Notas iniciais
Dando uma rápida passada pra desejar a vocês um Feliz Natal atrasado e um Feliz Ano Novo. E não, não vou abandonar a Fic, porque eu nunca me sentiria tranquila fazendo isso. Eu só apenas decidi continuá-la no ano que vem, só que eu pensei "Ah, faz mais de um mês que eu não atualizo, eles vão me abandonar.", então está aqui a última do ano:D

Não conseguiu fazer muita coisa depois da notícia.

Seus músculos travaram quando o médico de sua esposa disse que seu filho havia morria.

Sua mente não trabalhava.

Não sabia quanto tempo havia passado no momento que o médico saiu de perto dele e nem quando forçou-se a levantar do chão. Mesmo com os olhos ardendo, as lágrimas não caiam e seu coração batia devagar, quase fazendo Shikamaru ser obrigado a pedir ajuda a um enfermeiro que passava pelo corredor por não sugar oxigênio o suficiente para os pulmões.

O aparelho que estava ligado ao corpo de Temari bipava no ritmo do coração dela — uma sinfonia que acalmava seu interior apesar de tudo — e hesitou na direção dela. Ficou de pé perto da parede, de braços cruzados e olhar perdido. O quarto de luz mediana só o fazia pensar em como diria a loira, que tinha o sono mais lindo e calmo do mundo, de vez em quando soltando um suspiro e colocando a mão da barriga ainda elevada de cinco meses... mas vazia. Pensar que no dia anteiro seus filho ainda estaria ali era torturante. Imaginar os próximos quatro difíceis meses sem ele com certeza não seria um dos melhores momentos.

Sabia que Temari iria sofrer, apesar da personalidade muito forte e grossa, determinada a resolver tudo com sua razão ao extremo. Simplesmente não enxergava um caminho melhor ou menos doloroso.

As horas passaram.

A noite chegou e o brilho da lua cheia do lado de fora transmitia uma aura de felicidade. Uma merda de felicidade fingida que iluminava outras pessoas pelo mundo a fora daquele hospital cheio notícias.

Uma enfermeira entrou no quarto as sete e meia e verificou a aparelhagem. Escreveu algo na prancheta e o perguntou se queria alguma coisa. Shikamaru murmurou um não e a mulher dirigiu um sorriso triste a ele e a piedade foi o fim para o Nara. Ele virou o rosto, visivelmente desconfortável, olhando um ponto qualquer do ambiente. Escutou a porta se abrir e fechar em um baque seco, deixando que o silêncio reinasse outra vez. Sua garganta estava seca como um deserto.

Temari se remexeu na cama. Puxou o celular do bolço com os braços dormentes e discou o primeiro número que tinha na discagem rápida.

— Kurenai? — sussurrou, a voz perdida em algum lugar de sua garganta.

— Shikamaru? — a morena no outro lado da linha falou alto demais para o gosto dele. Uma grito de fundo atraiu a atenção dos dois. — Acalme-se Mirai, depois você fala com ele... não, mocinha, já para o banho... Oi, Shikamaru. Tudo bem? Como está a Temari? E o pequeno Shikadai?

As perguntas o deixaram momentaneamente calado e enjoado.

Kurenai pareceu sentir com o silêncio dele.

— O que aconteceu? — sua voz agora era séria.

O moreno ignorou a sensação ruim no estômago e respirou fundo.

— Estou no hospital com Temari.

Bastou a curta resposta para a mulher entender.

— Ah, Shikamaru — Kurenai lamentou. — Eu sinto muito.

— Eu também.

— Como ela está?

Ele ergueu os olhos rapidamente para a esposa ainda adormecida.

— Ainda não disse nada a ela — respondeu. — O médico a sedou por conta da dor e provavelmente acordará apenas amanhã de manhã.

— Vou tentar chegar cedo para ver vocês dois — ela propôs.

— Não — Shikamaru negou veemente. — Hospital não é local para a Mirai.

— Eu a deixo com a babá para ir trabalhar, esqueceu? Você vai precisar de apoio e Temari também. Apenas descanse até lá. E Shikamaru?

— Hm? — ele murmurou, atônico.

— Não fique muito triste. Shikadai agora é um anjinho a mais que o céu ganhou... ele estará protegendo os pais lá de cima.

O Nara sentiu seus olhos arderem.

— Obrigado — sussurrou, antes de desligar.

A noite tinha avançado mais. A voz que falava nos alto-falantes espalhados pelo hospital, chamando médicos e enfermeiros, fazia Temari se mexer, tentando mudar de posição, mas sem sucesso com o corpo dolorido.

O homem sentado ao seu lado não aguentou por muito tempo e deixou que o pranto saísse.

***

Os dedos finos que acariciavam seus cabelos o fizeram despertar bruscamente, assustado.

— Ohayo — Temari disse fraquinho, com um sorriso cansado. Seus cabelos cor de areia estavam derramados pelo travesseiro branco, como uma coroa em volta de seu rosto.

Mais uma vez se sentiu como o adolescente hesitante quando gostava dela em segredo.

— Ohayo — respondeu. Endireitou-se e suas costas doeram. Havia dormido sentado na cadeira. — Dormiu bem?

— Acho que sim.

Shikamaru assentiu. Levantou, abrindo mais um botão da camisa.

— O que aconteceu ontem? — ela indagou, olhando para os lados. — Por que eu estou aqui?

Ele suspirou. Andou até ela, ajudando-a a sentar bem devagar e parou por um segundo quando a loira arquejou de dor, colocando uma mão logo abaixo da barriga. O morena comprimiu a boca em uma linha e esperou o tempo dela.

Quando Temari estava sentada confortavelmente na cama, decidiu que era a hora de falar.

— Por que esse silêncio todo, Shikamaru?

— Poque eu não sei como te falar isso...

— Ora essa, apenas diga — Temari retrucou, ficando impaciente pela falta de contato visual dele, que só encarava a janela.

— É sobre o bebê — ele disse devagar. — Ontem minha secretária disse que você havia vindo para cá. Você foi atendida, mas...

Ele parou, o que irritou mais ainda a loira.

— Shikamaru... — Temari sussurrou. Seus olhos arregalados buscavam os deles incessantemente.

— O perdemos ainda na ambulância — ele completou, ignorando o chamado sofrido da esposa. A Nara negou com a cabeça, tocando a barriga inchada com as mãos, tateando ali e acolá, sussurrando palavras de amor ao nada. As lágrimas pingavam no lençol branco e os soluços ficaram mais forte.

— Temari! — Shikamaru exasperou, a dor o corroendo por dentro ao vê-la, mais uma vez, desesperada por uma resposta falsa. A segurou pelos pulsos, tentando controlar a histeria da mulher, enquanto a observava murmurar incontáveis não's, esperando ele confirmar. A abraçou, sossegando-a como podia — também sentia-se ruim, como se um pedaço de seu corpo tivesse sido o tirado e na realidade fora. Ela gritou, a voz abafada pelo ombro do marido.

Temari se perguntou o porque daquilo.

Sempre tinha sido uma mulher boa — a medida do possível -, nunca havia machucado ninguém, a não ser que merecido, nunca havia matado. Buscava a todo custo cuidar dos irmãos mais novos após a morte dos pais e lembrou de como se sentiu péssima, logo após o casamento, de ter saído de casa. Ajudava a sogra na rede de lojas femininas espalhada por toda Tóquio, completando a renda com seu esposo.

A injustiça que a vida a proporcionava agora, pela segunda vez em três anos, era um baque forte demais e um abismo tão escuro que a loira não via mais um sentido para continuar a respirar.

O primeiro aborto tinha ocorrido como aquela: rápida, inesperada, surpresa. Todo o cuidado, atividades físicas que beneficiasse a gestação, alimentação regrada e saudável, horas em lojas infantis, conversas discutindo o nome perfeito... para nada. A ilusão de um não mais existente bebê correndo até ela, chamando-a por mamãe, foi pior que milhares de facas cravadas em seu coração.

Os minutos passaram e permaneceu ali, soluçando e vez ou outra suspirando, tentando normalizar a respiração.

O choro tinha exigido muito de si e testou fechar os olhos por um segundo, escondendo o rosto no peito de Shikamaru.

***

— Ela dormiu — disse, fechando a porta o mais devagar possível.

Kurenai observou o estado deplorável do garoto-homem a sua frente, enquanto ele largava o corpo numa cadeira do corredor.

A barba por fazer, o cabelo desgrenhando, a camisa branca completamente amarrotada e molhada em um dos ombros. Só o havia visto assim na última vez que foi ao hospital.

A Yuhi suspirou. O casal vinha tentando um filho a anos e quando conseguiam, acontecia aquilo.

— Você precisa ir para casa — murmurou perto dele. Shikamaru negou.

— Não vou sair de perto dela.

— Temari-san não estará sozinha — argumentou. — Vá, tome um banho e coma alguma coisa. Quando se sentir melhor você volta.

O moreno ponderou um tempo.

Não tinha mais nada que pudesse fazer, apenas explicar tudo mais uma vez aos parentes, afim de evitar perguntas desnecessárias e que machucassem ainda mais a esposa.

Concordou com a mulher e ergueu-se, caminhando pelo corredor até a saída e pedindo um táxi pelo celular.

Sete anos antes...

Os corredores estavam abarrotados de gente e aquela gritaria toda só o deixou com mais preguiça ainda.

Bem que poderia dar meia volta e ir para casa, se desse sorte, sua mãe já teria saído para o trabalho.

— Ah, Shikamaru-kun! — a voz doce e baixa de Hyuuga Hinata o despertou. Abaixou a cabeça e viu a garota um pouco menor que ele, apertando as alças da mochila com o rosto altamente corado. Os cabelos curtos e azulados, quase negros, brilhavam com os olhos perolados. — Parece que hoje não é um bom dia para você.

Antes que respondesse, uma garota loira pulou em sua direção, agarrando o pescoço dele e o obrigando a inclinar o corpo.

— Ino! — ele brandou, lutando para escapar do agarre da doida que esquentava o topo de sua cabeça com o punho. — Me solta!

Yamanaka Ino o largou de mal gosto, empurrando Shikamaru até ele bater na barriga de Akimichi Chouji, com seu costumeiro sorriso sujo de farelos de batatinhas.

— Você está mais chato que o ano passado, Shikamaru. Como isso é possível?

— Ah, que saco — ele murmurou, suspirando. — Ei, o que está fazendo aqui? Não iria se mudar e me deixar em paz pelo menos nesse último ano?

Ino fez uma carranca, desferindo um tapa na nuca do Nara. Depois, abriu um sorriso que assustou os outros três.

— Para o seu azar, saio de mudança hoje mesmo — ela disse. — Otou-san até me trouxe para pegar os últimos papéis da transferência.

— Graças a Kami — murmurou outra pessoa, chegando a ele. O cabelo rosa de Haruno Sakura estava preso em um coque e ela empurrava dois alunos bem maiores que ela para ver a lista de nomes, pregada no mural. Aparentemente ela era bem forte para uma garota do colegial e abriu espaço bem rápido.

— Como é que é, testuda? — Ino ameaçou, cerrando os olhos para a amiga. — Não tem amor a vida?

— Cão que ladra não morde — a rosada retrucou, pulando até a loira e a agarrando em um abraço. — Mas sim, eu vou sentir muuuita a sua falta. Me prometa que me enviará vários e-mails e vamos combinar de conversar pelo Skype, porquinha.

A loira mostrou a língua, mas retribuiu o ato.

Shikamaru revirou os olhos e afundou mais as mãos no bolço.

Não demonstrava com tanta facilidade como os outros, mas iria sentir falta de Ino. A formação Ino-Shika-Cho do debate mensal de sua antiga sala — que modéstia parte sempre ganhavam, segurando os três anos de ensino médio de vitórias seguidas — ficaria incompleto sem ela.

Entre as conversas deles ali, os murmúrios do primeiro dia de aula do ano atraíram sua atenção quando um garoto apontou para cima de seu ombro.

Dois garotos estavam ocupados em escutar o provável sermão de uma garota a sua frente. Um era ruivo e tinha os olhos frios e centrados. O outro batucava o pé e tinha os braços cruzados. Em um momento ele bufou e interrompeu o falatória da menina, tendo um dedo apontado para o seu nariz logo depois.

A cabeleira cor de areia e presa em quatro pequenos rabos de cavalo acenou para a porta a suas costas e empurrou os meninos para a sala.

Quando ela se virou, Shikamaru foi atraído pelas orbes verdes e brilhantes.

— Sabaku no Temari — sussurrou Ino ao seu lado, quando a tal Temari passou por eles. — Ela e os irmãos foram transferidos de outra escola.

— Como sabe? — perguntou Hinata, corando em sua ousada ação.

— Estava na diretoria antes ouvi uma mulher apresentá-los ao diretor. Não acho que fosse a mãe deles ou coisa parecida pela prancheta que segurava.

O assunto acabou ali e o grupinho, juntos, viraram os rosto para ver a menina que olhava atentamente a lista.

Alguma coisa dizia que aquele ano prometia algo e não era a paz que teria com a mudança de Ino par outro país.

Notas finais
Obrigado por me esperar tanto. Até o próximo ano!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.