Em Busca Do Escolhido
5 Capítulo 5 - Unova
Notas iniciais
- Ei! -> Fala Normal
'Ei!' -> Pensamentos
- Ei!(Itálico) -> Fala Pokémon
- Caramba, essa Unova está no infinito, é? Estamos voando por horas e ainda não há sinal de um continente! – Ryan olhou ao redor enquanto Latias o segurava com suas garras. Ele estava na sua forma Gallade para que ela não tivesse trabalho por causa de pesos.
- Impaciente para chegar? Latias perguntou levemente rindo da ansiedade do rapaz.
No momento, os dois estavam sobrevoando o oceano na suposta direção a Unova e estiveram assim por quase 7 horas sem parar. Latias estava um pouco cansada já que não era de seu costume voar tão longe assim, ainda mais com um passageiro. Tinha sorte de ainda conseguir ir em frente, graças à comida energética que Bianca tinha preparado antes de se despedirem, mas, mesmo com isso, um cochilo em um Centro Pokémon seria muito bem-vindo. No caso de Ryan, o garoto frequentemente conversava com Latias a respeito de qualquer tópico, uma maneira de fazer com ela não ficasse tensa com todo o esforço. Também, era bom para passar o tempo. Durante a viagem, eles conversaram várias coisas, desde assuntos humanos até aos relacionados a Pokémon, e ainda fizeram uma pequena brincadeira de “Quem é esse Pokémon?”. Mesmo que os dois só tenham visto aqueles que normalmente habitavam Alto Mare.
Latias estava muito agradecida por essa gentileza dele. Mas, não conseguia parar de pensar nas batalhas que ela faria pela frente em nome dele. Apesar de ser uma Lendária, não era experiente em combate e muito menos em seguir as estratégias que os humanos bolavam nas competições e por isso, tinha medo de desapontar Ryan. No entanto, ele também era novato em ser um treinador, o que pelo menos os colocavam no mesmo patamar. E mesmo que falhassem, sabiam que era apenas uma questão de mais esforço e então, levantar a cabeça e prosseguir. Pelo menos, é isso que ela via nas entrevistas em que os treinadores participavam.
- Opa! Será que é ali? – De repente, Ryan apontou para o horizonte. Saindo de seu transe, Latias cerrou os olhos. No horizonte, havia uma enorme faixa de terra verde e se estendia por quase todo seu campo de visão.
- Parece que chegamos. – Ela suspirou aliviada.
- É isso aí! – Ryan gritou entusiasmado.
- Queria ver essa sua alegria se tivesse no meu lugar. – Ela brincou sorrindo.
- Não teria problema em carregar você se eu fosse um Latios. Você não é tão gordinha como aparenta ser. – Ele fez um sorriso maroto.
- Não sei se devo encarar isso como um elogio.
- Acredite, isso é um elogio. Bem, segundo o que Lorenzo disse antes de partir, temos que ir na cidade de Nuvema e falar com a professora da região. Acho que o nome dela é Juniper, se eu me lembro bem. – Ryan deduziu.
- Para se registrar na Liga, você precisa de uma Pokedéx com todos suas informações e também com a equipe que vai ser usada durante todo o processo. E por favor, não me faça voltar para aquela pokéball de novo. – Ela advertiu.
- Sem problema. Se todos quiserem ficar fora de suas pokéballs, não vejo razão para ficar aprisionados. Se comportando legal, já é o suficiente para mim. – Ele disse.
- Então quer dizer que pretende criar um grupo de Pokémon viajantes, hein? – Ela sorriu, já imaginando eles rodeados por outros Pokémon da equipe apenas caminhando e conversando enquanto seguiam para um ginásio.
- Isso. Mesmo que ainda fosse humano, ainda seria legal ouvir vocês conversando. Você até poderia ser minha tradutora. – Ele respondeu também imaginando a situação.
- Que nada, prefiro você como Pokémon mesmo. Aí, me dá menos trabalho. – Ela disse, fazendo os dois rirem.
- De qualquer maneira, Nuvema fica na costa leste de uma cidade grande que fica no centro. Consegue ver? – Ryan perguntou.
- Sim, já estou vendo ela daqui. É melhor você se tranformar na forma humana logo antes que as pessoas vejam um Gallade que nunca viram antes. – Ela brincou de novo.
- Se existir Gallades por aqui... – Ele lembrou enquanto se transformava.
- Nunca se sabe.
Depois de um tempo, os dois chegaram na costa leste e acharam uma cidade logo perto de onde sobrevoavam. Não possui prédios grandes, apenas casas e edifícios com menos de 6 andares. As ruas eram levemente asfaltadas e também a extensão territorial não era tão grande, dando a impressão de ser uma cidade rural. Mas, o interessante era que, mesmo com a simplicidade do lugar, tinha um aeroporto próximo a um porto. Provavelmente, essa era Nuvema que procuravam.
- Acho que é aqui. Vamos aterrisar na floresta para não levantarmos muita atenção. – Ryan sugeriu enquanto procurava o suposto laboratório da professora Juniper.
- Só pelo fato de eu ser uma Lendária, já é motivo de muita atenção. – Latias lembrou enquanto aterrissava.
- Bem, cedo ou tarde, você fará sua aparição na região. Mas, se quiser deixar isso para depois, não tem problema. – Ryan disse suavemente. Enquanto conversavam, os dois já dirigiam para Nuvema.
- Não, acho que você está certo. Apenas será um gasto do meu poder psíquico se continuar no disfarce. E além disso, acredito que o pessoal dessa região não tenha ouvido falar das lendas de Alto Mare, a não ser que tenham passado por lá. E sinceramente, já estou cansada de viver nas sombras. – Ela explicou.
- Okay então. Só não reclame quando chegar um bocado de gente ao redor de nós dois. – Ryan riu.
- Aí vai ser simples. Nós saímos voando! – Ela gritou alegremente enquanto voava ao redor dele, fazendo-o rir ainda mais.
Depois, já nas ruas da cidade, eles saíram perguntando onde ficava o laboratório da Professora Juniper, o que não demorou muito na verdade. Descobriram que ficava na parte noroeste de Nuvema e era estrutura grande e bem moderna, com uma estufa e uma torre de transmissão. Não tinha como errar. E o melhor de tudo era que a intuição de Latias tinha provado ser correta. Realmente, os cidadãos não reconheceram como uma Lendária, assumindo apenas que era um Pokémon estranho de outra região.
Caminhando, levaram 15 minutos para chegar no lugar. E como tinha ouvido das pessoas, o laboratório era grande e moderno. Era basicamente do tamanho de um Centro Pokémon, mas a estrutura era feita de uma maneira um pouco diferente do que estavam acostumados a ver. O telhado era feito de madeira reforçada e janelas preenchiam a maior parte das paredes do edifício, dando a impressão de um aspecto futurista da região.
Dentro, havia uma sala enorme com vários vasos de plantas, uma mesa com dois sofás para duas pessoas e também um corredor que ligava a uma outra sessão do edifício. E já mesmo ali, já estava com plena atividade.
- Sabe, eu só estava pensando que um cara como você veio do meio do mato... – Ele ouviu um garoto de cabelo loiro sujo que aparentava ter 14 anos. Ele vestia um casaco laranja com uma camiseta preta, usava uma calça jeans cinza claro e um par de tênis azul e branco.
- Ei! O que você quer dizer com “meio do mato”? – Agora, era outro jovem que aparentemente tinha 13 anos. Ele tinha um cabelo preto espetado e bagunçado e usava um boné vermelho e branco com um símbolo de uma pokéball azul. Usava também jaqueta azul e branca, calça jeans cinza escuro e um par de tênis vermelho. Latias instantaneamente o reconheceu.
‘Ash!’ Ela se disparou até ele e o derrubou, não se preocupando com mais nada.
O rapaz ficou rindo enquanto ela esfregava o focinho em seu pescoço, mas logo formou uma careta surpresa quando notou o que estava acontecendo.
- Latias!? O que você está fazendo aqui, tão longe de Alto Mare? – Ash perguntou assim que se levantou.
‘Fazer a mesma coisa que Pikachu. Competir na Liga Pokémon com meu treinador.’ Ela explicou.
- Treinador? Desde quando você tem um?
‘Desde alguns dias atrás, ele me ajudou a ser livre da responsabilidade de guardar a Joia da Alma de Latios. E por falar nele, ele está num lugar melhor agora.’
- Fico feliz em ouvir. – Daí, Ash notou Ryan chegando perto.
- Ora, vejo que vocês dois se conhecem. – Ryan estendeu a mão. – Prazer em conhecê-lo, sou Ryan Stone.
Entusiasmado, Ash a aceitou. – O prazer é meu, meu nome é Ash Ketchum. Conheci Latias quando fiz uma visita em Alto Mare. Você mora lá?
- Sim, e vim aqui para competir pela primeira vez na Liga Pokémon. – Ryan disse um pouco confiante.
Ouvindo todo o desenrolar da situação, a Professora Juniper também participou da conversa. – Olá Ryan, sou a Professora Juniper e devo dizer que estou impressionada em ver que você foi capaz de capturar uma Lendária para ser seu inicial.
O garoto de cabelo loiro sujo fez uma careta surpresa. – Espera, ela é um Pokémon Lendário?
- Isso mesmo, Trip. Latias é um Pokémon Lendário da região de Hoenn, junto com a parte macha da espécie que é o Latios. São raramente vistos por lá e tendem a viajar pelo mundo constantemente. – Juniper explicou. Para a surpresa dos dois treinadores e Latias, Trip a fotografou.
- Por que a foto? – Ryan perguntou um pouco pertubado. O cara nem teve a educação de pedir para fotografar.
- Essa câmera vai registrar tudo que eu achar de interessante na minha jornada. Latias é um Pokémon que você não vê todo dia. – Ele simplesmente explicou. – Professora Juniper, posso escolher meu Pokémon agora?
- Ah claro, acabei me esquecendo. Vamos lá, temos três iniciais disponíveis. O primeiro é o Tepig, um Pokémon do tipo Fogo. – Assim, liberando-o de sua pokéball. O Pokémon era um porco pequeno laranja com coloração preta, vermelho e amarela em várias partes do corpo. – O segundo é o Oshawott, um Pokémon do tipo Aquático. – Fazendo o mesmo com a bola de Tepig, Oshawott era uma lontra pequena com colorações azul claro e escuro e branco. – Finalmente, O terceiro é o Snivy, um Pokémon do tipo Planta. – Snivy era um réptil magro e pequeno com coloração verde na maior parte do corpo.
- Nossa, todos são legais. Tá bem difícil de escolher. – Ash comentou.
- Lembre-se que sou eu quem escolhe. – Trip disse um pouco irritado. Depois de um tempo olhando entre os Pokémon, ele acabou escolhendo o Snivy. Ryan pode deixar de notar a tristeza dos outros dois Pokémon.
- Sabia que ele ia ser escolhido. Os humanos sempre acham Snivy mais legal que nós. – Tepig disse, se virando para Oshawott.
- Nem me fale. E se bem que esse humano combina muito com ele. Os dois têm aquele olhar confiante e assustador de arrepiar a pele. – Ele suspirou.
Ryan concordou silenciosamente com os dois. Trip e Snivy pareciam perfeitos um para outro. Mas, o treinador tinha aquele olhar que dizia que força era tudo em uma batalha.
- Bem Trip, aqui está sua Pokedéx, cinco pokéballs e a de Snivy. Tenha uma ótima jornada! – Juniper torceu também dando adeus ao jovem treinador. Depois, ela se virou para Ash e Ryan. – Vocês vão querer os iniciais também? Seria injusto só o Snivy merecer o prêmio.
- Sério, Professora? – Ash perguntou incrédulo, recebendo um acenar de cabeça dela. – Que legal! Agora, vamos ver qual vou escolher... – Por um tempo, ele ficou olhando entre os dois Pokémon que tiveram suas esperanças de volta. Na verdade, não estava nos planos de Ryan escolher um inicial da região, mas, já que viu que os dois estavam também ansiosos para começar uma jornada, seria uma ótima companhia para ele e Latias. Se identificava muito com o Tepig que parecia ser bem energético e pronto para tudo que entrasse no seu caminho.
- E então Ash, qual deles?
- Cara, os dois parecem ser incríveis, mas vou ficar com o Oshawott. Ele parece ser forte. – Ash pegava a pequena lontra azul e branca.
- Então já que é assim... – Ryan se abaixou e estendeu a mão para Tepig. – O que acha, amiguinho? Quer começar com a gente? – Ele perguntou, com Latias acenou a cabeça logo atrás tentando convencer o jovem Pokémon.
- Claro! Muito obrigado, senhor! – Tepig colocou uma de suas patas na mão dele.
‘Meu nome é Ryan, por falar nisso.’ Ryan falou telepaticamente para que não levantassem suspeitas sobre seu entendimento da linguagem. Mas, Tepig não deixou de ficar estupefato.
- Desde quando humanos entendem Pokémon? – Perguntou.
‘Acho melhor você perguntar isso a Latias. Nós temos um pequeno segredo que você precisa saber antes. Pode fazer isso, Latias?’
‘Claro.’
Com Latias e Tepig distraídos na conversa deles, Ryan se voltou a focar na professora Juniper de novo.
- Aqui está as pokébolas de seus iniciais, as vazias para o resto de suas equipes e uma Pokédex para cada. Lembrem-se, ela é importante para se registrar na Liga já que, além de ser uma biblioteca ambulante sobre espécies Pokémon, é também seu “cartão de identidade”. – Juniper explicou.
- Certo! – Os dois jovens acenaram entusiasmados. Já não conseguiam ver a hora de começar tudo.
- Agora, vocês têm dois dias antes da abertura oficial da Liga de Unova. Mas, vendo que vocês vieram de muito longe, acho melhor vocês descansarem só por hoje. O laboratório tem acomodações para hóspedes no andar superior. Ash, preciso dizer que seria melhor que seu Pikachu ficasse sob observação até sabermos o que houve depois daquela tempestade. Estarei na sala de operações caso precisem de mim. – Ela disse saindo pelo corredor adentro.
- Tempestade? – Ryan se virou para Ash.
- É. Três horas atrás quando chegamos de avião, eu e Pikachu nos deparamos com uma tempestade fora do normal. Não sei explicar como, mas parecia que tinha um Pokémon no meio dela e também parecia que ele era a fonte dos raios. De repente, um deles atingiu Pikachu e foi demais até pra ele, mesmo sendo do tipo Elétrico. Depois disso, parece que os poderes dele ficaram, sei lá, sumiram como se tivesse esquecido de todas as suas habilidades.
- Bem, o importante é que ele está bem, não é? – Ash acenou. – Então, não há com o que se preocupar. Logo logo, vai estar novinho em folha.
- Espero que sim. Vou lá vê-lo agora, você quer ir também?
- Nah, vou dormir um pouco. Latias merece um bom descanso depois de ter me carregado até aqui.
- Sério? Caramba! Bem, fico feliz por ela ter achado alguém como você, Ryan. Você é um cara legal, disso eu tenho certeza, e garanto que vocês três vão formar uma ótima equipe. Vou indo, até mais tarde!
- Até! – E com isso, Ryan se virou para seus dois Pokémon. – Acho que agora vamos ter nosso descanso.
- Finalmente! Minhas asas estão todas doloridas. – Latias respondeu.
- É verdade mesmo que você também é um Pokémon, Ryan? – Tepig perguntou curiosamente.
- Isso, mas vou mostrar depois do nosso descanso, pode ser? Ah, o que acham de vocês receberem nomes? Ficar chamando pelo nome da espécie é muito deprimente, não acham? – Então, ele olhou para Tepig. – O que acha de Blaise, Tepig?
- Gostei! Parece ser legal! Obrigado! – O porquinho pulou entusiasmado.
Depois, Ryan se voltou para Latias. – Para você Latias, acho que Tali ficaria bem em você.
- Por que você acha?
- Sei lá, parece combinar com você já que... bem ... é um nome “fofo”. – Ele se virou para esconder seu rosto corado.
- Awww, que docinho! Adorei! – E ainda deu beijo nele, o que só fez seu rosto ficar ainda mais vermelho, quase chegando ao mesmo nível que seus olhos.
- D-de qualquer maneira, vamos para as acomodações que a Professora falou. Estou exausto! — Ryan gaguejou entre as palavras, fazendo os dois Pokémon rirem dele enquanto iam para o quarto descansar.
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