Em Meio Ao Fogo
6 Miséria
Notas iniciais
Em Meio Ao Fogo
Escrita por Coffee
Capítulo V: Miséria
Observou ao seu redor enquanto o ninja lhe arrastava pelo grande terreno que seguia antes do castelo. O lugar tinha cor de podridão, assim como o cheiro.
As paredes eram escuras, não havia arvores, nem animais. Todo cercado por umas grossas grades, provavelmente cercadas de algo a mais, embora não soubesse o que.
Eles passarem reto diante da grande porta de madeira resistente, e deram a volta pelo enorme castelo. Suas mãos continuavam amarradas, e o ninja a puxava sem dó, por alguns momentos tropeçou, por suas pernas também estarem amarradas, embora frouxas para que pudesse andar.
Levaram-lhe para um lugar ainda mais sujo, desceram uma escada para o subterrâneo no castelo. Uma porta grande de ferro guardava o lugar, com três ninjas perto delas.
Um dos ninjas abriu a porta. O outro lhe arrastou até ali dentro.
Uma quantidade enorme de ninjas e crianças estavam lá dentro, misturados, magros e sujos. Havia civis também, pode notar, as maiorias das pessoas estavam machucadas, com expressões sofridas, e vestes rasgadas.
Nenhuma delas pareceu notar sua presença, era como se estivessem acostumados a ver ninjas entrando ali, sendo arrastados até ali todos os dias.
Ao contrario do que pensava não lhe colocaram em uma cela como eles, colocam-lhe em uma cela sozinha. O lugar era pequeno, apertado e sujo. Não havia lugar pra que pudesse deitar apenas o chão áspero de terra batida.
Jogaram-lhe ali dentro, e saíram em seguida sem nem ao menos dizer uma palavra se quer. Encostou-se a grade de ferro, vendo as outras centenas de celas pequenas e apertadas ao seu redor.
Finalmente seu cansaço venceu seu corpo, e deslizou até o chão. O espaço não era suficiente pra que pudesse deitar, apenas ficou ali, sentada, com fome, e cansada.
Três dias depois
Nos três dias que se passaram continuou ali, entre o estado da consciência e o da inconsciência. Suas roupas estavam molhadas, e seu estomago roncava de fome. Embora tivessem lhe trazido comida, fora apenas uma vez desde então.
A água que lhe traziam a ela, e aos outros presos era pouca, e os dias eram alternados. O fedor das celas era insuportável.
Quando dois ninjas mal encarados entraram ali dentro seu corpo tremeu, eles abriram o grande portão de ferro, e depois o que trancava sua cela.
Mandaram-lhe levantar, mas não conseguia, estava fraca e de ficar sentada tanto tempo seu corpo doía.
Alguém a segurou de mau jeito jogou-na nas costas feito um saco de batatas, e caminham com ela até as escadas.
Saíram do porão. Seus olhos reclamaram da luz.
Fechou os olhos instantaneamente, como um reflexo. Sentiu que foi colocada em uma cadeira, tentou abrir os olhos, mas eles ainda reclamavam da luz.
– E essa?
– Como veio parar aqui?
– Era amiga dos dois procurados. Estavam brigando, eles fugiram e a deixaram para trás.
– É bonita...
– Já temos tantas concubinas, mas eu não me importaria em ficar com ela...
As vozes eram masculinas e se misturavam entre si. O medo percorria seu corpo.
– Madara gostara de saber que ela conhecia os dois.
– Então o que fazemos?
– Leve-a para Lendy, mande que ela a dê banho e comida. Ela deve ser colocada como serviçal por enquanto. Depois vemos com Madara.
– Você sabe que ele não gosta que levemos para ele decidir.
– Essa é diferente.
– Certo.
Fraca, sentiu que a pegaram novamente no colo. Foi carregada novamente, seu corpo parecia pesado, e ela não tinha forças para fazer qualquer movimento.
– Kyo mandou que você a dê banho. A dê comida e água também está fraca.
A voz masculina disse, e em seguida foi jogada em algo duro, provavelmente no chão. Ouviu passos e em seguida alguém colocou algo em sua boca, percebeu que era água.
Instantaneamente, como um animal que não acha água há muitos dias, sorveu o liquido todo. A pessoa não lhe ofereceu mais, embora ainda estivesse com sede.
Sentiu ser pega no colo e levantada. Alguém tirou suas roupas, mas não se importou sua mente já não raciocinava mais.
Colocaram-na em uma banheira, pode perceber pela água em volta dela. A água gelada foi a ultima coisa que sentiu antes de apagar.
(...)
Sua cabeça estava dolorida como se tivesse tomado muito sakê no dia anterior. Abriu os olhos, luz atingiu seus olhos instantaneamente.
Estava deitada em um sofá, e em sua volta, não lhe olhando, mas ocupadas com seus próprios serviços estavam outras mulheres.
Apenas uma delas pareceu perceber que havia acordado.
– Finalmente parou de bancar a bela-adormecida.
A mulher parecia ter meia idade, tinha cabelos longos e brancos, e rugas no rosto. Era a típica pessoa que tinha um olhar doce, mas ralhava com todos provavelmente pelo o que sofrera com a vida.
Observou-se ainda deitada, usava uma roupa cinza, uma blusa e uma calça, grande demais, e seus pés estavam descalços.
– Ande levante!
Ela gritou, ralhando com si.
Sua cabeça estava confusa, e doía absurdamente.
A senhora deu um tapa em sua perna, e lhe puxou para cima.
Levantou-se cambaleando. Seu pé reclamou pelo chão gelado.
Estava em uma cozinha, maior do que sua casa antiga em Konoha. Era enorme, com balcões de mármore por toda a sua extensão. Armários sem portas em todos os lados, com grandes panelas, copos de vidro, e talheres.
Havia um numero absurdo de mulheres, com aparência simples trabalhando freneticamente. Nenhuma delas pareceu se importar com sua presença.
A mulher a que falava consigo, saiu, e em seguida jogou um avental em cima de si.
– Se não quer voltar lá para baixo, vá picar aquelas cenouras.
Andou ainda cambaleante e tonta, chegando até o balcão enorme.
Havia várias mulheres ali, picando e temperando coisas. E sobre o fogão, havia panelas enormes.
Tanta comida aqui... E tanta gente passando fome lá em baixo...
Ao ver as cestas de cenoura seu estomago roncou. A senhora veio até si, e lhe entregou uma faca.
– Sem gracinhas, há muitas pessoas aqui para lhe parar. E está usando correntes de chakra.
Foi aí que percebeu, em suas canelas as correntes amarradas, com agulhas furando sua pele, embora ela não sentisse dor alguma.
Ignorando picou a primeira cenoura, pegando uma das rodelas na mão, e levando-a até a boca. Antes que pudesse coloca-la nos lábios alguém bateu na sua mão com força.
Era a mesma mulher.
– Nada de comer! Eu lhe mandei cortar, e não comer! Ande! Mais uma falha dessa e lhe mando lá para baixo. – Ela gritou.
Sua mão só não ardeu mais com o tapa porque estava acostumada com a vida ninja.
Sua vontade era dar um bom soco naquela mulher.
Não, não, não...
Se controle, repetia mentalmente.
Você está aqui para ajudar Naruto e Sasuke.
Apenas para isso.
Não pode dar bandeira.
Tem que chegar até Madara...
Mas... Como?
(...)
Ela havia picado a cenoura, — muita cenoura – e mais alguns legumes.
As mulheres pegavam da tabua e despejavam nas panelas enormes. O cheiro gostoso da comida lhe atingia.
Perguntou para si própria se aquelas outras mulheres, cerca de trinta delas, também estavam com fome, se para elas aquele cheiro também era uma tortura.
Mas ao observa-las notou que se fosse, elas não demonstravam.
Elas acabaram a comida, cada uma parecia ter uma função ali dentro, elas trabalhavam todas juntas, em grupo, e tudo parecia sair perfeito.
De duas em duas elas pegavam as cinco panelas, e saiam com elas por uma porta grande. Nenhuma delas pediu sua ajuda, ela sabia que provavelmente estava tão magra e com uma aparência tão ruim que acharam que ela não aguentaria. Não que alguém ali dentro estivesse com pena dela.
Quando voltaram, havia sobrado uma panela, pequena. Elas pegaram alguns pratos de plástico, — diferentes do que uma das garotas havia levado para a sala ao lado, que eram de louça, pesada e incrivelmente branco -, e se serviram.
Em duvida, se poderia ou não comer, olhou para a mulher que ralhara antes com ela, viu que ela apenas acenou positivamente com a cabeça.
Andou até lá, pegando o prato. E a própria mulher – qual ela ainda não sabia o nome -, colocou uma concha da sopa rala em seu prato, assim como no das outras mulheres.
A comida era rala, tinha apenas legumes e caldo. Mas enchera ao menos um pouco seu estomago. O cheiro da carde, antes cozida que havia sido levada para uma sala ao lado, ainda fazia seu estomago querer mais comida.
Mais tarde, elas lavaram a louça, e a mulher de antes, pediu – gritou – para que ela as enxugasse. Era como uma colmeia, cada uma com a sua função, todas em uma cooperativa.
E elas ficaram a tarde toda nisso, no entra e sai, levando comida como bolachas para vários lugares do castelo que ela ainda não conhecia, organizando a cozinha, e lavando e secando a louça constante.
A mesma coisa aconteceu no jantar, elas fizeram comida, porém dessa vez não comeram nem ao menos um vegetal.
Uma refeição por dia?
Sua mente calculou. Como elas conseguiam ficar em pé?
Ao final do dia, após a louça lavada e seca, percebeu que alguma delas não conseguiam nem ao menos levantar o pé para andar, ao invés disse arrastavam seus pés descalços pelo chão.
Seu estomago, agora vazio, embrulhou. Elas pareciam todas sérias, não conversavam, pareciam sofridas, mas acostumadas com aquilo.
Sua mente trabalhava, lembrando-se das pessoas lá embaixo, da fome, da podridão em que viviam, lembrava-se das pessoas magras trabalhando lá fora, e lembrava-se das pessoas fora do castelo, que vivam em vilas, ou na chuva e no sol, passando fome e sede.
O que aquilo havia virado?
E havia essas mulheres, que faziam tanta comida, é só tinham direito a uma refeição. Sua vontade era sair correndo por aquele castelo até encontrar Madara, e mata-lo.
Sabia que não tinha poder para isso. Nem ao menos conseguiria chegar perto dele.
Mas... Dois anos?
Aquelas pessoas... Ela não podia ajudar nenhuma delas.
Elas sobreviveriam a dois anos? Até a chegada de Naruto e Sasuke?
E ela... Ela sobreviveria?
Fale com o autor