Em Busca da Fama
8 Capítulo 8: Uma Peça que Retrata a Realidade
No outro dia, Cristal parecia ter voltado ao normal, o que deixou Polly muito feliz.
Era um dia especial, no qual só treinariam pela manhã, tendo a tarde livre.
Na hora do almoço Polly lhe perguntou.
- Foi impressão minha ou você ficou meio estranha depois do que eu te disse on...?
- Eu? Não, não.
Polly sorriu. Cristal acabou de assumir ter ficado estranha, mesmo sem querer.
Ela já sabia a que Polly se referia, e respondeu imediatamente não deixando-a nem ao menos completar a frase.
Isso provavelmente significaria que ela já estava pensando nisso.
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Um silêncio amedrontador foi criado, mas Cristal parecia se sentir muito incomodada.
De repente, ela quebrou o gelo, que prendia seu coração.
-
—Polly sorriu levemente.
- Você tem... Não é fácil esquecer alguém como você. E eu também não quis brincar com o coração de ninguém.
- E você... conseguiu?
Polly entendeu o que Cristal quis perguntar, porém sentiu que faltava alguma coisa, e provocou uma continuação.
- O que?
- Me esquecer.
—disse, ansiosa. Você conseguiu?
- Polly sorriu, enquanto imitava o jeito da outra, em se esquivar de uma pergunta.
As duas sorriram. Cristal odiava quando alguém respondia sua pergunta com uma resposta, mas nesse momento, com a Polly, sentiu mais como uma provocação. Isso a deixou tão feliz, que a fez responder.
- Um amor como o nosso não se esqueceria tão facilmente.
Polly sorriu.
Exatamente o que responderia.
Seus olhos brilharam com a constatação que Cristal ainda sentia algo por ela.
- Digo o mesmo.
- Então significa...?
- Que a resposta é não.
- Não gosta mais ou não conseguiu esquecer?
Polly sorriu. Cristal estava lhe abusando e nesse momento ela sorriu também, e da forma mais bonita, que Polly só conseguia sorrir nas suas lembranças vívidas do passado.
- Estou brincando...
- Eu sei. Sabe Cristal. Apesar de termos terminado, eu...
- Huh?
- Só vivia por que sabia que você estava bem. Só acordava por saber que você também estaria acordando em algum lugar. E se continuei minha caminhada profissional, foi por admirar você.
Cristal pareceu impressionada, e logo levantou suas sombrancelhas, o que normalmente era um bom sinal. De fato, Polly dizia coisas lindas, que atingiram bem profundo o coração de Cristal. Não adiantava, faziam o que fizessem, o coração das duas ainda se aqueciam com as doces palavras daquelas lembranças apaixonadas.
- E como você sabia? Que eu estava bem?
- Ah... Eu apenas sentia... Sabe, eu sabia que... se algo acontecesse a você, sei lá... eu... simplesmente morreria.
***********
Diferente dos outros dias, após o almoço Cristal convidou Polly para ir assistir uma peça de teatro que tinha assistido a pouco tempo atrás, antes de reencontrar a garota.
Nessa peça, existia um casal protagonista, que se conheceram quando bem jovens e foram separados pelos pais da garota, que precisou se mudar por uma oportunidade de emprego. O tempo passou, os dois amadureceram, mas ainda virgens, os dois se reencontraram. E o melhor de tudo, uma forte lembrança ainda existia daquele passado e essa forte chama se reacendeu assim que a garota completou 18 anos, e voltou à cidade de férias para visitar a avó que não via há anos. No final, eles se encontravam e era como se fosse há muitos anos atrás. Tudo poderia ter mudado para eles, todo o contexto em que eles viviam poderia ter sido transformado, mas os dois sempre seriam iguais, por que foram feitos um para o outro.
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Enquanto assistiam a peça, Polly se emocionou em muitos momentos, principalmente pela escolha do tema.
\"Será que ela já assistiu essa peça, ou foi apenas uma coincidência?\",
Polly pensava todo o tempo.Enquanto isso, Cristal se perguntava insistentemente \"Será que ela está pensando em mim ao ver isso?\".
Quando acenderam as luzes, e os espectadores começaram a se levantar, Cristal pegou na mão de Polly para ajudar a levantá-la. Fazia muito tempo desde a última vez que Cristal havia pego em sua mão de uma forma tão suave e gentil. Polly começou a ter certeza que a escolha da peça não foi coincidêcia e, não resistindo a sua curiosidade, assim que pôde, perguntou.
- Você já tinha assistido essa peça?
Cristal olhou para ela e Polly quase pôde jurar que ela estava repetindo movimentos e expressões que fez quando elas se conheceram, e começaram a se paquerar.
- Na verdade, já.
Polly adorou ouvir isso e teve ainda mais certeza de suas chances com Cristal.
Mas ela seria paciente, pensou. Esperaria por ela. A reconquistaria...
Esperaria o tempo necessário para Cristal se envolver novamente, e não iria forçar nada.
- Gostei muito da peça. Ótima escolha. Muito obrigada.
- De nada, fico feliz que agradou.
- É, gosto de assuntos familiares.
Cristal quase se deixou sorrir, mas levantou a sombrancelha e pediu ao sorveteiro que estava parado em sua frente, dois sorvetes de baunilha com goiaba. Polly sorria, admirada.
\"Como ela ainda se lembra?\"
, Polly impressionava-se com a lembrança de Cristal.
- Polly, me desculpe mas... Você ainda gosta de baunilha com goiaba?
- Claro que sim.
- Que bom. E você queria outro sabor? Por que senão eu o chamo agora mesmo para tro...
Polly sentiu que Cristal já estava a ponto de chamar o sorveteiro, arrependida da sua iniciativa.
Em uma rápida tentativa de a acalmar, Polly pegou nas mãos de Cristal, repousadas na mesa, as apertou forte e disse.
- Ei. Relaxe. Você não poderia ter escolhido um sabor melhor. E não poderia ter escolhido uma peça melhor. Eu tive um dia ótimo, como não tinha há muito tempo.
- Eu também.
Cristal acariciou levemente as mãos de Polly ainda apertadas nas suas, e sorriu.
- Mas ainda não acabou. Ainda temos que ir em um lugar.
Polly não conseguia pensar em mais nenhum lugar.
Até por que apenas por estar com Cristal, nada mais lhe importava.
- Aonde?
- Quero que você conheça minha casa.
Na verdade... Eu fiquei muito feliz em saber disso. Quer dizer, suponho que eu tenha tido alguma participação nisso.
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