Em Busca de Teu Perdão
19 Capítulo 19 - Tudo que eu quero é você! - Penúltimo Capítulo
Notas iniciais
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A possibilidade atemorizava Maria. Viajar com Esteban em um momento tão delicado em que ela estava apenas começando a tentar refazer seu coração destroçado. Só aquela proximidade com Esteban em um cenário tão sugestivo como aquela praia já lhe provocava um tremor nas pernas, o coração disparado. O pior, o que mais lhe maltratava era perceber que para ele não era nada daquilo. Sabia que Esteban provavelmente a odiava por tudo o que aconteceu, pela forma como ela buscou se vingar por como a história dos dois havia se dado. Ela sabia que ele merecia aquela vingança, sabia que estava com a razão nas mágoas que ainda sentia dele, mas então porque seu coração se sentia tão despedaçado e incompleto sem ele? Por que ela sentia que o queria apesar de tudo? Por que apesar de tudo ela queria recomeçar do zero e reconstruir aquele amor? A única coisa que a impedia era o medo.
Esteban tampouco se sentia tranquilo por viajar com Maria. A presença dela era demasiado perturbadora, mais do que sua ausência. Desejar sentir seu gosto, fantasiar com aquela noite, aquela maravilhosa última noite que tiveram era o que mais ele fazia. Imaginar que tinha seu corpo entre seus braços, que a fazia sua, que eram um só. Por isso fugia dela. Por isso evitava à todo custo o contato. Quando estava com ela era como se seus sentidos lhe fossem arrebatados. Tudo em que pensava era em tomá-la em seus braços e envolvê-la num beijo extasiante sem dar-lhe nem sequer a oportunidade de pensar em rejeitar-lhe. Mas não havia alternativa. Aquele sentimento, o único verdadeiro da existência de Esteban, precisava ser enterrado. Sepultado de uma vez!
_ Claro, uma viagem não muito complicada. – tentou inutilmente aparentar naturalidade. Seu nervosismo o traía, estava estampado nos seus olhos. – O trem parte às 9 da manhã, viajaremos por cerca de 5 horas. Chegaremos à cidadezinha no início da tarde. Podemos resolver a questão do registro no mesmo dia. Passamos a noite na pousada e regressamos no dia seguinte, o trem sai às 15h.
_ É mesmo necessário passar a noite? – indagou Maria com o coração aos pulos. Tinha medo que essa alteração em seus sentidos fosse perceptível à Esteban ou a qualquer um que a visse perto dele. É que era tão evidente.
_ É o único horário de trem de regresso. Podemos tentar tomar um trem em uma cidade vizinha, porém não creio ser conveniente para você e Isabel por ser muito cansativo.
_ De fato. – concordou Maria – Seria exaustivo para Isabel fazer um percurso tão longo em um único dia. Por mim não há problema, sou dura na queda.
_ Eu sei bem! – disse Esteban com um leve sorriso nos lábios.
Maria corou ao perceber o sentido com o qual Esteban tomou suas palavras. Ela tinha tanto medo de o fato de haver se entregado a ele fosse interpretado como falta de dignidade, como se ela não se valorizasse já que a relação dos dois jamais havia sido convencional.
_ Eu vou para casa então. Está ficando frio para Isabel estar na praia e se você acha que devemos viajar amanhã...
_ Se não é uma boa data para você, pode ser quando você quiser. – Esteban se mostrou compreensivo.
_ Não, pode sim ser amanhã. Eu tinha um compromisso no início da tarde, mas posso resolvê-lo em outro momento. Em primeiro lugar minha filha. – Ela disse com aquela firmeza que Esteban tanto admirava nela.
_ Claro! Estarei em sua casa às 8 da manhã para apanhar-te e podemos passar aqui para pegar Isabel, é perto.
_ Não! – Negou Maria – Eu levo Isabel para dormir comigo e saímos de lá, é melhor. Dona Úrsula acompanhou o parto de Isabel. Imagino que seja bom que ela vá conosco.
_ Sim, isso está perfeito! – Concordou Esteban.
Maria ajeitou suas roupas e caminhou até a casinha onde Isabel vivia. Esteban a observou fascinado e intrigado. Que compromisso seria esse que Maria tinha? Era difícil para ele compreender que não tinha mais nada com a vida de Maria, não podia evitar pensar que ela podia estar refazendo sua vida. “Estaria em seu direito se o fizesse...”, pensou com pesar, “mas eu mato! Eu mato ao que queira roubá-la de mim!”. Sorriu como que zombando de sua própria insipiência. Como lhe roubariam algo que não lhe pertencia e jamais lhe pertenceria?
***
A inquietude daquela conversa perseguiu o casal durante a noite. Ambos não conseguiram dormir tomados pela ansiedade, o medo e pensamentos despudorados que lhes enchiam de vergonha e ao mesmo tempo lhe queimavam a pele, deixavam a boca seca, as mãos trêmulas e não lhes permitiam controlar os próprios sentidos. Não conseguiam conter o efeito daquela proximidade sobre eles, o amor os controlava nesses momentos, lhes arrebatava.
Com a ansiedade à flor da pele, Esteban não conseguiu chegar às 8 na casa de Maria e se adiantou. Quando Kalebe abriu a porta ele cumprimentou com um grande sorriso que foi se desvanecendo com o que viu na sala de estar. Maria conversava cheia de sorrisos e de intimidades com Eduardo. Sua mão esquerda estava sobre o braço dele denotando uma proximidade, uma intimidade que repugnou Esteban. A raiva e o ciúme lhe invadiram junto com o terrível medo de perdê-la. Ela imediatamente se afastou no momento que o viu. Claro! Queria disfarçar o que era óbvio: Eduardo e ela estavam próximos e não necessariamente como amigos. O sangue lhe ferveu, sentiu-se tolo e ao mesmo tempo desamparado pelo sentimento de perda.
Eduardo olhou Esteban com uma expressão estranha e levantou-se estendendo a mão:
_ Bom dia, San Roman.
_ Bom dia! – respondeu seco tentando conter o incômodo apertando-lhe a mão.
_ Já são 8 horas? – indagou Maria inocente.
_ Ainda não. Creio que me adiantei.
Esteban disse isso imaginando que Maria jamais havia calculado que ele encontraria Eduardo em sua casa, por isso questionava sobre a hora. Sua naturalidade, estava claro de onde decorria: do caráter dissimulado de Maria que ela utilizara tão bem durante o casamento dos dois, sempre dissimulara, sempre! Como fazia isso bem.
_ Eu espero no escritório. Estou vendo que vocês estão resolvendo assuntos importantes. – disse Esteban com cinismo.
_ Não, não há razão. – Eduardo interveio. – De fato, já estava de saída. Maria e eu já nos acertamos e sei que vocês têm um compromisso.
_ Não precisa se apressar por mim. – Esteban mais uma vez foi cínico com um leve sorriso. O sorriso era para conter o ódio que lhe invidia pela presença do pretendente sempre apaixonado de Maria ali, na casa dela e que tão pouco tempo atrás havia sido deles.
_ Não é por você. – limitou-se Eduardo na explicação. – Maria, – dirigiu-se à bela moça – tenho claro que jamais me enganei com você, sempre pude ver a sua alma, desde que você era uma menina.
_ Imagine, Eduardo. – Agradeceu Maria levemente comovida – De alguma maneira, eu lhe devia isso. Adeus! – Despediu-se estendendo a mão.
_ Adeus! – Despediu-se Eduardo beijando-lhe sedutoramente a mão.
Kalebe acompanhou Eduardo até a porta e, por alguns instantes, Maria e Esteban permaneceram sozinhos naquela sala. Ele olhou-a decepcionado e, ao mesmo tempo, amargurado pela sensação de que lhe perdia.
_ Eduardo sempre tão conveniente, não? – atacou Esteban.
_ Na verdade, sim! Eu o convidei, ele não veio por si mesmo. Sempre foi respeitoso e conveniente. Comigo e com minha mãe. Estarei sempre agradecida à ele.
Maria que conhecia muito bem o sarcasmo de Esteban tratou de colocar as coisas bem claras. Esteban ia retrucar-lhe, quando Maria ignorou seu movimento e chamou Kalebe:
_ Por favor, Kalebe. Diga a dona Úrsula que o senhor Esteban nos espera. Estamos de saída.
_ Sim, senhora! – retirou-se o criado.
_ Como eu disse ontem, não é urgente que façamos essa viagem hoje. Se te é mais conveniente e você têm assuntos que resolver aqui, podemos deixar a viagem para quando você tenha tempo. – Não podia evitar a ironia.
_ E eu também já te disse ontem. O único assunto verdadeiramente importante e prioritário em minha vida é minha filha. Jamais adiaria algo tão importante para a vida de Isabel por algum capricho qualquer. – Maria se irritou com a agressividade dele.
_ Desculpe... – ele disse sem tirar o sorriso sarcástico do rosto – É que, ao menos para mim, você sempre se mostrou caprichosa.
_ Sim, e jamais o neguei! – Maria fitou-o com firmeza – Porém tampouco descuidei ou coloquei minha filha de lado por qualquer capricho. E disso certamente você não pode falar com claridade porque não foi possível que eu mostrasse meu lado mãe. – acusou-o magoada.
Dona Úrsula neste momento irrompeu na sala de estar com Isabel seguida de Kalebe que trazia as malas das três interrompendo o ácido diálogo dos dois. Entre a chácara de Maria e a estação de trem, dentro da charrete, o protagonista foi o silêncio. Esteban aproveitou que Isabel estava acordada e alegre para brincar com a filha. Eram raros os momentos que tinha com ela, tratava de aproveitá-los todos com o máximo de qualidade possível. Passaram poucos minutos na estação e logo o trem parou e eles trataram de acomodar-se na locomotiva. Esteban e Maria viajariam um ao lado do outro e dona Úrsula um pouco à frente deles.
No caminho, evitavam olhar-se e conversar, mas era um percurso muito longo para que não trocassem nenhuma palavra. Maria, ao lado da janela, perdia-se na paisagem sustentando a altivez no rosto, a mesma que estava em seu coração. Esteban, por sua vez, estava magoado. Encontrar Eduardo na casa de Maria foi um duro golpe para ele, pela primeira vez ele teve claro que Maria não lhe pertencia e que, talvez, tivesse que aprender a suportar saber que ela era de outro porque ele não a merecia.
Enséñame a rozarte lento,
Quiero aprender a quererte, de nuevo,
Susurrarte al oído, que puedo.
_ Eduardo é um bom homem. – disse Esteban com o coração dilacerado.
_ Eu sei disso muito bem. Ele sempre se mostrou um homem honrado. Um amigo com o qual sempre se pode contar. – Maria respondeu sem tirar os olhos da paisagem na janela do trem.
_ Honra! – disse Esteban como ditando uma sentença.
Eduardo possuía o que ele não tinha: honra! Constatar aquilo era doloroso. Jamais Maria o vira como um homem honrado porque ele próprio havia sido capaz de vender sua honra. Dele Maria jamais teria uma visão como a de Eduardo.
Si quieres te dejo un minuto,
Pensarte mis besos, mi cuerpo, y mi fuego,
Que yo espero si tardas, porque creo que te debo, mucho
_ Não pense que eu o digo por mim. – Esteban não conseguia evitar querer conhecer aquele assunto por mais que o machucasse. Era como uma atitude masoquista. – Preocupo-me por Isabel e também por ti.
_ Por mim? Por Isabel? – Maria pareceu surpresa. – Que bobagem você está dizendo?
_ Eu percebi a proximidade entre você e Eduardo. Sei que ele te ama, que sempre te amou. Se você pretende refazer sua vida com ele... Parece-me um bom homem.
_ Entre Eduardo e eu não há nada Esteban. Ele há muito entendeu que eu não posso amá-lo. Se eu quisesse refazer minha vida com Eduardo, o que me impediria de havê-lo feito há dois anos?
_ Agora as coisas são diferentes. Por tudo que aconteceu entre nós dois...
Maria se virou de golpe e, pela primeira vez durante aquela viagem, seus olhos se encontraram com os de Esteban.
_ Exatamente por isso! – ela disse com o coração acelerado – Jamais poderei ser a mesma. É como se eu estivesse eternamente marcada. Você me marcou para sempre!
_ Você também marcou minha vida! – confessou Esteban com a boca seca e cheio de emoção com o contato dos olhos de Maria – Me deu Isabel e com você eu conheci...
_ Conheceu o quê? – indagou Maria
_ O amor verdadeiro e incondicional que sobrevive...
_ Incondicional? – ela inda o inquiriu quase atacando-o – Se era incondicional por que você foi embora?
_ Porque eu sabia que era o que você queria. – confessou triste.
_ Sabia? – Maria refugiou-se no campo das perguntas.
_ Estava claro. Eu não possuía honra... Não te merecia... Não te mereço.
_ De fato! Alguém que não luta por algo, não o merece! – Sentenciou Maria ferida.
O choro de Isabel vindo da cadeira da frente interrompeu-os. Maria levantou-se e foi até dona Úrsula para saber o que acontecia com a filha. Esteban ficou perplexo com as palavras de Maria. Teria ele entendido corretamente o que ela quis dizer? Maria havia desejado, havia esperado dele que lutasse por ela? Será que ele poderia ter alguma esperança com ela? Teria agido mal em ir embora? Em abandonar a mansão de Maria no dia em que resgatou sua honra? Mas e se tivesse entendido errado? E se não fosse esse o desejo verdadeiro de Maria? E se ela queria que ele lutasse por ela para humilhá-lo outra vez como fizera na noite de núpcias? Para rejeitar-lhe. Olhou à frente Maria com Isabel no colo, a visão mais maravilhosa do mundo. Se elas fossem suas, se elas pudessem ser suas... Maria valeria o risco! As duas valeriam!
Ahora, que me he quedado solo,
Veo que te debo tanto y lo siento tanto,
Ahora, no aguantaré sin ti, no hay forma de seguir,
Así...
***
Ao chegaram na cidade de Vila do Espírito Santo do Rio Pardo, quase no meio da tarde, acomodaram-se em uma pequena pousada que havia na cidade, a única. Maria e dona Úrsula ocuparam, com Isabel um quarto duplo, com ligação entre os dois e Esteban ocupou sozinha outro quarto. Terminaram de acomodar-se e logo foram ao registro civil da cidade para legalizar a situação de Isabel. Foi um procedimento rápido e Isabel saiu de lá com um documento atestando seu nascimento dentro de um matrimônio comum, instituído pela igreja e pelas leis brasileiras. A pequena tinha em seu documento o nome da mãe e do pai. Maria sentiu como que cumpria uma missão, a missão de dar à filha o nome de seu pai, era o primeiro e mais importante requisito para que ela fosse tratada com respeito e dignidade naquela sociedade hipócrita.
Maria e Esteban, felizes por concluir essa importante etapa abraçaram-se quando receberam nas mãos o documento da filha. Depois do abraço, se olharam constrangidos. Isabel, que estava no chão, próxima a Maria agarrou-lhe pelas pernas fazendo com que se quebrasse o momento embaraçoso. Dirigiram-se para a pousada, onde dona Úrsula foi descansar com Isabel após comerem algo no pequeno restaurante do estabelecimento. Maria e Esteban estavam muito eufóricos para conseguir descansar.
_ Você não vai descansar? – indagou Esteban ao encontrar Maria no corredor da pousada.
_ Estou muito eufórica, não consigo.
_ Eu estou igual. Acompanha-me para dar uma volta na pracinha logo ali? – convidou Esteban educado.
Ele sabia que sempre era mal visto que uma mulher caminhasse sozinha pelas ruas e, se Maria estava eufórica, provavelmente lhe faria bem caminhar.
_ Aceito encantada! – ela respondeu tomando-lhe o braço que ele oferecia.
A alegria que ambos sentiam pelo futuro de Isabel fundia-se com o arrebatamento que a proximidade e o contato com o outro lhes provocavam. Caminharam em silêncio ou falando trivialidades aproveitando-se do clima ameno que fazia na pequena cidade. Pouquíssimas pessoas circulavam pela rua e se detiveram em um pequeno jardim em um dos locais da praça que ficava próxima à pousada. Maria brincava com as flores e as borboletas distraída enquanto Esteban observava-a encantado. Em um determinado momento ele não pôde se conter e se dirigiu até ela:
_ [...] E ao achares consolo, quando
A nossa filha balbuciar,
Ensiná-la-ás a dizer "Pai",
Se o meu desvelo vai faltar?
Quando as mãozinhas te apertarem
E ela teu lábio houver beijado,
Pensa em mim, que te bendirei
Teu amor ter-me-ia abençoado
Se parecerem os seus traços
Com os de quem podes não mais ver,
Teu coração pulsará suave,
E fiel a mim há de tremer[...]
Maria virou-se emocionada, tocada com as palavras do poema que Esteban acabava de recitar.
_ Fazia tanto tempo que não te ouvia recitar um poema.
_ Fazia tempo que não me acometia a inspiração. Ver-te aí, com essas flores, me pareceu uma visão tão maravilhosa que merecia um poema. Além do mais esse... Para que você possa ensinar à nossa filha que ela tem um pai, embora talvez eu não lhe traga lembranças tão bonitas como as que sugere o poema.
_ É seu?
_ Não! – sorriu Esteban – É uma tradução de um poema de Lord Byron. É só uma parte dele. É muito triste. É de um homem que sabe que está morrendo. São suas últimas palavras para a mulher amada.
_ Ai, por favor, Esteban! Você não vai morrer, que coisa mórbida. – Maria sentiu um frio arrepio com essas palavras de Esteban.
_ É assim que eu me sinto. Sinto-me como se me escapasse a vida, como se a tivesse perdido desde que perdi o seu amor. – confessou olhando-a nos olhos.
Sem hesitar, tomou-lhe a mão, deu-lhe um beijo súplice e confessou-lhe:
_ Depois de experimentar o seu amor. Depois de possuir a mulher mais maravilhosa do mundo ao meu lado e por néscio, por tolo havê-la perdido o que me resta? Seu amor foi a coisa mais valiosa que eu conheci e eu o perdi, Maria, o perdi. O que me resta a mim?
Fez essa indagação olhando-a nos olhos sem poder evitar pedir-lhe com os olhos que lhe desse um sinal, uma palavra que fosse de que ele ainda tinha esperança. Que não havia perdido tudo, que ainda podia esperar um sinal de seu amor. Maria olhou para sua mão que sustentava a dela. Sentia que o coração ia sair pela boca, lançar-se para fora do peito com aquelas palavras, com aquele olhar, com aquele contato.
Por mucho que aprieto tus manos,
Me cuesta creer que aún no te hayas marchado,
Me fundiré en tus labios,
Como se funden mis dedos en el piano
_ Esteban... – ela disse quase sem conseguir completar a palavra olhando nos olhos do marido que estava com o rosto bem próximo do dela. – O que você quer de mim? O que você espera de mim?
_ Você não sabe? Não sabe realmente, Maria? – ele indagou aflito.
_ Não.
_ Eu quero... Você! Tudo que eu quero é você!
Depois de dizer essas palavras envolveu com seus braços sua cintura e lentamente aproximou seu rosto do dela, sua boca da sua, roçando suavemente seus lábios nos dela. Tinha uma urgente impaciência por voltar a beijá-la, sua boca pedia desesperadamente esse contato. Ela fechou os olhos e seus lábios se tocaram com suavidade, com desejo. Logo o beijo foi carregado de paixão, de desespero de ânsias. Maria repousou suas mãos nas costas de Esteban e ele a segurou junto de si fazendo com que os dois se fundissem assim em meio aquelas flores em um quadro, uma pintura. A pintura de um beijo de um casal apaixonado.
Vamos a jugar a escondernos,
Besarnos si de pronto nos vemos,
Desnúdame, y ya luego veremos,
Vamos a robarle el tiempo al tiempo.
...
Tú, que me enseñaste a ser sincero,
Sin temor a lo que pienso, evitando la mentira,
Tú, que siempre has estado presente
Y cuando no estaba la gente que tanto me prometía
***

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