Em Evidência

2 Capítulo 2 - Apenas Existindo


Notas iniciais
Tem alguém por aqui? Quero saber quem vai receber o troféu de primeiro comentário! kkkkkkk Boa leitura!

O pior que pode acontecer quando existe um assunto polêmico te envolvendo é o professor resolver que um trabalho em grupo será excelente para exercitar a coletividade da turma. Talvez o Prof. Martins não soubesse que a coletividade estava sendo exercitada em cada conversa torta sobre mim nas últimas semanas. Aliás, poderia ganhar um troféu: engajadora da coletividade.

Detestava trabalhos em grupo.

Detestava mais ainda quando Oliver estava em meu grupo e parecia me evitar como se eu tivesse alguma doença contagiosa. Ótimo, também não estava afim de encará-lo. Cara, nem por sorteio eu tinha sorte. Minha personalidade era o oposto da sorte e estava cada vez mais convencida disso.

A notícia de última hora não era necessariamente relacionada à minha existência, mas inevitavelmente respingava em mim. Stone resolvera namorar uma garota popular do campus, e todos pareciam aplaudi-lo por isso. Patético e absolutamente machista, pois o argumento utilizado era gratidão por estar com uma pessoa melhor.

Sim, essa foi a legenda da foto do Instagram postada por ele.

Claro que ninguém sabia que essa pessoa melhor estava com ele há quase um ano, ou seja, simultaneamente com esta otária que vos fala. O mundo era uma piada, principalmente o meu.

Não me lamentava por Stone. Na verdade, também me sentia extremamente grata por ter me livrado do fardo que era ter um egoísta em minha vida. O que realmente me incomodava era como tinha despedaçado vários pedaços de mim para fazer o mundo girar ao redor dele. Isso era imperdoável: o fato de ter permitido que levasse tanto de mim. Encarei minhas unhas vermelhas, dando um sorriso. Até isso era uma questão para ele. Muito forte, não é para uma mulher como você.

Me pergunto exatamente o que queria dizer com isso. Uma mulher como eu adorava vermelho, o que me fez pedir o tom mais escuro para a manicure e soltar uma gargalhada. A sensação de liberdade era estonteante.

“Então, vamos enviar a parte de cada um por e-mail e depois reunimos para juntas tudo?” Letícia encarou seu próprio smartphone, tentando organizar a bagunça que chamávamos de grupo.

“Sim, melhor evitar o falatório” Augusto, o engraçadinho, tampou o nariz fingindo estar sem ar. “Podemos morrer intoxicados” A risada se espalhou pelo grupo, mas Oli permaneceu sério, o que causou certo desconforto.

“Quando terminar sua piadinha, podemos organizar essa idiotice ou vamos continuar perdendo tempo?” O silêncio pairou no ar. Era nítida a rivalidade entre o time de futebol e de basquete, e por ser amigo de Stone, Augusto não perdia a oportunidade de me alfinetar.

“Nossa, que estressadinho” Afirmou, seguido por uma vaia de seus amigos. “Melhor guardar sua vitalidade para o jogo, acredite, você precisa” Vi as mãos de Oliver se fecharem com força.

“Guarde suas gracinhas para alguém que se importe, Augusto” Finalmente fiz minha voz sair audível, apesar de parecer quase um fiapo. “Estou com pressa, então posso mandar por e-mail, ok?” Levantei, me sentindo envergonhada, sem olhar para verificar.

Felizmente o fim da aula soou, time perfeito para sair da situação nada agradável. Senti passos atrás de mim.

“Espera, seu caderno” Era Oliver, que maravilha.

“Valeu” Estiquei a mão direita para pegar, sem nem olhar para ele. Os passos continuaram.

“Posso te acompanhar, é quase o mesmo caminho” Sim, esqueci desse detalhe. Oliver era praticamente meu vizinho, com diferença de três casas depois da minha, na mesma rua. Já disse que a sorte não estava ao meu favor?

“Obrigada, mas não precisa” A esta altura, apenas sentia meu rosto quente e minhas lágrimas lutando para não cair. Os dias passavam com toda aquela história e isso mexia cada vez mais com a minha mente. Como eu odiava ser o centro das atenções, principalmente sobre algo tão patético. O sentimento de pena que Oliver derramava sobre mim todas as vezes que me encontrava só me deixava mais irritada.

“Mas é o mesmo caminho de qualquer forma” Insistiu.

“Olha só” Parei de andar de uma vez, quase derrubando nós dois. Voltei para trás com o rosto a centímetros dele, sentindo sua respiração em meu rosto. “Não preciso de um machão me defendendo, tudo bem?” Me encarava intrigado. “Pode guardar essa masculinidade para alguém que precisasse”

“Nunca achei que precisasse” Suas palavras saiam tão suaves, que me irritavam mais ainda. Porque ele tinha que ser tão gentil?

“Pode para com essa gracinha?” Levantei as mãos para o céu, segurando com toda a força que tinha as lágrimas, não podia chorar na frente dele. “Está ficando chato, não somos amigos”

“Nunca pensei que fossemos” Deu de ombros. “Só moro na mesma rua que você, hipoteticamente, não tenho culpa disso”

Argh!

Virei de costas tentando assimilar toda a beleza que vi naqueles centímetros de distancia. Para piorar, as tatuagens o deixavam ainda mais bonito. Como odiava toda aquela educação fingida. Os passos continuavam atrás de mim, se arrastando por todo o caminho. Não ousei fita-lo. Dane-se. Não perderia tempo com essas discussões.

No caminho, o ar ia batendo em meus cabelos soltos, me fazendo esquecer toda aquela confusão por alguns instantes. O caminho até minha casa era cheio de árvores e flores, o que me induzia a inspirar a maior quantidade de ar possível. Era fantástico. Por um segundo esqueci que estava acompanhada.

“Sabe o que é interessante?” Sabia que Oliver falava comigo, mas resolvi ignorar. A curiosidade pulsando, pois realmente queria saber o que era interessante para aquele idiota educado e intrigante. Não respondi. Ele não deu o braço a torcer: permaneceu calado por todo o caminho, instigando ainda mais minha curiosidade.

Ele morava exatamente três casas depois de mim e quando cheguei na porta da minha casa, imaginei que falaria algo, mas ele simplesmente seguiu o caminho, me ignorando. Era demais, não me segurei.

“O que é interessante?” Gritei e ele já estava há alguns metros quando parou abruptamente. Virando lentamente para mim, com um sorriso de lado.

“Seu hálito é maravilho” O sorriso só durou alguns segundos, pois logo estava de costas novamente, seguindo seu caminho como se não tivesse falado algo altamente impactante.

Permaneci parada na porta de casa, estática. O meu coração não estava acelerado, certo? Era só a caminhada. Sim, era isso.

Precisava me manter longe de Oliver, isso era uma certeza absoluta.

Notas finais
Ok, os capítulos ainda são pequenos, meio que um experimento. Então, por favor, se você chegou até aqui, o que custa dar a opinião no comentário e fazer essa escritora feliz? Vamos, só custa 2 minutinhos =)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.