Em Códigos
1 In Codes
Sempre tive dificuldade de começar algo, principalmente as primeiras palavras de uma história, de um capítulo, de um novo parágrafo. Isso se estendeu durante toda a minha vida até agora. Confesso não foi muito tempo, alias foi pouco, mas o suficiente.
Quando decidi que escreveria algo como esta carta, não sabia por onde começar e o que escrever — não que hoje o saiba, pois ainda não sei- mas sabia muito menos do que sei hoje. Resolvi que só havia uma maneira: escrever o que me vinha à cabeça ou o que minha mão necessitava dizer por intermédio de minhas cálidas e opacas palavras.
Não creio que ninguém vá se demorar muito ao Lê-la. Pulará um trecho aqui, outro ali, até que consigam chegar ao final... Se chegarem. Por esse o motivo de não querer me demorar, mais também não me apressar demais nessa correria da vida.
Sobre o que vou escrever não sei, o que me vier à cabeça, mas algo que envolva minhas palavras e minhas histórias, incluindo as minhas paranóias e loucuras. Quero dar alguma satisfação, mesmo que ela não lhe satisfaça, do que ocorre em minha cabeça, ou se preferir: em meu coração jovem que tenta inutilmente ser poeta, e fazer das letras palavras mágicas.
Com o tempo, acostumei-me a escrever para mim, só para mim e mais ninguém. Cadernos guardados em lugares escondidos, no qual eu tentava transpor toda a minha agonia e lógico os momentos de maior felicidade.
Depois de algum tempo conquistei amizades verdadeiras que me fizeram sentir confiança e finalmente mostrar meus textos para eles. Gostaram. Mas isso não era suficiente para fazer com que eu me expusesse ao mundo.
Algo, ou melhor, uma banda me fez sentir essa segurança. Criei meu primeiro blog, e lá escrevi e passei dos meus velhos cadernos, as minhas poesias. As pessoas gostaram e eu consegui perder um pouco desse medo que me balançava quando colocava a cabeça no travesseiro: “Será que eles vão gostar?” e “Se não gostarem? Eles não vão gostar eu sei e vão dizer que a minha escrita é ruim, minha gramática é péssima...” e assim por diante, esses eram meus pensamentos. E o mais irônico de tudo isso é que agora eles parecem um passando tão ofuscado, que mal posso me lembrar das datas...
Passou. Criei outros inúmeros blogs que fizeram parte da minha vida. — hoje me arrependo de não ter-los mantido lá. Para em um futuro recordar o que um dia escrevi, mas esses não são tempos para lamentações- e foi justamente ai que uma pessoa entrou na minha vida e fez com que me apaixonasse por fanfictions, ela sabe que é ela e eu não citarei nomes.
Nessa época eu tinha um hábito muito ruim de começar uma história e não terminá-la, deixa — lá jogada no chão sem preocupações, e também não conseguia perceber o quanto é difícil escrever, que esse oficio não é para quem quer e sim só para quem tem um determinado “dom” de exprimir os seus sentimentos em palavras.
O tempo passou e resolvi tentar também me aventurar, ou melhor, me atirar, nos oceanos de palavras que inundavam meus olhos inocentemente infantis. Coitada de mim, que não sabia o peso que as palavras carregavam e a força que exerciam sobre mim, sobre todos
E foi justamente ai que fui apresentada oficialmente ao mundo das letras. Aquele mundo que o autor inventa, nada menos e nada mais do que aquele que ele gostaria de viver. Isso foi e é meu refúgio muitas vezes, mas ás vezes isso me leva ao inferno ao mesmo tempo que me leva ao céu.
Durante esses sete meses que escrevo já me passou muitas vezes pela cabeça desistir de escrever, desistir de tentar melhorar. Tudo isso porque minha preocupação hoje é saber se as pessoas irão ler, reconhecer o esforço que todos os autores de histórias fazem. Como pode perceber o “Será que elas vão gostar?” ficou de lado. Hoje também espero ansiosamente –ou nem tão ansiosa- por uma critica que me faça crescer, por um reconhecimento que sonho, mas que hoje parece ainda estar muito distante, uma fantasia..
Não tenho escrito porque não quero escrever, idéias não me faltam nesses últimos tempos. Não tenho o feito porque já não estou conseguindo colocar tudo no papel, tudo que quero dizer. Acredite, não é por falta de sentimento e nunca vai ser. É apenas por uma confusão formada em minha cabeça que não consegue colocar no papel as palavras de forma que vocês possam entender. Por isso não me culpem por escrever em códigos que só eu sei decifrar.
Odeio me sentir impotente, e não conseguir domar as palavras e a história que eu própria criei. Odeio não ter o controle das palavras como gostaria, e gosto ainda menos de na maioria do tempo ser controlada por elas.
Ao final desta, sinto que não pude explicar nada, e que deixei tudo um pouco mais confuso, se pudesse ao menos dizer o motivo de todo esse reboliço dentro de minha mente. Mas talvez o pior não seja poder não dizer, talvez o pior seja não saber o nome e nem o porque de tudo isso.
Não, não deixarei de escrever e não deixarei de dar satisfações a quem até agora me apoiou. Só peço paciência para que durante algum tempo, possa escrever sobre o que eu quiser escrever. Coisas da alma e do coração, paranóias de uma louca apaixonada.
Peço um tempo para que possa conseguir encontrar a saída desse túnel, do qual eu entrei sem saber se haveria uma luz no final.
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