Em Busca de Teu Perdão
17 Capítulo 17 - Quitação
Notas iniciais
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Era segunda-feira e Esteban ficou todo o dia fora. Maria tinha o coração acelerado, a apreensão e o medo a traíam, sentia que ele chegaria com a notícia de que já havia acertado os detalhes do desquite e que tudo acabaria entre eles. Além disso, tinham que falar sobre Isabel. Por mais que Esteban fugisse do assunto ela sabia que, ainda que à força, naquela noite a pequena tinha que ser mencionada e seu futuro discutido. Um dos motivos pelos quais se casou com Esteban era para que Isabel não fosse uma criança bastarda, filha tida fora do casamento e, agora que ele já conhecia a verdade, teriam que decidir o futuro da criança e seu sobrenome. E se ele se negasse? E se voltasse a duvidar da paternidade da filha e não quisesse lhe dar seu sobrenome? Talvez por isso se recusava a falar sobre ela.
Eram muitas, muitas perguntas, questões que agitavam o coração de Maria e não permitiam que ela pudesse se acalmar. Precisava estar com a filha. Definitivamente, precisava ver Isabel. Deixou todas as ordens do jantar com dona Úrsula e os criados e saiu de casa no meio da tarde. Como costumeiramente acontecia, seu espírito mudou ao estar com a pequena. Seus olhinhos vivos ao sorrir-lhe, como ela brincava e se mostrava carinhosa e dependente de Maria fazia com que ela pudesse esquecer, ao menos um pouquinho, tudo o que lhe atormentava. Logo ela deu banho na criança e, depois de alimentá-la, colocou-a para dormir. Estar com ela também lhe ajudava a recordar a promessa que lhe havia feito. A maldade do mundo não respingaria em Isabel, ela jamais permitiria isso.
_ Passe o que passe, aconteça o que acontecer, vou cumprir minha promessa, filha! – Disse dirigindo ao anjinho que dormia tranquilamente em seu berço. – Por você, minha pequena, por te proteger e estar com você eu sou capaz de tudo, tudo! Acima de tudo sou uma mãe e você é meu maior tesouro. Saiba que sua mãe lutará corajosamente contra o mundo por você, para te proteger!
Recordou o lugar que cada pessoa ocupava em sua vida e, acima de tudo, inclusive de seus próprios sentimentos, estava Isabel. Com Esteban ela tinha uma ligação de amor e mágoa, algo que a dilacerava porque em segundos dentro de si Maria sentia com a mesma intensidade uma vontade de matá-lo, humilhá-lo e fazê-lo sofrer e, logo depois, ou ao mesmo tempo, uma paixão que a tomava de golpe e que fazia com que ela quase suplicasse que ele a fizesse sua. “Essa é uma relação nociva, o melhor é dar por encerrada pelo quanto me faz mal. O amor não pode machucar assim, não quero viver por mais tempo um amor assim!” Disse concluindo para si. Tudo, absolutamente tudo, apontava para a conclusão daquela dolorosa história de amor.
***
Esteban conseguiu sair da repartição mais cedo do que de costume. Precisava ir ao banco e dirigir-se à Bolsa de Valores para ter em mãos a chave de sua liberdade. Entretanto sentia um aperto no peito ao pensar naquela história. Ao mesmo tempo em que tinha muita raiva de Maria porque ela escondeu a filha que tiveram, em quem ele evitava pensar, e pela maneira tão impiedosa em que ela a humilhou, seu coração gritava para que eles estivessem juntos, para que ele lutasse por ela porque sabia que a tinha magoado, que a havia feito mal e que precisava conseguir seu perdão, mas, ao mesmo tempo, de que lhe serviria? Maria não o amava! Tudo o que havia feito com relação à ele estava dentro de seu plano de vingança. Por ele o comprou como um escravo, ou até pior, um escravo de luxo, sem ter a menor consideração com seus sentimentos. Por esse mesmo plano escondeu dele a filha que tiveram desde que se casaram e, o pior: também por essa vingança insaciável havia brincado com seus sentimentos entregando-se à seus beijos e indo para a cama com ele sempre que o havia feito.
Para Esteban, nada de verdadeiro havia em Maria e era como se os dois estivessem em uma constante disputa de quem era mais capaz de magoar e ferir o outro. O que Cecília dissera... Cecília estava redondamente enganada, Maria nunca o amou! Pode ter sentido pena ou se identificado com sua dor naquele dia porque recordou sua própria dor e a perda de sua mãe. Não o fizera por altruísmo e sim por egoísmo como tudo que ela fazia. “Maria só pensa em si mesma e em seus sentimentos. E nesses seus sentimentos... não há nada bom em relação a mim!”, concluiu ferido de morte Esteban enquanto encerrava os últimos detalhes burocráticos para ter em seu poder aqueles 15 contos de réis que tanto significariam.
A noite se aproximava, e o medo e a apreensão enchiam o coração daquele casal que não conseguia se entender.
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Os detalhes do jantar estavam todos preparados quando Esteban chegou em casa. Ele passou depressa pela sala, não sentiu a presença de Maria, tampouco seu aroma. Entrou em seu quarto e foi tomar um banho. Vestiu sua melhor roupa que, para a manutenção de seu orgulho, havia sido comprada com seu próprio dinheiro. Jamais aceitou luxos oferecidos por Maria, ainda que ela insistisse. De frente para o espelho, no toucador que ele pouco usava, finalmente sentia certo orgulho de sua figura. Com um sorriso de triunfo no rosto dirigiu-se à ultima gaveta do toucador que ele havia encerrado com chave desde a primeira noite do casamento e jamais havia voltado a abrir. Dali tirou aquele pedaço de papel no qual continha parte de sua honra. Parte que, por mais que ele houvesse vendido, ele não permitiu que se corrompesse, ainda que Maria tenha feito tudo para isso. A outra parte ele já não podia reaver, por isso não colocou fim àquele matrimônio logo na primeira noite, não podia deixar sua honra cair tão baixo.
Mas, naquela noite, seu coração palpitava forte no peito ao olhar para sua figura no espelho. Ajeitou seus brilhantes cabelos castanhos com brilhantina e acertou o nó da gravata enquanto o relógio badalou sete horas na sala. Retirou-se e bateu à porta da câmara nupcial. Ao não ouvir ruído, entrou. Estava vazia, Maria ainda não havia chegado. No centro, uma pequena mesa preparada com um luxuoso jantar. Os mais apetitosos e finos alimentos servidos naquela mesa que não tinha o mal gosto do exagero na quantidade, mas a variedade de alimentos abria o apetite. Maria sempre havia tido aquele cuidado, desde o início daqueles meses de casamento ele havia notado.
Como sempre, esses detalhes o sufocavam. Ele sentia mais como uma ofensa do que como um cuidado. Porque conhecia sua condição dentro daquele casamento, jamais veria algo oferecido por Maria como gratuito. Em cada pequeno detalhe de seu cuidado, uma parte de sua honra estava depositada. E isso que desde aquela noite, aquela fatídica noite de núpcias só restavam pequenos fragmentos dela. Maria a havia arrebatado de golpe com aqueles malditos 100 contos de réis.
Surpreendendo Esteban em meio aos seus pensamentos, Maria adentrou ao aposento e foi impossível que sua presença não se fizesse notar. Um exuberante colar que ornava com a gola de seu vestido, felpuda e imponente que provocavam um ar ainda mais superior àquela senhora. O perfume tão característico dela: doce e, ao mesmo tempo, forte, envolvente, fascinante. Maria caminhava como que deslizando até o centro da câmara nupcial onde estava a mesa. Esteban, galante, afastou a cadeira para que ela pudesse se sentar. Ela olhou com um ensaio de sorriso e sentou-se sem, em nenhum milímetro de segundo, perder a pose de grande dama que não só as roupas, mas sua atitude lhe dava.
_ Boa noite! Aqui estou como você solicitou. – cumprimentou Maria. – Perdão pelos minutos de atraso, é que me compliquei com o feche da joia. Apesar do tempo que herdei esse dinheiro, há luxos com os quais eu ainda não me acostumei.
_ Imagine! – respondeu Esteban sentando-se à sua frente. – Não foi nada. Então você ainda se complica e se embaraça com os luxos e os trastes que adquire com a herança de seu avô? – ele indagou um pouco sarcástico.
_ Nem tudo é como aparenta na vitrine. – Maria conhecia e entendia claramente o tom de seu sarcasmo e sabia responder à altura. – Às vezes você aspira um objeto, um luxo, um traste que te parece indispensável, mas logo... logo que você tem a posse desse artigo, percebe que não era nada como você imaginou ao deseja-lo. Hoje eu tenho muito claro porque nunca ambicionei essa vida. Nunca ambicionei o luxo e a opulência. Entretanto, eles vieram até mim.
_ Sim, é verdade. – seu tom mostrava que ele estava ferido. Mas agora ele tinha um trunfo e logo Maria o conheceria. – Quando eu te conheci você era uma jovem completamente conforme com a vida que possuía...
_ Não, conforme não é a palavra! – negou Maria – Eu sempre fui caprichosa e exigente. Mas em minha vida toda, e agora que tenho dinheiro isso está ainda mais claro, jamais me pareceu que o dinheiro adquirisse os bens mais valiosos. Pode parecer um chavão, um lugar comum, Esteban, mas se tem uma certeza que eu adquiri com a riqueza é que o dinheiro não compra tudo!
_ E isso pode ser frustrante para uma pessoa, como você própria se definiu: caprichosa. Então é disso que advém sua amargura? – ele atacou
_ Minha amargura... – Maria engoliu seco e levantou ainda mais o pescoço sustentando a expressão de superioridade – Minha amargura advém não das coisas que eu desejei e não pude ter. Porque graças à Deus fui privada de pouquíssimas coisas que anelei. Minha amargura advém do que me tiraram. – disse isso com um olhar firme dirigido a ele, como que cobrando-lhe.
_ E o que te tiraram, Maria? – indagou Esteban com um olhar defendido. – Conte-me o que tiraram de você! Porque como você mesma disse, quem olha para você percebe claramente que não te falta nada.
_ Você quer mesmo saber? Quer mesmo saber o que me tiraram, Esteban?
_ Não há nada que eu queira mais saber. Sobretudo hoje...
_ Sirva-me uma taça de vinho. – pediu Maria mais como que ordenando.
_ Sim, minha senhora! – concordou Esteban sem perder o sarcasmo de sempre. – Não esqueça que depois você pode fazer coisas e querer culpar ao vinho.
_ Isso não vai acontecer! – disse Maria tomando de um gole uma grande quantidade de vinho. – Eu tenho total controle de meus atos.
_ Você não sabe como eu tenho certeza disso! – observou Esteban acusador.
_ Você me perguntou o que eu perdi. – disse Maria tomando mais um gole de vinho. – Vamos comer, não? Falamos disso durante o jantar. Pedi que nenhum criado nos servisse. Podíamos fazer isso nós mesmos.
_ Sempre pensando em todos os detalhes. – sorriu Esteban
Ao terminarem de servir-se e começarem a comer, Esteban olhou Maria interrogativo. Queria que ela respondesse a demanda que lhe fizera. Maria, saboreava o jantar calmamente, como se não tivesse nem sombra de todo aquele nervosismo dele. Olhou o firme e disse:
_ Você é totalmente ligado ao dinheiro, não é mesmo, Esteban? – indagou
_ Não posso negar o que você já sabe. Pelas razões erradas, em muitos momentos, deixei a ambição ser parte de mim e não me orgulho disso.
_ Mas você fala como se tivesse mudado, porém... contraditoriamente age como se ainda fosse movido por ela.
_ Por que você diz isso? – Esteban ficou intrigado.
_ Pela maneira que você falou. Você acha que, por ter dinheiro, eu tenho tudo? Quer mesmo conhecer o que foi tirado de mim?
_ Acho que hoje devemos guardar as armas e conversar com sinceridade, não é mesmo?
_ Concordo! – Maria bateu o martelo. – E é com essa sinceridade que eu te digo: o dinheiro não é o mais importante nesse vida, Esteban. O que foi tirado de mim foi a fé nas pessoas, na vida... no amor – não pode evitar que a dor se mostrasse em suas palavras olhando-o timidamente.
_ E fui eu que te tirei isso, Maria? Eu? – indagou segurando sua mão sobre a mesa
_ Não diretamente e nem só você. Mas nossa história Esteban. E as coisas que eu perdi nesse... nesse amor são irrecuperáveis. Não vão voltar jamais para mim. São delas que advém minha amargura.
_ Eu sei! Eu reconheço minha culpa. E, de certa forma, também foi por isso que pedi esse jantar essa noite. Para que colocássemos as cartas na mesa e um fim à tantas acusações, culpas e dívidas.
_ Por quê? Por que justo agora? Encontrou uma solução para nossa situação? – disse Maria com uma ponta de esperança.
_ Encontrei uma maneira de, ao menos de certa maneira, quitar minha dívida com você.
_ Dívida? – Maria se surpreendeu.
_ As dívidas morais, essas das quais você acabou de me falar, talvez eu jamais possa pagar. Talvez eu me culpe mais por elas do que você culpe a mim ainda mais... ainda mais depois de saber de... do...
_ Fale, Esteban! Fale o nome dela: é Isabel!
_ Sim, ainda mais depois de saber de Isabel. Há coisas das quais eu jamais poderei eximir-me contigo, Maria e eu reconheço isso. Tudo que eu queria era encontrar a maneira de recuperar o tempo, conseguir seu perdão, mas nem mesmo eu me perdoo. Eu desperdicei minha juventude. Desperdicei minha juventude num mundo de fantasia, fora da realidade. Sim, você tem razão! Eu era um homem movido pela ambição, um verme! Media as pessoas pelo que possuíam e o dinheiro me parecia o mais importante na vida. Até que conheci você...
_ Ora, por favor, Esteban... – Maria mostrou-se descrente
_ Não duvide, Maria, não duvide! Conhecer-te remexeu meu mundo, minhas certezas. Você era tão linda, tão íntegra, tão simples. Era a antítese dessa sociedade, dessa maldita sociedade que eu almejava fazer parte! E eu estive a ponto de tomar a decisão correta, mas aquele dote...
_ Sim, o dote de Ana Rosa. – Maria falou com desprezo
_ Não foi por dinheiro, não foi só por dinheiro, Maria. Digo, não foi pela ambição pura e simples. Desde a morte de meu pai, eu administrava o dinheiro de minha família. Mamãe e Juliana confiavam em mim, mas o tipo de vida que eu levava... Frequentar os salões, a sociedade fez com que eu consumisse o dinheiro de minha família e, de repente, minha mãe pediu parte de nossas economias para consertar o telhado de nossa casa. Você imagina o meu desespero, Maria? Eu tinha meu compromisso com você, mas precisava sustentar a minha família! O meu compromisso com elas me veio em cima me dando um choque de realidade, o que eu ia fazer? Se eu mantinha nosso compromisso não teria de onde tirar o dinheiro que minha mãe queria e lhe era de direito e comprometendo-me com Ana Rosa, o Barão de Vasconcelos me nomeou seu representante, eu nem sequer precisei do dote para suprir as necessidades mais urgentes de minha família. Eu sabia que não podia ser feliz sem você, sabia que não podia ser feliz com outra mulher, mas o casamento... O casamento para mim sempre foi um contrato social.
_ Então porque o nosso te pareceu indigno? Não foi isso que fizemos? Um contrato social como você imaginava?
Esteban ficou em silêncio frente à essa indagação de Maria. Sim, era a mesma coisa que com outras famílias, um contrato social. Por que com ela tinha lhe parecido tão indigno e humilhante?
_ Por que, Esteban, por quê? – Maria exigiu a resposta.
_ Porque a você eu amava. Porque a você eu ainda amo e não posso evitar. Como vou tratar como um jogo, um negócio uma relação com a mulher que eu amo? Com a mulher da minha vida?
Maria disfarçou a comoção. Não queria acreditar nele, não podia confiar, ceder.
_ Então era isso? Essa era a razão pela qual você quis esse jantar essa noite? Falar sobre isso que, analisando, verdadeiramente nunca falamos com sinceridade?
_ Não! O que eu queria e quero essa noite, Maria, é resgatar minha honra! Quando eu já estava completamente descrente da sorte, encontro um amigo e descubro que tenho títulos de valores que valem 15 contos de réis.
_ 15 contos? – Maria estava surpresa e confusa.
_ Desde a segunda semana de nosso casamento eu não faço outra coisa que economizar. Se para você as coisas se encerraram naquela maldita noite de núpcias em que você me humilhou, para mim ali elas se iniciaram. Eu não podia viver com aquela humilhação...
_ Do que você me acusa? – indagou Maria
_ De nada! Eu sou o culpado! Acuso-me a mim! Eu tive certeza que eu era um maldito miserável naquela noite e quis recuperar a minha honra, Maria! Porque não me importava vendê-la para Adelaide, o barão de Vasconcelos ou para quem quer que fosse! Mas para você... para você eu não podia suportar. Aqui está o cheque! 20 contos de réis em meu nome. Não desfiz o negócio naquela noite porque já havia entregue à minha mãe o dinheiro para reformar parte da casa, o dinheiro que Irajá entregou-me adiantado. Não tinha como recuperar, não podia. Já havia juntado quase 10 contos com meu salário modesto quando a sorte voltou a me sorrir. O cheque de 80 contos de réis que você me entregou naquela noite está aqui. Jamais voltei a tocá-lo, não poderia. Os 100 contos que você pagou por minha honra são seus. São novamente seus. E eu posso assim resgatar minha honra!
Maria olhou os dois cheques sobre a mesa. Ficou sem palavras. Jamais esperava que Esteban estivesse juntando o dinheiro, interessado em recuperar sua honra. Ele a surpreendeu com isso. Pegou os cheques, dirigiu-se à pequena cômoda localizada perto da porta e colocou o dinheiro na pequena bolsa que estava sobre ela.
_ E o que vem agora? O que acontece agora, Esteban? – indagou Maria com um frio sobre o peito escorando-se na cômoda para amparar-lhe a emoção.
_ Perdoe-me por como reagi quando soube de nossa filha. Foi demais para mim, tive raiva porque você não me disse nada, mas... creio que eu posso te entender.
_ Entre nós tudo é muito complicado, não é mesmo? – disse Maria com lágrimas nos olhos.
_ Vou dar meu sobrenome à nossa filha. Ela merece isso! Isabel não vai sofrer por ser uma bastarda!
_ Obrigada, Esteban, obrigada! – Maria correu até ele e instintivamente segurou sua mão. Quando seus olhos se encontraram ela soltou-as atormentada – Essa foi umas das principais razões desse casamento. Isabel precisava de um pai, Isabel precisava sobretudo do sobrenome de seu pai.
_ E ela terá! Ainda que nosso casamento se encerre hoje, nossa filha vai ter em seu registro o nome dos pais. Terá nascido dentro de um matrimônio normal.
_ Então é isso? Nosso casamento está acabando? – indagou Maria aflita.
_ Como você disse, era um negócio não é mesmo? Um contrato social. Eu quitei... Paguei o preço de minha liberdade, de minha honra. Volto a pertencer a mim. – disse Esteban triunfante.
Maria virou as costas e segurou as duas mãos junto ao peito.
_ Sim. O importante é Isabel. Ela vai ficar bem.
Esteban se aproximou dela por trás e levou seu rosto junto ao pescoço dela que fechou os olhos.
_ Eu só queria... Só queria...
Maria sentiu seu calor sobre a pele dela e estremeceu. Com pouco controle de seus sentidos, virou-se para Esteban e perguntou:
_ O quê? O que você quer?
_ Queria um beijo, um beijo de despedida. – pediu suplicante.
Os dois se olharam estremecendo de desejo. Esteban quase comia a boca de Maria com os olhos e ela não podia se manter olhando-o sem alterar-se. Foram aproximando-se no compasso das batidas aceleradas de seus corações.
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