Notas iniciais
DEPOIS DE UM MILÊNIO EU VOLTEI! Gente eu juro que não fiz por mal, a faculdade tomou muito o meu tempo, quase não tive tempo de respirar, e a fic acabou entrando num hiatus inesperado até por mim. Peço que me perdoem! O IMPORTANTE É QUE VOLTAMOS COM TUDO AGORA MEU BRAZEEEEL Espero que gostem do cap e prometo não demorar! Nos vemos la embaixo xuxus Beijokas da Lua! Boa leitura.

Eu estava em um jardim,um lindo jardim, usava um vestido branco, eu estava diferente, minha bochechas estavam coradas, e eu sorria muito. Eu dançava e cantava uma música parecida com um mantra, um idioma do qual eu desconhecia, eu estava feliz.

− Christie? – Ouvi a doce voz me chamar.

− Sim? – Olhei na direção da voz e ela estava lá.

Ela era linda, era alta, usava uma trança simples, um vestido de mangas longas azul escuro, os olhos eram negros, ela me olhava com tanto amor.

− Eu estou com você, sempre estive e sempre estarei. Guarde isso! – Ela segurou minha mão e me puxou para uma dança.

Nós dançamos, rimos, e então ela desapareceu...

Acordei pela primeira vez tranquila, olhei para o lado e estava tudo no como eu e Daniel havíamos deixado. A janela estava lacrada, e meu espelho coberto, não sabia ao certo o por que.

O sonho me fez sorrir, aquela mulher, era a mesma do desenho, a mesma dos sonhos, a mesma da janela da escola, a mesma do reflexo do carro. Aquela era a minha mãe!

Minha pequena felicidade se transformou em dor ao pensar nela, como eu queria tê-la por perto, para me ensinar sobre o mundo, pra me dar o colo que eu precisava naquele momento, para lutar comigo.

Deitei novamente e pude sentir algumas lágrimas caírem dos meus olhos, pensei em Daniel sentindo a minha tristeza no momento, e tentei disfarça-la ao máximo. Mas não consegui.

Daniel sofreria comigo, comecei a pensar em cada dor que ele sentiria, cada medo, cada ódio, tudo que eu sentisse dali em diante, pensei também nas nossas alegrias, e em como seria mais fácil conviver com ele, mas queria conseguir senti-lo assim como ele me sentia, não era justo somente ele passar por isso.

Ouvi duas batidas na porta.

− Pode entrar!

− Bom dia querida, eu trouxe chá e bolo de milho! – Minha avó entrou com uma bandeja rosa cheia de pedaços de bolo.

Era uma tradição, quando ficávamos doentes comíamos bolo de milho, exceto quando tive uma alergia horrível e não pude comer nada.

− Vovó, não precisava!

− Querida, por dezesseis anos eu fiz bolo de milho e chá para todos os dias em que você esteve doente, isso não vai mudar hoje. – Sorri em agradecimento. – Pretende sair da cama hoje?

− Acho que vou pra escola. Ainda são sete, tenho tempo para tomar banho e me organizar. Daniel ligou? – Perguntei olhando meu celular e notando que não havia nenhuma mensagem ou chamada dele.

− Não querida, vocês estão bem?

− Estamos sim! Só estou com saudade. – Disfarcei minha preocupação.

− Paixão adolescente, eu tive muitas! – Ela disse e nós duas rimos.

− A senhora era perdida! – Eu disse e ela saiu gargalhando.

Me arrumei para a escola, Daniel ainda não havia dado sinal de vida, imaginei que ele estivesse dormindo, pensei em ligar para que ele não se atrasasse para a aula, mas achei que passaria uma impressão um tanto quanto possessiva da minha parte. Preferi esperar em silêncio.

Fui andando de vagar pelo caminho, sentia o vento em meu rosto e me atentava a cada pequeno detalhe, as flores e a forma como elas se distribuíam. Meu braço ainda doía, mas o vento frio da Carolina do Sul aliviava um pouco a dor. Avistei bem longe um corvo, estava parado próximo ás árvores, os olhos do animal brilhavam, era hipnotizante. Nem percebi o exato momento em que comecei a ir a sua direção, quando me aproximei ele voou para longe e desapareceu no céu. Olhei em minha volta e pude perceber um caminho entre as árvores e arbustos, pisei firme sobre um galho e empurrei o outro com o braço bom, entrei na floresta.

O caminho era rodeado de galhos e eu por diversas vezes tropecei em coisas no chão, imaginei quantas pessoas entravam por aquele caminho. Conforme eu andava comecei a sentir uma pressão muito forte em meu corpo, a energia do lugar havia mudado. Eu nunca havia sido supersticiosa e nem acreditava em coisas divinas, mas sempre tive grande sensibilidade para energias, antes não entendia o porquê, agora, preferia continuar não entendendo. Havia algo diferente ali.

Depois de certo tempo andando cheguei a uma clareira, o lugar era incomum, não sabia onde exatamente eu estava. Olhei os detalhes e vi que havia algo diferente no chão ao centro, me aproximei para olhar e dei um pulo no susto. Levei a mão à boca com muita ânsia e dei alguns passos trás. Havia um pentagrama desenhado no chão, com alguns símbolos e dois corvos mortos ao centro envoltos a rosas vermelhas e um véu negro posto circularmente em volta. Algo bizarramente artístico. Peguei a câmera na mochila e tirei algumas fotos, eu precisava mostrar isso ao Daniel e ao Lucius.

− O que faz aqui? – Ouvi uma voz que vinha de trás de mim.

Me virei e dei de cara com uma mulher loira, ela usava uma capa capuz preto, seus olhos eram azuis mas podia-se enxergar um circulo vinho no fundo do seu olhar, usava um vestido preto longo e braceletes dourados, suas mãos estavam sujas de sangue, suspeitei que ela seria a responsável por toda aquela bagunça.

− Eu só estava passeando, me desculpe, eu não queria... – Fui interrompida

− Saia daqui! – Ela gritou e somente com o mover das mãos me lançou para o outro lado da clareira, gritei de dor. Me levantei com dificuldade e corri em direção a floresta. – Eu sei quem é você, esse não será nosso último encontro herdeira de Gharner! – Eu a ouvi gritando enquanto eu corria pela floresta desesperada olhando por diversas vezes para trás para ter certeza de que ela não me seguia.

A floresta parecia infinita, implorei pelo fim daquilo, meu braço doía muito e não pude conter um grito quando um galho bateu no meu gesso. Tropecei em um galho e cai com o rosto no chão. Senti uma mão me segurar e gritei com medo de ser a bruxa.

− Chris sou eu!

Olhei para cima e encontrei o belo rosto de Daniel, meu coração se acalmou, o agarrei como se houvessem anos que não nos víamos.

− Precisamos sair daqui, agora! – Eu disse enquanto ele limpava meu rosto que estava sujo de terra.

− Esta tudo bem, estamos próximos da saída. Venha! – Ele me puxou pela mão enquanto saiamos de lá.

Em pouco tempo estávamos fora da floresta caminhando em silêncio pela avenida.

− Vou te levar para casa, então conversaremos melhor sobre o que aconteceu. – Daniel disse sério para mim enquanto íamos em direção a minha casa.

− Não quero ir pra casa, quero ir pra biblioteca, preciso mostrar algo a Lucius.

− Acho que você deveria descansar, você teve uma manhã agitada, o ideal seria.,, — Não o deixei terminar.

− Eu quero ir para a biblioteca Daniel, me deixe ir. Eu sei o que vi e quero levar isso ao conhecimento de Lucius. – Meu tom foi hostil, não intencionalmente, eu estava assustada e queria saber quem era aquela mulher, e o que ela estava fazendo na clareira.

− Se é isso que você quer, assim faremos majestade! – Ele disse com uma pontada de ironia no final da frase.

− Ei, não, nunca mais me chame assim, eu não sou uma rainha, e nem quero ser vista como uma, em nenhum momento te dei uma ordem, nem pedi pra que ficasse andando atrás de mim como um guarda-costas, e se isso te incomoda então vá pra casa que eu termino isso sozinha. – Parei no meio da rua e disse isso com toda a minha sinceridade.

Não queria ser uma obrigação para Daniel, nem ao menos que ele parasse sua vida a cada momento em que eu estivesse em perigo ou simplesmente me sentindo triste. Eu não queria ser um fardo.

− Christie não é isso, eu não me importo em andar atrás de você, eu nasci pra isso. Mas é que as vezes você é tão teimosa, como você pode se enfiar sozinha em uma floresta com o braço quebrado? Com tudo que está acontecendo, com milhares de criaturas horríveis atrás de você, como você pode fazer isso? E se algo acontecesse com você? Eu jamais me perdoaria. Você às vezes parece ter cinco anos! – Ele soltou aquilo com total culpa e pesar.

Me senti mal por causar tudo aquilo a ele, saber que ele estava preso a mim fazia com que eu me sentisse mal por cada atitude não pensada.

− Daniel, eu nunca quis isso, nunca quis que você tivesse a obrigação de cuidar de mim e me proteger, eu nunca quis nada disso, e me desculpe pela minha infantilidade. – Por mais que eu tentasse não ser hostil eu só estava piorando a situação.

− Não faço por obrigação, posso te negar a qualquer momento e seguir minha vida, aguentaria as consequências para ter total liberdade de escolha, se estou aqui ainda é porque me importo com você, seria pedir muito um pouco mais de consideração? – Ele estava mais alterado que o normal, e aquilo estava me deixando desconfortável, eu odiava brigar com qualquer pessoa que fosse, e parecia que com Daniel eu me machucava duplamente mais.

− Então tenha paciência, eu sou impulsiva, e não sei porque fui para a floresta, o corvo me levou até a entrada e minha curiosidade falou mais alto. – Eu me acalmava aos poucos. – Eu errei, e vou errar muito pela frente, passei a vida achando que corvos eram só corvos, livros só livros e florestas só florestas. É tudo novo de mais pra mim.

− Me perdoe Chris, eu vou ser mais paciente, mas me prometa que não vai mais se meter em florestas, e seguir corvos como uma maluca por ai. – Se ele não estivesse tão sério eu teria dado risada de sua frase.

− Eu prometo! Me desculpe.

Continuamos andando pela rua, eu queria perguntar sobre como havia sido sua noite e falar sobre meu sonho, mas estava envergonhada pelo momento.

− Como foi sua noite? – Comecei falando. – Esperei que ligasse de manhã, não que você tenha que ligar todos os dias, eu só esperei.

− Tive uma noite tranquila, sei que você teve um sono tranquilo, mas que ficou com suas emoções mexidas de madrugada. Outro sonho? – Ele disse já em seu tom normal.

− Sim, sonhei com minha mãe.

− E como foi?

− Bom, mas triste. – Houve uma pausa silenciosa.

− Me desculpe por não ligar, eu acabei apagando depois que você se estabilizou. – Ele se justificou.

− Não precisa se desculpar, fico feliz que tenha dormido. Eu só fiquei preocupada. – Respondi e ele sorriu.

Seguimos para a biblioteca em silencio. Ao chegarmos Lucius estava na recepção como sempre.

− Ola querida, como está seu braço? Você está horrível, o que aconteceu?

− É uma longa história, será que podemos conversar um minuto?

Ele fechou a biblioteca e nós seguimos para a sala de magia, como eu havia a chamado.

Contei toda a história a Lucius e a Daniel também, e mostrei as fotos tiradas com a câmera. Eles levaram um tempo para entender tudo.

− O que você viu na clareira foi um ritual de magia negra, provavelmente uma oferenda aos seres do submundo, para invoca-los, só nos resta saber quem os invocou e por que. – Lucius explicava enquanto analisava as fotos. – Christie me de sua mão. – Eu assim fiz. – Pense no rosto da mulher que viu.

Fiz exatamente o que Lucius pediu e ele soltou minha mão com expressão de susto.

− Não é possível!

− O que não é possível? – Daniel perguntou.

− Christie a mulher que você viu é Lila, a madrasta da sua mãe, como é possível? Ela foi morta ha milhares de anos, antes mesmo da rebelião sua mãe a matou. E estava lá, eu a vi morrer.

− Eu não estou entendendo, o que a madrasta da minha mãe faz aqui, matando corvos e invocando seres submundanos?

− Christie, sua mãe era muito odiada por Lila, ela era muito querida pelo seu pai, e Lila não era bruxa, ela era mortal, ela era apaixonada pelo seu avô desde criança, e estavam prometidos um ao outro, mas ele a trocou pela sua avó Sabrine, Lila não soube lidar muito bem com isso. Sua mãe me contou que ela pediu magia aos seres da sombra para matar sua avó, e assim se casar com o rei Carlos. – Ele ia me explicando e eu ia fazendo anotações mentais. – Sabrine adoeceu misteriosamente e morreu muito rápido, uma doença desconhecida e sem cura. O rei desolado buscou consolo com sua única amiga, que era Lila. Ela se aproximou das filhas do rei, conquistou cada uma delas, principalmente Madeline, que era frágil e sofreu muito com a morte da mãe. Sulpícia era esperta e não permitiu que Lila se aproximasse dela, mas ainda assim ela fez grande estrago na família real. E tem o pequeno Algust que morreu misteriosamente também.

Aquilo era mais que perturbador, toda a família real e sua história, minha história, pareciam um filme de terror da época medieval.

− Lucius, o que isso realmente quer dizer? – Daniel perguntou preocupado.

− Quer dizer que Madeline não esta sozinha, e que vocês vão enfrentar uma batalha muito grande. E não sabemos ao certo quanto tempo temos.

Aquilo pela primeira vez não me assustou, a cada novo dia eu esperava por noticias piores e aquilo iria piorar muito.

Me sentei na poltrona segurando o braço pois o mesmo doía muito.

− Deixe-me ver seu braço querida? – Lucius pediu.

Ele segurou o braço e pronunciou algumas palavras em outro idioma, e rapidamente meu braço parou de doer.

− Pode ir amanhã retirar esse gesso pequena aprendiz.

− O que você fez? – Eu perguntei olhando pro gesso provavelmente com uma cara de incrédula. Daniel riu.

− Lucius tem poder de cura Chris.

− O que?

Lucius se aproximou, segurou minhas mãos e olhou no fundo dos meus olhos.

− Um dia, pequena, você fará coisa muito maiores, e muito mais inacreditáveis que qualquer um de nós. Não se surpreenda com isso! – Ele disse e eu sorri. – Tire esse gesso e vá treinar! Você e seu protetor tem uma batalha para vencer.

Notas finais
Então foi isso gente, espero que tenham gostado. Um grande abraço e logo logo mesmo tem outro cap. Beijões da Diabolic!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.