Em Busca de Teu Perdão

20 Capítulo 20 - Pele com pele (+18) - Último Capítulo


Notas iniciais
Agradeço à todos que acompanharam a fanfic desde o início. Meu coração fica cheio de alegrias porque sempre recebi só elogios e os mais agradáveis comentários. Escrever é uma coisa que eu faço por gosto, mas, receber reconhecimento é importante e te dá ânimo para seguir em frente quando as coisas ficam complicadas. Queria um último capítulo maior, mas não consegui por alguns fatores. Primeiro porque pensei nesse fic para uns 16, no máximo 18 capítulos e acabei chegando no 20. Depois porque meu teclado estragou e eu estou sem várias teclas, tendo que utilizar o teclado virtual que é péssimo. Além disso, fiquei doente essa semana, sem contar que é um momento que meu trabalho me exige mais. Enfim, espero, apesar das dificuldades, haver realizado um bom trabalho porque é algo sério para mim. À todas as pessoas que comentam nos grupos do face, obrigada, vocês colocam um super sorriso no meu rosto, me dão ideias, me ajudam a seguir com a história, várias coisas entraram nela depois de sugestões de vocês. À minhas muy amigas do whats, mais obrigada ainda que me ajudam a corrigir os erros e só me colocam pra cima, mesmo a Winne (jeje)❤. Obrigada à todos que comentam, favoritam e recomendam aqui, vocês não sabem como isso é importante. Às vezes a gente está desanimada, com preguiça e um comentário, uma recomendação faz toda diferença! Se vier uma próxima vou adorar ter vocês me acompanhando. Beijocas! Acompanha o capítulo a canção Creo en ti do cantor Reik Link ~> https://www.youtube.com/watch?v=snFhcHHdzT0

***

Uma pintura! Assim se podia descrever aquele beijo. Uma obra de arte das que Esteban tanto admirava. Os corações dos dois mais que palpitavam, galopavam, explodindo de amor que mais que o sangue, era o que pulsava no peito do casal. Os dois se completavam de uma maneira inexplicável e, ainda que fosse passível de explicação, seria impossível de entender. Desse modo, beijar-se era uma maneira de se sentirem fisicamente de um modo que se completasse a ligação que as almas de ambos já fazia todo o tempo, desde que se olharam pela primeira vez. Maria abriu os olhos lentamente e se afastou afoita por respirar.

_ Esteban... eu! – disse quase sem dar-se conta do que dizia por ainda não se haver recuperado das sensações daquele beijo, sempre precisava de algum tempo para isso.

_ Por que você sempre faz isso, Maria? – indagou Esteban segurando suavemente sua mão direita.

_ Isso o quê? – questionou Maria desentendida ainda ofegante.

_ Interrompe nossos beijos nos momentos mais inoportunos. – disse ele com um malicioso sorriso nos lábios.

_ Talvez não seja eu que interrompa os beijos nos momentos inoportunos. Talvez seja você quem sempre me beije nos momentos inadequados. – ela respondeu sorrindo, porém, com uma ponta de tristeza.

_ Não há momento inoportuno ou inadequado para um beijo de amor. Sempre é o momento para que eles ocorram. São mágicos. Não temos o direito de evitá-los. Devemos dar liberdade ao amor para que ele atue por si só, inclusive, em nossos corações. – ele disse como bom poeta utilizando perfeitamente as palavras enquanto acariciava sua mão sem conseguir soltar-se do contato dela, como se quisesse apreender um pouco mais dela mesmo depois de deixarem-se de beijar.

_ Você fala de uma maneira... Como se não fosse possível controlar o amor... Como se ele nos dominasse. – Maria disse duvidosa como era natural em uma pessoa que não tinha boas recordações do amor.

_ E o que te faz crer que não é assim? – disse Esteban sem deixar de brincar com a mão dela.

_ Imagino que não preciso responder-te essa pergunta, Esteban. – ela olhou-o impaciente. – Faz muito tempo, e muitos acontecimento­s, que eu deixei de ter uma visão romântica e irracional do amor. – puxou sua mão da dele e se virou.

_ Então beijar-me é uma coisa que não te faz sentir nada? – indagou Esteban aproximando-se do rosto dela por trás provocando um arrepio que fez com que Maria fechasse os olhos.

_ É exatamente o contrário, Esteban. Eu estou cansada! Cansada dessa indefinição, dessa história tão dolorosa.

Ao dizer isso ela arrefeceu. Seu corpo reagiu ao calor da emoção e ela teve que fazer um grande esforço para reprimir um soluço que veio à garganta sem que ela esperasse. Ela segurou firme uma correntinha de Nossa Senhora que trazia no pescoço como que pedindo forças aos céus para conseguir explanar suas emoções. Arrepiou-se toda ao sentir as mãos de Esteban tocando seus ombros.

_ Fale, meu amor! – Pediu Esteban – Depois de tudo o que passamos, acredito que o mínimo que merecemos é um momento de sinceridade. São tantas... tantas coisas que não foram ditas entre nós. – ele disse, quase sussurrando, acariciando seus braços sobre o tecido do vestido e roçando sua pele sobre o rosto dela.

_ Não é que eu não sinta nada com seus beijos Esteban! – Maria virou-se com violência – É que eu sinto tudo, tudo! E você pode imaginar o que é isso? Você pode imaginar o martírio que é para mim sentir seus beijos que me despertam... tudo... E depois, depois seguir como “se nada”? Eu estou cansada desses beijos descompromissados! Você é o poeta aqui, não é mesmo? Você conhece o texto “O Menestrel”, não conhece?

_ Conheço. – confirmou Esteban.

_ Há uma parte que diz: “Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas”. Pois sim! Eu demorei muito tempo a entender isso Esteban! Principalmente pelo que sentia meu coração cada vez que você me tocava. Mas não quero mais! Não interrompo nossos beijos inoportunamente. Interrompo-os porque não posso mais te beijar porque, cada vez que o faço, você volta a dilacerar meu coração.

_ Por quê? – Esteban provocou que ela dissesse tudo. Queria conhecer seus sentimentos, como desejava descortinar os sentimentos de Maria.

_ Como assim? Por quê, o quê? – Maria não compreendeu sua pergunta.

_ Por que eu machuco seu coração ao te beijar? – Disse novamente com um sussurro.

_ Porque eu te amo! – Maria disse de uma vez – E não há nada tão doloroso do que ser beijada pelo homem que se ama sem... sem amor. – concluiu com tristeza.

_ Eu nunca! Jamais em todas as vezes que te beijei, que foram tão poucas perto das que eu desejo e espero te voltar a beijar, te dei um único beijo sem amor.

Maria incomodou-se com suas palavras e baixou os olhos. Tinha medo de olhá-lo. Sim! Muito medo. Ao mesmo tempo seus olhos, obedecendo ao anelo da alma apaixonada, pedia desesperadamente que ela olhasse para Esteban, que olhasse em seus olhos enquanto ele declarava seu amor. Ela não pôde mais resistir ao desespero do amor arrebatando-lhe os sentidos e encarou-o de frente, com os olhos inundados da emoção que seu coração sentia naquele momento tão especial. Esteban voltou a tomar-lhe a mão, dessa vez a esquerda, e envolveu-a entre suas duas mãos segurando-a pelo polegar. Levou a mão dela à boca e deu-lhe um beijo terno e apaixonado antes de segurá-la com a mão direita e acariciá-la com a esquerda.

_ Te amo, Maria! Eu sempre te amei! Por mais que em alguns momentos eu quis te odiar, jamais pude, jamais fui capaz! Te amo como no primeiro dia, como na primeira vez que te vi e tenho absoluta certeza que é como vou te amar até o fim da minha vida. Você acredita? Acredita, Maria?

🎵Creo en ti

Y en este amor

Que me ha vuelto indestructible

Que detuvo mi caída libre

Creo en ti

Y mi dolor se quedo kilómetros atrás

Y mis fantasmas hoy por fin están en paz🎵

***

Maria e Esteban chegaram à porta do quarto da pequena pousada de mãos dadas. Anoitecia e várias estrelas já apareciam no céu da pequena cidade. O quarto de Maria com dona Úrsula e Isabel ficava antes do quarto de Esteban, por isso, ela se deteve. Nessa parada dela ele aproveitou para tomá-la em um beijo quente e apaixonado ao que ela se rendeu, ou melhor, se derreteu em seus braços confortáveis. Ao ouvir um som que vinha do fim do corredor, Maria se separou dele com pressa.

_ Não, Esteban, aqui não! Imagina o que vão dizer se nos pegam aos beijos no meio do corredor? – ela disse ofegante.

_ Que nós somos um jovem casal muito apaixonado que não deixa de demonstrar o quanto se ama.

_ Não acredito que digam isso. Dirão que somos um casal muito depravado que trouxe a uma pequena cidade os “costumes promíscuos do Rio de Janeiro”.

Esteban soltou uma gostosa gargalhada pela entonação que ela colocou naquela frase irônica.

_ Eu só estou cumprindo a promessa que te fiz. – ele disse sem ainda ter desfeito todo o sorriso.

_ Que promessa? – Indagou Maria olhando-o interrogativa.

_ A de te dar muitos, muitos – começou a beijá-la no rosto novamente inebriando-a – muitos beijos apaixonados.

_ Realmente! – Ela deixou-se envolver por ele e rodeou com seus braços seu pescoço – É uma promessa que você tem a obrigação de cumprir. – Disse sorrindo com o olhar convidativo.

Ele que normalmente já não resistia aos olhos dela envolveu os voluptuosos lábios dela esquecendo-se novamente do pudor e bebendo do maravilhoso manjar de um beijo de amor. Maria sentia-se flutuar, suas pernas bambas, pouco respondia por si. Agora via claramente o que Esteban lhe dissera antes sobre a perda dos sent­idos, sobre ser levada pelo amor, sobre não se ter o direito de evitar os mágicos e magníficos caminhos do amor. Lentamente o beijo foi ficando mais brando e os dois foram cessando os movimentos de deliciarem-se com os lábios um do outro, de explorarem suas bocas, de sentir a língua percorrendo a sua e o afã de mais e mais com o doce mel do amor e se afastaram totalmente inebriados de amor.

🎵Ya no importa cada noche que esperé

Cada calle o laberinto que crucé

Porque el cielo ha conspirado a mi favor

Y a un segundo de rendirme te encontré🎵

Maria suspirou antes de dizer:

_ Eu preciso entrar. – Havia uma certa pena em sua voz.

_ Você pensa que vai dormir longe de mim? – Esteban indagou sem soltar sua cintura. Maria tampouco havia tirado seus braços dos ombros dele.

_ Esteban... Dona Úrsula está aqui, Isabel também. – Maria tentava contra sua própria vontade desvencilhar-se dele

_ Nenhuma delas precisa de você tanto quanto eu essa noite. – Disse quase suplicando como uma criança desesperada. – Fique comigo, Maria. Durma comigo esta e todas as outras noites de nossa vida. Vem comigo? Vem?

_ Esteban, nós ainda temos muitas coisas que conversar. – Maria fez uma advertência.

_ Você tem razão! Mas temos essa noite e todas as outras para estarmos juntos. Você quer desperdiçar mais algum tempo? – ele disse sem poder evitar olhar em seu decote fazendo Maria ruborizar e, ao mesmo tempo, sentir-se lisonjeada com seu desejo.

_ Não... – Ela respondeu quase convencida.

_ Então deixa os medos, deixa os receios, venha comigo. Seja minha essa noite? – suplicou segurando sua mão.

Maria não disse nada, só aproximou-se dele e lhe deu um beijo cheio de ânsias e de desejo. Tomou a iniciativa como jamais havia feito e sentiu-se bem ao fazer isso, como se tivesse o controle, como se pudesse ter o homem que amava aos seus pés ou, o que era melhor ainda, ao seu lado.

_ Eu imagino que isso seja um “sim”. – sorriu Esteban sem querer deixar de beijá-la.

_ Você quer me levar para seu quarto para descobrir? – ela indagou quase desafiando-o.

_ É o que eu mais quero na minha vida.

🎵Piel con piel

El corazón se me desarma

Me haces bien

Enciendes luces en mi alma

Creo en ti

Y en este amor... 🎵

***

Entraram no quarto de Esteban beijando-se com calidez e urgência. Como se nunca estivessem estado juntos e tivessem uma emergente impaciência por consumar aquele momento. Entretanto, a verdade é que, daquela maneira, tão desarmados e sem medos jamais houvessem estado juntos. Na primeira vez haviam os medos, os pudores, os receios o temor da entrega. Era difícil estar inteiros em uma situação como aquela, como se só aquele quarto, os dois e aquele amor existissem. Das outras vezes sempre foi com aquele peso, aquele peso quase insuportável de um casamento por vingança, com Maria pisoteando a honra de Esteban e duvidando de seu amor. Com tantos segredos e mentiras entre eles, com o próprio medo de delatarem de que ainda se amavam. Porque durante todos aqueles meses lutaram, lutaram cada um à sua maneira.

Esteban lutou para recuperar sua honra, para sentir-se novamente dono de si e de sua vida e, mais ainda, pelo perdão de Maria do qual ele próprio tantas vezes sentiu-se indigno. Maria também lutou. Lutou por manter-se firme quando acreditava que ia sucumbir. Lutou por não mostrar que lhe machucava desdenhar de Esteban, lutou por Isabel e, sobretudo, lutou para que Esteban não se desse conta de que ela ainda o amava, sempre o havia amado, não podia esquecê-lo. Agora, nada disso era mais necessário. Podiam entregar-se ao amor sem aquelas armas, sem esconder-se, sem nenhum máscara que agora ambos tanto repudiavam.

🎵El pasado es un mal sueño que acabó

Un incendio que en tus brazos se apagó

Cuando estaba a medio paso de caer

Mis silencios se encontraron con tu voz

Te seguí y rescribiste mi futuro

Es aquí mi único lugar seguro🎵

Ao terminar de despir o vestido de Maria, Esteban ficou alguns instantes parado admirando a pele acobreada de Maria. Como seu corpo era lindo, bem desenhado, sua pele sedosa e convidativa. Acariciou suas costas nuas com as duas mãos, subindo e chegando ao ombro dela. Ao descer novamente, a abraçou por trás acariciando sua barriga e subindo até seus seios que envolveu cada um em uma mão, desfrutando e maravilhando-se com aquele contato tal como ela que fechava os olhos para sentir com mais intensidade ou por não conseguir evitar excitar-se. Maria deitou sua cabeça sobre o ombro de Esteban e soltou um leve gemido enquanto ele roçava seu rosto no dela e mordiscava sua orelha brincando com os arrepios que provocava nela sem deixar de estimular seus seios acariciando-os e, rodeando as auréolas enrijecidas com o dedo indicador. Maria chegava a suspirar recostada sobre o ombro dele que se inebriava com seu perfume, o perfume da sua pele e de seus cabelos.

_ Você não faz ideia de como eu sonhei em estar assim com você. – Disse baixinho no ouvido dela.

Maria virou-se lentamente e olhou-o um pouco tímida na mesma medida em que seus olhos abrasavam-se de desejo. Estava com seu torso nu, apenas vestia os pantaloons, pois Esteban já havia tirado seu vestido e o espartilho no momento em que adentraram ao quarto.

_ Mais do que estar nua de roupas, Esteban, eu jamais estive assim com você. – disse Maria aproximando-se dele – Com a alma e o coração despidos. Estou te entregando outra vez meu coração, Esteban. Prometa que não vai parti-lo de novo. – Suplicou abraçando-o.

Ele carinhosamente afastou o rosto dela com o dedo. Acariciou seu rosto e tirou a tiara que segurava seus cabelos desfrutando do espetáculo da queda deles tão brilhantes e sedosos sobre os ombros nus de Maria.

_ Só se eu estivesse completamente louco. – segurou seu rosto com as mãos fitando-a nos olhos. – Eu nunca mais vou te magoar Maria, porque ferir a você é como ferir ao meu próprio coração e ele... ele te pertence, é inteiramente teu.

Maria olhou-o apaixonada e o beijou mais uma vez. Era como se as barreiras que haviam ent­re eles houvessem todas caído. Caído não, sido derrubadas pela persistência daquele amor que a despeito de tantas adversidades teimava em manter-se vivo, pulsando nos corações de ambos, incitando-os a lutarem contra as adversidades. Maria deixou de beijá-lo e, pacientemente desabotoou seu colete que empurrou por seus ombros fazendo com que caísse ao solo junto ao terno dele. Depois, com a mesma paciência ela desabotoou a camisa, desfrutando daquele momento. Quando terminou de tirar sua camisa ela beijou-o no torso provocando uma grande satisfação em Esteban que acariciava seus cabelos e suas costas desesperado por fazê-la sua e maravilhado pelos toques carinhosos que ela lhe proporcionava.

_ Eu quero ser tua... – repetia Maria enquanto beijava-o no peito, no pescoço e acariciava seu t­orso bem definido. – Me faça tua esta noite, Esteban... de corpo e alma.

Ao ouvir essas palavras, todo o corpo de Esteban queimou, e ele não pôde mais se conter. Tomou Maria num beijo apaixonado e beijou-a no afã de que pudesse saciar aquela ânsia que não podia ser contida, somente aumentava na medida em que ele provava do delicioso néctar do amor. Pegou-a nos braços e levou-a até a cama onde tirou a última peça de roupa que cobria o corpo dela. Ternamente colocou-se sobre ela e inundou-a de beijos e carícias que lhe dava com a boca, com a mão e com todo seu corpo que mantinha junto do dela. Maria gemia enquanto ele beijava-lhe maliciosamente a boca ao mesmo tempo em que estimulava seus seios e sua feminilidade. Sem poder conter o prazer que aquelas carícias lhe provocavam ela rasgava as costas dele com as unhas deixando-o mais excitado por sentir, naquele contato, o desejo da mulher que amava.

_ Você é linda, Maria... Linda! – disse ao deter-se nas carícias por alguns segundos. – Seus olhos, seus cabelos, sua pele, suas curvas... – Acariciava o corpo dela repousado sobre a cama à seu dispor, gritando por ele – Não há nenhuma obra de arte que se compare a ti.

_ E eu sou tua. Tua, Esteban... Esta noite e para sempre. Venha! – convidou-o – Venha fazer-me tua. Completamente tua.

Esteban despiu-se de sua roupa de baixo e deitou-se sobre Maria beijando-a com voracidade e desejo. Ela retribuía ao beijo e ao desejo agarrando-o subindo e descendo com suas mãos sobre as costas dele mantendo-o junto dela.

_ Te amo! – ele declarou-se enquanto estimulava sua feminilidade com o dedo.

Maria gemia e contorcia-se de prazer. Sentia uma especial liberdade naquele momento, a liberdade de sentir. Liberdade que ela jamais havia podido sentir e que t­anto havia desejado. Seu corpo respondia porque era Esteban o homem a quem ela pertencia. Só podia ser com Esteban, só a Esteban ela podia pertencer porque sempre havia sido dele, sempre!

Ao perceber que ela já estava delirando de prazer e quase gritando por ele, Esteban encaixou seu membro em seu clitóris fazendo com que Maria soltasse um pequeno grito e provocando uma agitação ainda maior na respiração dela. Ele também passou a respirar de maneira agitada, soltando gemidos mais contidos. Ainda preenchia sua mão direita com os seios de Maria alternadamente enquanto iniciava pequenas incursões sobre seus quadris. Logo ele encaixou suas mãos com as delas enlaçando seus dedos para acima de sua cabeça entre os travesseiros da cama e iniciou incursões mais ágeis fazendo com que Maria poucas vezes pudesse parar de gemer.

Ambos desfrutavam do amor como se fosse a primeira vez porque, de alguma maneira, de verdade era. Ele observava suas reações, como o rosto dela se contraía cada vez que ele encontrava forma mais prazerosa de movimentar-se dentro dela buscando seus pontos sensíveis. Queria, acima de tudo, dar-lhe prazer, lhe dar amor. Porque era isso que o excitava e incitava, o prazer que dava a ela. Os estímulos e movimentos intensos do ato sexual faziam com que ambos transpirassem na mesma proporção em que gemiam e entregavam-se naquela noite estrelada e silenciosa da pequena Vila do Espírito Santo do Rio Pardo, estavam muito próximos do ápice.

Esteban levantou-se e, sentado na cama sobre seus joelhos com os pés para t­rás, pegou Maria pela cintura e colocou sobre ele. Ambos seguiram movimentando-se, mas ela não pôde permanecer nos movimentos por muito tempo sem segurar-se, pois estava completamente tomada pelo prazer. Sentada sobre ele, ela agarrou-se em seu pescoço com as duas mãos e ele, segurando-a pela cintura maravilhava-se de preenchê-la com o delicioso contato da pele dela com a sua. Ouvir Maria gemer tão perto de seu ouvido excitava-o e fazia com que ele aumen­tasse o ritmo dos movimentos até que, surpreendentemente, ambos chegaram juntos ao orgasmo. Maria caiu na cama cansada sem conseguir conter os espasmos de seu corpo. Esteban gritou e caiu ao lado dela. Depois de alguns segundos, ao recuperarem-se do esgotamento provocado pelo sexo, Maria aninhou-se nos braços de Esteban.

Permaneceram por alguns segundos em silêncio, desfrutando do contato com a pele, da paixão que perdura após o pertencimento dos cheiros que seus corpos exalavam após a entrega apaixonada. Esteban rompeu o silêncio, após algum tempo.

_ Seus cabelos têm o mesmo perfume que eu sonhei. O mais maravilhoso do mundo.

_ Você sonhou com o perfume dos meus cabelos? – indagou Maria descrente, sorrindo.

_ Eu sonhei todos os dias, com cada centímetro de seu corpo. Com seu perfume, com seu calor, com a sensação de ter você assim, juntinho de mim.

Maria levantou a cabeça olhando para seu rosto descrente.

_ O quê? Você não acredita? – Indagou Esteban acariciando seus cabelos.

_ Não sei é que sonhar com esse tipo de coisas é mais das mulheres, não? Os homens até sonham, fantasiam, mas com o ato sexual. As mulheres é que sonham com momentos assim, como este, um nos braços do outro, pele com pele... – disse fechando os olhos.

_ Os homens também sonham, Maria. Não todos. Somente os que estão completamente apaixonados. – declarou-se – Estar assim, juntinho unida à pessoa amada é um desejo universal dos apaixonados. Tão ou mais necessário que o sexo.

_ E você está completamente apaixonado por mim? – o medo ainda não havia desaparecido por completo.

_ Não! – A resposta de Esteban surpreendeu.

_ Não? – Ela indagou com um pouco de raiva.

_ Não estou apaixonado por você, eu SOU inteiramente apaixonado por ti, Maria. É uma condição, faz parte de mim, não posso evitar.

Ela sorriu lisonjeada pela declaração dele.

_ E você quer? – indagou com um olhar malicioso.

_ Não! Não quero evitar, quero vivê-lo. Viver esse amor à plenitude e para sempre.

_ Para sempre! – ela repetiu num suspiro.

Te seguí y rescribiste mi futuro

Es aquí mi único lugar seguro

Creo en ti

Y en este amor

Que me ha vuelto indestructible

Que detuvo mi caída libre

Creo en ti

Y mi dolor se quedo kilómetros atrás

Y mis fantasmas hoy por fin están en paz

***

Maria e Esteban não se deram conta do momento em que adormeceram. Como Esteban havia dito, mais do que fazer amor, dormir juntos, abraçados, aconchegados era algo que contentava ao amor deliciosamente. Maria despertou com o canto dos pássaros que vieram à janela do quarto cumprimentar ao jovem casal que parecia que, agora sim, havia tido sua noite de núpcias. A noite em que fazem juramentos e entregam-se ao amor sem barreiras, com pertencimento. Maria vestiu-se parcamente e, furtivamente, foi até o quarto ao lado em que dona Úrsula dormia com Isabel. A viúva já estava acordada e alegrou-se ao perceber a felicidade no rosto de Maria. Sabia que aquilo significava que ela e Esteban haviam feito as pazes.

Novamente Maria olhou o corredor, pela maneira parca que estava vestida e correu com a filha nos braços para o quart­o de Esteban. O ruído de Maria ent­rando no quarto despertou-o e ele sorriu ao olhar Maria com Isabel nos braços.

_ A visão mais maravilhosa para um homem despertar.

_ O quê? Uma mulher quase despida, despenteada e que não pôde se conter de saudade de sua filha?

_ A mais bela e maravilhosa mulher segurando uma criança nos braços. Mas isso não é o mais magnífico. O mais magnífico é que essa mulher é minha e essa criança, nossa filha, fruto de nosso amor.

_ Mamãe... Mamãe... – dizia Isabel brincando com os cabelos de Maria que se dirigiu à cama onde colocou a pequena.

Est­eban acariciou a bebê e, olhando para Maria que sorria ao ver o contato da filha com seu pai, disse:

_ Quando será que ela vai dizer papai? – o receio e a preocupação eram evidentes em sua voz.

_ Quando você menos esperar. – Disse Maria sorrindo passando o dedo no nariz dele. – Não é Isabel? – dirigiu-se à filha. – Papai é impaciente, está com pressa.

_ Não, eu não tenho pressa. – disse puxando para si a bebê e sentando-a sobre sua perna. – Eu tenho toda a vida pela frente. Com vocês, com as duas!

Os dois se beijaram enquanto Isabel balbuciava palavras incompreensíveis arrancando sorrisos dos dois. Voltou a brincar com o cabelo de Maria.

_ Ao menos uma coisa eu já sei que Isabel tem em comum com seu pai. – Disse Esteban orgulhoso.

_ O quê? – indagou Maria inocente.

_ Ela gosta dos seus cabelos.

Os dois sorriram levando Isabel a sorrir também. A visão daquela manhã no quarto da pousada era de uma família completamente feliz como se eles nunca tivessem enfrentado tantas nuvens e adversidades. Era fácil perceber que o amor e a filha conseguiriam fazer com que todas as feridas fossem sanadas. Se não era possível saná-las de uma vez, o tempo as sanaria principalmente porque havia muita vontade de curá-las e, sobretudo, muito amor.

***

Valência – Espanha – 1871

Oito meses depois daquela manhã, Esteban e Maria estavam em Valência, onde viviam desde pouco tempo após terem se entendido naquela pousada. Haviam tomado essa decisão por Isabel para que ela pudesse viver com os dois sem terem que dar muitas explicações. Poucos dias após aquela manhã embarcaram com dona Úrsula em um navio que tinha por destino a Espanha. Planejavam voltar o mais breve possível, quando não fosse possível não ter que dar muitas explicações sobre a idade da filha para as pessoas que os conheciam no Rio de Janeiro, mas uma notícia atrasou esses planos. Ainda no navio descobriram que Maria estava grávida, esperava o segundo filho do casal e não era conveniente que ela fizesse uma viagem como aquela na fase final da gravidez.

Viveram meses de profunda felicidade em Valência, nas terras que haviam pertencido ao Barão de Itacarambi e faziam parte da herança de Maria. Ali, Esteban com seu conhecimento de poesia e seus contatos no Rio de Janeiro passou a dedicar-se ao ofício que realmente lhe dava prazer: a poesia. Traduzia obras famosas e também escrevia poemas seus, como não fazê-lo agora que tinha a mais perfeita das inspirações: sua família? Não foi difícil para nenhum deles se adaptar à cidade espanhola porque quando se está com a família, o local pouco importa, são as pessoas que fazem o lar. Maria estava próxima a dar a luz e a beleza de sua esposa com a maravilhosa bênção da maternidade dentro de si serviam de inspiração à Esteban.

Naquela tarde ele escrevia no escritório que, à pedido dele, tinha uma janela que dava para a varanda fazendo assim com que ele tivesse o cenário da bela cidade à sua disposição enquanto escrevia. Ao levantar os olhos, avistou Maria sentada numa cadeira da varanda acariciando o ventre como que falando com o bebê. Ao lado dela, corria Isabel, agitada pela presença de um animalzinho. Não pôde resistir a uma visão tão convidativa e, deixou o trabalho e foi estar com elas. Isabel, ao vê-lo sair pela porta, gritou cheia de felicidade enquanto corria para seus braços:

_ Papai!

Esteban tomou a pequena nos braços e brincava com ela jogando-a para o ar, preocupando Maria. Ele logo a tomou pela mão e rodeando sua cintura com a mão esquerda a beijou. Da janela da propriedade esse era o quadro pintado: uma família feliz sorrindo enquanto o sol se punha atrás de uma montanha próxima.

FIM

De almas sinceras a união sincera

Nada há que impeça: amor não é amor

Se quando encontra obstáculos se altera,

Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,

Que encara a tempestade com bravura;

É astro que norteia a vela errante,

Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora

Seu alfange não poupe a mocidade;

Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma para a eternidade.

Se isso é falso, e que é falso alguém provou,

Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

Soneto 116 — William Shakespeare

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