal, mas deixe-me dar um aviso" Chegou mais perto. "Você não está com essa bola toda, e está envelhecendo"

Escancarei a boca diante de minha mãe, pensando o que realmente havia feito para ter uma noite tão patética como aquela, Reneé só se importava com dinheiro e beleza, e ao ver a combinação das duas coisas no Cullen, a havia feito pensar que seria o homem certo para mim, mal sabia quem era o homem com o qual estava lidando.

"Isso mesmo Isabella, você está envelhecendo, e daqui a um tempo, mais rápido do que você espera, em breve estará com a minha idade e as coisas não serão tão fáceis assim" O rosto vermelho denunciava a ira da mulher à minha frente. "Então deixe de ser mimada e trate de segurar esse homem!" Gritou com a voz estridente, saindo da cozinha batendo o pé firmemente no chão polido.

Apostaria um de meus órgãos que se Reneé pudesse me obrigar a casar com o Cullen, assim como as matriarcas da era medieval, ela certamente faria, minha mãe tinha o ridículo defeito de querer que tudo seguisse suas diretrizes, conseguia fazer planos para tudo, e desejava que todos seguissem seus roteiros, e era exatamente por isso que nunca nos dávamos bem. Eu era livre, e ela era uma intrusa, uma combinação que certamente jamais daria certo.

Pela primeira vez naquela noite me permiti lembrar do meu pai. O único que realmente me entendia diante das crises de minha mãe, era ele, a incrível paciência que ele tinha com ela — e com todos ao redor — era realmente de dar inveja e eu jamais seria como ele.

A fala doce de meu pai e seus gestos gentis que conquistavam a todos quanto o viam, jamais fariam parte de minha forte personalidade, disso eu tinha certeza e era exatamente isso que me fazia sentir ainda mais falta dele, sabia que encontrar alguém como ele era praticamente impossível.

Terminei de lavar a louça e subi lentamente até o quarto, deixando um beijo na bochecha do meu avô, que assistia um filme com Marie, na sala de televisão, era um costume antigo dos dois, que assistiam filmes românticos aos finais de semana, meu avô afirmava que era para que jamais o romance saísse de suas veias, porém, sabia que nada tiraria a personalidade terna e tranquila de meu avô, mesmo que séculos passassem sem assistir um filme sequer, o romantismo simplesmente fazia parte de seu tipo sanguíneo.

Subi as escadas tentando não fazer barulho, já havia passado da meia noite, e os convidados já dormiam nos quartos de hóspedes, dei um sorriso ao lembrar de todos do Cartel, de alguma forma, eles me faziam feliz, eu realmente passei a considerá-los como amigos, coisa que jamais imaginei que aconteceria.

No dia em que cheguei no Cartel a única sensação que carregava em mim era a de solidão, em minha cabeça tinha perdido Jasper e seria obrigada a passar o resto da vida local estranho, frio, não tinha ideia que estar no Cartel para sempre agora faria algum sentido, porque de fato não fazia, mas parecia simplesmente mais suportável com Jen e Emm ao meu lado.

Entrei no quarto ainda cor de rosa com decoração infantil e me senti tranquila por aquele dia ter finalmente chegado ao fim. Todas as lembranças me atingiram como uma avalanche, toquei com as pontas dos dedos o papel de parede lembrando de todos os verões que passei ali, o quarto tinha gosto de saudade e me trouxe uma profunda nostalgia em apenas alguns segundos.

Tranquei a porta e fui em direção à gaveta, comecei a tirar a blusa grossa para vestir a roupa de dormir quando uma voz extremamente grossa e carregada de ironia me impediu.

"Adoraria vê-la tirando a roupa, mas ainda temos um lugar para ir" Virei assustada, com um grito entalado em minha garganta, o rosto repleto de pânico. "Deixe o espetáculo para mais tarde"

O Cullen estava encostado no guarda-roupa lançando um olhar traiçoeiro para o pedaço da minha barriga que estava descoberto, puxei a blusa para baixo novamente, sentindo a vergonha misturar-se com a raiva aos poucos.

"Mas o que..." Me engasguei. "Como você entrou aqui?"

"Pela janela" Deu de ombros. "Você achava mesmo que ia me expulsar da sua casa?" Lançou os olhos arrogantes para o meu rosto. "Só nascendo de para se livrar de mim tão fácil"

"Poupe-me dos gritos e saia do meu quarto, antes que fique realmente estressada" Passei as mãos pelo rosto tentando me acalmar.

"Aliás, você precisa arrumar algum tipo de segurança, foi extremamente fácil subir na sua sacada, me assusta o fato de algum assaltante ainda não ter invadido seu sono durante a noite" Disse sério, observando a enorme sacada e ignorando minhas ordens.

"Cullen, estou falando sério, é melhor você..."

"Tem uma escada de emergência de baixo da sua janela, até uma criança poderia subir, é realmente perigoso dormir nesse quarto" Me interrompeu, vidrado na janela.

"Cullen eu..."

"Você dorme sozinha todas as vezes?" Voltou-se para mim. "Devo comunicar isso para Reneé de manhã"

"Dane-se a porra da minha sacada" Estressei-me, finalmente fazendo com que prestasse atenção no que dizia. "Você está pouco se lixando para minha segurança, então, por favor, pare com o teatrinho" O rosto continuou sério em minha direção. "Saia logo do meu quarto e me deixe ao menos dormir em paz"

O silêncio invadiu o quarto, e tudo que escutávamos era minha própria respiração altiva, contrapondo-se a mim, meu inimigo parecia mais tranquilo do que nunca.

"Vista a jaqueta Swan" Ordenou. "Está frio lá fora e nós vamos sair"

"O que?" Encarei surpresa, enquanto lançava sua jaqueta para mim. "Não vou sair com você, está tarde e..."

"É realmente isso que chama de aniversário?" Fitou com sua expressão arrogante. "Uma festinha com o vovô e a vovó Swan?" Debochou, enquanto revirava os olhos.

"Não estou entendendo onde quer chegar" Cruzei os braços, após despejar a jaqueta em minha cama.

"A festa dos mafiosos é feita quando as famílias decentes estão dormindo, Isabella" Lançou um sorriso cheio de segundas intenções. "Eu, como seu professor, tenho que ensiná-la a não desejar somente o que é oferecido" Esperei que terminasse, encarando-o. "Vamos comemorar seu aniversário de verdade"

Um arrepio passou por meu corpo e o amaldiçoei por estar ali e por toda a curiosidade que adentrava minha mente sem uma permissão sequer.

"E o que o faz pensar que vou com você?" Cruzei ainda mais os braços, me afastando um passo do mafioso para garantir que não se aproximasse.

"O que me faz pensar?" Tocou a ponta do queixo com os dedos. "Acho que o fato de estar pulsando de curiosidade me favorece bastante" Apesar do tom irônico, via que ele não estava brincando. "Fico pensando" Relaxou sob o armário, ao lado do guarda-roupa. "Mas o seu principal motivo é que também está entediada com festinha de oitava séria que teve" Os olhos carregados de pura tensão. "Você quer tanto ser uma mafiosa quanto eu quero que seja, é a mesma proporção" Estática, não consegui responder. Estava absolutamente certo em tudo. "Claro, que se ainda assim não for motivo suficiente, posso dizer que contarei a verdade para que sua família descubra o que anda fazendo" Voltou o novamente o olhar para a sacada. "Se descobrissem com que tipo de negócio você trabalha" Aproximou-se um passo, quase imperceptivelmente. "Me pergunto o que eles pensariam" Deu de ombros. "Mas isso não é necessário, não é, Swan?"

"Vá" Andei um passo em sua direção, encarando. "Se ferrar"

"Ah, vejam só" Aproximou-se mais um passo. "Acabei de lembrar que eles não pensariam em nada, porque eu teria que matá-los por saberem demais, e adivinha só" Deu um sorriso macabro. "Mortos não pensam"

O sorriso cheio de dentes brancos aguardava a minha resposta e apesar de me sentir ofendida diante da evidente ameaça feita por meu inimigo, meu corpo e minha mente insistiam em descobrir qual eram seus planos, o mafioso não sabia, mas não precisava ser ameaçada para ir a qualquer lugar com ele, meu corpo traiçoeiro aceitaria qualquer coisa daquele maldito homem.

"Então Swan, o que vai ser?" Perguntou, como se realmente tivesse uma opção.

"Vamos logo, antes que eu mude de ideia" Disse com o nariz arrebitado, me direcionando até a porta, enquanto assistia o sorriso vitorioso do traficante se alargar, porém, no segundo seguinte, estanquei na porta. "Não podemos ir"

"O que?" Questionou com a testa fincada.

"Meus avós estão na sala" Disse, lembrando-me que estavam perto da porta, e o mafioso continuou me olhando de um jeito estranho. "Eles acham que você foi embora, não pode simplesmente surgir do meu quarto"

"Dane-se, eles nem vão notar" Me puxou pela mão, mas a retirei.

"Não vou descer" Finquei os pés no chão e vi o rosto do Cullen cintilar.

"Tudo bem, vamos descer por onde entrei" Sorriu para a sacada. "Pela janela"

"Não vou..."

"Vamos logo" Exclamou, me puxando. "Só pare de falar e me acompanhe, você faz parte do maior cartel de drogas do país e está com medo da porra da janela?"

Puxou minha mão e exigiu que descesse primeiro, provavelmente imaginando que não desceria caso ele não me pressionasse, a escada de emergência era uma maravilhosa solução, não sabia como ela havia parado ali, mas agradecia mentalmente por não ter que me agarrar e descer por uma árvore qualquer.

Descemos sem nenhum prejuízo e graças aos céus, ninguém nos viu, a Suzuki estava a alguns metros e logo fomos em sua direção, o Cullen subiu no automóvel e ligou o motor esperando por mim.

"Sobe" Ordenou, olhando para frente.

"Não" Lançou o olhar novamente para mim, mostrando que se tivesse que me obrigar a subir, o faria. "Eu quero dirigir"

"Pretendo voltar para o Cartel vivo, Isabella" Ironizou, assimilando surpreso minha ordem, certamente não espetava que eu quisesse dirigir. "Na última vez que resolveu dirigir uma moto, acabou machucada, não lembra?"

"É meu aniversário, tenho direito de escolher para onde vamos" Disse com o nariz empinado, ignorando sua ironia e com a certeza de que falaria alguma coisa estúpida ou grosseira e me obrigaria a ir de carona, mas meu inimigo mais uma vez me surpreendeu, se levantando da moto, erguendo a chave em minha direção.

"Que Deus nos ajude a voltar vivos para casa" Se benzeu, e revirei os olhos, subindo na moto.

"Suba, antes que eu me canse e deixe você aqui" Disse e ele gargalhou da minha suposta prepotência, sim, ele gargalhou, não soube ao certo o por quê, mas o som da estrondosa gargalhada me deixou leve, diria até em paz, talvez ouvir um homem tão imponente e turrão como aquele gargalhando, fosse uma terapia, afinal.

Subiu atrás de mim e colou os nossos corpos levando as mãos até as minhas e colocando-as por cima. O homem atrás de mim possuía duas vezes o meu tamanho e seu corpo era praticamente como uma concha sobre o meu, me protegendo. Senti o cheiro cítrico do Cullen invadir o ambiente ao meu redor, o que fez com que quase esquecesse de dar a partida, eu disse quase.

"Pode partir, motorista" A voz rouca ressoou num tom de brincadeira em meu ouvido e senti meu corpo inteiro arrepiar.

A moto era veloz demais, mesmo quando apertava levemente o acelerador, para que não ultrapassássemos demais a velocidade, mas de vez em quando o Cullen reclamava e pisava sobre os meus pés, fazendo com que acelerássemos mais.

O queixo do mafioso estava pousado em meu ombro esquerdo, e sentia sua respiração quente vibrando em meu ouvido, gerando alguns choques, chegamos rapidamente ao destino e senti todo meu corpo relaxar quando o corpo quente do traficante desceu da moto.

O castelo estava exatamente como quando o vira pela última vez, anos atrás, com meu pai, não sabia porque estava ali com o Cullen, mas simplesmente havia surgido uma vontade enorme de visitar o lugar que costumava ir com meu pai, avaliei o vasto jardim seguido de um enorme lago.

"Château de Val" Leu a placa com um sorriso no rosto.

Andei até a beira do lago, sentindo sua presença logo atrás de mim, toquei a ponta dos pés na água e avaliei o céu notando as diversas estrelas que eram obscurecidas pelo brilho da enorme lua acima de nós.

Fitei meu inimigo que também avaliava o céu ao meu lado, esperando uma expressão traiçoeira ou zombadora, mas a única expressão que notei em seu rosto foi seriedade e até mesmo satisfação por estar ali, não entendi o porquê, mas parecia satisfeito por ter sido levado até o castelo.

Voltei os olhos para o céu e ouvi sua voz quebrar o silêncio.

"Você gosta?" A voz era suave e ele parecia refletir sobre algo.

"Do quê?" Enruguei a testa.

"Das estrelas" Disse simplesmente e tentei imaginar onde queria chegar com aquela conversa, parecia mais uma afirmação do que uma pergunta.

"Só de vez em quando" Confessei e ele esperou em silêncio que completasse o raciocínio. "Tem vezes que elas estão simplesmente magníficas, é como se não existisse nada mais incrível do que um céu escuro cheio delas" Observei mais uma vez o céu, mas a atenção de meu inimigo agora era voltada para mim. "Mas tem dias que elas parecem tão pequenas" Notei que era o caso daquela noite. "Quando a lua está no céu, ninguém nota as estrelas, então elas parecem simplesmente insignificantes" Refleti. "Parece que não pertencem àquele lugar"

Notei que não falava somente das estrelas, o que dizia tinha mais relação com minha própria vida do que o céu propriamente dito, eu era como aquelas minúsculas estrelas, praticamente insignificantes diante da esplendorosa lua.

"É estupidez pensar assim" Ainda encarava meu rosto. "A beleza está na composição, no todo, não há beleza em uma estrela sozinha, mas também não há só em uma bola redonda brilhante"

Por algum motivo estúpido aquela frase pareceu muito mais direcionada para mim do que para as estrelas e no momento que encarei o rosto do mafioso, notei que era realmente para mim, era de mim que ele falava, estava se comparando à lua e afirmando que eu era uma de suas estrelas, uma das malditas coisas que pertenciam a ele, o pensamento pretensioso do homem à minha frente ao invés de ter o efeito de tranquilizar, acabou me deixando ainda mais irritada, não gostava de ser vista como uma de suas propriedades.

"Não sou a porra de uma estrela" Afirmei, virando o rosto, novamente para o lago, notando que se assustara com meu tom de voz repentinamente irritado.

"Não disse que era" Afirmou, aproximando-se. "Mas se quer saber, se você fosse, certamente seria minha" Voltei o olhar de ódio na direção do mafioso. "Eu não desisto do que quero, Swan, se fosse você deixaria de resistir"

A arrogância do maldito homem causava irritação por todo o meu corpo.

"Vá a merda, não sou uma propriedade para ter um dono" Vomitei as palavras em seu rosto. "Você é iludido se acha que um dia vou ser sua, prefiro mil vezes dormir com Jacob, que é um homem decente, do que com você"

A comparação fez com que os olhos do meu inimigo vibrassem de puro ódio e quando dei por mim, seus braços já agarravam os meus.

"Jacob não é um homem de verdade, Swan" Apesar da raiva, as palavras saíam lentas, o que tornava a voz do meu inimigo ainda mais sexy. "Poderia transar com ele algumas vezes, pedi-la em casamento e ter diversos filhos correndo por aí" Dissimulou a curta história, fazendo com que me arrepiasse só de pensar em um dia ter alguma coisa com Jacob. "Mas ele não daria nem metade do prazer que eu poderia te dar" Os olhos transbordavam de um azul escuro, e as palavras saíam num sussurro, enquanto passava a ponta dos dedos sob meu pescoço, afastando as mechas de cabelo que pendiam no local. "Você é uma mulher de verdade, Swan" Tentei notar se ele blefava, porém, suas palavras eram carregas de sinceridade. "Precisa de um homem de verdade em sua cama"

Os azuis faiscantes se direcionaram para o meus pescoço e logo sua boca depositava curto beijos no local, seguido por mordidas, a boca quente do mafioso impedia meu raciocínio, fazendo com que eu amolecesse em seus braços, porém, os braços eram firme, e circundavam ao meu redor, impedindo que fosse ao chão.

Suas mãos foram em direção às minhas coxas e as puxou para cima, fazendo com que circulasse sua cintura, enquanto continuava com os beijos por todo meu busto, meu coração palpitava mais rápido do que nunca e mal conseguia me lembrar sobre o que discutíamos a segundos atrás, tudo o que pensava era que a sensação de tê-lo tão perto de mim era incrível.

Andou em direção a uma árvore grossa, próxima de nós, e encostou-me com força na madeira, fazendo com que alguns pássaros que dormiam tranquilos no local, voassem assustados com a movimentação repentina; as mãos escorregaram da minha cintura até minhas pernas, fazendo com que leves arrepios atravessassem minha pele.

"Acha mesmo que o maldito Jacob pode fazer isso com você?" Descolou sua boca de meu pescoço, e passou os dedos novamente por meu corpo, fazendo-me arrepiar novamente. "Acha mesmo que seu corpo combina tão bem com o dele, como combina com o meu?" Distribuiu diversos beijos por toda extensão do meu braço, chegando novamente ao pescoço, a vergonha de arrepiar cada vez que ele me beijava tomou meu rosto. "Acha mesmo que ele te faria arrepiar e ficar com vergonha?"

"Não estou com vergonha" Afirmei, apreciando as mordidas que ele distribuía no lóbulo da minha orelha.

"Mentirosa!" Acusou, me encarando. "O que você quer que eu faça, Swan?" Os glóbulos oculares, que brilhavam de um azul escuro tentavam a todo custo me intimidar. "O quer de mim, Swan?" Apesar da pergunta se referir a mim, parecia que tentava falar consigo mesmo, como se martirizasse por estar naquela posição, comigo. Voltou a distribuir beijos em meu busto, me pressionando ainda mais contra a árvore. "Você quer que seja o Jacob em meu lugar, Bella?" Me chamou pelo apelido pela primeira vez, o que fez com que meu coração batesse estupidamente mais rápido.

Gemi quando deu uma mordida mais forte. "Responda!" Ordenou.

"Não quero" Minha voz saiu em um sussurro, e apreciava o toque forte dos lábios de meu inimigo de olhos fechados.

"Mais alto"

"Não quero" Consegui fazer com que a voz saísse um pouco mais alto.

"E quem você quer Swan?" Me inquiriu. "Quem você queria que fosse aqui?"

"Mais que porra"

"Fale!"

"Eu queria você, porra" Exclamei, enquanto paralisava os beijos e abria os olhos para encará-lo. "Eu quero você" O sussurro foi tão baixo que me perguntei se ele realmente havia ouvido, porém, o brilho que passou por seus olhos mostrou que havia realmente havia ouvido.

Os lábios voaram em minha direção, me espantei com a urgência que meus próprios lábios possuíam, era como se ansiasse pelos lábios inimigos, como se não houvesse nada que quisesse mais do que as malditas mãos pecaminosas passeando por meu corpo.

As mãos rápidas adentraram minha blusa, tocando minha cintura, e senti o chão se movendo de baixo de nós, notando que na verdade que se movia era o mafioso, que me carregava até o lago, a boca sedenta passeava por meu pescoço, e minhas mãos acariciavam o cabelo macio do homem que insistia em me levar à loucura.

Senti a água tocar as minhas pernas enquanto se abaixava, fazendo com que a água gelada chegasse até nosso pescoço, a cada toque daquele homem, meu corpo inteiro protestava, necessitando de mais, porém, minha mente, fraca e quase esquecida, gritava que estava fazendo a coisa errada, e que o maldito mafioso era o pior homem com quem eu poderia me envolver.

Mas a mente realmente ficava apagada, diante das fortes mãos que me agarravam com força, passei a distribuir arranhões por todo o braço do meu inimigo, como que querendo puni-lo por me fazer ficar tão insana, porém, tudo que recebia em troca eram gemidos de satisfação, e não protestos, o maldito homem mal sentia meus machucados.

"Ei" Notei uma terceira voz surgir em meio aos meus próprios gemidos de prazer. "Ei, vocês dois, saiam daí agora" Cullen pareceu voltar ao juízo, enquanto tirava a boca vermelha do meu pescoço marcado. "Vocês não podem fazer isso aqui, se não saírem agora, chamarei a polícia"

Um enorme guarda armado, apontava uma lanterna para nosso rosto, fazendo com que a vergonha me atingisse em cheio, em alguns segundos o juízo voltara e eu percebi a situação constrangedora em que me encontrava.

Desci rapidamente do colo do mafioso, envergonhada diante do guarda.

"Mais que porra" O Cullen parecia enfurecido, mais um pouco e podia afirmar que poderia meter um tiro no meio da testa do pobre guarda.

"O que disse, senhor?" O guarda revidou irritado.

"Ele não disse nada" Afirmei, tranquilizando o Cullen com as mãos. "Já vamos sair, sinto muito pelo constrangimento"

O guarda logo sumiu, afirmando que deveríamos sair em no máximo cinco minutos, saí da água agradecendo ao céu por ter mandado o misterioso guarda até nós, com certeza era uma tentativa divina de me desvirtuar do mau caminho.

Enquanto meu inimigo ia em direção à moto com passos pesados, e murmurando palavrões que eu nem sabia que existiam, percebi que realmente deveria ficar longe do mafioso, ele não me deixava raciocinar, meu corpo certamente se sentia atraído pelo corpo incrivelmente musculoso do traficante, e se eu quisesse ter uma chance de continuar sendo uma pessoa digna, e não um dos objetos do Cullen, realmente deveria ficar longe dele.

Mas a grande questão era: seria possível me livrar daquele homem?

A cada novo lugar que ia, ele, como maldito enviado do inferno, dava um jeito de me encontrar e tentar me dobrar com suas palavras não ditas e gestos contraditórios.

"Vamos, precisamos ir" Disse visivelmente irritado e frustado pelo empecilho do guarda.

E naquele momento notei que seria impossível ficar longe daquele homem, era perito em perturbar quem estivesse por perto e por algum motivo assombroso, eu era o maior alvo de suas ardilosas armadilhas.

Mas prometi a mim mesmo que tentaria.

Não importava o quanto o Cullen tentasse, como ele mesmo havia dito: Para ficar com Isabella Swan tinha que ser um homem de verdade.

Se ele era um homem de verdade, isso certamente iria descobrir.



Notas finais
SUPER NOVIDADE: Minha prima - e melhor amiga - Luiza, vai fazer 20 aninhos em novembro, e adivinhem só o que ela pediu de aniversário? Um capítulo de 20.000 palavras, então, se preparem, que em novembro os capítulo vão ser gigantes! #socorro Lá vem os avisos: Primeiro: Desculpem pelo o atraso, tive uma semana realmente difícil, emocionalmente falando, e sério, as vezes acho que minha única alegria é ler os comentários e recomendações de vocês! Segundo: Leitoras novas, sejam muito bem-vindas! Apreciem o mestre junto com a gente! Terceiro: LEITORAS FANTASMAS QUE NUNCA COMENTAM, por favor, se identifiquem, se você está gostando, mexe os dedinhos e ajude essa escritora a ficar feliz. Quarto: TERÇA-FEIRA EP FAZ TRÊS MESES, O QUE É LINDO DEMAIS, GRAÇAS A VOCÊS ESTAMOS FIRME E FORTE, então, muito obrigada. To meio triste com essa semana, mas sei que as coisas vão melhorar, se Deus quiser! Quinto e último: ESTAMOS COM CAPA NOVA, o que vocês acharam? Eu amei! ENFIM, quem não segue, SIGA O @EMPERIGO! Um super beijo, bia não é bia sem vocês! Bia.