Notas iniciais
GENTE LINDA, DEMOREI MAS CHEGUEI. Não tenho muito o que falar sobre esse cap então vamow para a leitura.

Eu estava dormindo, senti as pequenas patas da gata me acordando, Suzi estava estranha, seus olhos parados e olhando para o nada. Ela me acordou e saiu andando.

− O que foi Suzi? Volte para a cama!-Disse chamando-a.

Ela me olhou de novo e miou, decidi segui-la, o corredor estava escuro e não havia nada além da porta de entrada da casa. Suzi saiu e eu saí logo atrás, havia um lago. Estranhei, pois nunca houve nem sequer poças de água em meu quintal. Ouvi uma voz, era sutil, uma bela voz.

Aproximei-me do lago e olhei, vi meu reflexo, mas de repente, ele se tornou em outra pessoa, uma mulher, muito bela, com longos cabelos negros e olhos na cor violeta. Sua pele era tão branca, me lembrava à porcelana.

−Ela está vindo Christie, ela está vindo! – A mulher do lago repetia isso várias vezes.

− Quem está vindo? – Perguntei assustada.

−Se prepare, ela está vindo! – E então ela desapareceu.

Acordei num pulo, procurei por Suzi que dormia delicadamente em minha cadeira almofadada. Suspirei e peguei meu celular na escrivaninha, eram três e dezessete da manhã. Ótimo, eu havia tido um pesadelo, provavelmente não conseguiria mais dormir. Pensei em ligar para Daniel, mas imaginei que ele dormia e não queria incomodar sua noite. Decidi então estudar sobre o Mundo Oculto, procurei informações sobre as filhas do rei e encontrei poucas informações.

O rei se casou duas vezes, teve quatro filhas do primeiro casamento e um filho do segundo, esse morreu misteriosamente. A filha mais velha era Amelie, seguida de Sulpícia, depois vinha Madeline e por último Camile, essa teria supostamente se suicidado por amor. O filho do rei se chamava Algust, foi encontrado morto aos oito anos, nos braços de uma criada, nunca souberam o motivo de sua morte. A família real de Gharner, nome do reino e sobrenome das integrantes da família real, tinha uma história complicada.

O Rei Carlos e a primeira rainha, Sabrine, se conheceram no campo de batalha, ele era príncipe e chefe de guerra, ela uma guerreira, sim mulheres podiam guerrear na época. Sabrine era filha de uma bruxa, neta da deusa Maeve, trazia consigo um grande poder, usado somente para o bem. Quando se machucou em um acidente, ela foi parar no palácio de Gharner, onde conheceu melhor o príncipe, que já tinha certa afeição por ela. Quando perceberam que estavam apaixonados, decidiram se casar. A mãe de Sabrine não concordou, ela culpava o reino pelo massacre das bruxas e considerou a atitude da filha uma traição para com o povo. Sendo assim a mãe de Sabrine amaldiçoou a filha e todas as suas gerações.

− Caramba! – Foi tudo que eu consegui dizer. O texto acabava ali, mas eu sabia que havia mais coisa.

Eu queria saber mais, cada detalhe sobre meu mundo me interessava, mas meu cansaço foi maior que minha vontade de continuar lendo. Olhei a janela e vi que já estava amanhecendo, baixei a tela do notebook e fui em direção à minha cama, esperei que Suzi se acomodasse e adormeci acariciando a gata.

− Querida, acorde! – O som doce da voz de minha avó invadiu minha mente, fazendo com que eu despertasse.

− Oi vovó, o que aconteceu? – Perguntei preocupada.

− Você está dormindo há tanto tempo, fiquei preocupada. Já são quase onze.

− Nossa, tenho que sair! – Disse e me levantei correndo.

Meu banho foi mais demorado do que pensei, lavar os cabelos nunca havia sido tão difícil. Vesti um jeans, uma blusa de alças finas, meu all star e saí apressada. Eu não havia me encontrado com Daniel desde a festa, nos falamos apenas por telefone. Tudo parecia bem, não falamos sobre nós, uma hora teríamos que falar, mas eu não sabia se estava pronta. Por hoje focaríamos apenas nos estudos.

Adentrei a biblioteca e segui para a sala de estudos, a porta estava, provavelmente já esperavam por mim.

− Está atrasada! – Lucius disse.

− Seja compreensivo, a noite de alguém foi longa. – Daniel respondeu beijando minha testa quando me aproximei.

− Como sabe?

− Eu sinto você Chris, sei quando está com medo, por mais longe que eu esteja, sei o que está acontecendo. – Ele segurou minha mão com firmeza enquanto me explicava com um sorriso pleno. – E sei que essa noite você sentiu medo, não sei o que o causou, mas sei que seu coração ficou acelerado das duas até as quatro da manhã, e deduzo que você tenha ido dormir por volta das seis, foi quando eu também consegui dormir.

− Nossa, como isso é possível? Você sente o que eu sinto, isso é estranhamente incrível. – Era notável a indignação e a curiosidade em meu tom de voz.

− Daniel é seu protetor Christie, pelo que vejo, mais que isso também. – Sorri nesse momento. – Um protetor precisa saber como sua protegida se sente, só assim ele pode atender ás necessidades que ela mesma não pode decifrar. – Lucius explicou. – Mas nos conte querida, o que lhe causou medo?

− Eu tive um sonho, havia uma mulher em um lago, ela dizia que alguém estava vindo, que “ela” estava vindo, que eu deveria me preparar. Não tenho a mínima ideia de quem seja “ela”.

− Consegue dizer como é essa mulher?

Descrevi a moça á Lucius e ele pediu para que eu a desenhasse, eu não tinha nenhum talento para o desenho, nem sequer tinha algum talento.

− Eu não consigo. – Disse soltando o lápis após longos minutos tentando desenhar algo.

− Christie, se concentre. Não se trata de talento, se trata de coragem e vontade.

− Me desculpe. Algo me trava, não consigo. – Disse decepcionada comigo mesmo.

− Isso é verdade, pude sentir seu bloqueio. – Daniel interviu.

− Daniel você desenha? – Lucius perguntou após uns minutos pensando.

− Um pouco!

− Ótimo, podemos tentar usar a ligação de vocês para fazer isso funcionar. Venha cá! – Daniel se aproximou. – Christie pegue o lápis, Daniel segure a mão de Christie e mantenha a outra mão em seu ombro, fechem os olhos e se concentrem somente em vocês e em sentir um ao outro. Pense no que viu Chris.

Fizemos exatamente o que ele pediu. Me concentrei apenas em cada detalhe do rosto da mulher que vi, seus cabelos e o modo como balançavam em seu rosto, o formato dos olhos e do nariz. Não sei em que momento terminou, mas só sai de meu transe quando deixei o lápis cair.

− Terminei! – Eu disse e quando olhei não pude deixar de me espantar, o desenho havia ficado exatamente idêntico à mulher do lago.

− Essa é a mulher que você viu? – Lucius perguntou meio surpreso.

− Sim, com certeza é ela. – Respondi com firmeza.

− Christie, essa é Sulpícia, uma das filhas do rei e sua mãe.

Quando ele disse isso meu sorriso sumiu, eu fiquei sem reação, como se o ar me faltasse, me senti tonta apoiei a cabeça nas mãos ainda sentada. Eu havia sonhado com ela, eu sabia o seu nome, ela era real.

Senti meus olhos se encherem de lagrimas, eu esperei tanto por aquele momento, o que eu mais queria era falar com ela.

− Chris,você está bem? – Daniel se abaixou do meu lado preocupado.

− Onde ela está? Eu quero vê-la. – Eu me levantei extremamente alterada.

Daniel me segurou e me puxou pra perto tentando me acalmar, eu precisava vê-la.

− Christie se acalme, sente-se. Tem muita coisa que você precisa saber. – Lucius dizia tentando fazer com que eu o escutasse.

− Lucius, onde eu a encontro?

− Christie, eu sinto muito em te dizer, mas não tem como encontra-la. – Ele dizia calmamente. – Sua mãe foi morta poucos dias após você nascer.

Nesse momento eu não sabia o que pensar, foi como ir ao céu e ao inferno no mesmo momento, por um segundo achei que iríamos desvendar todo esse mistério de uma só vez, que ao chegar à minha mãe, chegaríamos também a solução de todos os mistérios e problemas. E agora que eu finalmente sabia quem ela era e nunca teria a chance de encontra-la.

− Como assim? – Minha voz saiu quase inaudível.

− Quando as coisas começaram a sair do eixo no Mundo Oculto, e o mal estava quase tomando conta do reino, você estava prestes a vir ao mundo, sua mãe era uma das únicas que não haviam se contaminado, e ela queria muito que você também fosse assim, que tivesse um bom coração, mas ela sabia que com seu poder e sua força, seria impossível fazer com que você crescendo no meio de tanto mal criasse alguma bondade, e ela queria que você tivesse a chance de conhecer um bom mundo, que pudesse escolher seu próprio caminho e que encontrasse o amor. Você nasceu no dia 28 de Outubro, ás quatro e quarenta e cinco da manhã. Era forte, tinha um olhar tão amável, sua mãe ficou apenas dez dias com você, fugindo para que Madeline não te encontrasse, ela sabia que se isso acontecesse seria o fim da sua bela vida. – Conforme ele falava eu ia me sentindo cada vez mais destruída, como se já não bastassem todas as mentiras até agora, havia mais, tudo tinha sido uma mentira. Eu era uma mentira. – Depois de muito fugir eu, sua mãe e você, conseguimos chegar à superfície e então procuramos uma família para você, na qual teríamos certeza que você seria bem criada, bem educada. E encontramos dona Eleonora, ela estava tão fragilizada pela morte do marido, era visível a bondade em seu coração e como ela se sentia sozinha. Era sua única chance, sua maior chance. – Senti Daniel apertar minha mão. – E então deixamos você, foi muito triste. Eu nunca havia visto sua mãe tão triste, ela chorava como uma criança. Ela então foi embora e pouco tempo depois foi encontrada por Madeline, então me deu o livro e me mandou protegê-lo, e eu faço isso desde então.

Quando Lucius acabou eu já não conseguia pensar, minha única reação foi sair de lá. Ouvi a voz de Dan me chamando, mas Lucius o impediu de me seguir. Eu corri para minha casa, minha avó não estava, subi para o meu quarto e deitei em minha cama. Joguei minhas cobertas e meus travesseiros aos gritos enquanto tentava colocar pra fora tudo o que eu estava sentindo.

− Por que? – Eu gritei repetidas vezes, como se o universo pudesse me dar uma resposta que consolasse meu coração.

Comecei a me perguntar por todos os anos que ouvi vozes em minha mente, e em como me sentia diferente de todos, e que tudo que eu queria em toda a minha vida era me sentir normal, igual e inclusa. Acabei caindo no sono em meio ao choro.

Após algumas horas acordei ouvindo algumas vozes no andar de baixo. Por impulso desci o mais rápido que pude, encontrei Daniel conversando com minha avó enquanto ela tricotava. Uma conversa animada, ao perceberem a minha presença ficaram em silencio.

− Querida, como se sente? Daniel me disse que você se sentiu mal e veio para a casa, me desculpe por não estar aqui. – Vovó se levantou e veio em minha direção.

− Estou bem, foi só uma indisposição.

− Menos mal então querida. Bom, vou deixar vocês conversarem. – Ela saiu em direção a cozinha deixando-nos a sós.

Em um instinto, Daniel me puxou com força em um abraço, me apertando como se estivesse extremamente preocupado, eu sabia que ele estava. Aconcheguei-me em seu abraço e me permiti sentir aquela dor novamente.

− Eu prometo que vai ficar tudo bem. – Ele disse baixinho.

− Obrigada. – Foi só o que eu consegui dizer.

Subimos para o meu quarto, eu me sentei em minha cama. Dan se encostou em meu armário.

− Eu estou com o livro.

− O que? – Eu não havia entendido.

− Lucius achou melhor trazer o livro pra você, assim você não precisa ir até a biblioteca para estudar. O livro é seu, não precisa nem devolver, pode guardar aqui ou deixar com ele se preferir. – Ele então tirou o livro da mochila e me entregou.

− Eu vou terminar e devolvo. – Disse séria.

− Chris, o livro é seu, ela deixou pra você. Fique com ele. – Dan então se aproximou se sentando ao meu lado. – Eu não consigo imaginar como deve ser difícil para você, mas não deve ter medo, eu e Lucius só queremos te ajudar.

− Não tenho medo dele, e muito menos de você. Eu só estou confusa.

− Eu sei, posso sentir.

− Dan, eu não sei se estou pronta, eu tenho só dezesseis anos, e eu nunca pensei em ser uma bruxa ou eu resolver os problemas que a minha mãe não resolveu. – Eu disse sem olhar para ele.

− Você não tem escolha Chris, a vida de todos está em jogo, a sua vida e de todos que você ama.

Nesse momento eu me assustei, em todo esse tempo eu só sabia que eu era diferente, mas nenhum deles haviam me dito o que realmente enfrentaríamos, somente vieram a me ensinar sobre minha história.

− Como assim Dan? – Perguntei.

− Chris, Lucius me falou um pouco sobre seu sonho e o que ele quer dizer. Ele disse que mesmo depois de morta Sulpícia continuaria se comunicando com você, pois seu espírito é imortal, e deixou claro que te enviaria um sinal quando Madeline sua tia viesse atrás de você. Ela quer roubar seus poderes, ela fez isso com todas as Herdeiras, só resta você.

Meu coração acelerou, era isso então, alguém estava vindo atrás de mim, e havia mais que isso, eu podia sentir. Eu estava em perigo, todos que eu amava estavam em perigo. Eu tinha obrigação de protegê-los. Ainda que isso custasse a minha vida e tudo que eu mesma havia planejado para mim.

Notas finais
Bom gente, é isso, espero que tenham gostado. Até a próxima.