Notas iniciais
Como já disse, amei escrever essa fic. E nesse capítulo, finalmente vamos ler a declaração de Shun... Oba! Não percam tempo....

No dia seguinte, Shun pegou o helicóptero da fundação bem cedo, e em algumas horas, chegou à Ilha de Andrômeda. Já era hora do almoço e Shun se dirigiu a casa de Albiore, bateu à porta.

– Shun! – Exclamou Albiore. – Você pensou rápido, não? – Abraçou o pupilo. – Entre.

– É. Fiquei pensando em suas palavras, mestre. Eu preciso tentar, mesmo que não pareça correto.

– Nem tudo é o que parece. Sua atitude pode não parecer correta, mas é a melhor decisão a ser tomada. Pode acreditar.

– Espero que sim – disse dando um suspiro.

– Chegou na hora certa. Vamos almoçar?

Então mestre e pupilo se sentaram à mesa da cozinha, almoçando risoto de frango ao mesmo tempo que conversavam assuntos amenos. E, claro que o namoro de June e Leda foi o assunto principal. Após o almoço eles foram para a sala.

– Mestre, vou procurar a June. Ela continua morando na mesma casa?

– Sim. Boa sorte!

Shun foi caminhando até a casa da amazona, e no caminho foi encontrando moradores da ilha e cumprimentando-os. Muitos o reverenciavam por seus feitos como cavaleiro, o que deixava Shun lisonjeado e sem graça.

Então ele avistou a casa de June. Aproximou-se e, ainda um pouco receoso, bateu à porta, mas ninguém atendeu. O cavaleiro respirou fundo.

– Acho que ela não está em casa.

Resolveu caminhar até a praia, que ficava quase em frente. Assim, ele avistou seu alvo. Sentada na areia, de frente ao mar, estava June. O coração de Shun palpitou e logo se aproximou da sua amiga, sentando-se ao seu lado, numa grande velocidade.

June que estava perdida em seus pensamentos sobressaltou e ao ver quem se tratava, formou-se, em seu rosto, um grande sorriso.

– Shun! O que faz por aqui?

Shun reparou no modo em que ela estava vestida, com um short jeans e uma blusa azul clara que deixava um ombro de fora.

“Ela está linda!” – Pensou.

– Poxa, é assim que você recebe um amigo que não ver a muito tempo? – Perguntou brincalhão, com um sorriso maroto.

– Imagina. É que não esperava te encontrar aqui.

Os dois se abraçaram fortemente. Logo em seguida, ele falou:

– Que saudade de você!

– Eu também. Tem algum tempo que não nos vemos.

– Pois é... Muitos afazeres.

– Eu sei. Mas estou muito feliz em revê-lo. Então foi você que chegou naquele helicóptero?

– Sim, fui eu. E também estou muito feliz, não sabe o quanto. Mas, me conta uma coisa... Fiquei sabendo pelo mestre de uma novidade que me deixou pasmo – fez uma pausa. – Você e o Leda estão juntos, mesmo?

– Estamos – respondeu sem graça.

– Me conta como foi isso. Afinal, vocês nunca foram muito chegados.

– Verdade. Mas muitas coisas mudaram nesses anos. Há algum tempo Leda foi ficando mais gentil comigo, um dia se declarou e me pediu em namoro. Juro que quase ri na cara dele. Pensei: “Eu nunca vou namorar você. Não combinamos em nada.”

– Mas, pelo jeito, ele conseguiu te conquistar.

– É, aos poucos ele foi me convencendo que podíamos tentar.

– Entendi... – Baixou o olhar.

– Agora, me fale de suas novidades.

– Bem, como estamos sem batalhas no momento, estou acompanhando a Saori em suas viagens e eventos que envolvem a fundação. Ficamos muito amigos.

– Sua companhia sempre foi muito agradável.

Eles ficaram se olhando um algum tempo e Shun começou a acariciar os cabelos de June.

– Seus cabelos continuam lindos, sabia?

– Obrigada, meu amigo. E seu carinho continua muito bom. Você tem uma boa mão para afagar.

De repente eles sentem alguém se aproximando, olham para trás e veem Leda observando-os.

– Ora, ora... Quem está vivo sempre aparece. – Ironizou o cavaleiro de Peixe Austral. (1)

– Oi Leda – Shun cumprimentou-o um pouco sem graça. – Como vai?

– Muito bem. Ficou sabendo da notícia? Eu e June estamos namorando.

June sentiu-se incomodada com o jeito do companheiro, mas tentou disfarçar.

– É, eu fiquei sabendo... Felicidades.

– Obrigado, Andrômeda – Agradeceu ainda com o notório tom de ironia. – E você, o que veio fazer aqui? Nos presentear com sua ilustre visita?

June sabia que o rumo daquela conversa não iria acabar bem, pois com certeza, Leda acabaria agredindo Shun de alguma forma. Assim, ela se levantou pegou, a mão do namorado e o chamou.

– Shun, depois conversamos mais – disse a amazona se retirando, arrastando Leda consigo para fora daquele lugar.

Shun continuou sentado mais um pouco.

– Ele pode ter mudado em muitas coisas, mas a hostilidade contra mim continua fortíssima.

June chegou em sua casa ainda trazendo o namorado pela mão, bateu a porta atrás de si e perguntou:

– Porque você sempre tem que tratar o Shun mal?

– Eu até que o tratei muito bem – cruzou os braços com pouco caso.

– Juro que não te entendo. Ele nunca fez nada contra você.

– Você que pensa... E eu não sei por que você toma tanto às dores do afeminado.

– Para de chamar o Shun assim! – Elevando seriamente o tom de voz.

– Tá bom, tá bom! – Revirou os olhos. – Mas, o que ele quer aqui?

– Visitar a ilha, ora – respondeu num tom óbvio.

– Ele podia esquecer que a gente existe, como fez esse tempo todo.

– Vamos mudar de assunto? Senão vamos acabar brigando.

– Por causa dele? – Perguntou, beirando a indignação.

– Sim. Não esqueça que ele é MEU AMIGO e eu não gosto do jeito que você se refere a ele.

– OK. Você venceu. – Encolheu os ombros e levantou as mãos, admitindo sua derrota. – Agora, vem cá – num gesto rápido, puxou a loira pela cintura e a abraçando. – Não quero mesmo brigar com você por tão pouco. – Segurou o rosto de June, beijando-a.

Shun continuou andando pela ilha, pensativo: “Não vai ser nada fácil, mas nada na vida foi fácil para mim, mesmo.” De repente, ele viu uma senhora baixa, de cabelos grisalhos preso num coque, olhos negros, pele morena e feições gentis. Os olhos de Shun brilharam. Quando ele se aproximou e a senhora o viu, deu um grande sorriso.

– Shun, meu filho!

– Dona Benetite! A senhora não mudou nada.

– Gentileza sua, menino. Do mesmo modo que você amadureceu, eu envelheci.

– Mas continua com o mesmo olhar doce de sempre.

– E pelo jeito você continua o mesmo Shun também. Vamos lá na minha casa, fiz aquele doce que você amava.

– Doce de abobora com coco? Que delicia, dona Benetite! Que saudades de suas guloseimas.

Na casa de Benetite Shun comia o doce e conversava com a senhora.

– A senhora sempre fez parte dos bons momentos que tive aqui nessa ilha. Todos gostavam de comer suas guloseimas e escutar suas histórias. Eram, sem sombra de dúvida, os melhores momentos que tínhamos aqui.

– Era muito bom para mim também. Nunca entendi como meninos tão pequenos precisavam passar por tanta situação difícil, só para se tornarem cavaleiros.

Shun sorriu, ele também compactuava dessa mesma ideia, mas sabia que certas coisas na vida não tem explicação.

– Você sempre foi um excelente menino e eu sabia que um dia você seria reconhecido por seus esforços. Sei que hoje é um cavaleiro especial.

– Obrigado, dona Benetite. A senhora que é gentil demais. Porém, não sou especial, não. Sabe de uma coisa? Eu e a June adorávamos aprender receitas com a senhora. Mas até hoje não conseguir fazer doces tão bons como os seus, eles tem um “q” especial.

– Obrigada! São feitos com amor. – Fez uma pausa. – Shun, já falei com Albiore, agora eu vou falar com você. Não deixe a June namorar o Leda, ele não é namorado para ela. A June merece alguém doce como você, meu filho.

Shun ficou desconcertado pelo comentário inocente e sincero... Ela sempre foi dessa forma, uma senhora viúva e sem filhos, que queria proteger todas as crianças que estavam ali treinando. Sempre que podia, reunia todas para “poderem ser crianças de verdade”, como ela mesma dizia. June e ele eram as crianças mais próximas a ela.

– Shun, por que você não a namora? Tenho certeza que vocês se gostam, percebi isso desde que vocês eram moleques. Acredito que fariam um casal lindo.

Shun riu sem graça, sentindo sua face queimar de vergonha.

– Não sabia que a senhora pensava assim. Mas posso garantir que farei o possível para conquista-la, tá bom?

E a tarde foi passando e logo a noite chegou. Depois do jantar e de tomar banho, Shun foi à casa de June, torcendo para não encontrar Leda de novo e evitar outro momento constrangedor. No caminho, esbarrou com Spica.

– Boa noite – Shun cumprimentou educadamente.

Spica não respondeu, apenas o olhou com desprezo, logo depois um sorriso sínico nascendo nos lábios.

“Não sei por que ainda perco meu tempo.” Shun pensou e continuou seguindo seu caminho. Chegou à casa de June e depois de bater à porta ela atender. A loura estava com um vestido justo verde claro com listra horizontais brancas.

– Oi, meu amigo! – cumprimentou-o sorrindo – Entre para conversarmos mais. – pegou na mão dele e o conduziu para dentro de sua casa.

Já estando na sala, Shun reparou que era uma casinha simples, como todas da ilha, mas muito bem arrumada. Móveis rústicos, sofá de palha e tapete feito à mão, de listras coloridas.

– Sua casa está um graça, sua cara!

– Obrigada! Você aceita alguma coisa? Ah, tem bolo de laranja.

– Jura? Lógico que eu quero. Eu nunca comi um bolo tão bom quanto o seu bolo de laranja.

– Não exagera!

– É sério. Você sabe que sou sincero quando falo algo, porque é verdade.

– É mesmo. Então vem até a cozinha.

Eles sentaram à mesa e June serviu Shun com uma fatia de bolo e suco maracujá. O rapaz se deliciou e mais uma vez elogia o bolo da amiga.

– Ma-ra-vi-lho-so! Que saudade desse bolo e de você.

June sorriu, como era bom estar ao lado de seu melhor amigo.

– Apesar de aparentar maturidade, você continua guardando o mesmo ar ingênuo de sempre.

– Algumas características nascem e morrem com a gente. E eu acho que sou um eterno ingênuo e sensível, que acredita nas pessoas e querer mudar o mundo. Mesmo depois de tantas coisas vividas. Muitas mesmo! Às vezes tenho a sensação que já vivi 50 anos. Mas esse meu jeito não muda. Muitas vezes, me lembrava de você dizendo que eu não deveria ser cavaleiro e de quando tentou me impedir de ir ao Santuário. Acho que fui teimoso, não é?

– Foi sim, mas essa teimosia serviu para que eu parasse de ver você como um menino indefeso e te visse como um homem valente, que não foge de seu destino. Eu te admiro muito, Shun. Cada vez que eu recebia notícias de suas lutas vitoriosas me enchia de orgulho.

– Lutas vencidas em duras penas. Mas, também em conjunto com meus amigos. Nós sempre demos o nosso sangue e sempre daremos se for necessário.

– Eu sei. Vocês criaram um laço muito forte de amizade, né?

– Sim. E isso foi, muitas vezes, o ponto chave para vencermos. Nós somos unidos e confiamos uns nos outros. A vitória de um é a vitória do outro verdadeiramente.

– Lógico, afinal vocês lutam para defender esse mundo, então precisam unir suas forças mesmo.

Eles continuaram conversando. Relembravam acontecimentos de suas vidas desde o tempo que conviviam juntos até quando ficaram separados. Eles se surpreenderam, pois a interação entre eles continuava a mesma, parecia que o tempo não tinha passado.

– Então aquele colar que você guardava com tanto carinho, achando que era da sua mãe, na verdade era o que marcava você como o hospedeiro de Hades? Isso é surpreendente!

– Não foi só você que teve essa reação. Todos tiveram, inclusive eu. Quando eu senti o espírito de Hades chamando o meu corpo, minha primeira reação foi não entender o que estava acontecendo, mas depois eu analisei muito rápido a situação, e achei que seria mais fácil derrotá-lo se o espírito dele estivesse dentro de mim.

– Você se arriscou muito, Shun! Mas esse é você, não é? – ela sorriu – Todos aqui na ilha te admiram.

– Nem todos. Seu namorado continua me “amando”, né? – disse em tom de brincadeira. – Você disse que ele havia mudado, mas só se foi contigo mesmo, pois comigo... Não só ele, mas o Spica também. Realmente, não sei o que fiz com eles.

– Também nunca entendi, mas acho que é ciúmes de você.

– Ciúmes de que? De cara eles não gostam de mim. E de você também não gostavam, já que éramos muito próximos. Lembra as intrigas que eles faziam tentando colocar o mestre contra nós?

– Lembro. Porém, eles nunca conseguiram. O mestre conhecia muito bem cada um de seus alunos. Mas não se preocupe com eles.

– Não me preocuparia se Leda não fosse namorado da minha amiga. Ainda não entendo como vocês podem estar juntos. Ele não combina em nada com você.

– É o que te falei. Ele mudou totalmente comigo.

Spica entrou em casa e encontrou Leda deitado no sofá.

– Sabe com quem encontrei agora? Como o Shun. Ele continua querendo ser “simpático e educado” – ironizou Spica.

– Ele gosta de agir assim, para tentar demonstrar que é melhor que todo mundo.

– Exatamente.

– Ou seja, um ridículo total.

– Mas, tome cuidado com esse ridículo, ele estava indo em direção a casa de sua namorada.

– Sou mais eu, Spica – falou sentando no sofá.

– Se eu fosse você, não daria molhe. Sempre desconfiamos de algum interesse dela por ele.

– Dela, pode ser. Mas dele? – Soltou uma gargalhada.

– Tá bom que o cara é afeminado, mas não custa ficar de olho – falou dando uma risadinha. – Vai que ele resolve mudar de time. Se eu fosse você, dava uma chegada na casa dela.

– Vou dar um tempo, depois eu vou.

Na casa de June, ela e Shun ainda conversavam, mas num determinado momento ficaram se olhando por alguns instantes, sem falar nada. Foi quando ele quebrou o silêncio:

– Que bom que você não precisa mais usar aquela mascara, seu rosto é tão lindo.

June abaixou a cabeça, pois ficou com vergonha.

– Você é linda, June. Sempre achei seu coração lindo, mas depois que vi seu rosto tive a certeza que você é linda por dentro e fora – e com uma das mãos acariciou a face da loira que olhou para ele. – Eu nunca me esqueci do dia que você me deixou tocar no seu rosto. Nunca esqueci aquele momento. (2)

Seus olhares continuaram cravados um no outro, Shun tocou com seu polegar nos lábios de June, que imediatamente, fechou os olhos, apreciando cada sensação daquele toque.

– A cor dos seus olhos combinam com o contorno das pálpebras, o desenho do nariz e lábios. Ah, a sua boca e linda e macia.

June sentia-se nas nuvens, permanecia de olhos fechados até que resolveu olhar o causador de todo aquele efeito maravilhoso. O olhar de Shun estava intenso, então ela pôs as suas mãos sobre a mão dele e o cavaleiro foi cada vez mais se aproximando. Finalmente, os lábios se tocaram timidamente. Porém, quando o beijo começou a se intensificar, June empurrou o rapaz, levantou da cadeira e correu para a sala. Shun ficou sem entender o motivo da reação dela e foi atrás.

– O que foi, June?

– O que foi? Tenho esperado uma atitude sua há anos e quando eu resolvo seguir minha vida você se sente no direito de bagunçar tudo! – Falou, descontrolando a voz.

– N-não, eu não quero bagunçar sua vida – respirou fundo, esperando encontrar forças. – Eu sempre lhe vi como uma grande amiga, sempre te admirei e gostava muito de estar ao seu lado. Mas nunca achei que isso fosse amor, na verdade, não sei em que momento eu descobri que toda amizade era na verdade um grande amor – falava atropelando as palavras, como se não tivesse mais tempo, que o mundo fosse acabar naquele momento.

– E porque quando descobriu, não me procurou? Não ponha a culpa nas batalhas travadas e situações adversas. Pois quando queremos algo vamos até o fim atrás dos nossos objetivos e você sabe muito bem disso.

– Tive medo – respondeu imediatamente. – Medo por achar que minha declaração fosse atrapalhar a nossa amizade. Eu acreditava que você me via como um amiguinho chorão e inseguro, que precisava de proteção.

– EU NÃO ACREDITO! VOCÊ É UM IDIOTA? – Gritou de raiva a plenos pulmões, deixando algumas lágrimas escorressem pelo rosto. – O que eu tinha que fazer para mostra meu amor por você, seu burro?

– É... Eu sou realmente um idiota – afirmou com um fio de voz. – Eu não sei quando eu comecei a perceber que te amava, só sei que de repente me deu um grande desejo de estar ao seu lado, de me declarar e tocar na sua pele. Muitas vezes, meus pensamentos se perdiam e eu queria sentir o seu perfume e seu beijo. Queria te fazer feliz. Mas, realmente, me faltou coragem. Eu não sou digno de seu amor. É melhor você esquecer minha visita e continuar ao lado de Leda. Ele merece seu amor, não eu. – Respirou fundo, tentando segurar as lágrimas que começaram a brotar em seus olhos. – Só queria ter tentado uma única vez. Seja feliz, pois você merece. – Virou as costas para ela e se dirigiu para a porta.

As palavras de Shun mexeram em seu âmago. June pensou que não poderia jogar toda a culpa em Shun, afinal, ela também poderia ter se declarado. Também poderia ter tentado ser mais ousada. Se ele teve medo, ela não ficava atrás.

– Shun, espera... – o cavaleiro parou, mas permanecendo de costas. June se aproximou dele, encostou a cabeça em suas costas e envolveu seus braços na cintura dele. As lágrimas continuavam a rolar pela alva face.

Ainda em silêncio, Shun segurou nos braços dela.

– Eu te amo e sempre vou te amar. A culpa de nossos desencontros também é minha – soluçou. – Eu não vou deixar você ir embora de novo...

Shun virou de encontro da amazona, o olhar dos dois se fixaram. Ele limpou as lágrimas dela e novamente a beijou com mais urgência e anseio. Porém, depois de alguns estantes, June empurrou Shun lentamente, apoiando suas mãos no tórax dele.

– Não podemos, eu tenho namorado e não posso traí-lo. Não é certo.

– Você tem razão.

– Eu vou conversar com ele amanhã, logo cedo. Ele treina na praia, vou atrás dele e termino tudo.

– Ele vai ficar uma fera.

– Vai mesmo.

– Quer que eu vá contigo?

– Não. Será pior. Eu já sei lidar com Leda. Depois de tudo resolvido, eu te procuro, tá?

– Tá bom. E melhor eu ir embora agora. Já está muito tarde.

Na porta.

– Vou te aguardar ansioso, não vou conseguir dormir.

– Realmente, vai ser difícil dormir com essa ansiedade no nosso peito.

Shun já ia embora, mas se virou rapidamente e deu um selinho em June.

– Shun... – recriminou com um leve sorriso. – Vai embora logo, vai...

Ele foi caminhando e sorrindo, enquanto June entrou em casa. Apoiou-se na porta tocando em seus lábios, sorriu também.

Próximo da casa de June, vendo a despedida do casal, estava Leda.

– Miseráveis! Eu gostaria de dar uma lição nos dois agora mesmo, mas vou esperar. O melhor prato é aquele que se come frio.

Foi para casa pisando forte e bufando de raiva. Entrou e bateu a porta com força.

– O que aconteceu? – Perguntou Spica assustado.

– Você tinha razão. Vi os dois se beijando.

– E o que você fez?

– Ainda não fiz nada – revelou com um olhar frio e calculista. – Vou dar bastante corda a eles e depois vou enforcá-los.

Na manhã seguinte, logo cedo, June foi procurar Leda, que como ela imaginava, estava na praia treinando. Ela reparou que ele estava com um cosmo agressivo, como há muito tempo não sentia. Ela sentou na areia e ficou observando seus movimentos. Leda a viu, parou de treinar e se aproximou.

– Bom dia, querida – tentou disfarçar.

– Bom dia – respondeu se levantando.

– O que lhe traz tão cedo ao meu encontro? – Perguntou abraçando e beijando a amazona.

– É que... preciso conversar com você – revelou tentando desvencilhar-se dos braços dele.

– Então deve ser algo sério.

– É sim. – Ela sentiu mais uma vez o cosmo de Leda se agitar. – Você está estranho hoje.

– O que você quer falar comigo? – desconversou.

– Sabe, não é algo muito fácil de falar, mas quero pedir muito de sua compreensão.

– Sei...

– Muitas coisas aconteceram com a gente e muitas mudanças também. Você mudou muito, para melhor. Principalmente comigo e isso foi despertando interesses da minha parte. Eu gosto muito de você, se não fosse por isso não estaria te namorando.

– Vamos direto ao ponto? – Pediu já perdendo a paciência. – Sei que essa conversa molhe não é um bom sinal.

– Eu... – respirou fundo, pois percebeu que seria mais difícil que imaginava. Leda estava bem frio.

– Fale logo. – Ordenou o cavaleiro, segurando com força o braço de June.

– Para! Você está me machucando.

– Eu já sei o que você quer me falar, sua traidora – não se conteve.

– Eu não sou traidora.

– Ah, não é? – Ironizou segurando com força o queixo da amazona, fazendo com que os olhos de ambos de encarassem. – Você com esse jeitinho meigo não passa de um safada! – empurrou-a que quase caiu sentada no chão.

– Me respeite, Leda!

– VOCÊ NÃO MERECE RESPEITO! – Gritou a plenos pulmões, sacudindo-a pelos ombros.

– Pare já com isso, Leda! – Uma voz logo atrás pediu em tom sério.

Notas finais
(1) No anime as armaduras de Leda e Spica não tem nome, mas algum fã criou. (2) Tenho que mencionar novamente que essa situação foi inspirada em um fic que li aqui no site. E repetir que não é plagio! Juro que me derreti para escrever a parte de Shun e June. hehehe O Leda e Spica estão muito chatos, não acham? O que será que vai acontecer? Até a próxima. Não deixem de comentar. PS: Um agradecimento especial a Wanda Suiyama. Filha você é 10!