Em Busca de Nós

2 Capítulo II: Quando te conheci.


Notas iniciais
Ai gente, realmente desanima esse deserto de comentários, viu. :( Irei continuar postando porque esse é um projeto pessoal meu que já tem anos e quero muito que ele veja a luz do dia, mas é, desanimei aqui. Tenho esperança de dias melhores, though. Quem se lembrar de Yotsuba no Kurooba, irá reparar que existem algumas semelhanças. Mas pelo bem da coerência e da minha sanidade mental, tive que fazer alterações, afinal já não penso como, nem sou mais uma garota de 14 anos. Esse primeiro encontro deles está menos dramático que o da Yotsuba, mas também, essa é uma história que, ainda que partindo do mesmo ponto, acaba a ser bem diferente. E que aproveitem o capítulo. Próximo domingo tem mais. ♥

Permitiu-se voltar ao passado, ao dia em que se haviam conhecido. Espreguiçou languidamente, cerrando os olhos.

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O corredor principal parecia estar impedido pela quantidade de alunos que ali se amontoavam. Uns empurravam os outros, tirando o seu lugar na fila desordenada, outros iam-se embora, fartos da algazarra, e outros permaneciam calmos e serenos, olhando a multidão que os rodeava, afastados da comoção.

Como Shaka odiava multidões!

Ali estava ele, com os longos cabelos loiros presos num rabo de cavalo, tentando ver o que se passava na porta da entrada, encavalitado nos ombros do seu melhor amigo, que também se esforçava por ver algo. Mas tudo o que viam eram cabeças e mais cabeças de alunos impacientes pela decisão que o Conselho tomaria acerca de umas quantas leis que a ex-directora aplicara enquanto estivera na escola, regras que julgavam absurdas e em necessidade de reforma.

Houve algo que lhe chamou a atenção. No meio da confusão, alguém tinha empurrado um aluno para o chão a fim de poder ver melhor o que se passava.

Shaka desviou os olhos da porta da secretaria e olhou para trás, onde, no chão, um garoto que parecia mais novo que ele próprio se tentava levantar, de encontro à parede. A sua pele era invulgarmente clara, tinha até a aparência de estar doente, era magro e tinha longos cabelos lavanda, que estavam apertados num rabo de cavalo desajeitado.

O loiro deu um tapa na cabeça do amigo, chamando sua atenção:

— Milo! Importa-se de me pôr no chão? Preciso descer! — arfou no ouvido do amigo.

— Chegámos tão longe, vai desistir agora? Cadê sua convicção? — berrou Milo para o loiro o conseguir ouvir.

— Já estamos nisso faz muito tempo! Me ajuda a baixar, preciso sair daqui! Depois você conta o que decidiram! — gritou. Shaka desceu desajeitadamente, quase caindo no chão, era difícil sair pelo meio daquela gente toda. Pegou sua mochila e foi até ao fim do corredor para encontrar o garoto que tinha caído.

Empurrou algumas pessoas pelo caminho. Viu os rostos conhecidos de Aiolia e da namorada. O amigo gritou:

— Onde vai com tanta pressa, Shaka?! —, mas não se deu ao trabalho de responder. Cederam-lhe passagem e quando finalmente chegou no fim do corredor encontrou o garoto, sentado no chão, agarrando uma mochila que parecia maior que ele. Levava a mão à cabeça, parecia estar magoado.

— Você está bem? — perguntou bruscamente. O garoto encarou-o com olhos invulgarmente grandes e puxados, as irises de um profundo verde calmante. Shaka reparou que ele não tinha sobrancelhas, o que tornava difícil ler a expressão do rosto, mas sim dois pontinhos avermelhados no seu lugar. Provavelmente um estudante de artes.

— Oi? — falou, saindo do seu transe momentâneo. A sua voz límpida e suave surpreendeu Shaka. — Ah...Eu estou bem, acho — disse um pouco reticente, ainda segurando a cabeça.

— Não está machucado? Parece que tem algo errado com a sua cabeça — inquiriu Shaka. Abaixou-se ao seu lado e estendeu-lhe a mão. Ele agarrou-a com alguma dificuldade, quase caindo de novo e levando Shaka consigo, parecia que realmente havia se machucado.

— Não, acho que foi só o choque — ele respondeu, já de pé. — Obrigado – pegou a mochila e estava pronto para sair dali para, quando Shaka o segurou pelo braço.

— Espera — falou, firme. — É melhor dar uma olhada sua cabeça, só pra ter certeza. Vem, eu te levo na enfermaria. Que droga de multidão — apontou para todos os lados, onde estudantes se amontoavam, tentando chegar mais perto da porta do gabinete da direção, as frases feitas revolucionárias ecoando no corredor.

— Eu estou bem. Mas se você insiste… — o garoto falou, reticente. Sim, ia insistir, afinal um aluno mais novo não deveria sequer estar ali. Shaka sabia o quão brutos podiam ser esse tipo de “eventos”, liderados pelos porta-vozes da associação estudantil, da qual ele fazia parte. Era sua missão garantir o bem-estar de qualquer membro da comunidade escolar.

Shaka conduziu-o pelas escadas, passaram o átrio do edifício principal e saíram para o espaço comum exterior.

— Nunca tinha visto você cá — disse Shaka, analisando o outro. A sua aparência exótica não lhe passara despercebida. — É novo aqui?

— Sim, sou. É o meu segundo dia. Sou Mu Hanamoto.

— Certo, eu sou Shaka, prazer — estendeu a mão formalmente, que Mu apertou logo. — Desculpe a confusão. Má altura para começar a frequentar essa escola, se quer a minha opinião.

Acrescentou um sorrisinho sapeca, não queria passar a ideia de que o estava enxotando.

— Bem, não tive escolha… — ponderou se deveria partilhar mais com esse estranho, mas ele havia sido realmente simpático. — Meu tio foi contratado para dar aulas aqui e vim com ele.

— De onde veio?

— De Sapporo.

— Oh — já tinha visto a cidade no mapa, mas não sabia como era.

— É legal — Mu disse, adivinhando-lhe os pensamentos. — Mas tem poucas pessoas.

— Talvez aqui tenha demasiadas pessoas, não? — Shaka sorriu sarcasticamente. Mu riu, cotovelando-o no braço. Pareciam relacionar-se bem naturalmente.

— Você é a primeira pessoa com quem falo — Mu admitiu, parando de gargalhar. — Meu tio é bastante protetor. Mas você parece legal.

— Hm, confirmo — Shaka sorriu fingindo arrogância. — Vem, eu te apresento à minha turma. Mas primeiro, vamos ver esse machucado.

Mu anuiu e deixou-se ser guiado por Shaka até à enfermaria. Segundo a enfermeira, tudo parecia bem, mas talvez tivesse sentido uma vertigem. Mu abanou a cabeça a essa sugestão, sabia bem o que era por conta de uma doença intermitente que o acometia desde criança.

— Estava muita confusão — Mu explicou para a senhora. — Fui empurrado e devo ter batido com a cabeça algures, mas não me sinto mal já.

— Ele não conseguia se equilibrar direito — Shaka interviu, ganhando um olhar questionador de Mu. — Mas está tudo bem?

— Sim, tudo bem, querido — a enfermeira confirmou. — Tome cuidado com essa confusão. E vê se bota mão nisso, Shaka. Não aprontem mais do que já aprontaram esse ano.

Mu observou atentamente a troca de palavras, tentando pescar algum contexto para a multidão toda à porta do gabinete.

— Mas é precisamente o contrário, senhora Eiri. Ninguém gostava dela quando estava cá e agora que foi embora, essas leis não fazem mais sentido. É nosso dever pedir que isso mude. Claro, sem que ninguém se machuque — explicou o jovem, deitando um olhar a Mu.

— Espero que sim, espero que sim. Aqueles seus amigos são meio doidos, mas vocês têm o coração no sítio certo — sorriu a enfermeira.

— Então, com sua licença.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. Não vá já embora, leitor! Deixe a sua opinião: se gostou, se não gostou, o que poderia ser melhorado, etc. Os seus comentários ajudam muito a continuar as histórias.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.