Notas iniciais
Capítulo dedicado as maravilhosas Kali e Saky_Serena que deixaram duas incríveis recomendações para a história, agradeço muito as palavras e o carinho de vocês meninas! Espero que gostem do capítulo, boa leitura!

Em Meio Ao Fogo

Escrita por Coffee

Capítulo XXV: Reerguer

Tem dias que ela se afoga na dor.

Tem dias que a dor se vai e parece não existir.

Tem dias em que se esquece de tudo que aconteceu, e outros que relembra tudo que passou como um filme.

Há quatro meses eles reconstroem Konoha, é uma tarefa difícil e cansativa. Os materiais são escassos, a fome grande, o desanimo tenta tomá-los aos poucos.

As outras vilas se reconstroem aos poucos também, elas trocam matérias primas entre si, uma ajudando a outra. A vila da pedra é a mais avançada, todos os seus moradores já tem um teto sobre suas cabeças, as plantações e criações já combatem a fome da população.

As demais estão caminhando como Konoha: lenta e vagarosamente.

Naruto é o elo que mantém todos unidos e imbatíveis. Ele que os anima quando se sentam no chão ao final do dia, todos exaustos, os civis quase mal parando em pé. É ele que os dá força para acordarem dia após dia e trabalharem na vila.

Ela o faz para esquecer-se da dor.

Para se livrar dos pesadelos que tem a noite, para acalentar seu coração dilacerado. Sua mente fica focada no trabalho e ela tem um pouco de paz, longe daqueles pensamentos sombrios e dolorosos.

Após sete meses todos parecem recuperados, ao menos um pouco. Não há gritos a noite de pesadelos, nem choros durante o dia. Todos parecem mentalmente equilibrados.

Mas ela não.

Ela ainda chora ao ver algo que a lembra tudo que passou, ainda grita de noite em um pesadelo até que Sasuke, Naruto ou até mesmo Kakashi saiam de suas próprias barracas para acalmá-la.

A dor parece não ter fim, e ela se pergunta se aquilo vale a pena, viver com tamanha dor, tamanho desespero dentro do peito, com todos aqueles fantasmas e pesadelos.

As pessoas sabem que ela não está bem, veem seu sofrimento, ouvem seus gritos desesperados a noite. Mas ninguém fala nada. Eles não têm coragem, nem sabem o que dizer. Somente seus companheiros de time é que arriscam tentar animá-la vez ou outra.

Mas após um ano eles próprios desanimam.

Sasuke permanece. Ele a abraça quando ela precisa de conforto, e afoga seus cabelos quando ela precisa de colo. Aos poucos ela vai se acostumando com a sensação de um homem a tocando.

Sabe que pode confiar em Sasuke, que ele nunca faria nada para machucá-la como aquele monstro fizera. Ela está sã e salva, segura.

Segura.

Segura.

É isso que ela repete ao acordar e antes de dormir.

Ninguém nunca mais vai a machucar, ela nunca mais vai ficar sem defesas, ela nunca mais vai passar por nada daquilo novamente.

E aos poucos sua mente vai acreditando e se acostumando com aquilo.

Segura.

Segura.

Segura.

[...]

— Ela dormiu?

Naruto pergunta quando ele sai da tenda de Sakura. Havia ido acalmá-la após um pesadelo. Eles estavam diminuindo gradativamente, mas ainda estavam presentes uma noite ou outra.

O loiro está há algumas barracas de distância ao lado de Kakashi. Ele fecha a porta da barraca de Sakura para que o vento não entre, e anda até os dois homens em silêncio.

— Sim.

Responde quando chega até eles. Eles estão em volta de uma fogueira (venta frio essa noite), os dois dividem uma água rala que eles chamam de cerveja, e oferecem para ele, que recusa.

— Está preocupado com ela.

Naruto diz, não é uma pergunta.

— A recuperação é lenta Sasuke, ela passou por muita coisa.

Acena positivamente. Ele sabe. E se culpa.

— Há algum tempo atrás eu pensei que ela nunca mais fosse se recuperar. Todos melhoraram, menos ela, mas agora acho que há uma melhora. Os pesadelos têm diminuído quase não a vejo chorando...

Ele concorda com o loiro. Há alguns meses atrás imaginou que Sakura nunca mais voltaria a ser mesma. Agora tinha uma pequena esperança.

É claro que ela nunca mais seria a mesma Sakura de antes. Nenhum deles seria. Todos eles agora estavam mais marcados pela dor e sofrimento do que gostariam, e essas cicatrizes jamais os abandonariam.

— Todos nós vamos nos recuperar. Tudo que precisamos é de tempo.

O Hatake disse. A Hyuuga de Naruto chega envergonhada, cumprimenta Kakashi e ele com um aceno, e se senta ao lado do namorado. Ela tem os cabelos curtos, a pele está descascada e as mãos calejadas pelo trabalho duro. Ainda sim ela permanece firme, forte, na luta.

O Uzumaki passa um braço ao redor dos ombros pequenos dela, e completa:

— Sim, precisamos de tempo e das pessoas que amamos.

[...]

Quase dois anos depois as vilas já estão bem reconstruídas, alianças já estão sendo feitas e o comércio entre elas é cada vez maior.

Em Konoha todos já têm uma casa, inclusive Sasuke e ela, embora o moreno passe quase todo o seu tempo livre na casa dela. Eles conversam sobre banalidades, sobre a ajuda dele em reconstrução e papelada, e sobre o novo trabalho dela no hospital recém-construído da Vila Oculta da Folha.

Eles conversam quando chegam a casa no começo da noite, jantam juntos, e depois conversam até dormirem. Primeiramente ela no sofá e ele na poltrona, e depois de alguns meses juntos na sua pequena (e desconfortável) cama.

Não há nada mais que isso. Ela ainda se acostuma a ter um corpo ao lado do seu, a tocá-lo e ser tocada aos poucos. Vez ou outra eles trocam alguns beijos fugazes, mas nada mais que isso. Ela não está pronta, e ele entende.

Ele a ampara no meio da noite quando ela acorda chorando ou gritando, assim como ela o ampara quando ele precisa (menos vezes do que ela).

Nesse meio tempo Naruto casa-se com Hinata, a festa alegra toda a vila, os civis, os ninjas, os traz de volta esperança, recomeço. O rosto dos monumentos dos Hokages é reconstruído (agora com o rosto do Uzumaki acrescentado) e ela sente uma alegria ao acordar de manhã e olhar para o rosto de sua ex-mentora Tsunade.

As coisas melhoram. Ela não sente mais aquele desespero profundo. A dor já a permite respirar, e ela começa aos poucos a enxergar pequenas alegrias em pequenos acontecimentos.

Vê alegria em ver Naruto e Hinata felizes, em ter Sasuke ao seu lado, em tê-lo afagando seus cabelos a noite e até mesmo ao jantarem juntos. Vê alegria após curar um paciente no hospital, ao ajudar as pessoas a reconstruírem suas casas e suas vidas.

Em uma noite fria de inverno ela chega em casa antes de Sasuke. Ela sabe que ele provavelmente está na casa dele, tomando banho e trocando de roupa para em seguida ir para casa dela.

Faz o mesmo. Ela deixa a água quente cair em seu corpo lavando a sujeira e as dores. Aquele banho a purifica, de corpo e alma. Ela abre sua mente para a vida novamente, e tem certeza que está pronta para seguir em frente quando ouve a porta de sua casa se abrindo.

Ela termina o banho, coloca uma roupa limpa, e sai do banheiro, seu corpo tremendo de frio pelo banho recente. Sasuke está sentado. Em cima da mesa há vasilhas quentes de comida que ele provavelmente comprou em um dos novos restaurante da vila.

Eles se cumprimentam, ela pega os pratos e os talheres e eles jantam entre conversas sobre seus dias. Após lavarem a louça, como sempre faziam, eles observam a hora no relógio de parede, e vão para o quarto.

Ela se deita na cama, e ele em seguida, espremido e passa os braços ao redor dela. Esse era o momento que ela adormecia naqueles braços e só acordava no dia seguinte, ou após algum sonho ruim.

Nessa noite não. Ela se aninha mais a ele, seus corpos se colando.

Ela já se sente mais confortável e confiante com o toque masculino.

A médica então cola a sua boca com a do Uchiha. Suas línguas dançam, suaves como sempre, mas é ela quem intensifica mais o beijo, doando mais e pedindo mais.

— Sakura, não acho que devemos—

— Eu quero.

Ela sussurra entre um beijo sôfrego e outro. Ela toca o peito, as costas, enlaça suas mãos nos cabelos negros do moreno, tudo parece certo. O ângulo, o momento, o tempo.

— Sakura...

Ele tenta argumentar mais uma vez, ela já pode sentir a excitação dele batendo no seu ventre sobre as peças de roupa, e sua mente foge um pouco.

Pânico.

Medo.

Talvez.

Ela se separa de supetão.

Sasuke se senta envergonhado, as mãos entre os fios negros.

— Desculp—

Tenta pedir, mas ela não o deixa terminar. A mente dela é uma confusão, mas sabe que ele não tem culpa, e consegue dizer:

— Está tudo bem, eu pensei que estivesse preparada, mas não estou.

Ele se levanta, sem jeito.

— Tente dormir, estarei no sofá caso precise de alguma coisa.

Acena positivamente. Por mais que não queira ficar longe dele, sente que precisa de um tempo sozinha. Sua mente a enganou mais uma vez, pensou que estava pronta para seguir em frente, se entregar, finalmente, mas não está.

Ela não sabe se algum dia estará.

[...]

Eles fazem mais algumas tentativas depois daquela (todas iniciadas por ela). Mas ela nunca consegue ir além de alguns toques, uma blusa arrancada, um carinho mais intenso.

Em algum momento ela chega a pensar no porque Sasuke aguenta tudo aquilo. Aguenta ela tão machucada e tão quebrada. Ele está sempre ao seu lado, espera pacientemente, e sem saber se algum dia ela estaria pronta para se entregar para ele.

Contudo, ele parece não se importar. Ele está sempre disposto quando ela pede para tentarem, e nunca fica bravo quando ela desiste (mais uma vez).

— Por que você aguenta isso?

Ela pergunta, em um dia, após tentarem novamente e ela fugir quando ele começou a abaixar seu short (mesmo depois dela ter dado permissão).

Ele a olha em dúvida.

— ‘Me aguenta tão quebrada, machucada, em fagulhas...

O Uchiha veste a camiseta que ela tirou, lhe dá um beijo na testa, e responde:

— Porque você sempre me amou. Mesmo eu sendo tão quebrado, machucado e fagulhado. E você me ensinou como amar novamente. Como te amar.

Sasuke nunca diz seus sentimentos assim. Tão direto. E isso a surpreende.

Ela acena com a cabeça, seus olhos transbordando água, e o vê indo dormir no sofá para lhe dar conforto e espaço.

[...]

É numa tarde de verão que ela finalmente consegue se entregar.

Eles estão viajando para Iwagakure a mando de Naruto para fazer novas negociações. Eles acabaram de tomar chuva, e agora estão acampados no meio da floresta. Sasuke vai procurar madeira, enquanto ela monta uma barraca (grande o suficiente para os dois), e quando ele volta ele está furioso porque ela ainda não trocou de roupa, e segundo ele, pode ficar doente.

Um cuidado simples, puro, quase maternal.

Então ela o beija. O arrasta para dentro da barraca recém-montada. Suas roupas encharcadas se colando, os cabelos ainda pingando água conforme se movimentavam.

Ele a toca, ressabiado.

Tão cuidadoso que ela ri e garante que está tudo bem, que ela está pronta. Mas ela já disse isso outras vezes, então ele vai com calma. A toca, a beija, na boca, no pescoço, no colo e depois nos seios.

Pela primeira vez ela sente prazer, vontade, libido no toque.

Então ela tem certeza que pode seguir em frente. Ela o toca.

Eles se emaranham e mergulham um no outro. Ela o despe e ele a despe.

Não é nada muito confortável devido ao chão fino da barraca, mas tudo parece estar certo. Finalmente. Ela não se importa com o lugar, ou que a chuva começou a cair novamente e a barraca se move um pouco com o vento.

Eles se conectam.

O prazer a consome. Eles gemem em êxtase.

Naqueles minutos de frenesi, ela se esquece de tudo que aconteceu de tudo que passou.

É apenas ela, a chuva e Sasuke lhe dando prazer.

Ali ela sabe que Madara, aquela vida, aqueles acontecimentos podem ter lhe tirado tudo, mas não o amor.

O amor continua ali, tão arrebatador quanto antes.

E isso a completa.

Aquece.

[...]

Seu maior erro durante todos esses anos foi pensar que haveria um dia, um momento que mudaria tudo. Que separaria o passado do presente e do futuro.

Com o tempo ela entende que não terá um dia em que dirá: “Estou curada. Esqueci tudo que aconteceu, segui em frente.”.

Nem há algo que faça que signifique que seguiu em frente. Beijo, trabalho, sexo.

Nada disso significa que ela seguiu em frente.

Seguir em frente é exatamente isso: seguir em frente.

Dia após dia.

A dor nunca se vai (não totalmente). Mas com o tempo ela aprendeu a conviver com ela, a torná-la sua amiga. Assim ela se lembra do que aconteceu, e dá mais valor ao que tem agora.

Ao lado de Naruto, Kakashi e Sasuke ela aprende a viver um dia após o outro. Aprende a sorrir novamente, a ser feliz. Ela se lembra de todos os dias de seus amigos que já se foram, e sabe que eles ficarão felizes (onde quer que estejam) por ela estar feliz.

Esquecer não é uma opção. Ela nunca esquece, mas sim convive diariamente com o que passou. Ela sempre vai olhar para algo que vai lhe lembrar de algo. Vai ouvir uma palavra, que vai lhe lembrar de outra palavra, outro momento. Mas está tudo bem.

Ela não precisa esquecer para seguir em frente.

Ela só precisa seguir em frente.

Não precisa matar os fantasmas.

E sim aprender a conviver com eles.

Nada se supera, nada se recomeça, nada se esquece.

A vida é uma linha continua. Não precisamos colocar um ponto para seguirmos em frente.

Uma vírgula é o suficiente.

Notas finais
É uma miragem? Um milagre? A Coffee FINALMENTE terminou Em Meio Ao Fogo? SIMMM! . Finalmente depois de quase quatro anos (uma vergonha), consegui finalizar essa história. Como eu já disse em algumas notas essa era para mim uma história muito difícil de escrever, com muitos acontecimentos e a cada vez que eu pegava para escrever um novo capítulo tinha que reler toda a história para não dar furos. Digo isso em minha defesa pelo tempo que demorei em concluir. Mas sei que não há desculpa. . Agradeço do fundo do coração por todos os leitores que não desistiram dessa história, que permaneceram na luta aguardando minhas escassas atualizações. Obrigada MESMO, por todo o apoio e carinho que vocês sempre têm por mim, não somente nessa história e sim em todas as outras. . Acho que consegui passar a mensagem que eu queria com essa história, e espero que vocês tenham a interpretado de um modo que possa acrescentar algo na vida de vocês! Obrigada por tudo, por cada comentário, mensagens e recomendações. . Espero vocês em minha nova história: https://fanfiction.com.br/historia/697427/Entre_Sombras/ E também em outras, passe no meu perfil!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!