Em Casa
1 Capítulo 1
— ...E a minha mãe se casou com o pai dela e foi assim que nos tornamos irmãs.
Sweet Pea entra no quarto a tempo de ouvir a última frase do que sua irmã dizia.
— Está tudo bem aqui? – Pergunta ela, olhando para Rocket e então para Baby Doll, ambas sentadas na cama de Baby Doll, enquanto conversavam.
— Sim, claro. Pelo menos agora sim. – Responde Rocket.
Sweet Pea pega um livro em cima do criado e se deita em sua cama para ler.
— Estava explicando para a Baby como nos tornamos irmãs.
A garota mais velha olha brevemente para Rocket e então para Baby Doll antes de voltar sua atenção para o livro novamente.
— Bom, eu acho que vou treinar mais um pouco com as outras meninas. – diz Baby Doll se levantando da cama, sorrindo para Rocket e então para Sweet Pea e saindo do quarto.
Rocket se levanta e se joga deitada em sua própria cama. Sweet Pea observa por cima do livro enquanto Baby Doll sai do quarto.
— Eu conheço essa cara. – Diz Rocket, apoiando a cabeça na mão e olhando para a irmã na cama ao lado.
— Como assim explicando pra ela como nos “tornamos irmãs”? E por que você contaria uma coisa assim tão pessoal pra ela, nós nem sabemos se podemos confiar nela ainda.
— Eu só expliquei que não somos “irmãs” de verdade, que minha mãe casou com seu pai e por isso somos irmãs, por consideração.
Sweet Pea suspira, claramente irritada.
— Você não deveria falar sobre isso com ninguém. Ainda mais com ela. Se isso chegar aos ouvidos do Blue sabe-se lá como ele iria usar essa informação.
Rocket observa sua irmã por um momento.
— Baby Doll não vai contar pra ninguém.
— A questão não é essa, Rocket! – Diz Sweet Pea, olhando para ela mais uma vez – a questão é que quanto menos qualquer um aqui dentro souber sobre nossas vidas, melhor.
Sweet Pea volta a atenção para o livro e Rocket então se vira, olhando para o teto com um suspiro.
— Eu sei... – diz ela – mas eu não tive escolha... ela nos viu.
Sweet Pea para de ler. Ela levanta os olhos, olhando para Rocket, que ainda tem os olhos fixos no teto.
— O que quer dizer com “ela nos viu”? – Pergunta Sweet Pea.
A mais nova, porém, continua em silêncio.
— Rocket!
Rocket suspira.
— Ontem a Baby Doll estava encarregada de limpar o chão do corredor lá em cima e... ela acabou nos vendo. E como somos supostamente “irmãs” ela obviamente ficou chocada com o que viu. Então tive que explicar pra ela nosso verdadeiro “parentesco”.
Sweet Pea fecha os olhos, passando a mão pela testa.
— Alguém mais viu alguma coisa?
— Não. Só ela... eu desconfiei quando ela estava um pouco quieta hoje de manhã, me olhando um tanto estranho. Ah, e ontem. Eu vi ela na porta.
— O que??? – Sweet Pea olha para Rocket imediatamente – como assim você viu ela na porta?? Você viu e não disse nada??
— Eu estava... eu estava a um segundo de... você sabe.
Os olhos de Rocket encontram os de Sweet Pea e a mais velha sabe exatamente sobre o que ela está falando.
— Eu vi que ela estava nos vendo em um segundo e no outro tudo estava desaparecendo da minha mente enquanto... enquanto você...
Rocket se lembrava perfeitamente. Elas estavam em um dos salões de cima, um lugar escuro, iluminado apenas pela luz da lua, que estava cheia no início da noite anterior. Ela havia arrastado Sweet Pea até lá querendo mostrar a ela como a “paisagem” noturna estava linda daquele lado da sombria construção lá embaixo.
— Não deveríamos vir aqui. – Sweet Pea havia dito, sempre a mais cautelosa das duas, olhando para trás enquanto era puxada por Rocket – é perigoso. Se nos pegarem aqui...
— Shhh... olha.
Pela fresta de uma das partes da janela quebrada, Sweet Pea havia visto a lua, excepcionalmente grande, banhando algumas montanhas distantes ao redor. Era realmente uma visão muito bonita.
— Não chegue muito perto. – ela havia dito ao ver Rocket se debruçar sobre a janela, olhando para baixo – você pode se cortar.
— Sempre tentando me proteger. – Havia sussurrado Rocket, com um pequeno sorriso.
Sweet Pea então havia sorrido tristemente, se encostando em uma das colunas de mármore fosco, ao lado.
— Sinto muito Rocket... por não ter conseguido te tirar daqui.
Rocket imediatamente havia se aproximado dela, dizendo que não era sua culpa. Ela podia ver a angústia nos olhos da irmã, o que fazia com que seus próprios olhos marejassem.
— Se alguém tem que ser a culpada aqui esse alguém tem que ser eu, você nunca mereceu isso... você nunca mereceu nada disso... eu sinto muito.
E como era de esperar o inevitável havia acontecido, mais uma vez.
Os lábios de sua irmã eram doces e conforme deslizavam contra os seus, contra sua mandíbula, enquanto suas mãos a puxavam para mais perto, Rocket sentia todos os seus demônios interiores desaparecerem.
E quando ela havia visto os olhos de uma chocada Baby Doll pela fresta da porta era tarde demais para se esconder. E era tarde demais para parar. Ela sentia Sweet Pea dentro dela e tudo o que ela havia tido forças para fazer foi fechar os olhos e apoiar o rosto no ombro de sua irmã enquanto ondas de prazer estremeciam seu corpo.
Rocket então se levanta, se deitando ao lado de Sweet Pea na cama. A mais velha desvia o olhar do livro, olhando para ela.
— Eu te amo. – Sussurra Rocket e Sweet Pea se inclina, beijando seus lábios ternamente. Rocket tira o livro de sua mão, puxando-a sobre si, buscando mais contato.
— Rocket, Rocket... se alguém...
— Eu não me importo. – Responde a mais nova.
Sweet Pea sorri, beijando sua testa.
— Eu vou tirar a gente dessa. Eu prometo. Vou te levar pra casa. – Diz ela, abraçando sua irmã, que sorri.
— Enquanto eu estiver com você, eu estarei em casa. – Responde Rocket, fechando os olhos, desfrutando o calor de Sweet Pea e a segurança que sentia em seus braços.
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