Notas iniciais
Olá, quero agradecer por todos os comentários MARAVILHOSOS! ♥ Obrigada por todo o carinho pessoal! Boa Leitura!

Em Meio Ao Fogo

Escrita por Coffee

Capítulo XXI: Olhares

Sakura se lembra de tudo que viu e viveu nesses últimos anos e é isso, essa lembrança que a faz lutar. Ela sangra, seu corpo dolorido é curado sozinho repetidas vezes, seu chakra cai devido ao uso do byakugou, mas ela não desiste. Continua lutando, soca, cai, levanta, se recupera. Ela sabe (bem lá no fundo) que tudo isso é inútil, ela não é capaz de derrotá-lo (pelo menos não sozinha).

Os olhos deles são perigosos, e ela tenta o máximo que consegue não olhá-lo, mas ele tem poderes mesmo sem que seus olhares se cruzem, porém ela não desiste.

Pelas incontáveis mulheres que ela salvou de estupros e por todas as outras que ela chegou tarde demais. Pelos homens que eram obrigados a trabalhar até a exaustão física, mental e até mesmo a morte. Pelas crianças que já nasciam nesse mundo cheio de dor, sofrimento, fadadas a uma vida sombria, vazia e provavelmente curta demais. Por todos que morreram de fome, de sede, por todos os cadáveres que ela viu durante sua jornada. Cadáveres vivos, onde o corpo já tinha desfalecido há muito tempo, mas o coração continuava insistindo em bater, tentando sobreviver, lutando pela vida.

Pelo cheiro podre da morte que ela tanto sentiu, o odor da carne humana sendo decomposta, pelos ossos humanos espalhados onde vilas inteiras foram dizimadas. Por todas aquelas pessoas que foram torturadas em busca de informações, pelas mortes dolorosas, lentas, pelas rápidas, pelo desespero das mães em perder seus filhos, e das outras ao descobrirem que estavam grávidas em épocas como aquela.

Ela luta.

Sabe que não vai durar muito tempo, e que, possivelmente terá o mesmo fim que eles, mas ela não desiste. Não há mais portas, as paredes estão caindo, tudo despencará em breve.

E ela continua.

Ele não está nem perto de estar tão machucado quanto ela, mas ela insiste, um soco após o outro. Descontando toda aquela dor e aquele rancor que ela guardou dentro de si por tanto tempo.

Eu o odeio.

Eu o odeio.

Sua mente repete e ela até acaba pensando isso em voz alta algumas vezes.

[...]

Ele e Naruto tentam entrar no castelo. Há tanto homens formando uma barreira ali que eles gastam, minutos, horas, dias. Uma massa densa de soldados.

Todas as vezes que conseguem adentrar um pouco, são jogados para fora novamente. Ali fora tudo está uma bagunça, têm coisas pegando fogo, pessoas sendo jogadas no fogo, pessoas mortas aos montes.

Tem Justus se misturando, gritos e desespero.

Os pedaços do castelo caem aos poucos. Uma parede, uma porta, móveis. Ele sabe pelo chakra e também pelos ataques que Madara está no terceiro andar junto com ela.

Ele sente. E talvez seja por isso que ele tenta com tanto afinco chegar até lá.

Finalmente ele e Naruto conseguem entrar. Eles correm, passam corredor após corredor, sobem as escadas que estão ruindo aos poucos. Desviam dos desabamentos e lutam com aqueles que se colocam em seus caminhos.

O loiro está cochichando algo, como se estivesse pensando alto, e olha para trás (embora estejam dentro do castelo) repetidas vezes e sussurra “Hinata”. Ele sabe que Naruto está preocupado com a companheira, e sente-se mal por ele.

Finalmente sobem o último lance de escadas. Não há mais portas e então ele a vê.

Sakura está machucada, os riscos pretos do Byakugou estão espalhados por todo o seu corpo, e ele sabe que, por causa desse jutsu ela está, de certo modo, protegida. Ainda sim ele tem uma vontade incontrolável de envolvê-la em seu Susanoo e mantê-la protegida e intocada.

Mas eles estão em uma guerra e ele não pode fazê-lo. Naruto grita o nome dela, e ela o olha, depois de alguns segundos seu olhar se vira para ele.

Seus olhares se cruzam durante alguns segundos que pareceram horas.

Os enormes olhos verdes transbordaram alívio, felicidade e amor. Tanto amor que ele ficou tonto. Mas não pode se ligar a isso por muito tempo.

— Ora, se não é meu sobrinho querido e o loiro de nove rabos.

Seu olhar deixou o de Sakura, viu Naruto fervendo de ódio ao seu lado, e depois pousou em seu tio.

— Vieram buscar essa puta? Ou me ver? ‘Se vieram buscar ela é bom que saibam que ela está bem arregaçada já. Ela é boa de comer, não concorda sobrinho?

O ódio possui seu corpo e ele fica cego.

[...]

Por um instante de distração em que ele desviava de uma parede indo ao chão, ela consegue o acertar depois de muitas tentativas. O chakra dele está acabando aos poucos, um processo muito mais lento que o dela, mas ela consegue desequilibra-lo e fica sobre ele. Ela não pode jogar fora essa chance, o soca repetidas vezes e sente, ossos quebrando, alguns músculos se rasgando.

Esse é por minha shishou.

Esse é pelas noites em que tive que me deitar com você.

Esse é pelas pessoas que morreram até agora.

Ela o consegue acertar quatro ou cinco vezes antes que ele volte a si e a jogue pelo ar.

— Você é apenas uma criança fraca.

Ele diz, mas ela pode ver que ele se mexe incomodado pela dor.

Ela sorri.

— Não adianta tentar mexer com o meu psicológico. Você pode me destruir, pode lançar quantos jutsos você quiser, me colocar em quantos genjutsus você quiser, pode atear fogo em mim, mas você já está acabado. Você vai cair como esse castelo está caindo.

Ela apontou para as paredes que ruíam.

— Pode não ser por minhas mãos, mas você será morto. E ninguém sentirá sua falta.

Madara tenta fingir que as palavras dela não o atingiram, mas não consegue. Ela vê como o olhar dele vacila.

— Nem mesmo eu, era tudo mentira, afinal. Eu não o amo, nunca amei, e nem teria como, você é um homem desprezível, um homem nojento e estúpido que viveu muito para alguém que nem deveria ter nascido.

Ele a ataca, furioso. As paredes estão caindo e tudo despencara ainda mais em breve, o terceiro andar do castelo, aonde ela está, logo não existirá mais. Ela se levanta, não há mais portas, e então ela vê, entre os escombros.

O cabelo loiro, o sorriso radiante mesmo em uma situação como aquela. Naruto grita “é a Sakura-chan!”. O olhar penetrante também está ali, ele tem machucados no corpo, mas aquilo não tira de modo algum sua beleza (ela dúvida que alguma coisa seria capaz disso) seu coração acelera, sua boca seca e de repente ela não se sente mais tão cansada e seus ferimentos em constante cicatrização param de doer. Ela sorri para eles, olhando-os, verificando se eles não têm nenhum ferimento grave.

Sasuke a olha de volta. Fixo. Ela treme. Poucas vezes havia visto tanto nos olhos de alguém. As poucas vezes em que vira fora nos próprios olhos dele. Preocupação, paixão, desespero, amor.

Eu te amo, mais do que posso suportar, ela quer gritar, porém Madara a interrompe, ele começa a dizer alguma coisa, mas ela não está mais ali para ouvir, uma parede vai embora, o chão embaixo dela cede e ela cai.

Antes de cair no chão e virar gelatina ela tenta se virar no ar, batendo os braços desesperadas feito um passarinho. Um bloco de construção também está caindo rapidamente e ela sabe que se ele a acertar com todo aquele tamanho e peso será o seu fim.

Ela tenta segurar em alguma coisa, mas não encontra nada. Quando o bloco está tão próximo de si que ela pode sentir a poeira dele se desmanchando em seu rosto, algo a abraça.

Não é uma pessoa. É algo macio, espesso e parece exalar poder, como se algo inanimado tivesse vida. A coisa a puxa para o lado, o bloco passa onde ela estaria e cai no chão em um baque alto. A poeira rola pelo ar e ela respira em alivio. E então ela alcança o chão, ainda com aquilo a envolvendo. Ela tenta se sentar, e percebe que é areia, o que a salvou foi a areia, mas precisamente o homem que a manipula. Gaara.

O ruivo ainda se livra de três homens de Madara antes de estender a mão para que ela se levante. Antes que ela possa segurá-la eles são atacados novamente e tudo que ela pode fazer é gritar um agradecimento.

Ela é atacada e não tem tempo para se proteger, percebe só um tempo depois que algumas partes de seu corpo estão queimadas. Katon. Fogo. O byakugou que ainda não acabou de curar seus ferimentos feitos por Madara tenta se recuperar. Ela levanta cambaleando, luta, mata incontáveis homens e percebe que não durará mais muito tempo.

Há muitas pessoas usando vermelho que estão machucadas. Ela sabe o que deve fazer. Leva o dedo a boca e invoca Katsuyu.

— Sakura-sama?

Ela não tempo para se explicar.

— ‘Se divida e cure todos que estão usando vermelho.

A lesma parece entender seu desespero e acata sua ordem imediatamente, sem mais perguntas.

Sakura sabe que não pode gastar mais o pouco de chakra que ainda tem, precisa mantê-lo para que Katsuyu possa continuar curando as pessoas. Tão logo a lesma trabalha ela sente a fraqueza a abatendo. Ela quer pedir para que uma delas venha até ela e a ajude, ou que, pelo menos, tire-a dali, mas ela não tem mais forças.

E cai.

Ali mesmo, em meio a espadas, armas e fogo. Ela sabe que precisa sair dali ou acabará sendo consumida pelas chamas, pisoteada e morta. Mas não consegue. As pessoas lutam ao seu redor, há membros jogados, sangue respingando nela, pessoas mutiladas. O ar carrega uma fumaça negra e densa, cheira a podridão, a morte.

Seus olhos vão se fechando aos poucos. E ela permanece ali, em meio ao fogo.

Notas finais
Eu queria ter escrito um capítulo maior, mas com o tempo que tive saiu isso. Desculpem por algum erro, não tive tendo de reler várias vezes, apenas três e provavelmente passou algum erro, corrigirei no fim de semana. Espero que tenham gostando, beijos!