Em Busca Do Amor Da Lua
3 Relaxando com os novos amigos
Notas iniciais
Isa havia acabado de sair do banheiro. Colocou uma camiseta branca mais comprida para cobrir a calcinha de renda que usava. Sem se preocupar com os trajes, foi até a cozinha onde preparou seu lanche para repor as energias gastas no treino.
Enquanto cantarolava e dançava, Isa sentiu-se sendo observada. Com o copo cheio de suco, virou-se para a porta onde um dourado a observava nos trajes reveladores.
__ Ai, o que você está fazendo aqui? – Isa saiu correndo para o quarto.
O visitante que até agora estava hipnotizado, viu-se corar com a cena ocorrida.
Minutos depois Isa voltou a cozinha onde o dourado ainda estava petrificado e envergonhado. Sem conseguir encarar o visitante pela vergonha, Isa manteve o rosto baixo.
__ Desculpe-me pela cena. É que não esperava ninguém aqui, principalmente um cavaleiro dourado. – Isa suspirou desconcertada.
__ Não há nada a ser desculpado. Eu que fui mal educado e não me anunciei. É que nunca vi alguém tão feliz dançando e cantando depois de um treino... foi uma cena encantadora. — Mú ainda falava com o rosto corado.
__ Certo! – Isa sorriu ainda tímida. – Ai, onde estão meus modos. Entre e se sente. Quer um suco, um lanche?
O cavaleiro sentou-se à mesa e aceitou o suco que a lunar lhe entregou.
__ Eu poderia saber o motivo de uma visita tãooo especial?
__ Na verdade queria me certificar que está tudo bem com você depois do golpe de ontem. A tontura passou? – Mú estava sério, mas tímido.
__ Como é? Claro que estou bem. E não fiquei chateada. Te disse isso na arena.
__ É que percebi algo estranho e quis conferir. – Mú sorriu contidamente.
__ O que percebeu? – Isa deu mais uma mordida no seu lanche.
__ Seus olhos são castanhos, certo?
__ Sim, e o que tem isso de estranho.
__ No momento que lançou aquele golpe na aprendiz, seus olhos se tornaram prateado. Logo depois você teve a tontura e voltaram a ser castanhos.
__ Ah, isso. É assim mesmo. Desde criança. Eu fico com raiva e meus olhos mudam para esse prata.
__ Entendo! – Mú não parecia convencido mas preferiu não continuar nesse rumo. – Seu poder é baseado na lua?
__ Sim, em especial na luz, mas não é tudo. A lua possui muitos poderes. Gravitação, magnetismo, poder vital dos seres. Curioso, né??? – Isa sorriu amplamente.
__ Um pouco! Há de concordar que é a única lunar, como você mesmo disse. Gosto de conhecer tudo. – Mú sorriu simpaticamente.
__ Eu sinto que há certa desconfiança da parte de vocês, dourados. Estou certa?
__ Na verdade, não é só com você. É que nossa missão é muito séria. Atena tem muitos inimigos.
__ No momento certo vocês confiarão!
__ Sim!
A conversa se estendeu. Isa estava relaxada e parecia que conhecia o dourado há tempos. Próximo do almoço, Isa convidou o dourado para o almoço. Eles não esperavam era a visita também inesperada de um pequeno grupo.
__ Ei, parece que temos cheirinho de comida aqui. – Milo estava parado na porta da casa de Isa. – O almoço é só para os dois?
__ Era, mas podem entrar. Posso preparar mais. – Isa acenou para os demais.
Seguindo Milo estavam Aldebaran, Shura e Shina. Mú fitou Milo que o observava com malícia.
__ O que vocês dois estavam fazendo aqui?
__ Conversando, Milo. Por que da pergunta? – Isa respondeu corada.
__ Conversando, todo esse tempo? Sei! – Milo fitou Mú de novo.
__ Todo esse tempo? Como assim? – Foi a vez de Mú se incomodar.
__ Nós vimos na hora que você saiu da arena pela trilha da vila. Estava mal intencionado, não é?
__ Nada haver, Milo. Apenas trocando informações de luta. Normal para guerreiros. – Isa falou calmamente. – E vamos mudar de assunto.
Todos deram risadas. Logo se perderam numa conversa animada sobre as lutas e histórias que Isa contava.
Após o almoço, todos descansaram na sala. Isa se arrumou para ir correr um pouco pela mata no entorno do santuário.
__ Pessoal, nós temos que ir. A Isa tem corrida e nós temos treinos. – Shina apontou a amiga na porta do quarto. – Falando em treino. Onde está a peste, Mú?
__ Não fale dele assim, Shina. É só uma criança com muita energia. – Mú tomou as dores do pupilo. – Está em Jamiel, por isso não estou em Áries.
__ Sei. Se estivesse aqui, você e a Isa estariam ouvindo coisas cabeludas sobre essa ‘conversa’ pela manhã. – Milo continha o riso.
Mú corou mais uma vez. Isa ficou sem entender o motivo do comentário de Milo.
__ Do que vocês estão falando? Quem é a peste, Shina?
__ Hahahaha, está vendo, até a Isa chamou de peste. – Milo gargalhava.
__ Kiki é o nome da peste. É o pupilo do Mú, e é o terror do santuário. – Shina falava gracejando.
__ Entendo. É por isso que você é tão calmo. Se não for assim, você enlouquece. – Isa parecia ter chegado a uma conclusão. – Sabe, conheci uma criança que era terrível. Morava no mesmo prédio que eu, lá no litoral. Se a mãe desse menino perdesse a calma, acho que teria um ataque cardíaco. Pensa numa criança cheia de energia e imaginação... – Isa parecia lembrar das travessuras da criança.
Todos começaram a rir sem parar.
__ Vamos então? – Shina estava indo para a porta. – Obrigada por tudo, Isa. Estava tudo delicioso.
Os dourados assentiram.
__ Não foi nada.
__ Posso te acompanhar? Não tenho muitos compromissos hoje, e faz tempo que não vou há mata. – Mú parecia imaginar a mata.
__ Pode! – Isa falou caminhando para a porta.
__ Esses dois na mata. Sei!!! – Milo passava a mão pelo queixo.
__ Ei Milo, está com ciúme? – Isa falava com malícia.
__ Não! Inveja, talvez.
__ Inveja?
__ Sim, tenho que treinar e não posso ir também na mata. – Milo fez bico.
Rindo da expressão de Milo, todos se despediram, cada qual para seu dever.
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