Em Minhas Memórias

8 Início de um grande problema.


Notas iniciais
Oie!! Mais um capítulo aí, gente ^^. Bem, nesse cap. irá aparecer um professor de Geografia (ainda não decidi o nome dele, então será sempre mencionado Professor de Geografia), ele será importante, um pouco, na trama. Talvez o cap. esteja confuso, mas é só para mostrar como esse professor é. Espero que gostem. Boa leitura!

Fui andando para a minha sala um tanto pensativo. Não devo aceitar o que o Lass pediu, ele não é dono da Elesis, se ela não me quiser por perto, ela mesma precisa me dizer isso! Que droga! Estou pensando nela, eu não deveria... Estou começando a achar que eu deveria aceitar o que o Lass me pediu, afinal. Deveria... Não deveria... Palavrinha chata que fica se repetindo em minha mente.

Por que estou confuso?! Eu deveria ter uma certeza, não uma indecisão. Ah! Eu não vou aceitar ajudar o professor, não ganharei nada em troca mesmo, assim não vejo a Elesis, porque eu não quero e não porque o Lass mandou. E ainda tem a Arme, ela não ficaria feliz em saber que estou tentando voltar a falar com a Elesis. Então é essa a minha decisão?

Parei no meio do corredor e olhei para cima.

-“O que está acontecendo comigo?” – Indaguei para mim mesmo.

Lass passou por mim, esbarrando no meu braço. Sendo que ele nem pediu desculpas. Estou começando a achar que não terei paz nesse ano, tendo um colega de turma que me odeia.

Ryan estava vindo logo atrás, o que me surpreendeu, já que ele vinha conversando com a Lire. Estranho era que Arme não estava com ela... Voltei com os meus pensamentos no que deveria decidir para a minha vida. Talvez, depois, eu pensasse mais na minha baixinha, aliás, ela sempre estava comigo quando precisei, acho que lhe devo algumas explicações, mesmo não sabendo como explicar.

-Ei! Garoto! Ô do cabelo azul! – Ouvi alguém me chamando, bem, acho que sou eu pela descrição da cor do cabelo. Olhei para a porta da sala e era o professor.

Caminhei lentamente até a sala, assim que cheguei à porta, o professor me empurrou para dentro.

-Bem alunos, — Começou ele, sentando-se na mesa – Esse é o último ano de vocês, eu sou professor novo na escola, então preciso me adaptar a turma e vocês precisam se adaptar a mim. Sou professor de Geografia. Não irei gravar os nomes de todos, então... Por favor, nem é preciso fazer apresentações.

Acho que a turma gostou desse novo professor, ele parece ser bem divertido. Assim que é bom, último ano escolar... Aí não fica tão chato vir para a escola, na verdade continuará sendo chato acordar cedo, mas esse professor parece que irá animar nossas aulas de manhã. Assim eu espero...

Meus pensamentos pararam, não porque o professor me chamou a atenção, até porque eu não fazia nada, mas foi uma crise de tosse que deu em mim repentinamente.

Coloquei a mão na boca, para não fazer tanto alarde, mas não deu muito certo, olhares começaram a me ter como foco principal.

-Você está bem, menino de cabelo azul?

Assenti com a cabeça, ouvi alguns comentários sobre o novo apelido que ganhei. “Menino do cabelo azul”... Espero que não pegue e comecem a me chamar assim.

Minha tosse cessou e o professor prosseguiu com a sua apresentação. Escreveu algumas coisas no quadro, mas eu nem prestei mais atenção. Algo estava sendo mais importante naquele momento.

Olhei para a minha mão, a que eu havia posto na boca para abafar o som da tosse. Não estava acreditando no que via, meus olhos esbugalharam e minha reação de desespero foi imediata.

-Ah! – Vi que tinha alguns respingos de sangue. Não gostei daquilo, não gostei mesmo — “Isso não pode estar acontecendo!” – Pensei, quase gritando comigo mentalmente.

-Ei, do cabelo azul! – Olhei para frente e era o professor de novo.

-Meu nome é Ronan. – Disse seriamente, para ver se acabava as conversinhas sobre esse novo jeito de me chamar, tentei não demonstrar que estava aflito com alguma coisa.

-Não me importo muito com o seu nome, até porque irei esquecer logo, então... Mas o fato não é esse, menino do cabelo azul. – Ele enfatizou bem o “menino de cabelo azul”.

O encarei, acabei de levar um fora de um professor novo. Ouvi alguns comentários idiotas, a minha vontade era de sair daquela sala. Tentei não me dispersar do que estava acontecendo. Pensei em alguma resposta para não ficar por baixo.

-O senhor poderia ser mais educado. Assim como estou em sala com a obrigação e o dever de respeita-lo, o senhor deveria fazer o mesmo.

-Você quer ser o mandachuva da turma? Quer ter mais autoridade que eu, o professor? – Ele me encarou e eu comecei a me arrepender de tê-lo achado legal logo de cara. Do nada ele começou a rir – Não precisa me olhar desse jeito, menino de cabelo azul, estou brincando. Você tem razão, devo respeita-lo, assim como você me deve respeito. Em sala de aula sou um profissional que educa, certo?

Apenas afirmei com a cabeça, queria saber até onde ele iria com aquela conversa. Esse professor é meio doidinho, muda de personalidade toda hora... Ele não é normal mesmo.

-Não quero ficar de papinho furado, eu só te chamei porque percebi que olhava a sua mão um tanto assustado, o que houve? – Ele parecia bem preocupado comigo, estranhei, mas não argumentei.

-Não é nada. – Decidi não contar, era melhor.

-Se não fosse nada, não iria parecer uma garota ao ver que quebrou a unha. Você fez uma cara de espanto igualzinho de uma garota.

A turma toda riu e eu permaneci sério, o encarando. Aquele professor com certeza não gostou de mim e eu estou começando a não gostar dele também.

-Quando a aula estiver acabando eu falo, tudo bem?

-Por mim... Eu só estava preocupado caso fosse algo mais sério.

-Não se preocupe, não é. – Finalizei a nossa conversa, estava sendo constrangedor olhares em minha direção.

Honestamente, eu não estava entendendo muito bem qual era a desse professor novo. Mas irei descobrir, ele está muito brincalhão para o meu gosto.

Ele não deu matéria, apenas explicou seu jeito de dar aula, alguns projetos que tinha em mente. Eu, no entanto, fiquei olhando a minha mão, vi que o professor me olhava de vez em quando, resolvi passar a mão na minha calça, limpando-a.

-Bem, acho que deu para vocês me conhecerem, né? – O professor olhou para o relógio – Faltam dez minutos para o próximo professor entrar, então vou dar esse tempo livre. Mas não se acostumem, só estou fazendo isso porque hoje é o meu primeiro dia.

O silêncio que pairava sobre a sala acabou quando o professor disse “tempo livre”, mesmo sendo de apenas dez minutos. Eu permaneci quieto, abaixei a cabeça e tentei não pensar em nada por um momento. Mas o fato de ter saído sangue quando eu tossi... Aquilo não saía da minha cabeça, parecia um alerta piscando toda hora. Eu tinha até me esquecido da Elesis, do que o Lass pediu e sobre a resposta que eu deveria dar ao professor de História.

-Ei! Menino do cabelo azul!

Respirei fundo e levantei o rosto, aquele professor tem algum problema na cabeça? Que saco! Meu nome não é tão difícil de gravar e tem menos letras que “menino do cabelo azul”.

-Vem aqui, por favor. – Ele pediu e eu não pude ignorar.

Levantei-me e fui até sua mesa, contra a minha vontade, logo, meu semblante não estava nem um pouco feliz.

-Você disse que me contaria o que estava fazendo olhando para a sua mão. Se for por causa da unha quebrada, eu vou entender. – O professor riu.

Continuei sério para ver se ele se tocava e percebia que eu não estava achando graça das suas piadinhas.

-Não vai me contar?

-Quando o senhor parar de palhaçada. – Disse, sem hesitar, sem ao menos pensar nas consequências de ter chamado o professor de palhaço, mas foi ele quem pediu. Então, não estou arrependido.

Ele se levantou da cadeira e bateu com as mãos na mesa. Acho que estou começando a me arrepender. Dei um leve passo para trás, foi inesperada essa reação do professor.

-Eu sou palhaço, né?! – Sua voz estava alterada e, novamente, eu virei atenção da turma – Para quem chegou com a moral lá em cima, dizendo que deveria haver respeito entre aluno e professor, você está perdendo a sua razão! Acabou de me desrespeitar, garoto!

-Professor, eu...

-É bom ficar quieto agora, para um aluno novo, você está se achando, né? – O professor deu uma pausa, parecia pegar um pouco de ar, virou o rosto e tossiu, assim que se recompôs, continuou – Acha que seus problemas são maiores que de todo mundo e, por isso, pode sair chamando-me de palhaço por não ter gostado de uma brincadeirinha?! Pois escute bem, se acha que vai ficar agindo dessa maneira na minha aula, está muito enganado!

Ele estava me dando uma bronca?! É sério isso? Esse professor é maluco! Olhei para trás e vi que a turma havia cessado a conversa e estava prestando atenção no que estava acontecendo, ô povinho que gosta de briga, tá certo que nem tem como ignorar, pois o professor estava bem equivocado, mas não precisavam parar de conversar... Assim eu não me sentiria tão nervoso. Já estou até vendo meu nome, ou meu novo apelido, correndo pela escola.

Voltei a olha-lo e ele estava sério, sinceramente, estava me assustando.

-Pegue seu material e saia de sala.

-O que?! Você só pode estar brincando, né? – Fiquei boquiaberto.

-Eu posso ser palhaço, mas também sei quando devo ficar sério, então isso não é uma brincadeira.

-Professor, eu acho que o senhor está...

-Eu estou perdendo a paciência com você, Ronan! Pegue seu material e saia da sala!

A minha vontade era de dizer umas boas verdades para aquele professor, mas me contive. Fui até a minha mesa e peguei minhas coisas.

-Para a sala da diretora? – Perguntei, parando na porta.

-Para casa.

-Eu não posso. – Lembrei-me da resposta que eu deveria dar ao professor de História, se o ajudaria ou não.

-Ah, você não pode? Por quê? Sua mamãezinha vai brigar com você por desobediência em sala de aula? – Aquele professor estava debochando da minha cara.

Eu não estava entendendo muita coisa, minha cabeça já está conturbada e aparece esse professor maluco, que não foi com a minha cara e arma esse showzinho todo para me constranger perante a turma. Eu posso até sair de sala, mas tirarei satisfação disso depois.

-Eu preciso falar com um professor. – Disse, calmamente.

-E que professor é esse?

-É o de História, agora ele deve estar na turma do segundo ano.

Assim que falei “segundo ano”, Lass olhou para mim. Espero que ele não esteja desconfiando de alguma coisa, vai saber. O olhar dele foi ameaçador. Mas acho que ele não sabe o que o professor de História me pediu e, se depender de mim, nunca saberá.

-Eu irei com você para ver se realmente você precisa falar com o professor de História.

Além de maluco, esse cara não acredita no que eu digo. Que legal isso! Tem um aluno da minha classe que me odeia, um professor que não foi com a minha cara, o que mais a vida me reserva?

-Tudo bem, faça o que você bem entender. – Saí da sala e fiquei esperando-o.

Fomos até a sala do segundo ano e o professor de História estava saindo.

-Oi, Ronan. – Disse o professor, se aproximando – Que bom que já veio me dar a resposta, eu terei que sair mais cedo hoje e fiquei preocupado só de pensar que não receberia a sua confirmação.

-É... Eu também irei sair mais cedo. – Cocei a nuca, não estava confortável naquela situação.

O professor de Geografia ficava me encarando, como se eu estivesse em um interrogatório e ele avaliasse as minhas expressões para identificar se eu estava mentindo ou não.

-Mas então... Qual será a sua resposta? Irá me ajudar no projeto ou não?

Eu deveria dar minha resposta de imediato, mas eu não sabia o que dizer. Estão acontecendo tantas coisas que estou perdido. Ambos os professores me encaravam e eu me sentia pressionado a falar logo a minha decisão.

Notas finais
O que acharam? Confuso, não? Depois será explicado o motivo do professor de Geografia ser desse jeito. Qualquer erro de digitação ou qualquer dúvida é só perguntar XD.