Em Manhattan.
4 Rua 70.
Cheguei em casa não eram nem 4 da tarde. Por incrível que pareça eu estampava no rosto um sorriso desde o momento que as portas do metrô se fecharam na Rua 59. Não sei se era o Clube de MUN ou se era o menino dos olhos verdes, mas eu estava em um mundo paralelo.
Na bancada da cozinha tinha um bilhete do meu pai dizendo que iria trabalhar até mais tarde, e que minhas coisas tinham chegado pelo correio.Entrei no meu quarto e 5 caixas e duas malas lotadas me esperavam para serem arrumadas. Juro que a minha vontade era só de me jogar na cama e levantar no dia seguinte, mas segui em frente com a arrumação. Coloquei todos os meus livros na estante (e os que não couberam, no chão ao lado dela), todas as minhas roupas foram pro armário, apesar de eu saber que em algumas semanas já estariam todas bagunçadas, arrumei todas as minhas coisas que vieram de Londres pelos cantos. Morar em Manhattan era legal, mas às vezes eu sentia falta da minha rua calma e cheia de árvores de Londres.Eu deveria ter feito o dever de alemão, mas eu deixei de lado. Saí pelas ruas do Upper East Side e cheguei no Metropolitan Museum of Arts. O museu estava lotado de turistas, os megafones avisavam que fecharia em uma hora, mas eu entrei mesmo assim. Não sei quantas vezes fui nesse museu. Meu instinto me levou para a ala egípcia, mais precisamente para o templo que tem lá no fim da asa leste do museu. Ali eu me sentia próxima da minha mãe. É meio clichê pensar que aquilo me fazia lembrar da minha mãe só porque era egiptologia, mas fazer o que?! Sentimentos... Fiquei sentada por 45 minutos ali, até não ter mais ninguém, fiquei pensando na vida, no futuro. Mas sempre conseguia lembrar da minha mãe dizendo "viva o agora, o amanhã a gente vive amanhã". Fui acordada do meu devaneio por um segurança, dizendo que o museu fecharia em dois minutos e se eu não pretendia passar a noite ali era melhor eu ir embora. Sai meio atônita do museu. Demorei alguns segundos para me localizar e ir pra casa. No caminho comi um cachorro quente de rua, era meu jantar, quem liga?! Enquanto esperava o sinal da Quinta avenida com 70 abrir olhei meu telefone. Uma solicitação de amizade no facebook "Holly Banes". Cliquei no botão de aceitar rapidamente. Ela logo me mandou uma mensagem perguntando como tinha sido meu dia depois do almoço, já que por causa da minha aula de educação física (que Holly não faz por ser do time de futebol da escola) acabamos não nos encontrando na saída. Contei-a sobre o treinador e o time de basquete, sobre como eu não tinha gostado dos uniformes de ginástica da escola e quando eu me vi lá estava eu contando sobre o garoto dos olhos verdes. Nunca confio em alguém tão rápido quanto confiei em Holly, não que isso fosse um segredo, até por que não tinha nada demais ele me chamar para fazer parte do clube de MUN, mas mesmo assim, assustei-me com a rapidez em que eu e Holly estávamos próximas. Ela acompanhou atentamente a história, nunca demorava para responder, o que é um alívio tendo em vista o quanto eu odeio quem demora a responder. No final de tudo falou que eu adicionasse ele no facebook. Me espantei com a proposta. A essa hora eu já estava sentada na escada de incêndio da minha janela, aproveitando o céu estralado de mais uma noite de verão. Ela insistiu, eu resisti. Era cedo demais, ele não era meu amigo, só foi, vamos dizer, cordial! Holly se deu por vencida, se despediu e foi dormir.Fiz meu dever de alemão, mal feito, mas fiz. Quando estava me preparando para dormir peguei meu telefone e procurei nos amigos de Holly algum "Arthur". Na 5ª opção, acredite Holly conhece muitos Arthurs, lá estava ele. Arthur Loyall, o menino dos olhos verdes. Posicionei meu dedo em cima do botão de adicionar. Faltava coragem. Ele me acharia uma maníaca se eu o adicionasse hoje, não? Fechei o Facebook e bloqueei a tela. Quem sabe outro dia...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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