Em Perigo
24 Capítulo 24 - Executando os planos
Notas iniciais
Lentamente abri os olhos notando que ainda era noite. O Cullen ainda dormia em meu colo parecendo extremamente relaxado. Não podia deixar de gostar da sensação de tê-lo por perto. Olhei ao redor agradecendo aos céus por ninguém nos observar e brotou a curiosidade: o que exatamente pensariam se soubessem que estávamos juntos? Se nem eu sabia o que pensar, que dirá os outros do cartel.
O celular do mafioso começou a tocar, mas seu sono era tão profundo que não se moveu um centímetro sequer.
“Edward” Chamei seu primeiro nome sentindo a sensação estranha sensação de intimidade me atingir. “Está tocando” Apertou o botão desligando a chamada.
“Que horas são?” Permaneceu com os olhos fechados.
“Quatro e meia” observei. “Minha perna está dormente” O tom da minha voz era divertido e calmo.
“Vamos combinar que será noite até as cinco” A voz rouca exigiu séria. “Preciso de você aqui até as cinco” Os olhos abriram lentamente. “Preciso de pelo menos mais meia hora para aguentar o que vem pela frente” Um arrepio percorreu meu corpo com a intensidade do seu pedido. Continuei encarando seu rosto questionando o motivo da afirmação, sendo invadida por um misto de preocupação e agonia com o que viria a acontecer. O coração parecia querer sair pela boca e o corpo permanecia eletrizado pela proximidade de meu ex-inimigo.
“Vou ficar” A voz saiu com simplicidade e voltou a fechar os olhos.
“Quando amanhecer vamos começar uma nova missão” Estranhei a explicação. “É por isso que vim aqui, ficarei distante por um tempo” Decretou e uma angústia desordenada passou por meu corpo ao pensar em distância.
“É alguma entrega aos cartéis vizinhos?” O pensamento voou com a possibilidade de novas missões. Nem pensei em questionar a ordem, mas sentia a estranha necessidade de sentir útil, talvez em pouco tempo ele informasse que eu faria parte, ele já havia mencionado antes que poderia ser útil antes, e eu esperava profundamente que ele não tivesse mudado de ideia.
“É uma missão pessoal” Limitou-se a citar apenas isso. Diversas situações inundaram meus pensamentos, uma missão pessoal poderia ser qualquer coisa. O corpo permaneceu ainda mais eletrizado, notei que a proximidade do mafioso não era apenas física, mas emocional. Precisava admitir que estava cada vez mais ligada emocionalmente ao Edward e a necessidade de auxílio para uma missão pessoal mostraria reciprocidade. A sensação era inebriante, sentir que o Cullen aos poucos confiava em mim, inclusive em meus atos como mafiosa era indescritível. Sorri lentamente com a certeza de que muito em breve ele me incluiria em seus planos.
“Então quer dizer que o maior mafioso do universo precisará da minha ajuda?” Ousei passear as mãos em cabelo de forma tímida, jogando com as palavras. Uma necessidade desenfreada de fazer parte de seus planos surgiu dentro de mim sem nenhuma autorização. Só depois de falar notei que meu coração batia forte aguardando a resposta.
“Ora, lhe vendo me descrever como o maior mafioso do universo já é uma vitória” Embora sua fala parecesse leve, seu olhar estava distante e obviamente havia ignorado minha tentativa patética de participar do quer que fosse o plano. “Mas falando sério, pode ser uma missão suicida Bella” Me chamou pelo apelido me fazendo estremecer. Os pensamentos atravessaram as fronteiras imaginando qualquer tipo de situação, todo e qualquer mafioso deveria estar preparado para uma missão suicida, mas esta missão era especial, pois tinha algo relacionado ao mestre e era exatamente este ponto do diálogo que me fazia aguçar a curiosidade como uma felina.
“Questionar algo antes da hora parece ser ainda mais suicida” Espalmei as mãos sobre as madeixas, causando uma desorganização. Permaneceu intacto em seu rosto sério.
“Assim que puder darei as diretrizes” Sentenciou com distância, não sabia ao certo se as diretrizes eram para mim ou para outras pessoas, parecia que nem ele ao certo sabia quem as receberia. “Há a escolha de não participar, caso não queira” Por um momento de espanto permaneci calada. Ter escolha de participar ou não de algo designado pelo mestre era no mínimo assustador. O medo me preenchia aos poucos diante da ignorância acerca do que se tratava a referida missão. “Mas se escolher me ajudar, deverá ir até o fim”
“Não costumo ficar no meio do caminho” Exclamei.
“Disso eu bem sei” Respondeu transbordando calmaria. Momentos como aquele eram tão raros que eu nem sabia como lidar com um Edward tão manso. Seu rosto transparecia tanta doçura que era inacreditável que pudesse existir alguém com tantas diferentes formas de se expressar.
“Um minuto para as cinco” Dei a notícia e para minha surpresa ele apertou com força minha mão me impedindo de levantar.
“Deixe passar um minuto então” Revirei os olhos, claro que não desistiria daquele minuto. E por um instante, por um erro do universo, finalmente concordamos em algo, pois eu também precisava daquele minuto. Não por causa da missão – ou pelo menos não ainda – mas porque não sabia quando teria um momento como aquele novamente, com um Edward relaxado e sem preocupações.
O minuto correu nervosamente rápido e tivemos que levantar. Edward me lançou um olhar profundo, como quem também se despede da tranquilidade que permaneceu por pouco tempo, mas pareceu fazer um bem enorme em nós dois.
Minutos depois, como quem parecia saber exatamente quando interromper uma conversa do mestre, Step apareceu enquanto o Sol ainda surgia tímido.
“Te vejo em casa” Piscou e logo sumiu com Step. Uma gargalhada escapou sem permissão de minha boca, ver o Cullen dizer que me encontrava em casa era assombroso, quase uma afronta ao cartel de drogas, mas quem se importava? Eu simplesmente adorava a sensação de poder encontra-lo em casa.
*
Os passos eram firmes e agitados. O coração era uma convulsão constante. Equilíbrio? Possibilidades? Tranquilidade? Deixaria essas pontuações para o coração das crianças. O coração de um adulto seria para sempre um mar revolto, desconhecido por ser infinito.
Desci os degraus até a sala de comando tentando manter o que restava de meu controle. Por vezes Isabella era o descanso que minha mente podia ter, por vezes o meu tormento, e sempre as duas coisas ao mesmo tempo. Longe dela todas as preocupações reais, sólidas e palpáveis me alcançavam como um soco na boca do estômago. Era exatamente este meu tormento. Ter uma distração que não poderia chamar de minha. Isabella era sua e de mais ninguém, disso bem sabíamos. Ela era um furação, ninguém poderia detê-la.
Soltei um sorriso em meio ao tormento: ela seria perfeita para o meu plano. Não poderia ser outra pessoa. Ninguém teria a audácia daquele meio metro mafioso. Era por isso que as lembranças do descanso me invadiam, meu corpo clamava por mais, clamava por Isabella Swan. Meu tormento e minha sanidade.
Se ela era esse ponto crucial de meu plano, não entendia exatamente o motivo de meu peito continuar apertado quanto à sua participação. Ter a mafiosa à frente de minha missão mais importante era um voto de confiança que minha mente já estava pronta para dar, porém, a estranha sensação de perda apertou como um nó em minha garganta. Eu não estava pronto para expor Isabela ao maior perigo de sua vida e me odiava por isso.
Me odiava. Esfreguei as mãos em minhas madeixas, arrancando algumas delas. O dilema estava acabando com minha sanidade.
“Assim você vai ficar careca” Não respondi ao riso de Emmet e permaneci focado em analisar os gráficos recentes. “É sobre Isabella?”
“Você aprendeu a ler mentes ou está só adivinhando?” O tom de voz ainda era baixo, um dos efeitos duradouros de meu encontro com um furação que pela primeira vez não estava em erupção.
“É meio óbvio que uma de suas rugas de expressão se chama Isabella” Emmet balbuciou largando o mapa que segurava. “Não precisa de muito para entender isso”
“Garota dos infernos, me fazendo ser previsível” Passei a ponta dos dedos sobre as rugas, pois dedicaria mais de uma àquela mafiosa encrenqueira.
“Ela participará da missão, mestre?” Emmet fez ressoar a pergunta que tanto martelava dentro de mim. Calei constrangido. A missão estava atrasada e todos sabiam disso. Minha dúvida era nítida, quase palpável. Nunca antes havia duvidado sobre os participantes das missões, portanto, ninguém sabia ao certo o que esperar de minha indecisão.
“O que dá vantagem à um inimigo, Emmet, é o ponto fraco” Minha resposta soou depois de algum tempo. “Todo mundo tem um ponto fraco e pode ser o dinheiro, o cartel, as drogas ou qualquer outra coisa que lhe faça hesitar” Destinei um olhar melancólico para Emmet, que não entendia os meus argumentos. “Um mafioso nunca hesita”
“Não estou entendendo mestre” A voz dele ressoou séria e arrastada. Entendia o peso daquela conversa. “Do que se trata?”
“Preciso continuar sem um ponto fraco e isso me leva diretamente a excluir Isabella de tudo que diz respeito à mim” Os seus olhos brilharam e notei que minha voz era apenas um sussurro. Sim, por algum acaso do destino, eu estava assumindo para um subordinado que meu ponto franco não era uma coisa, mas uma pessoa.
“Você é Edward Cullen” Soltou confiante, mantendo sua direção em outro lugar. “Não vai perder essa missão.” Assenti como forma de agradecimento pela confiança, mas ambos sabiam que essa confiança não era nossa, não ainda.
Um rompante de determinação passou por mim. Eu não podia hesitar, não podia destruir tudo que minha equipe arduamente conseguiu por causa sentimentos. O que me fizesse hesitar deveria ficar de fora e a decisão finalmente estava tomada.
“Prepare tudo, vamos viajar hoje” Emmet virou-se assustado com tom de voz que emanei. “Vou vencer essa porra ou não me chamo Edward Cullen”
Sorriu em resposta.
“Atenção aos comandos, embarcaremos na missão 313 em poucas horas, cambio”
*
A missão na França estava completa e graças aos céus, bem sucedida. Um incomodo tomava conta de mim, simplesmente uma enorme vontade de voltar para casa. Claro, este incômodo envolvia uma certa vontade de encontrar um mafioso específico que dava câimbra em meus neurônios e alterava minha sanidade.
“Que garota bem humorada” O sorriso de Alice entrou em meu campo de visão enquanto o ônibus dava mais uma curva. “Ah, o amor”
“Deixa de ser ridícula, Alice” Obviamente a ridícula era eu que não conseguia tirar a alegria do encontro estranhamente calmo de meu rosto.
Além do encantamento por nosso encontro, existia dentro de mim a ansiedade para começar os preparativos da missão o mais rápido possível, o que me fazia olhar o relógio há cada cinco minutos. Os iniciantes pareciam um assunto patético perto da missão do mestre. Finalmente tinha o meu momento de vida, a minha oportunidade de auxiliar uma missão verdadeiramente importante. Meus nervos borbulhavam de êxtase.
“Calma, em trinta minutos você encontrará seu macho alfa” Alice soltava a provocação aos risinhos e ignorei o máximo que pude, não poderia desfocar minha mente. Todos os meus pensamentos tentavam descobrir do que se tratava aquela missão, quanta droga estaria envolvida? Quantos carregamentos?
“Você não vai estragar meu bom humor” Soltei entre dentes.
“Óbvio que não” Parou o riso e voltou aos assuntos da missão, quando me enfiei um pouco mais na cadeira mofada do ônibus. Nem em meus melhores ou piores desejos me imaginei naquele ambiente, cercada de gente do bem, unidos por uma causa ruim. Por alguns segundos, nem parecia tão ruim assim. O cartal passou a ser a nossa casa, como imaginar um ambiente ruim?
Voltar para casa era sempre uma dádiva. Com amigos, mais ainda. Sim, eu não conseguia mais não ver aquele lugar estranhamente como meu lar e sabe Deus se isso era normal ou saudável.
Entre minhas divagações o tempo voou e finalmente vi o enorme portão que denunciava aquele maldito cartel, agora meu temível lar. O coração palpitou, logo estaria com um certo mafioso em direção à sua maior missão. Que Deus me ajudasse, pois não conseguia lidar com aquela explosão de ansiedade dentro de mim.
Desci do ônibus às pressas, empurrando sabe lá quem, alcançando minhas bolsas e caminhando a passos largos por todo o pátio lateral. Notei que Emmet e Jas carregavam painéis de monitoramento em direção à um enorme Jeep que já continha outros equipamentos cuidadosamente encaixados.
“Jas” Gritei de longe chamando a atenção do dois. “Quanta coisa, caramba” Sorri para os dois com entusiasmo, o que não impediu o cuidado com o depósito da placa no chão do carro. “Já estão nos preparativos? Quando a missão iniciará?”
“Como assim, Bels?” Jas soltou sem muita empolgação. “Estamos realmente ocupados, depois a gente se fala”
“Quem é o responsável por me passar as instruções?” Cruzei os braços com impaciência, um incomodo me alcançava aos poucos.
“Quais instruções?” Emmet me encarou com incompreensão, mas aos poucos a percepção do ocorrido passou por seu olhar, transformando sua expressão em compaixão. “Bella, você não foi escalada para a missão”
Não sei exatamente o que me transformou, o ódio me atingiu aos poucos talvez pela expressão patética de pena que Emmet me dirigia ou por lembrar como um soco no estômago o motivo de odiar aquele maldito mafioso.
“Bels, por favor, não faça uma cena, estamos realmente envolvidos com essa missão, nada pode dar errado” Jasper soltou provavelmente notando a fumaça, o ódio e o transtorno que meu rosto transparecia.
“Não faça nada, por favor” Eu mal ouvi as última palavras de Emmet, pois já caminhava com passos firmes e largos em direção ao castelo. A fúria me tirava todos os sentidos e juro que escutei uma das lajotas estalar, tamanha a força que destinava em meus passos. Imaginava sem a cabeça de um certo imbecil.
Os sentimentos faziam transação entre si. Um misto de orgulho, desprezo, humilhação e derrota faziam escala, mas a fúria, ah... a fúria! Essa me dominava por completo enquanto subia as escadas até o quarto do suposto mestre.
Os momentos de calmaria que existiram horas antes haviam se dissipado, viraram poeira, eu só tinha um ódio mortal para destinar a quem o merecia e esse ódio logo encontraria seu dono.
Escancarei a porta do conhecido quarto fazendo um estrondo quando esta bateu com força na parede bem pintada de tons escuros. Torcia para que destruísse ao menos parte dela. Procurei sem me mover e não encontrar nada além de uma mala fechada sobre a cama. Pisei fundo até sua direção e abri descaradamente encontrando as roupas formais do meste.
“Desgraçado” Arranquei meia dúzia de blusas pretas bem passadas, espalhando todas pelos quatro cantos do quarto. “Se você pensa que vou facilitar sua ida, está bem enganado” Só demorou meio par de calças para ouvir vozes altas no corredor.
“Isabela” Jasper correu em minha direção, tentando retirar as roupas de minhas mãos. “Você está perdendo o seu juízo” A irritação era nítida e pouco me importava, meu assunto não era com ele.
“Deixe” Escutei a voz que procurava e o encontrei encostado na porta do cômodo. “Pode sair Jasper” Seus olhos permaneciam fixos em mim e meu coração parecia querer pular pela boca. Jas hesitou por um momento, mas logo saiu, fechando a porta.
“Suponho que já saiba que não participará da missão” Sua voz era suave, o que só me irritava ainda mais. Era como se destinasse alguma comiseração à mim, como se fosse mais um com pena.
“Posso saber o motivo, mestre?” Cuspi a última palavra com ironia, meu corpo inteiro tremia com a sensação de humilhação, a sensação de não ser necessária de atingia de forma indescritível. Não poderia aceitar, não depois de tudo que havíamos passado juntos, não depois de acreditar que ele finalmente confiava em mim para auxilia-lo.
“Nada específico, não faça uma tempestade Isabella” Soltou uma lufada de ar. “Acho você extremamente sexy assim, com o cabelo desgrenhado e os punhos cerrados e acredite, adoraria brigar com você por horas, se é que me entende” Soltou um sorriso arqueado, que juro, poderia destruir em segundos com meus punhos, analisando meu nível de estresse. Ah, aquele terreno era perigoso, eu estava a ponto de sofrer uma síncope. “Mas estou cansado e preciso terminar os preparativos da missão, então por favor...” Me encarou com profundidade. “...não atrapalhe”
As palavras soaram inacreditavelmente sinceras e assustadores, diante de uma “pedido” saindo dos lábios do mafioso, principalmente com um “por favor” acompanhando a frase. Talvez em um outro momento a frase surtisse algum efeito sobre mim, mas não ali, não diante da humilhação de ser rejeitada para a missão de sua vida. Um filme passava por minha mente, quantas vezes eu teria que provar o meu valor?
Desde o primeiro dia no cartel sofri com os desafios, sempre todos ao redor afirmando que não conseguiria chegar ao fim dos treinamentos e das missões. Sempre implorando para prova que podia, que conseguiria, que aguentaria. Quanto mais eu teria que fazer para provar o quanto podia? Será que já não tinha sido suficiente?
Pedir para que não atrapalhasse seus planos era uma afronta. Era um soco bem no meio do meu estômago. Era provar que qualquer confiança que ele havia demonstrado não passava de farsa.
“Atrapalhar?” Gargalhei com raiva. “Edward, desde o primeiro dia em que estive aqui assumi esse lugar como minha casa, minhas missões são minha vida, eu cumpri todos os protocolos, obedeci seus treinamentos” Notei que desviara o olhar, algo em seus olhos demonstrava insegurança, como se não soubesse me dizer não, como se não tivesse e não quisesse justificar seus atos. “Já provei de diversas formas meu potencial e me recuso a fazer novamente”
Apressei os passos em sua direção, mas ele inverteu as posições, me ignorando e caminhando até seus pertences no chão. Inacreditavelmente pegava um por um, tudo o que estava espalhado.
“Seja homem uma vez na vida e me diga porque não estou indo” Encarei com desrespeito e notei que segurou uma par de blusas com força, nós se formaram em seus dedos e aos poucos transmitia a ele um pouco de minha raiva, ótimo, pois não estava disposta a ceder.
“Minha paciência tem limite” Me encarou com ódio pulsando. “Não vou me justificar a uma subordinada, você está fora da missão e ponto final” Seu autoritarismo fazia minha mente latejar de fúria.
“Ok, se é isso o que você quer” Dei de ombros e ele cerrou os olhos estranhando minha súbita submissão. “Mas saiba que quando voltar esse cartel vai estar no chão, juro por minha mãe Edward, vou fazer de tudo para acabar com este lugar” Os sentimentos faziam as palavras saírem com frustração e bem detalhadas. Era um blefe, mas esperava que fosse convincente o suficiente para fazê-lo duvidar. “Tem até a viagem para pensar no que é melhor, se quiser que eu fique, farei o máximo de merdas que puder, você decide, mestre”
Juro que o ouvi rosnar, mas já estava a passos de distância do quarto, motivo pelo qual não pude ter certeza sobre quais palavrões murmurava para mim. Só em alguns metros de distância senti minhas pernas tremerem. Eram os efeitos do criminoso sobre mim, disso bem sabia. O homem era másculo o suficiente para me desdobrar, mas eu manteria minha consciência de pé, tentaria ao máximo não hesitar. Meu blefe tinha que dar certo, pois se não fosse nessa missão, não o perdoaria.
*
Só Deus sabia quantas batidas meus pés já haviam deferido ao chão. Minha ansiedade estava incontrolável. Não havia uma unha sequer. Olhei novamente minha mala pronta, fechada e voltei o olhar para a janela analisando o movimento. Todos iam e vinham. Jas, Emmet e Alice carregavam as malas para o carro que os levarei sabe Deus para onde.
"Eu posso ouvir as lajotas estalando" Jenny soltou resmungando. "Queria poder dormir, mas acho que esse prédio não resistirá à sua fúria"
"Só coloca um fone Jen" Soltei, mal notando sua localização no quarto. Meu foco estala na janela que demonstrava minha humilhação. Exatamente seis horas se passaram desde minha frustrada tentativa de chantagem com o Cullen e simplesmente nada tinha acontecido. Já me sentia uma fracassada. Bufei, me apoiando no parapeito.
Precisava urgentemente de um plano. Não poderia deixar a missão da minha vida escapar por meus dedos. O meu blefe tinha que funcionar. Frustrada, me lancei sobre a cama quase sem esperanças, quando a porta se escancarou fazendo Jenny pular de susto.
As luzes do quarto foram acesas e um par de olhos que eu conhecia muito bem me encararam. Expressões duras, um cansaço descomunal e traços de rancor vívido me encararam para cuspir as maravilhosas palavras que esperei absolutamente o dia inteiro para ouvir.
"Você vai, Swan" Edward me lançou as palavras como brasas. "Mas vai seguir cada centímetro de ordem que eu der, vai ouvir cada mínima diretriz ou eu mesmo vou me encarregar de dar um fim nessa sua audácia, está me ouvindo?"
O sorriso foi involuntário, enorme e sofrido.
"Ah mestre, quando foi não fiz isso?" Não deixei o sorriso diminuir. "Vou destruir nessa porra de missão" Soltei uma gargalhada e arrastei minha bagagem quase por seus pés, chegando ao saguão em segundos, escutando apenas seus murmúrios atrás de mim.
Jamais deixaria aquele mafioso mudar de ideia!
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